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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Deus Muda Estatutos do Céu
Para evitar mais sarrafusca e porque de outro modo teria de enviar a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade para o Conselho de Administração do Inferno, coisa que Satã recusou liminarmente sob pena de ocorrer um novo combate entre anjos celestiais e anjos caídos, está agora o Altíssimo a mudar os Estatutos do Céu. De acordo com os novos estatutos passam a existir apenas 9 mandamentos e 5 pecados capitais (os desgraçados que em vez de 10 têm de cumprir 613 mandamentos, podem agora respirar aliviados porque passam a ter só 612). A partir de hoje os pecados capitais da Ganância e da Gula são despromovidos a pequenos, pequenininhos, quase microscópicos pecados veniais, isto é, sem importância que se enxergue, e o mandamento “Não roubarás” ou antes “não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem a sua casa, a sua terra, o seu gado ou os seus escravos” foi riscado da lista dos dez de Moisés e dos sete de Noé (que passam a ser 6, razão porque agora é mais difícil ver as sete cores do arco-íris). Deus está também a meditar se deverá riscar das Tábuas da Lei o mandamento “não matarás” dado que os que fazem a guerra em Seu nome se fartam de matar e de formas muito criativas, numa espécie de concurso de fazer empalidecer os júris dos mais arrepiantes festivais de filmes de terror. Estas alterações aos Estatutos do Céu e aos consequentes mandamentos e regras que os devotos têm de respeitar se desejarem entrar no Paraíso, têm a sua origem no mais recente segredo de alcova da família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. O segredo prende-se com um negócio que se farta de meter água, pois envolve submarinos comprados pela República dos Nabos a uma potência estrangeira quando o Ex.mo sr. Paulo Ibn-Portões mandava nos dinheiros da Defesa do Nabal. Ao que parece, essa potência estrangeira pagou generosas “luvas” à família da Terceira Pessoa da Santíssima para que os submarinos – que não navegam – fossem comprados. Tipo, alguém comprar um bruto BMW topo de gama e deixá-lo à porta de casa para inveja dos vizinhos, nunca saindo com ele para lado algum pois se não há massas para o pão, ainda menos há p’rá gasolina. Porque razão uma entidade tão celestial como o Espírito Santo se viu envolvida num negócio tão terreno e bélico como Submarinos para o Nabal é algo que escapa até à todo-poderosa omnisciência de Deus… isto é, até à mudança dos celestiais estatutos, pois a partir daí torna-se tudo muito claro. A partir de agora a ganância já não é pecado mas passa a ser uma decente qualidade, mui apreciada pelas hostes celestiais e assim o comportamento do clã da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade nada tem de criticável ou incompreensível. Esta é uma excelente notícia para os muito ricos deste mundo, que já não precisam temer nem os monstros castigadores do Tribunal de Osíris nem o Julgamento Divino ou o “vai bater a outra porta” de São Pedro, dado que já não precisam passar pelo buraco da agulha acompanhados do respectivo camelo mas podem entrar pacatamente no Paraíso acompanhados da sua cáfila de camelos, a frota de Lamgorginis, a meia dúzia de iates a e a mansão nas Bahamas. O que tornará o Céu um lugar muito mais interessante pois dexará de se assistir a entediantes argumentações teológicas baseadas no tópico “no meu tempo era assim” ou a coros de bebés a chorarem porque ainda não sabem fazer outra coisa. A partir de agora haverá corridas de bólides e regatas de iates de luxo, festas glamorosas onde vale tudo, incluindo cobiçar a mulher do próximo, acesos combates financeiros e épicas conquistas das bolsas de valores, entre outras actividades mais tranquilas como noitadas nas praias com beldades e barris de boa bebida e ainda melhor comida ou pacíficas partidas de golfe onde se combinam as próximas OPAs agressivas à multinacional que gere os negócios do Céu. Infelizmente nem todos no Paraíso estão a conseguir acompanhar a mudança. O Filho do Altíssimo, O Messias para os amigos, está a consultar desde há uma semana o best-seller latino “Novo Testamento” para perceber se no seu tempo pela Terra, Ele operou o milagre da multiplicação dos pães ou o da redução dos peixes nas margens do Mar de Tiberíades dado que no negócio do Espírito Santo, de 30 milhões de “luvas” iniciais exportadas da capital das Bolas de Berlim, apenas restavam 20 na Capital dos Nevoeiros e daí para a Olissipo deu-se outro milagre subtractivo, que terminou em apenas 5 milhões. Ora o Messias quer perceber para onde foram esses desaparecidos 25 milhões, e se houve milagre do Espírito Santo irá intentar uma acção em tribunal por apropriação indevida dos seus direitos de autor. É que nos novos estatutos do Céu não há qualquer referência a franchisings do negócio dos milagres, o qual é, ainda, exclusivo do Filho de Deus e de quem Ele calha de nomear para algum milagre muito específico. Quanto ao Diabo, esse já está a fechar a cadeado e sistema de alarme a laser as portas do Inferno, recusando a entrada a todo e qualquer novo hóspede, não vá a família do Espírito Santo ser recambiada mesmo para o Inferno, com documentação certificada pelo punho do Pai de Todos. Satã não quer correr riscos e ver um destes dias desaparecer sem deixar rasto as suas encomendas de brasas, utensílios de culinária e contratos de compra-e-venda de almas, pois nem todos os advogados residentes no Inferno, a trabalharem em consórcio, seriam capazes de defender os pergaminhos dos diabos desse infausto e santo espírito.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Desconcerto no Banco Bom da Santíssima Trindade: Anjos Jogam à Porrada
O Céu está à beira duma carga de nervos! Mais uma vez por causa do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que em teoria já não é dela e também já não é um banco mas dois meios bancos, tendo uma das metades sido entregue à administração do Inferno dado que esta metade corresponde ao Banco Mau e do qual nunca mais se ouviu falar, calhando porque está a receber as maldades e desvios, perdão, desvarios do Banco Bom, que ficou sob administração de condóminos do Céu e por isso mesmo se chama Banco Bom, Novo para os amigos. E a coisa está tão feia que o patrão dos condóminos angelicais decidiu criar uma excepção e chamou do Inferno um contingente especial de advogados – todos os advogados têm lugar cativo no Inferno – para darem conta do recado, isto é, das inúmeras queixas e acções judiciárias que os anjos e demais habitantes do Paraíso estão a interpor por causa do Banco antigo, do Banco Bom e de todas as fundações, sociedades financeiras e correlativas associadas. E isto se o Senhor quis resolver o assunto com um mínimo de civilidade pois já se andava ao soco em cima das núvens (se tê estranhado o estado do tempo, este está assim explicado) e pelo menos os subordinados do anjo Uriel tinham saído de uma dessas brigas com uns olhos negros, asas torcidas e algo depenadas e as auréolas de formato mais a dar para o quadrado do que para o redondo e como Uriel é um anjo de pêlo na venta, só por milagre não pegara fogo às núvens. Uriel está neste momento a usufruir dumas férias forçadas, mercê dum processo disciplinar por que o Senhor e patrão do condomínio celestial lhe rugiu que “Tu não te armas mais em Faetonte ou queres seguir o destino desse pagão que há muito foi despromovido a mito?”. Uriel não quis pois mais vale ser-se um anjo no desemprego do que um mito mas a razão do arraial mais recente nas núvens – e que se traduziu, cá em baixo na Terra, por um pequeno dilúvio na capital da República dos Nabos – foi o facto de que de repente, sem aviso, o anjo Teoael bateu com a porta do Banco Bom na cara do anjo supervisor declarando que não presidia mais “àquela palhaçada”, o que muito ofendeu o supervisor e pôs todos os anjos a correr para os cofres dos seus novos títulos financeiros e a vendê-los a todo o vapor, causando uma sobrecarga nos computadores negociais do Éden, que já não puderam calcular o número de virgens atribuídas a cada novo mártir que bate agora à porta do Céu, provocando em consequência uma concentração expontânea e não convocada, logo ilegal, no caminho para o Paraíso. Neste momento a Bolsa do Céu está um caos e muitos anjos e habitantes do paraíso começam a pensar se não será melhor apostar no Inferno e trasladar para lá as economias, porque isto do modo como as coisas estão… As coscuvilhices do nosso “penetra” nos domínios celestes informam-nos de que esta abrupta demissão do anjo dos dinheiros e negócios se deveu ao facto de que o anjo supervisor, por mandato do Altíssimo, é claro, se recusou a aceitar os planos para a recuperação do Banco Bom e posterior venda, quando o mercado já pudesse ter ganho alguma confiança naquele poço sem fundo. O que o Eterno quer é despachar o caso, vender ao primeiro parvo que apareça e pôr uma pedra sobre o assunto, tão grande que nunca mais qualquer coca-bichinhos possa vir a descobrir o que raio se passou ao certo com o antigo Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e para onde é que de facto foi a massa que era suposto lá estar. Oficialmente, contudo, e apesar dumas estranhas histórias de acções vendidas que podem ter tido algum inside trading na hora da venda, o Altíssimo não sabe de nada, continua a afirmar que o Banco está sólido e assobia para o lado. Os habitantes menores do Paraíso também começam a ouvir assobios, mas esses vêm dos buracos crescentes nas suas carteiras e investimentos.