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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Desconcerto no Banco Bom da Santíssima Trindade: Anjos Jogam à Porrada
O Céu está à beira duma carga de nervos! Mais uma vez por causa do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que em teoria já não é dela e também já não é um banco mas dois meios bancos, tendo uma das metades sido entregue à administração do Inferno dado que esta metade corresponde ao Banco Mau e do qual nunca mais se ouviu falar, calhando porque está a receber as maldades e desvios, perdão, desvarios do Banco Bom, que ficou sob administração de condóminos do Céu e por isso mesmo se chama Banco Bom, Novo para os amigos. E a coisa está tão feia que o patrão dos condóminos angelicais decidiu criar uma excepção e chamou do Inferno um contingente especial de advogados – todos os advogados têm lugar cativo no Inferno – para darem conta do recado, isto é, das inúmeras queixas e acções judiciárias que os anjos e demais habitantes do Paraíso estão a interpor por causa do Banco antigo, do Banco Bom e de todas as fundações, sociedades financeiras e correlativas associadas. E isto se o Senhor quis resolver o assunto com um mínimo de civilidade pois já se andava ao soco em cima das núvens (se tê estranhado o estado do tempo, este está assim explicado) e pelo menos os subordinados do anjo Uriel tinham saído de uma dessas brigas com uns olhos negros, asas torcidas e algo depenadas e as auréolas de formato mais a dar para o quadrado do que para o redondo e como Uriel é um anjo de pêlo na venta, só por milagre não pegara fogo às núvens. Uriel está neste momento a usufruir dumas férias forçadas, mercê dum processo disciplinar por que o Senhor e patrão do condomínio celestial lhe rugiu que “Tu não te armas mais em Faetonte ou queres seguir o destino desse pagão que há muito foi despromovido a mito?”. Uriel não quis pois mais vale ser-se um anjo no desemprego do que um mito mas a razão do arraial mais recente nas núvens – e que se traduziu, cá em baixo na Terra, por um pequeno dilúvio na capital da República dos Nabos – foi o facto de que de repente, sem aviso, o anjo Teoael bateu com a porta do Banco Bom na cara do anjo supervisor declarando que não presidia mais “àquela palhaçada”, o que muito ofendeu o supervisor e pôs todos os anjos a correr para os cofres dos seus novos títulos financeiros e a vendê-los a todo o vapor, causando uma sobrecarga nos computadores negociais do Éden, que já não puderam calcular o número de virgens atribuídas a cada novo mártir que bate agora à porta do Céu, provocando em consequência uma concentração expontânea e não convocada, logo ilegal, no caminho para o Paraíso. Neste momento a Bolsa do Céu está um caos e muitos anjos e habitantes do paraíso começam a pensar se não será melhor apostar no Inferno e trasladar para lá as economias, porque isto do modo como as coisas estão… As coscuvilhices do nosso “penetra” nos domínios celestes informam-nos de que esta abrupta demissão do anjo dos dinheiros e negócios se deveu ao facto de que o anjo supervisor, por mandato do Altíssimo, é claro, se recusou a aceitar os planos para a recuperação do Banco Bom e posterior venda, quando o mercado já pudesse ter ganho alguma confiança naquele poço sem fundo. O que o Eterno quer é despachar o caso, vender ao primeiro parvo que apareça e pôr uma pedra sobre o assunto, tão grande que nunca mais qualquer coca-bichinhos possa vir a descobrir o que raio se passou ao certo com o antigo Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e para onde é que de facto foi a massa que era suposto lá estar. Oficialmente, contudo, e apesar dumas estranhas histórias de acções vendidas que podem ter tido algum inside trading na hora da venda, o Altíssimo não sabe de nada, continua a afirmar que o Banco está sólido e assobia para o lado. Os habitantes menores do Paraíso também começam a ouvir assobios, mas esses vêm dos buracos crescentes nas suas carteiras e investimentos.

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