O Ministro da Educação da
República Democrática dos Nabos fugiu para o Império do Chá, no fim de semana,
após a barraca no Nabal devida às bolsas para doutoramento e pós-doutoramento,
para fugir à manif. dos cientistas, que saíram para as ruas com batas brancas
tingidas de preto para demonstrar o luto pelo enterro definitivo da Ciência,
que “só dá se der para as empresas ganharem o seu” tipo Regresso ao Passado V,
no caso ao Renascimento, quando os ricaços da altura eram quem dava o guito aos
carolas. A diferença é que os ricaços da altura tinham vistas largas e não
temiam atirar-se a empreendimentos mais esotéricos, ao passo que os de hoje
apenas se abalançam a coisas com comprovados resultados na conta bancária ao
fim do mês. Ora como a Ciência não é tipo encomenda de pastéis de bacalhau ali
à tasca da esquina porque o desconhecido é… desconhecido e como tal
imprevisível nos seus resultados, está o caso arrumado. Mas como nos últimos
tempos o pessoal deu em vaiar, insultar e até decorar com hortaliça podre os
egrégios representantes do sacro poder governamental (apesar de não mandar nada
senão aquilo que é mandado mandar pelos eleitos da Cidade do Tacho/ Couve de
Bruxelas, versão valónica ou flamenga conforme os gostos do leitor), o ministro
decidiu ser melhor dar de frosques, não acontecesse algum cientista mais
exaltado atirar-lhe à cara uma cultura de células estaminais ou, mais
Frankenstaineana-mente, uma boa dose de ácido sulfúrico do mais puro. E foi
muito bem acolhido no Império do Chá, com quem aliás o Nabal tem uma aliança de
cooperação desde a Alta Idade Média e que no geral consiste no pessoal do Chá
vir cá colher os benefícios e atirar-nos com os desconfortos. O Ministro, após
umas boas cachimbadas da praxe, colocou muitas propostas em cima da mesa do seu
homólogo, as quais rapidamente alcançaram as redacções dos jornais humorísticos
de Sua Alteza Real e comadre de Saxe-Coburg-Gotta. Entre estas, fizeram
destaque:
1) A formação de professores
locais para ensinar a língua nabense (os nabos não são bons para ensinar a sua
própria língua a estrangeiros, o que não é de surpreender dado o Nabal estar a
rectificar um acordo linguístico que o fará enveredar por uma novilíngua,
assunto que trataremos em próxima notícia).
2) A visita de professores
nabenses – crioeteriosamente escolhidos em função de parâmetros familiares e
políticos – às escolas do Império do Chá, para tomarem chá e biscoitos com os
colegas chalados e deste modo colaborarem no ensino do nabês.
3) Os custos de tudo isto deverão
ser suportados pelos cofres do Império do Chá.
4) Outras propostas ainda mais
divertidas, mas que dificilmente podem ser veiculadas num jornal sério como o
nosso.
O primeiro ministro do Império do
Chá, o Sr. Camarão, riu-se muito, tanto na verdade que ficou vermelho e
prontinho para ir para a panela, deu várias palmadinhas nos joelhos do ministro
do Nabal enquanto se desmanchava a rir e convidou-o a voltar na 5ª feira, para
uma Conferência de Imprensa para animar os humores tristes dos acamados nos
hospitais, pedindo-lhe para proclamar similares ou ainda melhores larachas.
Assegurou não estar a fazer pouco das propostas, de maneira nenhuma!, e as
achava tão pertinentes que o condecoraria com a Ordem dos Jarretas e escreveria
o seu nome no Livro do Guiness, não o da cerveja mas o dos records. Muito
emocionado, o Ministro da Educação dos nabos, o egrégio Sr. Crata-Pulgas,
declarou que a Ordem dos Jarretas ainda compreendia mas… porquê o Guiness?
- Oh, meu caro
amigo! Por duas razões: primeira, porque você foi o ministro que mais gaffes cometeu desde que entrou para um
ministério e, temos de convir, a competição dentro do vosso governo é renhida
nesse aspecto. Segunda, porque essas foram as melhores piadas que ouvi em toda
a minha vida! Então nós é que vamos pagar as idas e vindas dos vossos profs.,
quando temos cá um monte d’emigrantes vossos com estudos superiores, a
trabalharem nas carrinhas de hambúrgueres e a quem podemos pagar tura-e-meia
para ensinarem a vossa língua sem despesas de deslocação?! Então você já se
esqueceu que nós somos uns forretas?
O Ex.mo Sr
professor-doutor doutor-professor doutor Crata-Pulgas ficou um bocadinho
ofendido e retirou-se mal o protocolo o permitiu pois não queria criar um incidente
diplomático, dado esse ser o pelouro do seu colega ministro Dr. Machadada. O
primeiro-ministro Camarão ainda lançou para a porta um “mas não se esqueça de
vir na 5ª feira, temos cá a comenda da Ordem dos Jarretas para si, com um
bonito diploma e medalha para colocar ao peito. Fica muito bem em cerimónias
oficiais, garanto-lhe! Fará um sucesso”. Não sabemos se o Ex.mo. Sr.
professor-doutor doutor-professor doutor Crata-Pulgas voltará ao Império do
Chá, também conhecido por Reino Unido em Pré-Rifting, na próxima 5ª feira para
a condecoração. Mas a nossa espia e empregada da limpeza no paço real, a
Aninhas da Portela, informou-nos pelos canais confidenciais que mal o excelso
ministro Crata-Pulgas saiu de cena, o primeiro-ministro Camarão esticou as pernas
para a lareira e chamou:
- James… - ao
apelo acorrendo um digno mordomo, no mais elevado estilo das escolas de
mordomos do reino – Ah, James, envie aos nabos outra remessa daqueles belos
charutos especiais. Os tipos lá no Nabal já estão a alucinar mas é importante
que alucinem por completo, para convencer o povão do grande sucesso económico
que é, como todos sabemos, um descalabro. Afinal, as eleições estão ai à porta…

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