
Notícia
acabada de chegar à redacção dá conta de que um político recém-eleito declarou
que impedir os pobres de terem serviços médicos subsidiados é a forma deles
poderem viver o Sonho Americano. Donde podemos concluir que o sonho americano é
um… pesadelo.
E para Que Não Incomodem, Vamos Ilegalizar a
Pobreza
A ideia partiu duma associação humanitária mas
dado o seu enorme potencial económico foi já adoptada como linha de acção
governativa na República Democrática dos Nabos... porque só mesmo aí e porque, mais
importante, seguramente se resolvem todos os problemas, incluindo o de passar a
ganhar sempre as eleições. Também resolverá o problema dos pesadelos que todo o
bom patriota deve actualmente sofrer para bem poder encarnar o sonho do seu
respectivo país. A ideia
partiu duma luminária que, perturbada com os problemas sociais resolveu que a
melhor forma de lhes encontrar solução era… por decreto. A Lei está ainda no
segredo dos deuses e do excelso crâneo do nabo residente que teve a ideia, mas
podemos desde já adiantar que será proibido andar com roupa esgaçada e a
cheirar a esgoto, com lustro de quem não vê a barrela há meses, serão proibidos
os chanatos, chinelas de pé, sapatos rotos e pés descalços, multados os
queixumes de que se tem fome e passará a cobrar-se renda aos sem-abrigo em
função da área ocupada no passeio, entradas de prédios e debaixo das pontes,
com extra se estes usarem caixotes de papel para se abrigarem da chuva. Tal
como já actualmente acontece do outro lado do oceano, quem for dar de comer a
esta gente será detido, condenado a 6 meses de prisão e multa de 3 vezes o seu
salário, dado que se não há pobres, a caridade é um desvio abominável de
recursos. Deixando, por decreto, de existir pobreza, são alcançadas numerosas
vantagens. Deixa de existir isenções de IRS e outros impostos (a menos que se
seja muito rico e se transfiram as fortunas para offshores), pelo que o Estado poderá arrecadar ainda mais capital
para o seu orçamento. Passa a ficar muito bem nas estatísticas s fotografias
internacionais pois mais do que cumpriu os Objectivos do Milénio, não reduzindo a
pobreza para metade mas fazendo-a completamente desaparecer… para debaixo do
tapete. Como deixará de haver pobres não será necessário pagar subsídios de
reinserção nem de desemprego (depreende-se que quem seja desempregado tem mais
do que meios para se safar por si dado que ser pobre será proibido), o que são
só poupanças para o Estado que poderá assim canalizar esses recursos para
objectivos mais meritórios como… pagar a fundações que não funcionam e PPPs que
ninguém sabe porque estão ainda a ser pagas. Naturalmente como haverá sempre
insurgentes que como o salário ou ausência de emprego que possuem hão-de
continuar a teimar que são pobes e que não podem pagar impostos ou têm mesmo de
dormir na rua, esses rebeldes serão encaminhados para o crescente mercado de
escravos, (leilões promovidos em concurso oficial como o das senhas de IRS para
carros de luxo, lucros das vendas a reverterem para os cofres estaduais). Se
demasiado inaptos para a escravatura, serão exportados para fazerem santas
guerras em terra alheia, dado que os religiosos líderes dessa nobre actividade
estão sempre com falta de mão-de-obra. Quando estiverem todos mortos será
garantido que a pobreza… acabou-se. E provavelmente nós também.

Sem comentários:
Enviar um comentário