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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ser Ministro É… Dizer aos Outros Que Resolvam os Problemas
O comité internacional da Guiness (do livro e da cerveja, o que explica muitas das suas ébrias decisões) acaba de colocar no seu Muro dos Famosos o governo da República Democrática dos Nabos, sob a designação de Recordista da Incompetência, para grande gáudio dos patrióticos nabos que vieram para a rua comemorar… com cerveja nacional. A competição para o quadrado dourado na parede, com direito a figurar em capa de CD “Teacher leave the kids alone”, foi renhida. Entre os competidores encontravam-se governos que, sem declararem guerra, activamente assassinam toda a população não pertencente à tribo do líder, ou “ignoram” o assassínio de estudantes, sobretudo se femininos, deixam correr o marfim quando os seus súbditos são raptados e massacrados às resmas e até promovem a boa harmonia com os raptores, assinando tratados de paz que nunca são levados a sério e iniciam a campanha eleitoral não a prometer a libertação das raptadas mas a agradecer a Deus e aos seus doadores. O Nabal provou ter uma capacidade de destruição que conseguiu mesmo estilhaçar as expectativas do mais sério concorrente, o Estado da Ísis, que abraçou entusiasticamente a actividade de controlo da população recorrendo ao extermínio em massas e venda em mercado de escravos de todos os súbditos que adorem um deus diferente do do líder ou desaprovem a cor do seu turbante, ousando vestir-se com outras cores. Os exemplos de entronizaram o governo do nabal foram os seguintes:
1º - O ministro da Educação, num arroubo de transvectorial criatividade decidiu aplicar a matemática da evolução das estrelas de massa infra-solar e conseguiu, não apenas implodir-se mas implodiu todo o ministério, gerando um buraco negro para onde atirou com professores, alunos e toda a demais massa crítica, garantindo deste modo que ninguém mais consiga definir a curva espaço-temporal da sua escolar existência. Parabéns ao termodinâmico astrónomo!
2º - O seu secretário, responsável pelo ensino das criancinhas pequenininhas, decidiu dar-lhes um exemplo educativo de “como as coisas funcionam” e plagiou uma tese com o apropriado título “A Moral no Ensino”.
3º - No ministério das Viagens, foram criados os Vistos Máfia que furam a impenetrável fortaleza da União e abrem as suas portas a cidadãos de passado e actividades mais do que duvidosas e sombrias, com consequentes rusgas da polícia, o que origina viagens gratuitas até à Quinta do Xilindró. Naturalmente, o ministro que gerou toda esta actividade turística com a criação dos Vistos Máfia, está ali p’rás curvas.
4º - O ministro da Justiça, achando muito aborrecida a tarefa de pôr os tribunais a funcionar a velocidade superior à das lesmas, decidiu reorganizar a geografia do país, o que deu numa interessante dança de tribunais e magistrados em tudo igual à das bolas da vermelhinha, e uma tal confusão no sistema informático que este passou de Citius a aldeia em estado de sítio. Mas como se trata do Ministério da Justiça era preciso arranjar um bode expiatório para se poder instaurar um processo, a bem do nome da coisa. No caso encontraram-se 2 bodes, dois pequeninos lá do refugo do rebanho. Infelizmente as coisas correram mal pois nem todos quiseram acatar o antigo ritual caprino e o mar, desta vez, não bateu no mexilhão. Naturalmente que nada aconteceu ao ministro acusador de inocentes. Ele está lá é p’ra acusar, não para defender a justeza da causa.
5º - No Ministério da Economia a palavra de ordem é falhar todas as previsões, desde o défice à taxa de inflacção, PIB e demais substâncias exotéricas e mesmo quando os crâneos da União dizem que as previsões estão erradas, teima-se no mesmo Orçamento (no fim de contas lá haverá os Rectificativos para falhar por menos o balanço) e nas mesmas orientações económicas e espera-se que haja um milagre. O que aliás está certo porque a Economia nem sequer é uma pseudo-ciência mas uma religião, dado que se basta asi mesma com actos de fé, ignorando a realidade em favor da doutrina. E se a falha nas contas for tão grande que nem uma profissão de fé as salva, bom, a culpa é… do granizo.
6º - No ministério da Saúde espera-se a todo o momento que o sistema informático adoeça, e por consequência leve à demência todo o pessoal que tenha de lidar com ele. Os doentes que forem apanhados no embrulho podem morrer sem problemas porque aliás é o que já acontece com muitos que, por exemplo, não encontram medicamentos nas farmácias para as suas doenças crónicas ou estão tão bem assistidos pela Segurança Social que financiaram aquando da sua vida activa que agora só precisam de escolher se querem comer ou se querem tratar dos achaques. Em qualquer das escolhas a morte é garantida.
7º - Um ministro-chefe que, face a tantas barracas e falhanços de previsões e, não sejamos modestos, o geral falhanço de tudo, acho que tinha de bater nos culpados e, num profundo respeito pela separação de poderes, desancou nos jornalistas que noticiam estas coisas, chamando-os entre outros mimos, de preguiçosos. Donde se conclui que a palavra preguiça adquiriu um novo significado: trabalhar non-stop para conseguir noticiar tantas barracas, escândalos, corrupções e outras coisinhas sem importância.
8º - O Ministro das Diplomacias é ainda melhor do que o seu colega da Educação pois de cada vez que abre a boca cria um incidente diplomático, estando já nomeado para o posto de bomba de neutrões alternativa, se entrarmos por uma guerra a sério, e os nossos espiões em sede de conselho de ministros informam-nos que os dois ministros referidos estão em competição para ver quem mais promove o aumento da entropia na horta. É especialmente notável pela sua capacidade de fazer declarações bombásticas… baseadas em leitura de jornais e ignorando as consequências delas para todos os envolvidos, já para não falar do país pois o país, sejamos francos, é o que menos interessa. Isto causa um desaustinado corrupio nas chancelarias que abala o já ineficaz funcionamento consular do Nabal mas isto em nada e compara com a sua notável coerência de pontos de vista. Eis um exemplo: o digno chefe da diplomacia nabense considera que os direitos humanos têm de se adaptar à economia, ou seja, os direitos humanos não são um ganho moral e civilizacional e sim uma espécie de collants que se adapta à forma da perna. Corolário: se a economia estiver má, as liberdades podem ser suspensas e as pessoas reduzidas à condição de escravas. O tipo do Sieg Heil e o caro califa Iznogood não podiam estar mais de acordo! Ao mesmo tempo sua excelência declara que o país defenderá no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Desunidas “a dignidade da pessoa humana e o carácter individual, universal, indivisível inalienável e interdependente de todos os direitos humanos, sejam estes civis, culturais, políticos, económicos ou sociais". Pergunta: quando será revelado o normativo das taxas a aplicar para que cada um dos direitos da Declaração Universal (e que não contempla sequer os culturais, económicos, políticos, ou sociais) possam ser envergados pelo feliz pagador?
Mas o que definitivamente decidiu o comité a atribuir ao Nabal o Prémio Guiness de Incompetência foi a sugestão do Ministro da Educação que perante as críticas dos professores face à bagunça do início do ano lectivo, que só teve comparação com os do Período Revolucionário Em Curso respondeu, “bem, resolvam o problema, apresentem soluções”. Segundo o comité, esta frase não só coroou a majestática indiferença a todas as sugestões até então apresentadas como redefiniu por completo a noção do que é ser ministro e suas responsabilidades. Ser Ministro passou a ser… o tipo que manda os outros resolver, à borla, os problemas que ele é pago para resolver. Sem sombra de dúvida, conclui o comité da Guiness, é muito difícil encontrar um governo com tal capacidade de auto-alucinação e destruição supersónica.

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