Ser Ministro É… Dizer aos Outros Que Resolvam os
Problemas
O comité internacional da Guiness (do livro e da cerveja, o que explica
muitas das suas ébrias decisões) acaba de colocar no seu Muro dos Famosos o
governo da República Democrática dos Nabos, sob a designação de Recordista da
Incompetência, para grande gáudio dos patrióticos nabos que vieram para a rua comemorar…
com cerveja nacional. A competição para o quadrado dourado na parede, com
direito a figurar em capa de CD “Teacher leave the kids alone”, foi renhida.
Entre os competidores encontravam-se governos que, sem declararem guerra,
activamente assassinam toda a população não pertencente à tribo do líder, ou “ignoram”
o assassínio de estudantes, sobretudo se femininos, deixam correr o marfim quando
os seus súbditos são raptados e massacrados às resmas e até promovem a boa
harmonia com os raptores, assinando tratados de paz que nunca são levados a
sério e iniciam a campanha eleitoral não a prometer a libertação das raptadas
mas a agradecer a Deus e aos seus doadores. O Nabal provou ter uma capacidade
de destruição que conseguiu mesmo estilhaçar as expectativas do mais sério
concorrente, o Estado da Ísis, que abraçou entusiasticamente a actividade de
controlo da população recorrendo ao extermínio em massas e venda em mercado de
escravos de todos os súbditos que adorem um deus diferente do do líder ou desaprovem
a cor do seu turbante, ousando vestir-se com outras cores. Os exemplos de
entronizaram o governo do nabal foram os seguintes:
1º - O ministro da Educação, num arroubo de transvectorial criatividade
decidiu aplicar a matemática da evolução das estrelas de massa infra-solar e
conseguiu, não apenas implodir-se mas implodiu todo o ministério, gerando um
buraco negro para onde atirou com professores, alunos e toda a demais massa
crítica, garantindo deste modo que ninguém mais consiga definir a curva
espaço-temporal da sua escolar existência. Parabéns ao termodinâmico astrónomo!
2º - O seu secretário, responsável pelo ensino das criancinhas
pequenininhas, decidiu dar-lhes um exemplo educativo de “como as coisas
funcionam” e plagiou uma tese com o apropriado título “A Moral no Ensino”.
3º - No ministério das Viagens, foram criados os Vistos Máfia que furam
a impenetrável fortaleza da União e abrem as suas portas a cidadãos de passado
e actividades mais do que duvidosas e sombrias, com consequentes rusgas da
polícia, o que origina viagens gratuitas até à Quinta do Xilindró.
Naturalmente, o ministro que gerou toda esta actividade turística com a criação
dos Vistos Máfia, está ali p’rás curvas.
4º - O ministro da Justiça, achando muito aborrecida a tarefa de pôr os
tribunais a funcionar a velocidade superior à das lesmas, decidiu reorganizar a
geografia do país, o que deu numa interessante dança de tribunais e magistrados
em tudo igual à das bolas da vermelhinha, e uma tal confusão no sistema
informático que este passou de Citius a aldeia em estado de sítio. Mas como se
trata do Ministério da Justiça era preciso arranjar um bode expiatório para se
poder instaurar um processo, a bem do nome da coisa. No caso encontraram-se 2
bodes, dois pequeninos lá do refugo do rebanho. Infelizmente as coisas correram
mal pois nem todos quiseram acatar o antigo ritual caprino e o mar, desta vez,
não bateu no mexilhão. Naturalmente que nada aconteceu ao ministro acusador de
inocentes. Ele está lá é p’ra acusar, não para defender a justeza da causa.
5º - No Ministério da Economia a palavra de ordem é falhar todas as
previsões, desde o défice à taxa de inflacção, PIB e demais substâncias
exotéricas e mesmo quando os crâneos da União dizem que as previsões estão
erradas, teima-se no mesmo Orçamento (no fim de contas lá haverá os
Rectificativos para falhar por menos o balanço) e nas mesmas orientações
económicas e espera-se que haja um milagre. O que aliás está certo porque a
Economia nem sequer é uma pseudo-ciência mas uma religião, dado que se basta
asi mesma com actos de fé, ignorando a realidade em favor da doutrina. E se a
falha nas contas for tão grande que nem uma profissão de fé as salva, bom, a
culpa é… do granizo.
6º - No ministério da Saúde espera-se a todo o momento que o sistema
informático adoeça, e por consequência leve à demência todo o pessoal que tenha
de lidar com ele. Os doentes que forem apanhados no embrulho podem morrer sem
problemas porque aliás é o que já acontece com muitos que, por exemplo, não
encontram medicamentos nas farmácias para as suas doenças crónicas ou estão tão
bem assistidos pela Segurança Social que financiaram aquando da sua vida activa
que agora só precisam de escolher se querem comer ou se querem tratar dos
achaques. Em qualquer das escolhas a morte é garantida.
7º - Um ministro-chefe que, face a tantas barracas e falhanços de
previsões e, não sejamos modestos, o geral falhanço de tudo, acho que tinha de
bater nos culpados e, num profundo respeito pela separação de poderes, desancou
nos jornalistas que noticiam estas coisas, chamando-os entre outros mimos, de
preguiçosos. Donde se conclui que a palavra preguiça adquiriu um novo
significado: trabalhar non-stop para conseguir noticiar tantas barracas,
escândalos, corrupções e outras coisinhas sem importância.
8º - O Ministro das Diplomacias é ainda melhor do que o seu colega da
Educação pois de cada vez que abre a boca cria um incidente diplomático,
estando já nomeado para o posto de bomba de neutrões alternativa, se entrarmos
por uma guerra a sério, e os nossos espiões em sede de conselho de ministros
informam-nos que os dois ministros referidos estão em competição para ver quem
mais promove o aumento da entropia na horta. É especialmente notável pela sua
capacidade de fazer declarações bombásticas… baseadas em leitura de jornais e
ignorando as consequências delas para todos os envolvidos, já para não falar do
país pois o país, sejamos francos, é o que menos interessa. Isto causa um
desaustinado corrupio nas chancelarias que abala o já ineficaz funcionamento
consular do Nabal mas isto em nada e compara com a sua notável coerência de
pontos de vista. Eis um exemplo: o digno chefe da diplomacia nabense considera
que os direitos humanos têm de se adaptar à economia, ou seja, os direitos
humanos não são um ganho moral e civilizacional e sim uma espécie de collants
que se adapta à forma da perna. Corolário: se a economia estiver má, as
liberdades podem ser suspensas e as pessoas reduzidas à condição de escravas. O
tipo do Sieg Heil e o caro califa Iznogood não podiam estar mais de acordo! Ao
mesmo tempo sua excelência declara que o país defenderá no Conselho dos
Direitos Humanos das Nações Desunidas “a dignidade da pessoa humana e o
carácter individual, universal, indivisível inalienável e interdependente de
todos os direitos humanos, sejam estes civis, culturais, políticos, económicos
ou sociais". Pergunta: quando será revelado o normativo das taxas a aplicar
para que cada um dos direitos da Declaração Universal (e que não contempla
sequer os culturais, económicos, políticos, ou sociais) possam ser envergados
pelo feliz pagador?
Mas o que definitivamente decidiu o comité a atribuir ao Nabal o Prémio
Guiness de Incompetência foi a sugestão do Ministro da Educação que perante as
críticas dos professores face à bagunça do início do ano lectivo, que só teve
comparação com os do Período Revolucionário Em Curso respondeu, “bem, resolvam
o problema, apresentem soluções”. Segundo o comité, esta frase não só coroou a
majestática indiferença a todas as sugestões até então apresentadas como
redefiniu por completo a noção do que é ser ministro e suas responsabilidades.
Ser Ministro passou a ser… o tipo que manda os outros resolver, à borla, os
problemas que ele é pago para resolver. Sem sombra de dúvida, conclui o comité
da Guiness, é muito difícil encontrar um governo com tal capacidade de
auto-alucinação e destruição supersónica.


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