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segunda-feira, 31 de março de 2014

Abriu a caça ao estudante estrangeiro na República do Amor e do Queijo Gruyère, pois os amorosos cidadãos fartam-se de dizer mal dos estrangeiros e perante o amplo sucesso dos partidos do ódio a cada nova ida a votos (bem diz quem afirma que o ódio é só a outra face do amor), os políticos “de bem” decidiram pôr em prática algumas ideias propaladas pelos seus adversários, embora em teoria defendam ideologias opostas mas votos são votos e já lá dizia o outro, de boas intenções está o Inferno cheio. A caça tem várias modalidades e todos os cidadãos são convidados a participar embora quem vá apanhar a “caça” propriamente dita sejam as autoridades pois só essas têm licença de uso e porte de armas para abate humano (embora os caçadores também possam participar desde que nos dias venatórios e invoquem a desculpa de acidente). Assim, todo o cidadão da União que se encontre noutro país da mesma União que não o seu – embora se pertencer a uma minoria que esteja incluída nas listas de abate, estar na sua própria pátria não o iliba de ser alvo na caça – terá direito a ser perseguido, arrancado da sua viatura, local de trabalho, paragem de autocarro, loja ou mercado onde esteja a fazer compras e também escola ou universidade que esteja no momento a frequentar e a ser posto na fronteira, sob aparatosa escolta armada e não podendo separar-se desta mais de 3 milímetros sob pena de levar um tiro nos miolos, para se ter a certeza que não foge. No caso específico do caçado estar numa sala de aula – seja como aluno, seja como professor – isso não o defende de ser caçado e levado de reboque até à fronteira, para gáudio geral dos seus colegas e/ou alunos. Aliás, esta caça terá como principais alvos os alunos estrangeiros e de minorias étnicas, para devida educação cívica e rácica dos cidadãos dos vários países da União. Esta novidade pode parecer estranha aos cidadãos da União dado que um dos seus slogans é a Livre Circulação de Pessoas e Bens. Aliás foi por causa da confusão relativa a este slogan que recentemente, quando a caça apanhou uma aluna da etnia do Povo das Carroças numa aula (ela estava naquela escola ia já para mais de 8 anos e até então ninguém tinha dado porque a rapariga estivesse a mais ou roubasse lugar a nativos da na República do Amor e do Queijo Gruyère), os seus colegas se revoltaram e, como jovens mal esclarecidos, fizeram um banzé de todo o tamanho nas ruas durante um monte de semanas. Isto demonstra uma grande falha nas aulas de educação cívica pois não havia sido explicado a estes iludidos alunos que o slogan Livre Circulação de Pessoas e Bens, é isso mesmo, circulação, ou seja, é para as pessoas andarem de um lado para o outro e não acamparem de armas e bagagens feitos lapas, durante mais de 8 anos numa escola, ou num emprego para toda a vida. E como as pessoas andam mais depressa do que os bens, esses podem ficar para trás porque, talvez, acabem por alcançar os donos, muito mais tarde, após as autoridades verificarem que nada de valor contém. Infelizmente, e embora esta tendência de caça ao estrangeiro seja agora oficial em quase todos os estados da União, os dirigentes da República do Amor e do Queijo Gruyère deram um triste exemplo de tibiez, embora até fosse de esperar dado serem os queijenses são uns piga-amores de todo o tamanho. É que em vez de correr com os alunos à lambada e ao pontapé, aplicando-lhes um correctivo como merecem todos os desacatadores da ordem pública, o lugar dos alunos é na escola e não a berrar na rua. Mas não, os dirigentes queijeses cederam e disseram à rapariga entretanto deportada, que poderia voltar a frequentar as aulas na sua antiga escola, dado que uma escola deve ser sempre um “refúgio de estudantes” segundo estes dirigentes, desde que só lá estivesse às 2ªs, 4ªs e 6ªs e viesse a pé desde a sua actual residência, sita a 4 países de distância, devendo abandonar a República mal acabe as aulas e regresse impreterivelmente à sua nova residência nesse mesmo dia (a pé). Como pode a União defender-se dos importunos forasteiros (que os sábios da Terra do Chá chama de aliens, o que na sua língua também quer dizer perigoso extra-terrestre) se a República do Amor e do Queijo Gruyère, um dos maiores países da União, dá este exemplo de fraqueza? Portanto, estrangeiros, se quiserem estudar nas Universidades e escolas da República do Amor e Queijo Gruyère, classificadas como “refúgio de estudantes”, que arranje primeiramente um grande e activo clube de fãs no Facebook, com capacidade para convocar flash mobs e manifestações de grande envergadura pois de outro modo sujeita-se a ser filado à má-fé enquanto está nas aulas, para ser deportado mesmo que não tenha alguma vez cometido qualquer delito, só pelo facto de não ser um queijense-pinga-amor mesmo que talvez seja um cidadão da União das Hortaliças. E se têm dúvidas desta justiça, vejam melhor essa coisa da declaração da livre circulação de pessoas e bens. Tal como no romance dos porcos do Orwell, houve alterações à frase. Agora o que se deve ler é: livre circulação de pessoas pessoas (com montes de dinheiro) e bens.
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sexta-feira, 28 de março de 2014

Não, Não, Estes Escravos Calharam-me Num Sorteio dos Detergentes

Publicamos hoje uma “entrevista” entre o Príncipe das Areias e o chefão da Liga Internacional do Pontapé na Chincha, obtida graças às nossas ilegais mas muito eficientes escutas secretas, reconhecidas pela NSA com quem aliás trabalhamos em parceria. A “entrevista” ocorreu enquanto ambos tomavam chá de menta – e uns copinhos de Madeira, mas é segredo – e observavam as odaliscas privativas do monarca, que dançavam na pista danças do vente e dos véus em performances de arrebatar o fôlego às profissionais e ainda mais aos espectadores. Discorriam as duas eminências sobre os estádios do novo campeonato mundial, que decorrerá no Principado e o chefe do Pontapé na Chincha manifestava a sua preocupação pelo facto de tendo o Principado das Areias tão poucos súbditos, ou não fosse este um deserto, poderem as obras não estarem concluídas à data do início da competição, mesmo se viessem a adiá-la para o último mês do ano. Mas o Príncipe estava muito tranquilo, pois os poucos subdítos do Principado, e que jamais se vergariam a fazer trabalhos braçais pois as rendas do combustível dão para tudo, até para comprar empregados…
- Comprar empregados?
- Sim. Comprar. Compramos todos os empregados. Comprados são muito mais dóceis. Antigamente contratava-los, mas havia sempre chatices com os sindicatos, os passaportes, as embaixadas. Agora, compramo-los.
- Mas isso… isso… é escravatura, não é? E a escravatura iria cair muito mal…
- Ora, escravos têm vocês nos vossos países. Não lhes dão contratos por mais de 1 mês, dão-lhes metade dos salários mínimos (quando não ficam em atraso) pois estão a fazer “mini-jobs” e têm de pagar as refeições, a casa e essas trapalhadas todas e até o transporte para irem para os vossos serviços, com essa miséria de meio salário mínimo. Nós, não. Nós compramo-los e pronto.
- Mas… então os custos da competição irão aumentar e não estava previsto nas nossas trocas financeiras via Ilha dos Camarões/Cantão dos Queijos. Quer dizsr… se tiverem de comprar escravos…
- Escravos é uma palavra demodée. E soa mal. São, assalariados sem contrato de trabalho pré-definido. E na verdade não nos custam nada, eles vêem de livre vontade, o que aliás é a última coisa que têm de livre antes de aterrarem aqui. Infelizmente, estes novos vêm das Altas Cordilheiras e morrem-nos muito, uma questão de clima, esta a perceber?
Houve um silêncio que, imaginamos, fosse preenchido com o chefão do Pontapé na Chincha a abanar compreensivelmente com a cabeça.
- O que, está a ver, é um problema com os corpos pois como não são da nossa religião, não podemos enterrá-los cá e os familiares nas Cordilheiras poderiam também começar a disparatar. Temos de procurar escravos voluntários a países com climas mais próximos do nosso para não morrerem tanto. Gasta-se muito combustível a devolvê-los às famílias.
- Ah, afinal sempre há custos… - pois o chefe do Pontapé na Chincha bem conhecia a habilidade deste simpático príncipe para altear os custos de tudo com “imprevistos” vários. O que deixava menos lucros para o senhor da Chincha.
- Infelizmente, mas estamos a tratar de resolver o problema.
- Não acredito que alguém venha de sua livre vontade ser escravo.
. Bem, eles não sabem que veem para cá ser escravos. Só o descobrem quando cá chegam e lhes tiramos os passaportes e os enfiamos em baiucas sem comida e lhes proibimos o acesso à água (de outro modo andariam sempre com as trombas na torneira e não trabalhavam) e também não lhes pagamos qualquer salário e os obrigamos a trabalhar a esta torreira de deserto. Alguns deles só percebem cerca de 1 mês depois, quando em vez de lhes darmos o salário, lhes damos umas lambadas por perguntarem quando recebem.
- Mas o mercado deve rarear mais cedo ou mais tarde. As notícias espalham-se.
- Oh, mas o mercado é vasto. – o príncipe alargou os braços, expressando a vastidão do mercado de escravos – Basta espalhar um bocadinho de caos, uma guerras de religião aqui e ali, com a ajuda duns quantos desesperados que desejam ser mártires para escapar ao martírio deste mundo. Por vezes até se lançam contra os da nossa fé…
- Mas isso, desculpe a interrupção, alteza, não é contra a vossa religião?
- Não é contra os negócios. Portanto, espalha-se um bocadinho de caos aqui e ali, espera-se que o clima faça alguns outros desastres, enquanto noutros lados se lança um pequeno tumulto financeiro-informático… temos especialistas, acredite.
- Serão suficientes?
- Bem, não. Mas é por isso que é muito importante opormo-nos com todas as forças a essa horrenda blasfémia do controlo de natalidade. Se começarem a ter filhos apenas em função do que podem pôr-lhes na boca, onde iremos buscar os escravos do futuro? Conto consigo para neste campeonato promover a nossa santa cruzada contra a liberdade de pensamento, os direitos civis de minorias e mulheres e o planeamento familiar. As grandes famílias cheias de filhos famintos são o verdadeiro e imbatível bastião da fé.
- E dos negócios. – o chefe do Campeonato abanava-se com um lenço, debaixo da saída do potente ar condicionado regulado para 15º mas mesmo assim suando as estopinhas na abrigada sombra do bonito palácio. À sua frente um jardim verde onde murmuravam fontes e canais de água.
Mas é essa a minha fé, meu caro. É essa a minha fé… - o príncipe a olhar para todos os lados, subitamente preocupado se algum guarda religioso escondido o ouvia (nunca se sabia onde eles estavam), pois isso podia custar-lhe o trono. E custaria, de certeza, muito dinheiro pois um guarda religioso com bom-senso não o denunciaria mas exigiria larga fatia do bolo.
- Talvez eu pudesse fornecer alguma dessa mão-de-obra. Como sabem na nossa União… - o chefe da Chincha a pensar numa futura e profícua PPP com o príncipe das areias, o qual apenas sorria:
- Está a começar a entender. Mas não será bom ter a vossa organização envolvida neste negócio, já há muitos invejosos a dizer que o campeonato do mundo da Chincha aqui no meu país foi devido a subornos… - um sorriso expressivo de ambos a provar que estavam de acordo com a teoria.
- Não é a organização. Sou eu. A título exclusivamente privado e sigiloso. A discrição é a alma do negócio. – o chincheiro também a sorrir – Tenho várias agências de viagens, posso promover sorteios de viagens e bilhetes do campeonato a baixo preço. Apenas, estes não são dóceis nativos das Cordilheiras, estes têm a mania que têm direito a direitos. Estão mais adaptados ao vosso clima mas esta coisa dos direitos…
- Ah, não se preocupe, meu caro. Envie-os para cá. Com essa questão da “Guerra ao Terror” detêmo-los à chegada, tiramos-lhes os passaportes e levamo-los directamente para os campos de trabalho para construírem os estádios. Mostrando-os como terroristas, o mundo inteiro nunca mais vai querer saber deles, e o que as famílias disserem em contrário, só trará mal a elas pois serão as famílias de terroristas, logo suspeitas… com o tempo, o medo fará o resto. Envie-mos, meu caro, envie-mos, eu sei o que fazer deles.
- Por falar desses campos, talvez não fosse má ideia realizar umas pequenas melhorias nas condições de trabalho dos escravos… até porque estas minhas remessas têm por vezes o costume de fotografar coisas à sorrelfa e…
- Não se preocupe com isso. Nós também temos o cuidado de os privar dos telemóveis à chegada para não poderem espalhar maldosos boatos para as famílias. Aqui é tudo secreto, controlado e isolado, não tenha receios.
- Sim, mas umas pequeninas melhorias nas condições…
- E perder uma fatia significativa dos lucros apenas porque se dão horas de descanso aos ingratos? São escravos, meu caro, não trabalhadores assalariados!
- Mas começam a falar desses campos. A dizer que no final haverá mais mortos do que no atentado do 11 de Setembro. Os mais radicais já estão a chamar aos vossos estaleiros de trabalho escravo campos de extermínio…
- Por falar em campos de extermínio, isso lembrou-me que preciso de lhe encomendar uns quantos fornos. Para queimar os corpos dos mortos, está a ver. Para não aparecerem por aí abelhudos a exumar os corpos à socapa e a fazerem autópsias e a descobrirrem que os escravos morrem não apenas por excesso de trabalho e fome q.b., insolação e desidratação por prolongadas horas de trabalho ao sol, sem protecção e sob temperaturas de mais de 40º C ou que tiveram “acidentes”, em vez de terem morrido com os nossos apliativos ataques cardíacos fulminantes. Podem ser os velhos fornos desses campos. Desde que estejam operacionais e nos limpem os cadáveres num ápice. Está a ver, só este ano já nos morreram 1117 escravos e a coisa ainda só vai nos alicerces.
- Vai ser complicado arranjar-lhe isso. Está a ver, as organizações de direitos humanos têm estes assuntos muito bigiados e desviar uma coisa dessas é um pouco, como direi…
- Mas porque vocês não arranjam uma organização de direitos humanos como deve ser? Nós temos cá a nossa e ela diz que estes trabalhadores estrangeiros não morrem mais do que o habitual, que é normal morrerem assim, como tordos. – e porque o presidente da Federação do Pontapé na Chincha mostrasse uma face surpreendida o príncipe, pacientemente, explicou – Sim, é a nossa Organiza dos Direitos Humanos. Chama-se Comité Nacional dos Direitos Humanos. E é uma organização legítima, defende os direitos das pessoas como nós, não, naturalmente os dos escravos que, por serem escravos, não têm direito a terem direitos alguns. Mande para cá alguns dos vossos observadores da Habeas Corpus Internacional que nós ensinamo-los. – esfregando as mãos, a antever o momento em que pusesse as mãos nuns quantos linguarudos.
- Mas… queimar os corpos não é… - porque era um tema muito delicado – contra a vossa religião?
- Claro que é mas vocês são Infiéis, qual é o problema?
O presidente da Federação sentiu-se um bocadinho apreensivo por de repente ter sido incluído no nebuloso grupo dos escravos/infiéis e como tal inimigos da fé do Príncipe mesmo que nada tivesse contra ou a favor da dita religião ou sequer soubessem que esta existia. Estava na altura de ser diplomata. Até porque os lucros mandavam fechar os olhos a certas coisas.
- Vejo que não preciso de me preocupar, o Príncipe tem tudo controlado. Ao sucesso do Campeonato Mundial da Chincha. – erguendo o seu bonito copo de vidro boémio com chá de menta salpicado com uns pozinhos de wishky escocês puro 24 anos em casco de carvalho.
- Ao sucesso do Campeonato. E da imagem de progresso do meu amado califado
- Ao sucesso! – ambos em coro, fazendo tchim-tchim com outros copos, de reserva, e bonitamente atestados de whisky.





quinta-feira, 27 de março de 2014

Apesar da dívida ter disparado dos 90% para os 129%, do desemprego estar acima dos 16%, dos novos salários terem regredido para os níveis de 2004, do desemprego jovem ter subido a módica quantia de 20%, de também terem aumentado em 20% as famílias em que nenhum membro consegue arranjar trabalho, do fosso entre ricos e pobres ter aumentado a velocidades acima da média da nossa querida União, dos juros da dívida terem disparado para cima dos 50%, de 19,7% do pessoal estar em risco de pobreza, de 25% sofrer privações materiais e 1,1 em cada 10 ter privações materiais graves, de só num ano se terem perdido 95 mil postos de trabalho, de o balanço empresas que fecharam versus as que abriram ser de -60 mil, dos indicadores económicos de 2013 estarem quase todos mais negativos que os de 2012, que por sua vez o estavam mais negativos face aos de 2011, os quais estavam mais negativos que os de 2010, os quais estavam… estão a ver o filme, é certo e seguro, confirmado pelos maiores experts mundiais, de que não há nem nunca houve crise, o que há – e este é um importantíssimo indicador macroeconómico – é um superavit de buracos nos estômagos e ar nos bolsos e carteiras (e contas em atraso nas caixas dos correios e emails). De facto, como prova desta ausência de crise eis aí a nova tabela salarial do Banco Recauchutado dos Ratinhos. Segundo esta tabela, os líderes da sua comissão instaladora, o antigo gestor-chefe do Banco dos Ratinhos, que faliu, o gestor-chefe do Banco das Raposas também falido e o gestor-em-uso do Banco das Toupeiras, igualmente falido, terão salários da ordem dos 0,5x106 de Ui-Uis, sim leram bem, meio milhão de euros, que é a alcunha carinhosa da moeda da União. Por seu turno e porque o dinheiro não estica, ao contrário do tempo no mundo relativista dos buracos negros para onde vai a massa destes bancos falidos, é evidente que o governo dos nabos, para assegurar o pagamento destes salários e doutras despesas emergentes, se verá forçado a cortar entre 1,5 a 1,7x106 Ui-Uis na despesa, ou seja, nos inúteis serviços de saúde (o que é preciso é que o pessoal bata a bota antes da reforma), do ensino (o pessoal devia estar na estiva e não a polir carteiras na escola) e nos ainda mais inúteis salários que como se sabe não servem para fazer avançar a economia pois são todos gastos em ninharias como comida, roupa, sapatos, etc. Um perfeito exemplo de eficiente gestão que até garante um superhavit de 1 a 1,2x106 carcanhóis, estabilizando assim as dívidas públicas (porque as privadas a gente já sabe…). Espera-se que estas medidas aumentem a taxa de buracos no estômago e o seu número efectivo por cada 100 habitantes, assim como o volume de ar nas algibeiras e contas em atraso Tal situação pode ser amplamente aproveitada pelos empreendedores desta linda horta à beira-mar plantada (em loteamento clandestino) e muitos deitaram já mãos à obra para aumentar as exportações de ar e buracos para os estômagos gordos e carteiras recheadas de certos mercados da União. Com efeito foram criadas 3 000 start-ups, e mais estão em germinação, para ligar botijas de ar aos buracos dos estômagos de voluntários, enchendo-as a custo zero e vendendo-as a 100 brasas por micrograma de ar, aos donos das tais carteiras com notas a mais e ar a menos. A União elogiou o governo do nabal por tanto empreendedorismo e estuda formas de subsídio a esta actividade ou da sua deslocalização para os emergentes mercados do norte, penalizando as futuras start-ups do sul por terem acordado tarde, pois estudos de casa de banho revelaram que esta transferência do ar dos estômagos famintos para as carteiras dos tipos com pastel minorará muitos dos problemas da poluição atmosférica, que voltam a estar na moda. Os líderes financeiros do nabal que promoveram estas tabelas salariais para ex-chefes de bancos falidos e que se espera venham a apresentar igual desempenho no novo banco, ao mesmo tempo reequilibrando as contas cortando em tudo o resto, receberam já inúmeras propostas para leccionarem em universidades de nomeada ou serem dirigentes de topo das instituições bancárias da União, as quais têm por missão lixar a vida a todos os que não sejam economistas de topo ou classes profissionais afins, dado que o resto da populaça poderá produzir tudo o que se produz e transacciona na economia real mas só serve para dar cabo das estatísticas e borrar as tabelas de Excel. O Nabal acolheu estas deliberações e desenvolvimentos com imensa alegria, tendo-se criado mais 100 000 start-ups de exportação de economistas locais para as grandes praças financeiras do mundo. Estas start-ups são na sua vasta maioria de apenas um empregado que é ao mesmo tempo patrão (para reduzir os custos) e terminam a sua breve actividade assim que o patrão-empregado consegue auto-exportar-se. Com tanto ar em circulação, e temendo um resfriado geral na fortuna, ou quiçá um “ar que lhe deu”, o presidente do Banco dos Asnos, o senhor Aguenta-Aguenta, que tem andado a contrair empréstimos que paga às mejinhas para ver se tapa os buracos das contas do banco (pois, eles também os têm…), meteu já uma cunha ao presidente do Nabal para ver se “arranjava qualquer coisinha para a esposa”. E o senhor Nabo-Mor sabendo que a pobre esposa só poderia assessorar, nomeou-a assessora para… as tesouras da sua casa civil.

Moral da notícia: se quer singrar na vida, torne-se amigo de personalidades influentes e leve um banco à falência. Verá que terá o futuro assegurado! 



quarta-feira, 26 de março de 2014

República Democrática dos Nabos Inova na Caça às Divisas

O difícil desporto da caça às divisas que actualmente apaixona a comunidade internacional (em conjunto com as representações históricas napoleónico-sieg heil do querido Pupú) entrou no seu sexto ano, com a economia da União das Hortaliças cada vez mais para lá do que para cá, tendo levado já vários unionistas a requerer o subsídio por morte eminente do clube. Para celebrar condignamente este 6º ano de crise “só-para-alguns” unionistas, o coro das nações – muito desafinado segundo avalizada opinião do nosso crítico artístico – da União fundou o Campeonato da Caça ao Ui-Ui, que é a moeda única da União para o Clube Exclusivo dos Primeiros onde uns pelintras do sul também entraram, ninguém sabe por qual milagre do Altíssimo, pois os outros, os que não fazem parte do Clube, podem continuar agarrados às suas moedas out of fashion e sem direito a página no Caras-Larocas e respectivos likes mas que funcionam muito melhor do que a Ui-Ui, como mostram as estatísticas. A República Democrática dos Nabos, que sempre sofreu dum complexo de culpa e inferioridade face aos seus outros parceiros da União, decidiu que desta chegara a sua hora e entrou em grande no Campeonato da Caça ao Ui-Ui, ameaçando mesmo destronar a eficiente e trabalhadora equipa de banqueiros (que até dão uns ares de juristas da União e tudo, tanto é o seu amor ao trabalho) da República Federal das Batatas. A sua táctica secreta não podia ser mais feita às claras: a instituição de Vistos Gold a quem venha comprar casinha na horta, uma casinha grande, pimba, mesmo á maneira, e só dessas, visto esse altamente cobiçado por permitir ao seu feliz portador de viajar sem impedimentos por todo o Espaço Shenga-chunga. Isto é um especial privilégio pois muitos cidadãos da União, que em teoria deviam ter direito a circular por esse espaço, são com frequência impedidos de o fazer ou liminarmente expulsos dos países do Shenga-chunga porque apesar de serem cidadãos europeus têm o azar de pertencer à etnia errada ou ao país errado, ou simplesmente porque existem no sítio onde habitam umas quaisquer eleições locais e é preciso mostrar aos eleitores que não se toleram estrangeiros que não sejam nacionais locais. Mas os portadores de Vistos Gold não precisam de ter receio pois graças às suas poderosas contas bancárias são sempre bem-vindos a qualquer canto do Shenga-chunga. Ao começo a República Democrática dos Nabos emitiu apenas Vistos Gold mas, como as divisas vinham só a conta-gotas e a economia local estava ainda pior do que antes, ao contrário de todas as promessas e previsões dos especialistas, decidiram os nabos criar um segundo Visto Gold: um Visto Gold+ ou Visto Gold Para Génios. Mas como os génios são isso mesmo, não se deixaram enrolar nas promessas de facilidades e permaneceram teimosamente longe do nabal. Em contrapartida falsos génios de muitos cantos do mundo, candidataram-se a estes tesouros e o nabal está agora a ser inundado por um verdadeiro exército de chicos-espertos, cuja genialidade está em promover negócios escuros, escapar ao fisco e safar-se sem molha por entre os pingos da chuva. Finalmente, e desesperados por ultrapassar os bancos da República das Batatas, os nabos acertaram no jack-pot: um Visto Gold Platinium ou Visto Gold para Vigaristas. E aqui sim, o nabal subiu ao pódium. Tantos foram os pedidos que o governo do nabal está já a considerar a proposta de aumentar o horário de trabalho dos funcionários públicos locais (nabos o bastante para ainda o serem) para as 20 horas diárias e requisição civil de toda a população para lamber os selos das cartas de resposta aos requerentes, de modo a dar vazão á enchente de pedidos. Os candidatos têm apenas de prestar provas da robustez e pantagruélica natureza das suas muitas contas bancárias e fazer a promessa, que não necessita de ser cumprida, de que investirão uns magos 0,5% dos rendimentos anuais em bens imóveis no nabal, o que não ressuscitará a economia mas fará pelo menos mexer o mercado dos bens de luxo. Sendo que a economia escura e paralela em que estes vigaristas dão cartas, e em que se incluem o branqueamento e tráfico de capitais, de armamento, droga, de seres humanos e obras de arte roubadas é 3x superior ao total de massa movimentada pela economia real e legalizada, prevê-se que esta horta à beira-mar plantada será em breve a mais badalada estância de férias e aldeamentos de luxo (gradeados com cercas electrificadas, câmaras de vídeo funcionando mesmo em registo infravermelho e armas que disparam automaticamente à aproximação dum nativo ou outro pobretão a menos de 300 metros, para cómoda segurança dos seus residentes). Para prevenir futuros percalços, como por exemplo a prisão de alguns destes novos cidadãos honorários do Nabal estão os nabos governantes já em negociações com a Polícia Internacional InterPulgas para que sejam apagados dos seus ficheiros todas as ordens de prisão que possam pender sobre estes ilustres residentes.