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quarta-feira, 26 de março de 2014

República Democrática dos Nabos Inova na Caça às Divisas

O difícil desporto da caça às divisas que actualmente apaixona a comunidade internacional (em conjunto com as representações históricas napoleónico-sieg heil do querido Pupú) entrou no seu sexto ano, com a economia da União das Hortaliças cada vez mais para lá do que para cá, tendo levado já vários unionistas a requerer o subsídio por morte eminente do clube. Para celebrar condignamente este 6º ano de crise “só-para-alguns” unionistas, o coro das nações – muito desafinado segundo avalizada opinião do nosso crítico artístico – da União fundou o Campeonato da Caça ao Ui-Ui, que é a moeda única da União para o Clube Exclusivo dos Primeiros onde uns pelintras do sul também entraram, ninguém sabe por qual milagre do Altíssimo, pois os outros, os que não fazem parte do Clube, podem continuar agarrados às suas moedas out of fashion e sem direito a página no Caras-Larocas e respectivos likes mas que funcionam muito melhor do que a Ui-Ui, como mostram as estatísticas. A República Democrática dos Nabos, que sempre sofreu dum complexo de culpa e inferioridade face aos seus outros parceiros da União, decidiu que desta chegara a sua hora e entrou em grande no Campeonato da Caça ao Ui-Ui, ameaçando mesmo destronar a eficiente e trabalhadora equipa de banqueiros (que até dão uns ares de juristas da União e tudo, tanto é o seu amor ao trabalho) da República Federal das Batatas. A sua táctica secreta não podia ser mais feita às claras: a instituição de Vistos Gold a quem venha comprar casinha na horta, uma casinha grande, pimba, mesmo á maneira, e só dessas, visto esse altamente cobiçado por permitir ao seu feliz portador de viajar sem impedimentos por todo o Espaço Shenga-chunga. Isto é um especial privilégio pois muitos cidadãos da União, que em teoria deviam ter direito a circular por esse espaço, são com frequência impedidos de o fazer ou liminarmente expulsos dos países do Shenga-chunga porque apesar de serem cidadãos europeus têm o azar de pertencer à etnia errada ou ao país errado, ou simplesmente porque existem no sítio onde habitam umas quaisquer eleições locais e é preciso mostrar aos eleitores que não se toleram estrangeiros que não sejam nacionais locais. Mas os portadores de Vistos Gold não precisam de ter receio pois graças às suas poderosas contas bancárias são sempre bem-vindos a qualquer canto do Shenga-chunga. Ao começo a República Democrática dos Nabos emitiu apenas Vistos Gold mas, como as divisas vinham só a conta-gotas e a economia local estava ainda pior do que antes, ao contrário de todas as promessas e previsões dos especialistas, decidiram os nabos criar um segundo Visto Gold: um Visto Gold+ ou Visto Gold Para Génios. Mas como os génios são isso mesmo, não se deixaram enrolar nas promessas de facilidades e permaneceram teimosamente longe do nabal. Em contrapartida falsos génios de muitos cantos do mundo, candidataram-se a estes tesouros e o nabal está agora a ser inundado por um verdadeiro exército de chicos-espertos, cuja genialidade está em promover negócios escuros, escapar ao fisco e safar-se sem molha por entre os pingos da chuva. Finalmente, e desesperados por ultrapassar os bancos da República das Batatas, os nabos acertaram no jack-pot: um Visto Gold Platinium ou Visto Gold para Vigaristas. E aqui sim, o nabal subiu ao pódium. Tantos foram os pedidos que o governo do nabal está já a considerar a proposta de aumentar o horário de trabalho dos funcionários públicos locais (nabos o bastante para ainda o serem) para as 20 horas diárias e requisição civil de toda a população para lamber os selos das cartas de resposta aos requerentes, de modo a dar vazão á enchente de pedidos. Os candidatos têm apenas de prestar provas da robustez e pantagruélica natureza das suas muitas contas bancárias e fazer a promessa, que não necessita de ser cumprida, de que investirão uns magos 0,5% dos rendimentos anuais em bens imóveis no nabal, o que não ressuscitará a economia mas fará pelo menos mexer o mercado dos bens de luxo. Sendo que a economia escura e paralela em que estes vigaristas dão cartas, e em que se incluem o branqueamento e tráfico de capitais, de armamento, droga, de seres humanos e obras de arte roubadas é 3x superior ao total de massa movimentada pela economia real e legalizada, prevê-se que esta horta à beira-mar plantada será em breve a mais badalada estância de férias e aldeamentos de luxo (gradeados com cercas electrificadas, câmaras de vídeo funcionando mesmo em registo infravermelho e armas que disparam automaticamente à aproximação dum nativo ou outro pobretão a menos de 300 metros, para cómoda segurança dos seus residentes). Para prevenir futuros percalços, como por exemplo a prisão de alguns destes novos cidadãos honorários do Nabal estão os nabos governantes já em negociações com a Polícia Internacional InterPulgas para que sejam apagados dos seus ficheiros todas as ordens de prisão que possam pender sobre estes ilustres residentes.

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