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segunda-feira, 31 de março de 2014

Abriu a caça ao estudante estrangeiro na República do Amor e do Queijo Gruyère, pois os amorosos cidadãos fartam-se de dizer mal dos estrangeiros e perante o amplo sucesso dos partidos do ódio a cada nova ida a votos (bem diz quem afirma que o ódio é só a outra face do amor), os políticos “de bem” decidiram pôr em prática algumas ideias propaladas pelos seus adversários, embora em teoria defendam ideologias opostas mas votos são votos e já lá dizia o outro, de boas intenções está o Inferno cheio. A caça tem várias modalidades e todos os cidadãos são convidados a participar embora quem vá apanhar a “caça” propriamente dita sejam as autoridades pois só essas têm licença de uso e porte de armas para abate humano (embora os caçadores também possam participar desde que nos dias venatórios e invoquem a desculpa de acidente). Assim, todo o cidadão da União que se encontre noutro país da mesma União que não o seu – embora se pertencer a uma minoria que esteja incluída nas listas de abate, estar na sua própria pátria não o iliba de ser alvo na caça – terá direito a ser perseguido, arrancado da sua viatura, local de trabalho, paragem de autocarro, loja ou mercado onde esteja a fazer compras e também escola ou universidade que esteja no momento a frequentar e a ser posto na fronteira, sob aparatosa escolta armada e não podendo separar-se desta mais de 3 milímetros sob pena de levar um tiro nos miolos, para se ter a certeza que não foge. No caso específico do caçado estar numa sala de aula – seja como aluno, seja como professor – isso não o defende de ser caçado e levado de reboque até à fronteira, para gáudio geral dos seus colegas e/ou alunos. Aliás, esta caça terá como principais alvos os alunos estrangeiros e de minorias étnicas, para devida educação cívica e rácica dos cidadãos dos vários países da União. Esta novidade pode parecer estranha aos cidadãos da União dado que um dos seus slogans é a Livre Circulação de Pessoas e Bens. Aliás foi por causa da confusão relativa a este slogan que recentemente, quando a caça apanhou uma aluna da etnia do Povo das Carroças numa aula (ela estava naquela escola ia já para mais de 8 anos e até então ninguém tinha dado porque a rapariga estivesse a mais ou roubasse lugar a nativos da na República do Amor e do Queijo Gruyère), os seus colegas se revoltaram e, como jovens mal esclarecidos, fizeram um banzé de todo o tamanho nas ruas durante um monte de semanas. Isto demonstra uma grande falha nas aulas de educação cívica pois não havia sido explicado a estes iludidos alunos que o slogan Livre Circulação de Pessoas e Bens, é isso mesmo, circulação, ou seja, é para as pessoas andarem de um lado para o outro e não acamparem de armas e bagagens feitos lapas, durante mais de 8 anos numa escola, ou num emprego para toda a vida. E como as pessoas andam mais depressa do que os bens, esses podem ficar para trás porque, talvez, acabem por alcançar os donos, muito mais tarde, após as autoridades verificarem que nada de valor contém. Infelizmente, e embora esta tendência de caça ao estrangeiro seja agora oficial em quase todos os estados da União, os dirigentes da República do Amor e do Queijo Gruyère deram um triste exemplo de tibiez, embora até fosse de esperar dado serem os queijenses são uns piga-amores de todo o tamanho. É que em vez de correr com os alunos à lambada e ao pontapé, aplicando-lhes um correctivo como merecem todos os desacatadores da ordem pública, o lugar dos alunos é na escola e não a berrar na rua. Mas não, os dirigentes queijeses cederam e disseram à rapariga entretanto deportada, que poderia voltar a frequentar as aulas na sua antiga escola, dado que uma escola deve ser sempre um “refúgio de estudantes” segundo estes dirigentes, desde que só lá estivesse às 2ªs, 4ªs e 6ªs e viesse a pé desde a sua actual residência, sita a 4 países de distância, devendo abandonar a República mal acabe as aulas e regresse impreterivelmente à sua nova residência nesse mesmo dia (a pé). Como pode a União defender-se dos importunos forasteiros (que os sábios da Terra do Chá chama de aliens, o que na sua língua também quer dizer perigoso extra-terrestre) se a República do Amor e do Queijo Gruyère, um dos maiores países da União, dá este exemplo de fraqueza? Portanto, estrangeiros, se quiserem estudar nas Universidades e escolas da República do Amor e Queijo Gruyère, classificadas como “refúgio de estudantes”, que arranje primeiramente um grande e activo clube de fãs no Facebook, com capacidade para convocar flash mobs e manifestações de grande envergadura pois de outro modo sujeita-se a ser filado à má-fé enquanto está nas aulas, para ser deportado mesmo que não tenha alguma vez cometido qualquer delito, só pelo facto de não ser um queijense-pinga-amor mesmo que talvez seja um cidadão da União das Hortaliças. E se têm dúvidas desta justiça, vejam melhor essa coisa da declaração da livre circulação de pessoas e bens. Tal como no romance dos porcos do Orwell, houve alterações à frase. Agora o que se deve ler é: livre circulação de pessoas pessoas (com montes de dinheiro) e bens.
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