Somos Todos Cidadãos da União Mas Quem Disse Que Temos Todos o Mesmo Direito de Escolher Onde Viver?
Abriu a caça ao estudante
estrangeiro na República do Amor e do Queijo Gruyère, pois os amorosos cidadãos
fartam-se de dizer mal dos estrangeiros e perante o amplo sucesso dos partidos
do ódio a cada nova ida a votos (bem diz quem afirma que o ódio é só a outra
face do amor), os políticos “de bem” decidiram pôr em prática algumas ideias
propaladas pelos seus adversários, embora em teoria defendam ideologias opostas
mas votos são votos e já lá dizia o outro, de boas intenções está o Inferno
cheio. A caça tem várias modalidades e todos os cidadãos são convidados a
participar embora quem vá apanhar a “caça” propriamente dita sejam as
autoridades pois só essas têm licença de uso e porte de armas para abate humano
(embora os caçadores também possam participar desde que nos dias venatórios e
invoquem a desculpa de acidente). Assim, todo o cidadão da União que se
encontre noutro país da mesma União que não o seu – embora se pertencer a uma
minoria que esteja incluída nas listas de abate, estar na sua própria pátria
não o iliba de ser alvo na caça – terá direito a ser perseguido, arrancado da
sua viatura, local de trabalho, paragem de autocarro, loja ou mercado onde
esteja a fazer compras e também escola ou universidade que esteja no momento a
frequentar e a ser posto na fronteira, sob aparatosa escolta armada e não
podendo separar-se desta mais de 3 milímetros sob pena de levar um tiro nos
miolos, para se ter a certeza que não foge. No caso específico do caçado estar
numa sala de aula – seja como aluno, seja como professor – isso não o defende
de ser caçado e levado de reboque até à fronteira, para gáudio geral dos seus
colegas e/ou alunos. Aliás, esta caça terá como principais alvos os alunos
estrangeiros e de minorias étnicas, para devida educação cívica e rácica dos
cidadãos dos vários países da União. Esta novidade pode parecer estranha aos
cidadãos da União dado que um dos seus slogans é a Livre Circulação de Pessoas e Bens. Aliás foi por causa da confusão
relativa a este slogan que recentemente, quando a caça apanhou uma aluna da
etnia do Povo das Carroças numa aula (ela estava naquela escola ia já para mais
de 8 anos e até então ninguém tinha dado porque a rapariga estivesse a mais ou
roubasse lugar a nativos da na República do Amor e do Queijo Gruyère), os seus
colegas se revoltaram e, como jovens mal esclarecidos, fizeram um banzé de todo
o tamanho nas ruas durante um monte de semanas. Isto demonstra uma grande falha
nas aulas de educação cívica pois não havia sido explicado a estes iludidos
alunos que o slogan Livre Circulação de Pessoas e Bens, é isso mesmo,
circulação, ou seja, é para as pessoas andarem de um lado para o outro e não
acamparem de armas e bagagens feitos lapas, durante mais de 8 anos numa escola,
ou num emprego para toda a vida. E como as pessoas andam mais depressa do que
os bens, esses podem ficar para trás porque, talvez, acabem por alcançar os
donos, muito mais tarde, após as autoridades verificarem que nada de valor
contém. Infelizmente, e embora esta tendência de caça ao estrangeiro seja agora
oficial em quase todos os estados da União, os dirigentes da República do Amor
e do Queijo Gruyère deram um triste exemplo de tibiez, embora até fosse de
esperar dado serem os queijenses são uns piga-amores de todo o tamanho. É que
em vez de correr com os alunos à lambada e ao pontapé, aplicando-lhes um
correctivo como merecem todos os desacatadores da ordem pública, o lugar dos
alunos é na escola e não a berrar na rua. Mas não, os dirigentes queijeses
cederam e disseram à rapariga entretanto deportada, que poderia voltar a
frequentar as aulas na sua antiga escola, dado que uma escola deve ser sempre
um “refúgio de estudantes” segundo estes dirigentes, desde que só lá estivesse
às 2ªs, 4ªs e 6ªs e viesse a pé desde a sua actual residência, sita a 4 países
de distância, devendo abandonar a República mal acabe as aulas e regresse
impreterivelmente à sua nova residência nesse mesmo dia (a pé). Como pode a
União defender-se dos importunos forasteiros (que os sábios da Terra do Chá
chama de aliens, o que na sua língua
também quer dizer perigoso extra-terrestre) se a República do Amor e do Queijo
Gruyère, um dos maiores países da União, dá este exemplo de fraqueza? Portanto,
estrangeiros, se quiserem estudar nas Universidades e escolas da República do
Amor e Queijo Gruyère, classificadas como “refúgio de estudantes”, que arranje
primeiramente um grande e activo clube de fãs no Facebook, com capacidade para
convocar flash mobs e manifestações
de grande envergadura pois de outro modo sujeita-se a ser filado à má-fé
enquanto está nas aulas, para ser deportado mesmo que não tenha alguma vez
cometido qualquer delito, só pelo facto de não ser um queijense-pinga-amor
mesmo que talvez seja um cidadão da União das Hortaliças. E se têm dúvidas
desta justiça, vejam melhor essa coisa da declaração da livre circulação de pessoas
e bens. Tal como no romance dos porcos do Orwell, houve alterações à frase.
Agora o que se deve ler é: livre circulação de pessoas pessoas (com
montes de dinheiro) e bens.
livro a não perder...


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