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quinta-feira, 27 de março de 2014

Apesar da dívida ter disparado dos 90% para os 129%, do desemprego estar acima dos 16%, dos novos salários terem regredido para os níveis de 2004, do desemprego jovem ter subido a módica quantia de 20%, de também terem aumentado em 20% as famílias em que nenhum membro consegue arranjar trabalho, do fosso entre ricos e pobres ter aumentado a velocidades acima da média da nossa querida União, dos juros da dívida terem disparado para cima dos 50%, de 19,7% do pessoal estar em risco de pobreza, de 25% sofrer privações materiais e 1,1 em cada 10 ter privações materiais graves, de só num ano se terem perdido 95 mil postos de trabalho, de o balanço empresas que fecharam versus as que abriram ser de -60 mil, dos indicadores económicos de 2013 estarem quase todos mais negativos que os de 2012, que por sua vez o estavam mais negativos face aos de 2011, os quais estavam mais negativos que os de 2010, os quais estavam… estão a ver o filme, é certo e seguro, confirmado pelos maiores experts mundiais, de que não há nem nunca houve crise, o que há – e este é um importantíssimo indicador macroeconómico – é um superavit de buracos nos estômagos e ar nos bolsos e carteiras (e contas em atraso nas caixas dos correios e emails). De facto, como prova desta ausência de crise eis aí a nova tabela salarial do Banco Recauchutado dos Ratinhos. Segundo esta tabela, os líderes da sua comissão instaladora, o antigo gestor-chefe do Banco dos Ratinhos, que faliu, o gestor-chefe do Banco das Raposas também falido e o gestor-em-uso do Banco das Toupeiras, igualmente falido, terão salários da ordem dos 0,5x106 de Ui-Uis, sim leram bem, meio milhão de euros, que é a alcunha carinhosa da moeda da União. Por seu turno e porque o dinheiro não estica, ao contrário do tempo no mundo relativista dos buracos negros para onde vai a massa destes bancos falidos, é evidente que o governo dos nabos, para assegurar o pagamento destes salários e doutras despesas emergentes, se verá forçado a cortar entre 1,5 a 1,7x106 Ui-Uis na despesa, ou seja, nos inúteis serviços de saúde (o que é preciso é que o pessoal bata a bota antes da reforma), do ensino (o pessoal devia estar na estiva e não a polir carteiras na escola) e nos ainda mais inúteis salários que como se sabe não servem para fazer avançar a economia pois são todos gastos em ninharias como comida, roupa, sapatos, etc. Um perfeito exemplo de eficiente gestão que até garante um superhavit de 1 a 1,2x106 carcanhóis, estabilizando assim as dívidas públicas (porque as privadas a gente já sabe…). Espera-se que estas medidas aumentem a taxa de buracos no estômago e o seu número efectivo por cada 100 habitantes, assim como o volume de ar nas algibeiras e contas em atraso Tal situação pode ser amplamente aproveitada pelos empreendedores desta linda horta à beira-mar plantada (em loteamento clandestino) e muitos deitaram já mãos à obra para aumentar as exportações de ar e buracos para os estômagos gordos e carteiras recheadas de certos mercados da União. Com efeito foram criadas 3 000 start-ups, e mais estão em germinação, para ligar botijas de ar aos buracos dos estômagos de voluntários, enchendo-as a custo zero e vendendo-as a 100 brasas por micrograma de ar, aos donos das tais carteiras com notas a mais e ar a menos. A União elogiou o governo do nabal por tanto empreendedorismo e estuda formas de subsídio a esta actividade ou da sua deslocalização para os emergentes mercados do norte, penalizando as futuras start-ups do sul por terem acordado tarde, pois estudos de casa de banho revelaram que esta transferência do ar dos estômagos famintos para as carteiras dos tipos com pastel minorará muitos dos problemas da poluição atmosférica, que voltam a estar na moda. Os líderes financeiros do nabal que promoveram estas tabelas salariais para ex-chefes de bancos falidos e que se espera venham a apresentar igual desempenho no novo banco, ao mesmo tempo reequilibrando as contas cortando em tudo o resto, receberam já inúmeras propostas para leccionarem em universidades de nomeada ou serem dirigentes de topo das instituições bancárias da União, as quais têm por missão lixar a vida a todos os que não sejam economistas de topo ou classes profissionais afins, dado que o resto da populaça poderá produzir tudo o que se produz e transacciona na economia real mas só serve para dar cabo das estatísticas e borrar as tabelas de Excel. O Nabal acolheu estas deliberações e desenvolvimentos com imensa alegria, tendo-se criado mais 100 000 start-ups de exportação de economistas locais para as grandes praças financeiras do mundo. Estas start-ups são na sua vasta maioria de apenas um empregado que é ao mesmo tempo patrão (para reduzir os custos) e terminam a sua breve actividade assim que o patrão-empregado consegue auto-exportar-se. Com tanto ar em circulação, e temendo um resfriado geral na fortuna, ou quiçá um “ar que lhe deu”, o presidente do Banco dos Asnos, o senhor Aguenta-Aguenta, que tem andado a contrair empréstimos que paga às mejinhas para ver se tapa os buracos das contas do banco (pois, eles também os têm…), meteu já uma cunha ao presidente do Nabal para ver se “arranjava qualquer coisinha para a esposa”. E o senhor Nabo-Mor sabendo que a pobre esposa só poderia assessorar, nomeou-a assessora para… as tesouras da sua casa civil.

Moral da notícia: se quer singrar na vida, torne-se amigo de personalidades influentes e leve um banco à falência. Verá que terá o futuro assegurado! 



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