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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Em Contrapartida Internet Foi Declarada “Portões do Inferno”, Assim Afirmou Deus
Ou os homens por Ele. Esta é a notícia que nos chega pelo porta-voz dos céus, sedeado no Califado das Enxaquecas, território que tem este lindo nome porque os seus líderes usam sempre grandes ligaduras à volta da cabeça e passam a vida a clamar “Ay-a-tola! Ay-a-tola!”. Pois o Supremo Líder das Enxaquecas declarou que a Internet é o “Veículo do Diabo” e as “Portas do Inferno”, já que expõe os seus utilizadores às mais nefastas de insidiosas tentações, segundo comunicação recebida por linha telefónica directa e exclusiva do Senhor dos Céus. Assim o supomos dado que o Supremo Líder não esclareceu de onde lhe veio a fundamentação pois sendo um homem santo, decerto não usará esse veículo de pecados e poucas-vergonhas, donde não poderá saber de conhecimento próprio quais os pecaminosos desvios que se oferecem ao incauto e pouco temente a Deus que por lá navegue. É interessante esta noção de perigo demoníaco ecolocado pela Internet que todos os Supremos Líderes descobrem, sejam eles Supremos Líderes religiosos ou doutrinariamente ateus. Esta convergência de opiniões entre líderes teologicamente tão opostos faz suspeitar os mais ignaros de que o problema possa não ser o Diabo e suas tentações mas a pouco saudável e ainda menos santa ambição de todos os Supremos Líderes em dominar as almas, mentes, capacidade de escolha e liberdade de pensamento dos seus súbditos. O que, de um outro ponto de vista, poderá sugerir ao ignorante teológico que estes Supremos Líderes estão-se então rigorosamente nas tintas para Deus. seja qual for a verdade estas declarações tiveram profundas repercussões no status quo do Céu e do Inferno. É que enquanto comia os seus deliciosos ovos escalfados flambée, sorvia o seu cacau quentinho e via as notícias da manhã no canal TVIA (TV Inferno a Arder) foi surpreendido pelas declarações do Supremo Líder do Califado das Enxaquecas. Chamando de imediato o seu chanceler-mor e o comité de registo dos livros de deve e haver do Inferno ficou a saber que os negócios do Inferno não abrangiam a Internet no seu todo. A Internet era um mercado livre, onde se contavam diversos franchisings de pequenos diabos empreendedores, que os constituíam nas horas vagas e à revelia do patrão, e que competiam com os sites de anjos igualmente empreendedores, humanos, gatos, pratos de comida, pés, paisagens de praia, cães e bicharada vária, assim como – a avaliar pelas declarações dos humanos que por lá sermoavam – sites do próprio Altíssimo. Após uma análise apurada aos sites da Internet e aos feeds de notícias, tendo verificado que Deus possui actualmente um vasto leque de exércitos que em nome D’Ele cometem atrocidades, se dedicam à pirataria, rapto com exigência de avultados resgates, captura e tráfico de escravos, atentados, guerras, genocídios vários, imposição do medo, ignorância e outros desvarios, e sendo que ele, Satã, o máximo que consegue é a adesão de um ou outro psicopata (já que muitos deles preferem agir por conta própria e sem pactos de sangue a empecilhá-los nas suas actividades), decidiu enviar um email a Deus, propondo-lhe a fusão do negócio do Céu com o do Inferno, ou quiçá, uma OPA, dado que as actividades de ambos os reinos tinham afinal convergido para uma plataforma comum e era melhor agregarem-se em cartel antes que os humanos começassem a ter ideias… A proposta referia ainda que pela recente experiência de Deus no mercado do terrorismo, talvez fosse aconselhado este ir tomar conta do Inferno e ele, Diabo, do Paraíso, para tornar as duas sucursais da futura empresa mais produtivas. Deus leu a proposta, discordou da OPA mas concordou com a fusão e neste momento estão a negociar os detalhes da troca de acções e o pedido de Deus em instalar um adequado sistema de ar condicionado para Ele e os seus anjos não sentirem demasiado calor junto das fornalhas e panelões de pez a ferver.





quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Deus Acrescentou Mais um Negócio à Sua Actividade: Venda de Escravas
 E é, podemos garantir, um negócio com futuro e muitos lucros para dar, ainda mais agora que foi santificado pela intervenção dos que combatem em nome do Senhor do Paraíso e tentam alargar por todos os meios – quanto mais sangrentos, mais santos – o novíssimo Califado das Cabeças Cortadas, em que as execuções são o espectáculo pedonal mais frequente e que por este andar se arriscam a limpar o novo país de cidadãos, pelo que terão de recorrer à mão de obra, ou mais exactamente aos ventres estrangeiros e escrava. E é aí que entra o novo negócio de Deus: a captura e venda de escravas. De preferência en masse, que é para poupar nos transportes e reduzir a contribuição para os gases de efeito de estufa. E embora surpreenda aos devotos mais distraídos este novo franchising dos investimentos comerciais divinos, temos de convir que é muito necessário dada a confusão que vai no Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, pois mesmo o Banco Bom que dele resultou é pior que o Banco Mau que Satã teve de aceitar governar à força. Afinal os anjos ainda não fazem ideia se no fechar das contas não terão de ser eles a entrar com o pilim para os dois bancos, já que os diabos se rebelaram e declararam preto no branco que não entravam nem com uma brasinha para o Banco Mau, ainda menos para o Bom pois o negócio deles é o das patifarias. Com o Califado a perder população aos magotes todos os dias por mor das execuções em massa e Deus a precisar de fundos, santificou-se então a prática da escravatura, que é um a sagrada tarefa de raptar e aprisionar um ser humano e a partir desse instante o despromover à posição de besta de carga e/ou parideira, vendendo-o no mercado como uma junta de bois ou uma galinha para a canja, enquanto o escravo, nesta abençoada reviravolta da sua vida, adquire o único direito que é o de servir todos os desejos e caprichos do dono e esperar que ele lhe dê a morte num dia em que estiver mal disposto. Como se vê, tudo muito santo e bom, tal como Deus manda. E como nesta santa irmandade do exército do califa Iznogood nem todos são ricos como Midas, os preços das escravas são tabelados democraticamente em função do poder de compra de cada um, pelo que uma rapariga jovem, bonita, virgem e com bons atributos de parideira passa a estar à venda no mercado por apenas 10 dólares, para que os guerreiros mais pobres do exército do califa não se revoltem e abatam o chefe mas pelo contrário, se possam manter sempre saciados e livres de todo o pecado, ao mesmo tempo que põem estas escravas parideiras a produzir muitos meninos para repovoar o califado e assegurar os contingentes futuros de abastecimento de combatentes, porque as guerras, se geram mártires que podem ir para o céu desfrutar de todos os prazeres que na Terra são pecado, têm também o desagradável inconveniente de matar muitos guerreiros em vez de destruir apenas civis que não desejam pegar numa arma seja para servir o califa. Por isso, além do mercado externo, o califa Iznogood reserva desde já uma quota de escravas para os seus homens de modo a, além de repovoarem o califado, cozinharem para eles pois que isto de fazer uma guerra e andar a matar indiscriminadamente quem não concorda com a cor da roupa do califa, é tarefa demasiado absorvente em tempo e forças para um homem ainda ter de se preocupar com os tachos e sertãs. Antes de serem vendidas têm as jovens candidatas a bichos de cobrição e bestas de carga e de cozinha direito a um último telefonema para os pais – tipo último desejo do condenado – para dizerem que passarão a partir daquele momento a serem escravas, que nunca mais poderão ver a família e comunicar o preço da sua venda em hasta pública. Neste momento no Califado das Cabeças Cortadas voltaram a estar em actividade animadíssimos mercados de escravas, com a mercadoria disposta à apreciação dos licitadores, tal e qual como nos velhos tempos em que a escravatura era um negócio legal e respeitável. Considerando que milhares de mulheres estão neste momento a serem vendidas, seria interessante saber onde é que elas irão ser entregues, quem as compra, para quê e como. Também é interessante saber que num mundo que se gaba da sua Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em teoria aboliu a escravatura, que é pelo direito internacional um crime, ninguém se preocupe em saber o destino destas escravas, quem as vende e quem as compra e punir pelo menos os compradores. A partir do momento em que são raptadas, estas mulheres desaparecem no buraco negro da condição animal e deixam de existir para o mundo. Há afinal coisas mais importantes do que tentar saber para onde foi levada uma escrava, quem a comprou e o que lhe fez a seguir. Seria interessante conhecer quais os honrados países, países que nada têm a ver com o “Eixo do Mal” que estão a receber este influxo constante de “mercadoria”. Seria interessante conhecer quais os honrados senhores que estão a comprar, com ou sem testas de ferro, estas “mercadorias”. Quanto a Deus… 4 500 milhões de anos depois de ter andado a brincar aos oleiros para fazer Terra, Sol, animais, plantas e gente, e sobretudo depois de nos ter aturado durante os últimos 100 mil anos, não acham natural que possa estar já um bocadinho senil?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Continuam as Interferências de Deus no Mundo da Moda
Assim nos informa o nosso enviado especial no Califado das Cabeças Cortadas. Talvez por os alfaiates do Paraíso estarem a sofrer uma concorrência crescente por parte dos criadores de moda da Terra, cujas produções são muito mais interessantes que os balandraus brancos dos anjos, as tendas portáteis para mulheres, chamadas burkas, os turbantes e túnicas escuras da moda masculina, mesmo que devidamente sancionados pelos éditos divinos. Porque enfim, umas bonitas pernocas ao léu, uns peitos a refulgir ao sol, uns bíceps musculados a exibir o seu bronze, umas barriguinhas bem escorreiras a sorrir por entre os tops e as calças de odalisca em tecidos semi-trasnparentes são muito mais atraentes aos olhares impúdicos… e nós já sabemos do que é a Humanidade feita. Por isso Deus, por intermédio do Seu Exército comandado pelo califa Iznogood, que é califa no lugar do califa, e para acabar com a concorrência, ordenou que a partir de agora não haja mais barbeiros nem cabeleireiros, que se insistirem praticar a profissão mesmo que às escondidas, serão decapitados de imediato e as suas lojas e salões de beleza condenados ao purificador fogo. Deus manda que a partir de agora os homens passem a envergar grandes e encaracoladas cabeleiras e barbaçanas, sem bigode ou buço. As mulheres poderão fazer o que quiserem ao cabelo, desde que o mantenham debaixo duma burka, para não se ver a careca ou a farta cabeleira, a qual é uma tentação pecaminosa para os machos, que terão de estar completamente concentrados nas coisas importantes que é matar e esquartejar todos os que não pensem nem adorem o mesmo deus que o califa que é califa no lugar do califa. Além disso, Deus é defensor dos bichos pequeninos e os piolhos têm de ter algumas farfalhudas barbas e grossas cabeleiras, onde possam fazer casa, pois isto da habitação, quando o pêlo nasce é p’ra todos. Por esta razão o califa, por ordem divina, mandou fechar todos os cabeleireiros e todas as barbearias, e os barbeiros de rua, que montam a sua quitanda, abrindo uma cadeira de piquenique e pendurando um espelho na parede mais próxima, terão agora de ir pregar, isto é, barbear para outra freguesia que o Exército de deus ainda não tenha conquistado. Ao mesmo tempo, e porque as tentações da carne também chegam aos manequins de pau e de gesso, também agora os manequins das montras terão de passar a usar hijab, mantendo a cabeça, braços, pernas e peitos bem tapados. Manequim que seja apanhado com a cabeça descoberta será sujeito a 50 chicotadas por atentado “à moralidade pública” e se porventura o gesso se partir durante a flagelação, o dono da loja terá de encontrar outro, ou remendá-lo pelos seus próprios meios pois o governo do califa que é califa no lugar do califa (o nosso caro Iznogood) não passa recibo nem se responsabiliza pelos danos da mercadoria.

sábado, 20 de setembro de 2014

Deus Também Chegou às Vacas

Bem, não, não estejam a pensar em variantes bacanais dos novos interesses de Deus. Nem sequer se trata de interesses na área da pecuária. Trata-se apenas do intemporal negócio de Deus: a moral. Que como veremos nalguns artigos próximos a serem-nos chegados do califado das Cabeças Cortadas (se não nos decapitarem o nosso enviado especial antes dele mandar o material das reportagens para cá). Talvez desapontado com a crescente confusão dos humanos no que se refere às suas regras, Deus enviou uma circular ao Seu Exército, isto é, o Exército de Deus do califa Iznogood, do CCC (Califado das Cabeças Cortadas) para a partir de agora imporem a burka total ao gado feminino de duas pernas e o véu sagrado às tetas das vacas, ovelhas e cabras dado que a exposição destes órgãos de alimentação são indecentes, eróticos e colocam más ideias nas cabeças dos outros animais e até de humanos que calhem de as contemplar. Isto está a colocar problemas aos cabritos, vitelos e cordeiros, que agora não conseguem mamar com as tetas das mães cobertas por véus mas a questão foi saudada com alegria pelos alfaiates e construtores de estábulos. Os primeiros porque podem exercitar a sua criatividade para além das tendas ambulantes (as burkas), hijab e nikhab, que são sempre do mesmo modelo, o mais que mudam – e não muito – são os tecidos, embora tenham de ser todos obrigatoriamente negros ou quando muito azuis. Agora, além dessas peças de vestuário feminino poddem dedicar-se a obras de haute couture para vacas cabras e ovelhas, e como cada úbere tem formato diferente tnto por espécie como por raça de gado, largo é o pano para tetas… literalmente. Assim, no mercado público de Mossul foi esta semana feita uma passagem de modelos de véus para tetas de vacas, com lindos panos de algodão em tons beje e cor-de-burro-quando-foge, sedas estampadas com versículos do livro sagrado, brocados para vacas premiadas, com originais padrões geométricos pretos em pano preto, e o desafio da moda, véus de tetas em chantung vermelho para gado oriental. Infelizmente alguns bois estavam a assistir e perante o desfilar do vermelho perderam a tramontana e investiram contra as vacas na paserelle, dando cabo da vernissage e fazendo ali em público aquelas coisas pecaminosas que só se podem fazer em privado, às escuras, de olhos fechados e debaixo de 10 cobertores, com a porta do quarto trancada a sete chaves. O pior é que não foi possível comprovar que o boi em causa era o legítimo marido das vacas, pelo que foram todas as vacas condenadas à morte por apedrejamento e capados os bois de cobrição envolvidos no escândalo, o que deu grande prejuízo aos criadores (os da moda e os dos bichos), levando a que todo o pessoal emigrasse de imediato para outras paragens onde o seu negócio (o da moda e pecuária) possa florescer sem tão sangrentas interferências.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Na Ilha do Caruncho Animais e Humanos Têm Finalmente Direitos Iguais 

Da sacrossanta Ilha do Caruncho, que é mesmo um jardim, até porque esse é o nome do seu rei, vem a boa notícia (valha-nos ao menos isso!) de que foi alcançado um novo patamar civilizacional em direcção ao progresso quando foram equiparados os direitos de admissão entre jornalistas, animais e não-membros de partidos políticos. Ou pelo menos do partido político do rei da ilha. Diz o novo regimento que a partir de agora está vedada a entrada nas sedes e delegações do partido a jornalistas, não membros do partido e animais. Está também proibido comer, beber e fumar, portanto, pessoal da lancheira, chegada a hora do almocinho, vá de desbancar todos para o passeio em frente à porta das instalações e se tiverem sede durante o horário de funcionamento, aguentem-na porque se isto o vinho pode ser punido com coima, a água por sua vez é cara e não se pode oferecer de borla aos calões dos trabalhadores. Esta decisão colocou a ilha em polvorosa, o que não é nada bom para o o caruncho, com a manifestação popular de diversas correntes de opinião, o que é de todo inusitado na ilha onde todos pensam da mesma maneira, isto é, tal e qual como o rei, desde que o mundo é mundo… ou desde que pelo menos o rei Jardim subiu ao poder. As vacas, galinhas, cães e cagarras vieram para a rua, expressando por meio de grasnidos, ladradelas, cacarejos, mugidos e bater de cascos a sua extrema alegria por serem finalmente reconhecidas com os mesmos direitos que os humanos, mesmo sendo um reconhecimento pela negativa. Alguns humanos também se manifestaram, expressando a sua ira por jornalistas, e não membros do clube serem igualados aos animais. Mas são ambas atitudes muito extremistas. Com efeito o novo regimento do partido do rei da Ilha do Caruncho pretende apenas recuperar a castiça tradição do “reservado o direito de admissão”, que era um letreiro muito comum à entrada das lojas e restaurantes no tempo da Ditadura e  impedia a entrada a pessoas sem o que hoje se chamaria “perfil adequado”. Ou dito de outro modo, pelintras pobremente vestidos, com buracos nas calças, biqueira ou sola dos sapatos, ou com aspecto de quem tomava banho no balneáreo público, não podiam entrar na loja ou no restaurante que decorasse a porta com tal letreiro. Mas infelizmente, apesar de ser adorável regressar às nossas origens e tradições (porque não, já agora autos-de-fé nos rossios das cidades e aldeias?), o mundo já não é o que era e esta reserva do direito de admissão está a causar inadvertivos problemas ao partido do rei. Basicamente porque está a sentir dificuldades na adesão de novos sócios, porque como os aspirantes a sócios não podem entrar porque ainda não pertencem ao clube, têm de pedir a um amigo que já pertença à excelsa confraria para lhes trazer os papelinhos da inscrição. Ora sabemos como são estas coisas de amigos e claro mas nem todos confiam nestes o bastante para depois lhes pedirem que vão lá entregar a papelada e a "massa" da jóia de inscrição e das quotas de sócio. Além disso nem todos os que desejam fazer parte do clube têm já lá amigos que possam levar e trazer papeladas e "cacau". E há aqueles que até confiam nos amigos para lhes passarem para as mãos o guito necessário embora alguns amigos não estejam para servir de moços de correios entre os candidatos e o partido e o dinheiro... ganhou asas como os pardais. Começamos a pensar que entrar no Reino dos Céus é capaz de ser menos complicado, apesar de ser necessário passar pelo buraco da agulha e seu proverbial camelo. Que, por ser animal, também está proibido de entrar na sede e delegações do partido do rei. No ar fica então a pairar uma dúvida: o que acontecerá às formigas, aranhas e peixinhos-de-prata se forem apanhados nesses interditos locais? Serão multados? Enviadas a tribunal por trespasse de propriedade privada? E se forem condenados a prisão por estes crimes, como impedir que, por exemplo, as formigas se evadam do presídio? 

sábado, 13 de setembro de 2014


Querem Matá-la? Beba um Café e Coma uns Bolos com o Assassino (paga você, é claro)

 Esta foi a acção profilática contra a violência que a senhora Aminetou Mint El-Moctar acabou de ser aconselhada a realizar, quando se dirigiu à polícia para pedir protecção contra as ameaças do líder do grupo radical “Amigos do Profeta”, o sr. Yadhih Ould Dahi. Lá o facto do Profeta em questão nunca o ter conhecido mais gordo nem desejar de modo algum ser amigo de tal besta é absolutamente irrelevantre dado que o que conta aqui é o sr. Yadhid dizer que é Amigo do Profeta e comandar um grupo de “amigos” do mesmo Profeta. Os “Amigos do Profeta” ficaram muito zangados quando esta senhora decidiu começar a defender as vítimas de violência sexual e réus de julgamentos injustos. Assim o seu líder promulgou uma fatwa a exigir o assassinato da abelhuda el-Moctar, pois o lugar duma mulher é em casa a fazer a ceia para o marido, não a defender vítimas seja lá do que for, pois se elas são vítimas bem o merecem e defendê-las é pecado. É muito possível que perante esta fatwa o Profeta, que todos dizem ter sido homem de paz e amante da justiça e bondade, haja dado várias voltas no túmulo. Também terá de saeguramente sido no espírito de bondade e paz do Profeta que a polícia aconselhou a sra. el-Moktar a entrar em contacto com o seu perseguidor e mandante do seu assassínio e o convidasse a beber um chá e a comer uns bolos para poder “discutir o assunto” com ele. E para que o Amigo do Profeta pudesse entrar em contacto com a perseguida e o encontro se pudesse realizar, a polícia muito solícitamenet divulgou a este a morada da sra., para que não ocorressem mais desencontros. A sra. el-Moktar seguiu o conselho e foi para casa fazer bolos e chá de menta ao mesmo tempo que tentava entrar em contacto com o Céu para chamar cá abaixo o Profeta, a ver o tipo de “amigos” que tem nesta Terra. Espera-se para breve o enconro entre a sra. el-Moktar e o mandante do seu assassínio e santo homem de fé, estando já reservados dois caixões para depois do lanche: uma para a senhora e outro para o Profeta.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

As Novas Leis do Califa Iznogood
As últimas notícias que nos chegam do Califado das Cabeças Cortadas dão conta duma viragem jurídica para o mundo religioso. Com efeito o califa em lugar do califa, o malvado e intriguista Iznogood, decidiu como compensação dos seus muitos defeitos pessoais, que a partir do momento da sua entronização e auto-proclamação como califa, se passaria a seguir a lei religiosa medieval em todo o seu califado, de modo a que o Grande Patrão do Céu lhe absolva os pecados e o deixe entrar no Paraíso, concedendo-lhe as 70 huris da praxe. A nova legislação é muito simples e mais ou menos ao estilo do Decálogo, a saber:
1º - São infiéis todos aqueles que não rezem como a seita religiosa do califa, mesmo que acreditem no mesmo Deus e professem o respeito pelo mesmo profeta.
2º - Todos os infiéis têm o direito de se converter à fé do califa.
3º - Os infiéis teimosos que se recusem à conversão, têm o direito inalienável de serem mortos, o que serão de imediato (para que não se perca tempo) por crucificação, sepultamento em vida, esquartejamento, decapitação, morte por assadura na fogueira ou outras formas que se revelem ainda mais sangrentas e brutais. São proibidos os fuzilamentos pois as balas são necessárias para matar todos os que fugirem quando os estivermos a invadir.
4º - O rapto deixa de ser crime, passando a ser uma boa acção que valerá ao raptor o reino dos céus.
5º - O produto dos raptos, isto é, os raptados, deverão ser vendidos como escravos ou devolvidos à família mas apenas e só se for pago um resgate absurdo de elevado. O resgate deverá ser estabelecido de modo a que a família, por si só, seja incapaz de o pagar. Os escravos fêmea pelo contrário deverão ser vendidos por preços simbólicos aos guerreiros do Exército de Deus (o exército do califa Iznogood) de modo a que os rapazes tenham sempre fêmeas disponíveis para as suas necessidades porque isto de combater em nome de Deus é muito desgastante.
6º - No caso os raptados enviados para resgate não serem resgatados pelo montante exigido, deverão ser decapitados, devagarinho para se poder colocar um vídeo bem “gore” no YouTubos e assim arregimentar novos recrutas para o Exército de Deus.
7º - Os bens dos infiéis, quer se tenham convertido ou não, deverão ser-lhes retirados pela força e distribuídos pelos guerreiros do Exército de Deus. Caso os bens em causa sejam valiosos, pertencerão em exclusivo aos chefes mais importantes do Exército. Os muito valiosos deverão ser entregues ao próprio califa Iznogood, que passará a ser o seu único proprietário.
8º - O mulherio até aos 11 anos deverá ser todo ser sujeito a mutilação genital para que nunca possam sentir prazeres da carne e sofrerem atrozmente no coito e nos partos e deste modo fugirem com toda a força das tentações, garantindo assim a sua eterna purificação.
9º - Fêmeas que venham servir os guerreiros do Exército de Deus naquelas necessidades íntimas não serão consideradas prostitutas (por enquanto) e deste modo não serão punidas com apedrejamento até à morte. Todo o outro mulherio que se lembre de provar da fruta fora do lar conjugal será pelo contrário apedrejado até à morte porque não se querem cá coisas. E apesar de ser necessário dois para dançar o tango, o homem que haja recebido os afectos da adúltera poderá ir para casa em paz porque enfim, sabemos como são estas coisas.
10º - Para todos os crimes comuns os prevaricadores terão uma ampla variedade de punições: decepação de mãos, decapitação em praça pública, apedrejamento, regadelas com ácido para os crimes de honra (apenas a ser aplicado ao mulherio), flagelação com mais de 40 chicotadas, podendo a coisa ir até à centena se o carrasco e o juiz estiverem a precisar de alguma distracção extra.
Mais decreta o devoto califa que está aberto o recrutamento para o Exército de Deus, não sendo necessário conhecer a língua nem a cultura local ou a razão da guerra santa que o Exército está a levar aos ímpios deste mundo. Alerta-se porém para que será realizado um exigente exame psicotécnico para garantir que no Exército de Deus apenas terão entrada os mais sanguinários assassinos por conta própria ou contrato, psicopatas, serial killers e carrascos com alma de SS. Mais declara o califa que se alguém protestar e se sentir horrorizado pelos métodos de extermínio e manutenção da (des)ordem no Califado e terras ainda a conquistar, fique sabendo que a culpa não é do califa mas do demoníaco Ocidente. A birra do antigo califa Harun el Poussa, conhecido por Al-Maliki, em teimar ser califa e dizer a toda a gente “daqui não saio, daqui ninguém me tira” até o terem mesmo tirado, não é culpa do el Poussa mas do satânico Ocidente. O facto do Al-Maliki despromover a cidadãos de segunda o pessoal da tribo dos sonaitas, não é culpa do feitio do califa mas do pérfido Ocidente. Os rapazes do Exército de Deus fazerem toda a barbárie que até mesmo hunos e mongóis se arrepiariam de cometer não é culpa de serem chanfrados e assassinos genocidas mas do decadente, malvado, pecador e herético Ocidente. Dêem três vivas ao Ocidente porque se este não existisse não teríamos ninguém sobre quem atirar as nossas culpas.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Quer Casar? Viole uma Criança. Se Ela Sobreviver, Ganhou Noiva 

Parece-lhe estranho? Pois não é. A coisa faz parte do direito civil dos países do norte do Continente Apagado (ou Às Escuras), como a Democracia das Areias, a República Sagrada dos Cartagineses, a Democracia (às Vezes) dos Papiros e califados vizinhos. Diz a sábia lei, baseada na jurisprudência sagrada que, se um homem violar mulher de idade inferior a 18 anos, pode escapar ao castigo se casar com a violada e aterrorizada rapariga, para depois poder fazer em casa tudo o aquilo que não teve tempo de lhe fazer na rua. Se a violada tiver mais de 18 anos será apedrejada até à morte – o violador não será incomodado e poderá até a ajudar ao apedrejamento – porque cometeu pecado/crime… de adultério. O violador, naturalmente não é punido, embora em teoria o deva ser, porque “ela é que estava a provocar, estava mesmo a pedi-las, e um homem é um homem, camando!” e como na lei sagrada o testemunho duma mulher tem apenas metade do peso do testemunho do de um homem (é necessário o testemunho de duas mulheres para igualar o de um homem e fica ao critério do juiz em quem se deve acreditar) resulta que ele tem sempre razão. Esta é uma lei muito justa e sábia porque se você for um badameco que por isso mesmo nenhum pai de família o queira para genro, ou se a sua família tem tão má fama que ninguém tenciona fazer alianças com ela, ou se você é um gajo tão pobretanas que nem mesmo os mendigos de porta de templo estão dispostos a casar as filhas consigo, não se preocupe: apanhe a primeira miúda que virar a esquina – preferencialmente se vier a regressar da escola, pois uma rapariga decente não se dá ao pecado de aprender a ler e a escrever – salte-lhe em cima e satisfaça-se à vontade. Tenha apenas cuidado para não se satisfazer tanto que ela acabe morta pois aí terá de pagar uma pipa de massa aos pais para não ser decapitado. Caso a rapariga tenha menos de 18 anos, e sobreviva ao seu ataque, parabéns, você acaba de arranjar noiva! Basta apresentar-se no tribunal e dizer que casa com ela. Se você foi tão apressado que nem verificou bem em cima de quem se satisfez e a rapariga afinal tiver acima de 18 anos, bom, ela será apedrejada até à morte e você só tem de fazer nova tentativa na mesma esquina. Há apenas um pequeno problema que por vezes ocorre: estas noivas à força, para escaparem ao terror de o terem por marido e suportarem aquilo que lhes fez da primeira vez mas agora todas as noites, tendem a suicidar-se com alguma frequência. Claro que pode dizer à sua mãe para vigiar a rapariga dia e noite e impedi-la de se suicidar, ou então arranja umas correntes e algemas e peia-lhe pés e mãos, deixando espaço de manobra apenas suficiente para ela lhe fazer a comida e limpar a casa. Se mesmo assim ela se suicidar, ah, bom, há muitas raparigas no mundo, é só uma questão de você regressar à esquina. Deus é definitivamente muito grande… e tem as costas muito largas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014


Não Tenho Culpa do Buraco nas Contas, os Culpados São… os Ratos
Em Vila Nova das Poias descobriu-se que desde 1975 a economia da edilidade está entregue aos bichos; mais exactamente… aos ratos. Este fenómeno foi descoberto quando após as eleições, e tomada posse do novo autarca, este fez a revisão geral das contas da casa e descobriu um buraco financeiro tão grande que teve um desmaio e caiu por ele adentro, causando grande consternação e não menor trabalheira para pescarem o desmaiado de dentro do fosso sem fundo e trazerem-no de volta à realidade. Quando o pobre novo presidente da câmara recuperou, chamou a capítulo o seu antecessor, querendo que lhe explicasse bem explicada a razão porque as contas públicas estavam num tal desarranjo. O antigo edil ficou muito ofendido por lhe assacarem agora as culpas dos buracos financeiros criados ao longo de quase 40 anos de mandato ininterrupto e declarou que durante a sua presidência exercera uma apertada engenharia financeira, em que os buracos eram sistematicamente cobertos com folhas, redes e, se demasiado grandes, pontes; e se agora as coberturas de folhas, redes e pontes estavam a descoberto, levando à queda da câmara na falência, isto é, no buraco, ele não possuía qualquer culpa no assunto, os responsáveis eram os engenheiros e os criadores dos buracos, isto é… os ratos. Os engenheiros financeiros defenderam-se, afirmando que os seus produtos, redes, coberturas de folhas, pontes, hedge funds, swaps (vulgo CDSes), CoCos e outros instrumentos de engenharia financeira estavam em perfeitas e absolutas condições para mercados sempre racionais e que se auto-regulam e se os seus produtos não obedecem a qualquer regulamentação é porque esta há muito que desapareceu, para não sufocar os mercados, logo os seus produtos são 100% fiáveis e legais, a culpa, a existir, será dos ratos e de quem caiu nos buracos pois não atentou aonde estava a enfiar os pés e a bolsa. Os ratos bem tentaram protestar inocência, eles o mais que roíam era notas se as apanhassem mas essa é matéria que não se encontra nas carteiras nem nos cofres, eles não são ratos de computador nem cavalos de Tróia, logo não abrem buracos nas folhas de Excel de câmaras, bancos e outras instituições financeiras. Só que como vozes de rato não chegam ao céu, era preciso atirar as culpas para cima dos costados de alguém e tanto o antigo edil como os engenheiros financeiros são todos “pessoas de bem” tal como os banqueiros da nossa praça, declarou-se caça aos ratos a terminar apenas após o extermínio destes minúsculos e mui atarefados roedores. Os ratos, para se defenderem, fundaram um partido pois se conseguirem lugares no Parlamento nas próximas eleições adquirem estatuto de imunidade e eixam de ser perseguidos. Quanto ao destino do antigo autarca, não temam. Dada a sua facilidade em sacudir a água do capote, já lhe foi oferecido um estágio para banqueiro, dado ter o talento e desfaçatez em quantidade suficiente para um dia dirigir e afundar um banco.