Não Tenho Culpa do Buraco nas Contas, os Culpados
São… os Ratos
Em Vila Nova das Poias descobriu-se que desde 1975 a economia da edilidade
está entregue aos bichos; mais exactamente… aos ratos. Este fenómeno foi
descoberto quando após as eleições, e tomada posse do novo autarca, este fez a
revisão geral das contas da casa e descobriu um buraco financeiro tão grande
que teve um desmaio e caiu por ele adentro, causando grande consternação e não
menor trabalheira para pescarem o desmaiado de dentro do fosso sem fundo e
trazerem-no de volta à realidade. Quando o pobre novo presidente da câmara
recuperou, chamou a capítulo o seu antecessor, querendo que lhe explicasse bem
explicada a razão porque as contas públicas estavam num tal desarranjo. O
antigo edil ficou muito ofendido por lhe assacarem agora as culpas dos buracos
financeiros criados ao longo de quase 40 anos de mandato ininterrupto e
declarou que durante a sua presidência exercera uma apertada engenharia
financeira, em que os buracos eram sistematicamente cobertos com folhas, redes
e, se demasiado grandes, pontes; e se agora as coberturas de folhas, redes e
pontes estavam a descoberto, levando à queda da câmara na falência, isto é, no
buraco, ele não possuía qualquer culpa no assunto, os responsáveis eram os
engenheiros e os criadores dos buracos, isto é… os ratos. Os engenheiros
financeiros defenderam-se, afirmando que os seus produtos, redes, coberturas de
folhas, pontes, hedge funds, swaps (vulgo CDSes), CoCos e outros instrumentos de
engenharia financeira estavam em perfeitas e absolutas condições para mercados
sempre racionais e que se auto-regulam e se os seus produtos não obedecem a
qualquer regulamentação é porque esta há muito que desapareceu, para não
sufocar os mercados, logo os seus produtos são 100% fiáveis e legais, a culpa,
a existir, será dos ratos e de quem caiu nos buracos pois não atentou aonde
estava a enfiar os pés e a bolsa. Os ratos bem tentaram protestar inocência, eles
o mais que roíam era notas se as apanhassem mas essa é matéria que não se
encontra nas carteiras nem nos cofres, eles não são ratos de computador nem
cavalos de Tróia, logo não abrem buracos nas folhas de Excel de câmaras, bancos
e outras instituições financeiras. Só que como vozes de rato não chegam ao céu,
era preciso atirar as culpas para cima dos costados de alguém e tanto o antigo
edil como os engenheiros financeiros são todos “pessoas de bem” tal como os
banqueiros da nossa praça, declarou-se caça aos ratos a terminar apenas após o
extermínio destes minúsculos e mui atarefados roedores. Os ratos, para se
defenderem, fundaram um partido pois se conseguirem lugares no Parlamento nas
próximas eleições adquirem estatuto de imunidade e eixam de ser perseguidos.
Quanto ao destino do antigo autarca, não temam. Dada a sua facilidade em
sacudir a água do capote, já lhe foi oferecido um estágio para banqueiro, dado
ter o talento e desfaçatez em quantidade suficiente para um dia dirigir e
afundar um banco.
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