Invadimo-vos? Desculpem, Foi Engano!
As coisas andam explosivas entre a República dos Cossacos e o Império
dos Ursos. Acontece que no regresso dum barbecue de fim-de-semana das tropas do
Império dos Ursos, pois os rapazes do exército também precisam de desanuviar,
uma coluna p’rá’í duns 10 tanques (não dos de lavar a roupa) perdeu-se no
caminho e acabou cercada por enervadas tropas cossacas, que os recambiaram de
volta após valente troca de artilharia entre ambas as partes, dado que a
coluna, no dizer dos cossacos, tinha passado a fronteira sem autorização,
pagamento de portagem ou direitos alfandegários. Ora o não pagamento de
direitos alfandegários é uma coisa que irrita muito os cossacos pois eles têm a
sua economia nas lonas e todos os dinheiros de colecta são necessários e os
direitos de alfândega dum tanque de guerra é uma pipa de massa, agora imaginem
10, com armamento e munições todo na ponta da unha e pronto a usar! De
imediato, mal a pancadaria na fronteira chegou aos meios de comunicação de
massas, o czar do Império dos Ursos, que é um homem muito brando e pacífico,
que gosta de viver em paz e harmonia com os seus vizinhos desde que eles o
reconheçam como seu czar e líder supremo e esqueçam veleidades
independentistas, veio logo esclarecer que a presença “dos seus rapazes” nas
terras dos cossacos fora apenas um pequeno engano, os homens tinham-se metido
demais na vodka e quando chegou a altura de pegar no volante meteram-se pela
estrada que não era e… infelizmente chegaram à horta dos vizinhos. Tudo apenas
um lamentável equívoco, um engano normal no fim duma bem regada patuscada, não
deveria ser levada a mal, perdoassem lá o mau jeito que os foliões tinham
causado nas couves. Infelizmente os cossacos têm por hábito fazer o teste do
balão a todo o bicho-careta que apanhem a andar pelas estradas e campos, esmo
que vá a pé pois os níveis de consumo de bebidas alcoólicas entre os cossacos
torna até o tráfego de peões uma actividade muito arriscada, o que não dizer
então duma coluna de tanques de guerra. Ora sucede, e os cossacos têm os vídeos
para o comprovar, que se a quase totalidade das equipas dos tanques iam bêbadas
como umas pipas em resultado do regado e feliz barbecue na fronteira, os condutores
acusavam 0 de alcoolémia, conseguiam fazer o 4 e até recitar capítulos inteiros
do “Guerra e Paz”. Impossível estarem bêbados. Isto provocou uma corrida não às
armas mas aos mapas do estado-maior do Império dos Ursos. E constatou-se, com
grande consternação, que os mapas estavam desactualizados pois ainda indicavam
a República dos Cossacos como integrando o Império dos Ursos, razão pela qual
os condutores não tinham reparado no posto fronteiriço e haviam avançado por
ali adentro em busca do seu quartel. Ou, nas palavras de um dos rapazes: “oh,
meu comandante, a gente era p’ra virar no primeiro cruzamento à direita mas o
artolas do tanque da frente confunde sempre a esquerda com a direita,
enfiou-nos pela esquerda e prontos!...” Assim, para não haver mais enganos, o
czar do Império dos Ursos ordenou que o material de guerra para os rebeldes
anti-cossacos deva a partir de agora ser enviado em carrinhas de apoio
humanitário pois essas modernizaram-se e usam GPS. Ao mesmo tempo, e
para evitar confusões futuras, ordenou aos cartógrafos do Império que
desalapassem os traseiros das suas dachas e fossem fazer novos mapas, em que as
fronteiras do Império estejam muito claramente assinaladas, passando onde ele,
czar, disser que passam. É que não se podem cometer erros grosseiros deste
calibre ou… ainda acabamos por atirar ao chão o avião de alguém, decretou o
czar antes de ir morfar.

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