Nova Estratégia para Aumentar as Exportações:
Impedi-las
O nosso bem
sucedido concorrente “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque” acaba de noticiar
uma nova estratégia governativa para aumentar as exportações, o que é, como
todos sabem, o santo Graal para a recuperação económica, o que pode ser uma
triste notícia, se tivermos em consideração que o Santo Graal nunca existiu ou,
a ter existido, nunca foi encontrado, nem sequer pelos melhores e mais puros
cavaleiros da Távola Redonda, embora haja zunzuns de que o Parsifal talvez o
tenha achado, mas se o achou, guardou-o para si e não transmitiu o segredo à
descendência. Pois deixando as canções de gesta dos cavaleiros medievais a
amodorrar nos alaúdes dos trovadores, o governo deste querido alfobre de Nabos
decidiu que a melhor forma de aumentar as exportações era a revolucionária
acção de as… impedir. Assim, implementou um programa de falhas, suspensões de
funcionamento, bloqueio ao acesso no site das Finanças onde os exportadores têm
de fazer a declaração das suas exportações e obterem as respectivas guias de
remessa, sem as quais não é possível embarcar os produtos para os seus
destinos. Por causa destas falhas constantes, têm sido já muitas as mercadorias
que não são exportadas, ou pelo menos não o são a tempo e horas, o que leva à
perda de clientes. OS técnicos de contas, exportadores e despachantes
alfandegários andam todos numa pinha de nervos, tal e qual como gatos em
telhado de zinco quente, com um grupo de dobermanns a fazerem-lhes uma espera
cá em baixo no solo e começaram a protestar nos órgãos de comunicação social,
tendo o protesto chegado ao “Apenas Boas Notícias Merecem Destaque”, o qual ao
publicitar tal notícia parece estar a trair o seu espírito e título. Porém a
verdade é que esta é uma boa notícia! De facto o governo do Nabal veio a
público expressar o seu profundo desgosto pela incompreensão dos exportadores e
pessoal de alfândega, dado que o seu objectivo é tornar as exportações mais e
mais rentáveis para os operadores económicos, que o mesmo é dizer para o país.
E passou a explicar: sendo que a oferta condiciona a procura e em consequência
os preços de mercado, se um produto se tornar bastante raro – como por exemplo
por irregularidade da sua chegada aos clientes – então este sofrerá uma alavancagem
e passará a ser comprado por um preço muito superior ao que teria em condições
de plena oferta. Deste modo o governo está a tentar garantir que se obtenha
mais (dinheiro) por menos (mercadoria). Mantenhamos apenas as mãos apertadas em
figas para que do outro lado do mundo, além dos tapetes de Arraiolos made in Império do Meio, não passem
também a ser manufacturados, figos, azeite, pasta de azeitonas, componentes
eléctricos e electrónicos, produtos à base de cortiça, etc., etc., etc. Porque
se isso acontecer, as teorias económicas da inflacção da oferta e da procura
terão de ser exportadas… para a lixeira.

Sem comentários:
Enviar um comentário