O Cantão dos Queijos foi a referendo para saber se deve continuar a
abrir as portas a trabalhadores estrangeiros ou pelo contrário fechá-las e aos
poucos ir escorraçando todos os que já tem no território. E apesar do Cantão
dos Queijos ter uma das mais invejáveis situações económicas – em grande parte
por concentrar nos seus bancos as fortunas mal ganhas de muita gente que por
todas as razões e mais algumas mantém as continhas secretas – e por possuir
imensas indústrias, mas todas a poluir fora do país que, para os seus cidadãos
se manterem felizes, é conservado numa pureza de fotografia de caixa de
bolachas, a vasta maioria dos seus cidadãos votou a favor do “fora daqui
estrangeiros”. O que prova que a caça aos estrangeiros é menos uma questão de
crise e mais uma de burrice pura e dura ou, como nas palavras do “primitivo”
chefe Tuvaii, os civilizados podem ter em sua casa todas as esteiras e porcos
necessários para alimentar a sua e mais dez famílias mas não partilham nada
disto com os que não têm esteiras ou comida. O que nos faz também pensar no que
significa “ser civilizado”. Independentemente do que signifique, o Cantão dos
Queijos – famoso por ser também o último país da Europa onde num dos seus
cantinhos, no final do século XX, as mulheres ainda não tinham direito a votar,
ultrapassando até as retrógradas civilizações dos Califados – espera agora em
breve começar a impedir a entrada dos estrangeiros no país, a menos que venham
de férias ou depositar o seu dinheirinho, antevendo-se num futuro próximo que
os que já lá estão também sejam varridos para fora de portas. Note-se que na
classificação estão incluídos os cidadãos da União das Hortaliças, o que vai
contra todos os tratados mas quem se preocupa com isso? Claro, a União das
Hortaliças começou por ficar muito chateada e cortar a cooperação científica
com os Queijos, mas apenas em acto simbólico. Quanto aos negócios e actividades
bancárias tudo continua como dantes pois os saldos bancários são mais
importantes do que as pessoas. Depois, quanto tudo acalmar e o resto do mundo
estiver a ver a bola, a União reatará todos os convénios agora suspensos e o
Cantão dos Queijos fechará placidamente fronteiras e de seguida expulsará os
forasteiros que já lá trabalhem (e os que andam à procura de trabalho).
Entretanto continuará a ser sede de um frondoso ramalhete de organizações
internacionais do mais alto nível dedicadas à defesa dos direitos humanos e
nada poderá de facto ser mais lógico, dado que os estrangeiros não são pessoas,
ao que parece. Será interessante ver daqui a uns anos como irá de vento em popa
a economia dos Queijos, quando os administradores dos grandes bancos forem
mandados embora, ou como será a higiene do esterilizado país quando as
empregadas da limpeza forem todas deportadas, ou já agora os impecáveis
cuidados de saúde quando auxiliares médicos e enfermeiros e outro pessoal menor
dos hospitais tiver igual destino. Será decerto o alvorecer do grande milagre
económico dos Queijos. Pela nossa parte, só podemos imaginar que, se
países sem grandes problemas estão a agir assim, se estivessem a braços com a
crise que devora o sul da União então… já haveria campos de extermínio para os
estrangeiros? O nosso analista científico, perante tais resultados eleitorais e
suas consequências que aqui prevemos, concluiu que nos encontramos numa louca
viagem no tempo – sendo que o preço do bilhete será cobrado e com língua de
palmo à chegada – e estamos quase a alcançar as décadas de 1930-1940. Por seu
lado o nosso cartoonista de serviço declarou que as contas do nosso analista
estão erradas e encontramo-nos sim à entrada da aldeia dos irredutíveis gauleses,
já ouvindo do lado de fora da paliçada a
imoral declaração de Agecanonix: “Não tenho nada contra os estrangeiros,
alguns dos meus melhores amigos são estrangeiros mas estes estrangeiros não são
daqui”, prestada imediatamente antes de passar à bengalada aos mesmos. Pelo
menos, o actual nível de disparate é idêntico. Assim deixamos no ar uma
perguntinha: Se acharmos que os outros não são pessoas com direito a fazerem
pela vida como nós, o que é que somos? Civilizados?Número total de visualizações de páginas
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Não Tenho Nada Contra os Estrangeiros, Alguns dos
Meus Melhores Amigos São Estrangeiros Mas Estes Estrangeiros Não São Daqui
O Cantão dos Queijos foi a referendo para saber se deve continuar a
abrir as portas a trabalhadores estrangeiros ou pelo contrário fechá-las e aos
poucos ir escorraçando todos os que já tem no território. E apesar do Cantão
dos Queijos ter uma das mais invejáveis situações económicas – em grande parte
por concentrar nos seus bancos as fortunas mal ganhas de muita gente que por
todas as razões e mais algumas mantém as continhas secretas – e por possuir
imensas indústrias, mas todas a poluir fora do país que, para os seus cidadãos
se manterem felizes, é conservado numa pureza de fotografia de caixa de
bolachas, a vasta maioria dos seus cidadãos votou a favor do “fora daqui
estrangeiros”. O que prova que a caça aos estrangeiros é menos uma questão de
crise e mais uma de burrice pura e dura ou, como nas palavras do “primitivo”
chefe Tuvaii, os civilizados podem ter em sua casa todas as esteiras e porcos
necessários para alimentar a sua e mais dez famílias mas não partilham nada
disto com os que não têm esteiras ou comida. O que nos faz também pensar no que
significa “ser civilizado”. Independentemente do que signifique, o Cantão dos
Queijos – famoso por ser também o último país da Europa onde num dos seus
cantinhos, no final do século XX, as mulheres ainda não tinham direito a votar,
ultrapassando até as retrógradas civilizações dos Califados – espera agora em
breve começar a impedir a entrada dos estrangeiros no país, a menos que venham
de férias ou depositar o seu dinheirinho, antevendo-se num futuro próximo que
os que já lá estão também sejam varridos para fora de portas. Note-se que na
classificação estão incluídos os cidadãos da União das Hortaliças, o que vai
contra todos os tratados mas quem se preocupa com isso? Claro, a União das
Hortaliças começou por ficar muito chateada e cortar a cooperação científica
com os Queijos, mas apenas em acto simbólico. Quanto aos negócios e actividades
bancárias tudo continua como dantes pois os saldos bancários são mais
importantes do que as pessoas. Depois, quanto tudo acalmar e o resto do mundo
estiver a ver a bola, a União reatará todos os convénios agora suspensos e o
Cantão dos Queijos fechará placidamente fronteiras e de seguida expulsará os
forasteiros que já lá trabalhem (e os que andam à procura de trabalho).
Entretanto continuará a ser sede de um frondoso ramalhete de organizações
internacionais do mais alto nível dedicadas à defesa dos direitos humanos e
nada poderá de facto ser mais lógico, dado que os estrangeiros não são pessoas,
ao que parece. Será interessante ver daqui a uns anos como irá de vento em popa
a economia dos Queijos, quando os administradores dos grandes bancos forem
mandados embora, ou como será a higiene do esterilizado país quando as
empregadas da limpeza forem todas deportadas, ou já agora os impecáveis
cuidados de saúde quando auxiliares médicos e enfermeiros e outro pessoal menor
dos hospitais tiver igual destino. Será decerto o alvorecer do grande milagre
económico dos Queijos. Pela nossa parte, só podemos imaginar que, se
países sem grandes problemas estão a agir assim, se estivessem a braços com a
crise que devora o sul da União então… já haveria campos de extermínio para os
estrangeiros? O nosso analista científico, perante tais resultados eleitorais e
suas consequências que aqui prevemos, concluiu que nos encontramos numa louca
viagem no tempo – sendo que o preço do bilhete será cobrado e com língua de
palmo à chegada – e estamos quase a alcançar as décadas de 1930-1940. Por seu
lado o nosso cartoonista de serviço declarou que as contas do nosso analista
estão erradas e encontramo-nos sim à entrada da aldeia dos irredutíveis gauleses,
já ouvindo do lado de fora da paliçada a
imoral declaração de Agecanonix: “Não tenho nada contra os estrangeiros,
alguns dos meus melhores amigos são estrangeiros mas estes estrangeiros não são
daqui”, prestada imediatamente antes de passar à bengalada aos mesmos. Pelo
menos, o actual nível de disparate é idêntico. Assim deixamos no ar uma
perguntinha: Se acharmos que os outros não são pessoas com direito a fazerem
pela vida como nós, o que é que somos? Civilizados?
O Cantão dos Queijos foi a referendo para saber se deve continuar a
abrir as portas a trabalhadores estrangeiros ou pelo contrário fechá-las e aos
poucos ir escorraçando todos os que já tem no território. E apesar do Cantão
dos Queijos ter uma das mais invejáveis situações económicas – em grande parte
por concentrar nos seus bancos as fortunas mal ganhas de muita gente que por
todas as razões e mais algumas mantém as continhas secretas – e por possuir
imensas indústrias, mas todas a poluir fora do país que, para os seus cidadãos
se manterem felizes, é conservado numa pureza de fotografia de caixa de
bolachas, a vasta maioria dos seus cidadãos votou a favor do “fora daqui
estrangeiros”. O que prova que a caça aos estrangeiros é menos uma questão de
crise e mais uma de burrice pura e dura ou, como nas palavras do “primitivo”
chefe Tuvaii, os civilizados podem ter em sua casa todas as esteiras e porcos
necessários para alimentar a sua e mais dez famílias mas não partilham nada
disto com os que não têm esteiras ou comida. O que nos faz também pensar no que
significa “ser civilizado”. Independentemente do que signifique, o Cantão dos
Queijos – famoso por ser também o último país da Europa onde num dos seus
cantinhos, no final do século XX, as mulheres ainda não tinham direito a votar,
ultrapassando até as retrógradas civilizações dos Califados – espera agora em
breve começar a impedir a entrada dos estrangeiros no país, a menos que venham
de férias ou depositar o seu dinheirinho, antevendo-se num futuro próximo que
os que já lá estão também sejam varridos para fora de portas. Note-se que na
classificação estão incluídos os cidadãos da União das Hortaliças, o que vai
contra todos os tratados mas quem se preocupa com isso? Claro, a União das
Hortaliças começou por ficar muito chateada e cortar a cooperação científica
com os Queijos, mas apenas em acto simbólico. Quanto aos negócios e actividades
bancárias tudo continua como dantes pois os saldos bancários são mais
importantes do que as pessoas. Depois, quanto tudo acalmar e o resto do mundo
estiver a ver a bola, a União reatará todos os convénios agora suspensos e o
Cantão dos Queijos fechará placidamente fronteiras e de seguida expulsará os
forasteiros que já lá trabalhem (e os que andam à procura de trabalho).
Entretanto continuará a ser sede de um frondoso ramalhete de organizações
internacionais do mais alto nível dedicadas à defesa dos direitos humanos e
nada poderá de facto ser mais lógico, dado que os estrangeiros não são pessoas,
ao que parece. Será interessante ver daqui a uns anos como irá de vento em popa
a economia dos Queijos, quando os administradores dos grandes bancos forem
mandados embora, ou como será a higiene do esterilizado país quando as
empregadas da limpeza forem todas deportadas, ou já agora os impecáveis
cuidados de saúde quando auxiliares médicos e enfermeiros e outro pessoal menor
dos hospitais tiver igual destino. Será decerto o alvorecer do grande milagre
económico dos Queijos. Pela nossa parte, só podemos imaginar que, se
países sem grandes problemas estão a agir assim, se estivessem a braços com a
crise que devora o sul da União então… já haveria campos de extermínio para os
estrangeiros? O nosso analista científico, perante tais resultados eleitorais e
suas consequências que aqui prevemos, concluiu que nos encontramos numa louca
viagem no tempo – sendo que o preço do bilhete será cobrado e com língua de
palmo à chegada – e estamos quase a alcançar as décadas de 1930-1940. Por seu
lado o nosso cartoonista de serviço declarou que as contas do nosso analista
estão erradas e encontramo-nos sim à entrada da aldeia dos irredutíveis gauleses,
já ouvindo do lado de fora da paliçada a
imoral declaração de Agecanonix: “Não tenho nada contra os estrangeiros,
alguns dos meus melhores amigos são estrangeiros mas estes estrangeiros não são
daqui”, prestada imediatamente antes de passar à bengalada aos mesmos. Pelo
menos, o actual nível de disparate é idêntico. Assim deixamos no ar uma
perguntinha: Se acharmos que os outros não são pessoas com direito a fazerem
pela vida como nós, o que é que somos? Civilizados?
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