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sábado, 16 de agosto de 2014

Já Não Precisa Duma Guerra para Morrer Num Subterrâneo. Basta Andar de Metro
Não consegue pagar as contas? Está com o tribunal dos penhores à porta e o banco em cima do cachaço porque não consegue pagar o empréstimo da casa + carro + consumo + despesas do cartão de crédito + colégio dos putos + água + luz + gás + telemóvel/TV/Internet + tudo o resto? Não desespere à procura do raticida ou dalguma trave que possa sustentar uma bonita forca, consigo a decorá-la. Agora, pode simplesmente comprar o passe e ir viajar de Metro. Com efeito, e para ajudar os cidadãos neste momento de crise, o governo dos Nabos resolveu não aumentar o subsídio de desemprego ou outras prestações sociais que poderiam tornar as pessoas “menos rijas” mas antes auxiliar os desesperados a cometerem suicídio, que é aliás uma opção patriótica e que se recomenda, pois ajuda a reduzir o défice público, dado que se poupará nos serviços de saúde, contas do psiquiatra, salários, subsídio de desemprego e abono de família. Assim, começou por cortar as verbas do Metro, de modo a que este tivesse de cortar nos travões de emergência e nos dispositivos anti-incêndio. Uma vez estes desactivados por falta de pilim para a manutenção, vão agora instaurar-se horários de suicídio colectivo (não, não se trata de ir para além da Troika), sendo o primeiro destes a chamada “Linha da Meia-Noite”. A “Linha da Meia-Noite” decorre da meia-noite até ao último comboio da noite e durante este período os comboios andarão com os travões desactivados e na velocidade máxima, de modo a potenciar o maior e mais potente acidente, com o maior número de mortos que seja possível produzir. Serão também criados passes sociais especiais para suicidas, a preço duplo dos passes normais visto ter sido necessário investir na lenta decomposição das carruagens, e isso demora tempo, já que o dinheiro para manutenção das carruagens… essa é outra conversa que não vem aqui para o caso. Naturalmente o serviço da “Linha da Meia-Noite” será gratuito apenas para os que comprovem ter o passe especial de suicidas. Os demais, que viagem nessas horas por motivos de trabalho, esses, se morrerem no decurso dos acidentes, terão de pagar o serviço de remoção do cadáver, limpeza da via, carris, túneis e carruagens, mesmo que estas devam apenas servir para o ferro-velho, uma vez destruídas num choque frontal por falta de travões. Considerando que cada vez mais gente tem de ter três empregos para conseguir acertar as contas ao fim do mês, calcula-se que na linha da Meia-Noite possam vir a morrerá por semana várias dezenas de pessoas sem candidatura a suicidas, pelo que o governo dos Nabos espera vir a recolher uma significativa contribuição para os cofres do défice, com os pagamentos de limpezas, recolha de cadáveres de familiares e respectivas coimas, por parte dos familiares das vítimas. Este novo e revolucionário serviço público espera inaugurar uma nova trend turística: o Turismo Suicida (não, não é o que constrói hotéis e casas em cima de falésias mesmo a desmoronarem-se no próximo temporal). Admite-se que esta trend possa cooptar um amplo mercado mundial, oferecendo aos potenciais suicidas uns dias de férias na “melhor cidade do mundo” e suficientes emoções fortes antes do destino final para que a “Linha da Meia-Noite” leve os seus clientes, obtendo-se com este novo mercado turístico uma fonte acrescida de divisas. Uma vez por mês será promovido um grandioso incêndio nos túneis do Metro, o qual pode ser alugado a governos e grupos armados genocidas, para estes se desfazerem convenientemente dos cadáveres e deste modo não virem a ser chateados pelos picuinhas do Tribunal Penal Internacional. Saúda-se desde já a audaz iniciativa de eliminar os mecanismos de segurança do Metro, pois não só permitirá resolver os problemas de excesso de população como, em simultâneo, trazer receitas para o carenciado governo dos Nabos, acabando deste modo com a crise e inovando nas ofertas turísticas. É solução garantida, afiançou o porta-voz do referido governo. E nós não temos quaisquer motivos para duvidar da afirmação.

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