Para Enfrentar a Nova Peste Basta Enfiar a Cabeça
na Areia…
Há pelo menos meio
ano que a nova peste, chamada Ébolas em homenagem à Copa do Mundo e aos
negócios estranhos da FIFA, anda a matar que se farta no Continente Apagado mas
até há cerca de 2 semanas isso não constituía qualquer problema pois era lá
longe e só matava gente escura. Mas há 2 semanas gente branquinha da silva
apanhou esta peste e dois já bateram a bota, pelo que agora sim, agora é uma
emergência gravíssima e mundial, o que mais uma vez prova que se todos são
iguais há definitivamente uns que são mais iguais e importantes do que outros.
Ora na República dos Nabos, que tem um ancestral e intenso contacto com alguns
dos países mais atacados pela Ébolas, podem os nabos estar descansados porque,
como é de tradição, não há razão para receios, nem mesmo que um terramoto faça
desabar as igrejas sobre as cabeças dos crentes (morrem em campo santo, ficam
logo consagrados), pois o Nabal sempre esteve preparado para todas as
emergências mesmo aquelas que não se sabe que irão existir. Para provar que não
havia nada a recear destas Ébolas, o governo organizou uma representação
teatral, isto é, um simulacro, para se usar a linguagem técnica, para o público
se entusiasmar com a caça a doentes falsos entre turistas, representação
encenada pelo célebre Isto-é-só-Fachada e que teve um êxito retumbante perante o
público, que aplaudiu de pé, pelo que o governo dos nabos veio declarar que o
Nabal estava mais do que preparado para lidar com todas as Ébolas que viessem,
fossem elas rematadas à baliza, ao poste ou para canto. Para assegurar essa preparadness, como se diz agora, foi
anunciado após o espectáculo teatral/simulacro que o pessoal dos aeroportos
nacionais estava já a receber coloridos prospectos com instruções para lidar
com eventuais Ébolas em trânsito e que tentassem entrar em território do Nabal.
A distribuição destes prospectos/protocolos de actuação obedeceu ao seguinte
protocolo:
1º - A Direcção de
Saúde declarou não ser sua a responsabilidade pela distribuição e implementação
dos protocolos dado que os aeroportos tinham os seus próprios serviços de saúde
e triagem, os quais são responsáveis por tal implementação, mas naturalmente
dará toda a formação técnica necessária. Mas têm de lhe pedir primeiro, por
escrito, em requerimento em folha de papel selado azul de 25 linhas e papel de
20 gramas, não se aceitando emails, SMS ou quaisquer outras formas de pedido.
2º - Os aeroportos
declararam que não era necessário chatear a Direcção de Saúde, porque tinham os
seus próprios serviços de treino médico e protocolar a funcionar e tinham já
fornecido formação adequada ao pessoal de terra que lia com os passageiros em
trânsito e das áreas de chegadas.
3º - Este pessoal
de terra declarou em petição enviada ao governo do Nabal que não recebeu
qualquer formação, protocolos ou as tais brochuras coloridas fosse por parte da
Direcção de Saúde, fosse por parte dos serviços sanitários do aeroporto (nem
mesmo dos que lidam com as sanitas e outros acessórios de WC).
4º - O governo
declarou ter ficado surpreendido, dado que supusera que a partir do momento em
que fosse declarado que estava a ser feita formação para os Ébolas, não era
preciso fazer mais nada, mas não era necessário entrar em pânico pois o governo
estava já a resolver a situação, para o que bastaria a declaração acabada de
proferir.
5º - A Direcção de
Saúde voltou a declarar o que foi declarado no ponto 1º.
6º - Os aeroportos
voltaram a declarar o que foi declarado no ponto 2º, repetindo-se novamente o
processo até ao ponto 4º e reiniciando-se a mesma iteração até o assunto cair
no esquecimento do público.
Entretanto alguns
passageiros mais assustadiços, decidiram tomar o assunto em mãos e ofereceram
aos membros das equipas de terra na área das chegadas, várias caixinhas de
areia e tufos de penas de avestruz. Assim, segundo foi explicado ao nosso
jornal, quando aparecer um passageiro a esparramar-se de sangue e fluidos
corporais, o pessoal de terra deverá enfiar as cabeças na areia das caixas e
agitar as penas de avestruz até que o doente haja saído do aeroporto, seja pelo
seu pé seja… num caixão.

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