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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Para Enfrentar a Nova Peste Basta Enfiar a Cabeça na Areia…
 Há pelo menos meio ano que a nova peste, chamada Ébolas em homenagem à Copa do Mundo e aos negócios estranhos da FIFA, anda a matar que se farta no Continente Apagado mas até há cerca de 2 semanas isso não constituía qualquer problema pois era lá longe e só matava gente escura. Mas há 2 semanas gente branquinha da silva apanhou esta peste e dois já bateram a bota, pelo que agora sim, agora é uma emergência gravíssima e mundial, o que mais uma vez prova que se todos são iguais há definitivamente uns que são mais iguais e importantes do que outros. Ora na República dos Nabos, que tem um ancestral e intenso contacto com alguns dos países mais atacados pela Ébolas, podem os nabos estar descansados porque, como é de tradição, não há razão para receios, nem mesmo que um terramoto faça desabar as igrejas sobre as cabeças dos crentes (morrem em campo santo, ficam logo consagrados), pois o Nabal sempre esteve preparado para todas as emergências mesmo aquelas que não se sabe que irão existir. Para provar que não havia nada a recear destas Ébolas, o governo organizou uma representação teatral, isto é, um simulacro, para se usar a linguagem técnica, para o público se entusiasmar com a caça a doentes falsos entre turistas, representação encenada pelo célebre Isto-é-só-Fachada e que teve um êxito retumbante perante o público, que aplaudiu de pé, pelo que o governo dos nabos veio declarar que o Nabal estava mais do que preparado para lidar com todas as Ébolas que viessem, fossem elas rematadas à baliza, ao poste ou para canto. Para assegurar essa preparadness, como se diz agora, foi anunciado após o espectáculo teatral/simulacro que o pessoal dos aeroportos nacionais estava já a receber coloridos prospectos com instruções para lidar com eventuais Ébolas em trânsito e que tentassem entrar em território do Nabal. A distribuição destes prospectos/protocolos de actuação obedeceu ao seguinte protocolo:

1º - A Direcção de Saúde declarou não ser sua a responsabilidade pela distribuição e implementação dos protocolos dado que os aeroportos tinham os seus próprios serviços de saúde e triagem, os quais são responsáveis por tal implementação, mas naturalmente dará toda a formação técnica necessária. Mas têm de lhe pedir primeiro, por escrito, em requerimento em folha de papel selado azul de 25 linhas e papel de 20 gramas, não se aceitando emails, SMS ou quaisquer outras formas de pedido.
2º - Os aeroportos declararam que não era necessário chatear a Direcção de Saúde, porque tinham os seus próprios serviços de treino médico e protocolar a funcionar e tinham já fornecido formação adequada ao pessoal de terra que lia com os passageiros em trânsito e das áreas de chegadas.
3º - Este pessoal de terra declarou em petição enviada ao governo do Nabal que não recebeu qualquer formação, protocolos ou as tais brochuras coloridas fosse por parte da Direcção de Saúde, fosse por parte dos serviços sanitários do aeroporto (nem mesmo dos que lidam com as sanitas e outros acessórios de WC).
4º - O governo declarou ter ficado surpreendido, dado que supusera que a partir do momento em que fosse declarado que estava a ser feita formação para os Ébolas, não era preciso fazer mais nada, mas não era necessário entrar em pânico pois o governo estava já a resolver a situação, para o que bastaria a declaração acabada de proferir.
5º - A Direcção de Saúde voltou a declarar o que foi declarado no ponto 1º.
6º - Os aeroportos voltaram a declarar o que foi declarado no ponto 2º, repetindo-se novamente o processo até ao ponto 4º e reiniciando-se a mesma iteração até o assunto cair no esquecimento do público.

Entretanto alguns passageiros mais assustadiços, decidiram tomar o assunto em mãos e ofereceram aos membros das equipas de terra na área das chegadas, várias caixinhas de areia e tufos de penas de avestruz. Assim, segundo foi explicado ao nosso jornal, quando aparecer um passageiro a esparramar-se de sangue e fluidos corporais, o pessoal de terra deverá enfiar as cabeças na areia das caixas e agitar as penas de avestruz até que o doente haja saído do aeroporto, seja pelo seu pé seja… num caixão.

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