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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

... Ou em Alternativa Despedir Todos os Médicos

Essa foi a solução encontrada pelo País dos Raptos em Massa, dado que é tão populoso que não dá jeito nenhum raptar só uma vítima ou duas de cada vez. A braços com cada vez maior número de doentes do Ébolas, o presidente dos Raptos, herr Sabonete Johnson – conhecido entre amigos e conhecidos por “a Estátua” dado que fica imóvel sempre que lhe vêm contar que o Exército do Deus Cábula (o que proíbe estudar) acaba de raptar mais umas centenas de raparigas ou rapazes que estavam na escola e que, para decorar as fotografias para a imprensa e YouTubos, massacra toda a gente que se encontre nas redondezas – decidiu agir com fulminante velocidade à expansão da nova peste e despediu todos, mas rigo-ro-sa-men-te TODOS os médicos do país. Há quem diga que o presidente Sabonete decidiu dar um sabonete nos médicos que tinham tomado a irritante decisão de entrarem em greve por melhoria das condições de trabalho. No entanto o nosso repórter na Cidade dos Lagos conseguiu obter junto de fontes próximas do Sabonete, informações que demonstram que esta medida draconiana face a pacíficos médicos (por oposição à inactividade face aos raptores e massacradores profissionais do Exército do Deus Cábula) não teve por fim ensaboar os clínicos mas promover um futuro sorridente para o país mesmo sem pasta Colgate. Confrontado com a crónica economia aos solavancos, ausência de desenvolvimento social, eclosão constante de conflitos económicos, políticos, étnicos e religiosos, o presidente Sabonete decidiu que o melhor era fazer uma barrela geral e esvaziar o país de habitantes, mais ou menos como se faz às nódoas na saponária. Os seus conselheiros demonstraram-lhe que sem pessoas um país não tem desemprego, pobres, analfabetos, fome, violência, injustiça, corrupção e/ou deficiente rede de escolar, hospitalar e viária. Mas como, interrogavam-se os membros do gabinete presidencial, se esvazia um país de pessoas? E foi então que, no meio do pânico gerado pelo vírus Ébolas, o presidente Sabonete teve a sua ideia de génio (até os tolos as têm uma vez na vida): se o Ébolas mata que se farta, despedem-se todos os médicos! Os doentes, esses podem ficar quietinhos e morrer nas suas casas, trancadas pelos vizinhos que não querem ser contaminados, ou então ir ao imã de serviço no local de oração, ou ao bruxo de nomeada com residência no mato mais próximo. Nenhum deles o irá curar mas a doença pode ser agradavelmente espalhada pelo caminho e deste modo melhor contribuir para os esforços do presidente sabonete. Se no final restar alguém de pé e vivo, o Exército do Deus Cábula (que ordena, não se esqueçam, ser proibido estudar) deverá raptar os sobreviventes e vendê-los no estrangeiro como escravos. Os lucros da venda reverterão metade para o exército e metade para o governo que, nesta fase dos acontecimentos estará instalado num Paraíso Offshore a beber daiquiris. Para garantir que este revolucionário plano terá um completo sucesso, além de despedir todos os médicos e encerrar por falta de pessoal hospitais e dispensários, o presidente sabonete instituiu uma medalha de mérito às brigadas do Exército do Deus Cábula que raptem mais pessoas por centímetro quadrado. E para que estas brigadas possam prosseguir a sua meritória obra de escravização e propagação da ignorância, ser-lhes-ão disponibilizados veículos, armas e livres-trânsitos a levantar nos quartéis do exército e polícia após breves operações protocolares de ataque, de modo a que possam conduzir as suas operações de raptagem em total segurança. Teme-se apenas que, por serem analfabetos, os vírus dos Ébolas não tenham lido o comunicado presidencial que os intimava a deixarem em paz o Exército do Deus Cábula. É que como ele é Cábula, não existem garantias de que se dê ao trabalho de defender o referido Exército dos ataques do vírus.
(naturalmente, os raptos e assassinatos não são proibidos...)

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