... Ou em Alternativa Despedir Todos os Médicos
Essa foi a solução
encontrada pelo País dos Raptos em Massa, dado que é tão populoso que não dá
jeito nenhum raptar só uma vítima ou duas de cada vez. A braços com cada vez
maior número de doentes do Ébolas, o presidente dos Raptos, herr Sabonete Johnson – conhecido entre
amigos e conhecidos por “a Estátua” dado que fica imóvel sempre que lhe vêm
contar que o Exército do Deus Cábula (o que proíbe estudar) acaba de raptar
mais umas centenas de raparigas ou rapazes que estavam na escola e que, para
decorar as fotografias para a imprensa e YouTubos, massacra toda a gente que se
encontre nas redondezas – decidiu agir com fulminante velocidade à expansão da
nova peste e despediu todos, mas rigo-ro-sa-men-te TODOS os médicos do país. Há
quem diga que o presidente Sabonete decidiu dar um sabonete nos médicos que
tinham tomado a irritante decisão de entrarem em greve por melhoria das
condições de trabalho. No entanto o nosso repórter na Cidade dos Lagos
conseguiu obter junto de fontes próximas do Sabonete, informações que
demonstram que esta medida draconiana face a pacíficos médicos (por oposição à
inactividade face aos raptores e massacradores profissionais do Exército do
Deus Cábula) não teve por fim ensaboar os clínicos mas promover um futuro
sorridente para o país mesmo sem pasta Colgate. Confrontado com a crónica
economia aos solavancos, ausência de desenvolvimento social, eclosão constante
de conflitos económicos, políticos, étnicos e religiosos, o presidente Sabonete
decidiu que o melhor era fazer uma barrela geral e esvaziar o país de
habitantes, mais ou menos como se faz às nódoas na saponária. Os seus
conselheiros demonstraram-lhe que sem pessoas um país não tem desemprego,
pobres, analfabetos, fome, violência, injustiça, corrupção e/ou deficiente rede
de escolar, hospitalar e viária. Mas como, interrogavam-se os membros do gabinete
presidencial, se esvazia um país de pessoas? E foi então que, no meio do pânico
gerado pelo vírus Ébolas, o presidente Sabonete teve a sua ideia de génio (até
os tolos as têm uma vez na vida): se o Ébolas mata que se farta, despedem-se
todos os médicos! Os doentes, esses podem ficar quietinhos e morrer nas suas
casas, trancadas pelos vizinhos que não querem ser contaminados, ou então ir ao
imã de serviço no local de oração, ou ao bruxo de nomeada com residência no
mato mais próximo. Nenhum deles o irá curar mas a doença pode ser
agradavelmente espalhada pelo caminho e deste modo melhor contribuir para os
esforços do presidente sabonete. Se no final restar alguém de pé e vivo, o
Exército do Deus Cábula (que ordena, não se esqueçam, ser proibido estudar) deverá
raptar os sobreviventes e vendê-los no estrangeiro como escravos. Os lucros da
venda reverterão metade para o exército e metade para o governo que, nesta fase
dos acontecimentos estará instalado num Paraíso Offshore a beber daiquiris.
Para garantir que este revolucionário plano terá um completo sucesso, além de
despedir todos os médicos e encerrar por falta de pessoal hospitais e
dispensários, o presidente sabonete instituiu uma medalha de mérito às brigadas
do Exército do Deus Cábula que raptem mais pessoas por centímetro quadrado. E
para que estas brigadas possam prosseguir a sua meritória obra de escravização
e propagação da ignorância, ser-lhes-ão disponibilizados veículos, armas e
livres-trânsitos a levantar nos quartéis do exército e polícia após breves
operações protocolares de ataque, de modo a que possam conduzir as suas
operações de raptagem em total segurança. Teme-se apenas que, por serem
analfabetos, os vírus dos Ébolas não tenham lido o comunicado presidencial que
os intimava a deixarem em paz o Exército do Deus Cábula. É que como ele é
Cábula, não existem garantias de que se dê ao trabalho de defender o referido
Exército dos ataques do vírus.


(naturalmente, os raptos e assassinatos não são proibidos...)
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