Deus Também Chegou às Vacas
Bem, não, não estejam a pensar em
variantes bacanais dos novos interesses de Deus. Nem sequer se trata de
interesses na área da pecuária. Trata-se apenas do intemporal negócio de Deus:
a moral. Que como veremos nalguns artigos próximos a serem-nos chegados do califado
das Cabeças Cortadas (se não nos decapitarem o nosso enviado especial antes
dele mandar o material das reportagens para cá). Talvez desapontado com a
crescente confusão dos humanos no que se refere às suas regras, Deus enviou uma
circular ao Seu Exército, isto é, o Exército de Deus do califa Iznogood, do CCC
(Califado das Cabeças Cortadas) para a partir de agora imporem a burka total ao
gado feminino de duas pernas e o véu sagrado às tetas das vacas, ovelhas e
cabras dado que a exposição destes órgãos de alimentação são indecentes, eróticos
e colocam más ideias nas cabeças dos outros animais e até de humanos que calhem
de as contemplar. Isto está a colocar problemas aos cabritos, vitelos e
cordeiros, que agora não conseguem mamar com as tetas das mães cobertas por
véus mas a questão foi saudada com alegria pelos alfaiates e construtores de
estábulos. Os primeiros porque podem exercitar a sua criatividade para além das
tendas ambulantes (as burkas), hijab e nikhab, que são sempre do mesmo modelo,
o mais que mudam – e não muito – são os tecidos, embora tenham de ser todos
obrigatoriamente negros ou quando muito azuis. Agora, além dessas peças de
vestuário feminino poddem dedicar-se a obras de haute couture para vacas cabras
e ovelhas, e como cada úbere tem formato diferente tnto por espécie como por
raça de gado, largo é o pano para tetas… literalmente. Assim, no mercado
público de Mossul foi esta semana feita uma passagem de modelos de véus para
tetas de vacas, com lindos panos de algodão em tons beje e
cor-de-burro-quando-foge, sedas estampadas com versículos do livro sagrado,
brocados para vacas premiadas, com originais padrões geométricos pretos em pano
preto, e o desafio da moda, véus de tetas em chantung vermelho para gado
oriental. Infelizmente alguns bois estavam a assistir e perante o desfilar do
vermelho perderam a tramontana e investiram contra as vacas na paserelle, dando cabo da vernissage e fazendo ali em público
aquelas coisas pecaminosas que só se podem fazer em privado, às escuras, de
olhos fechados e debaixo de 10 cobertores, com a porta do quarto trancada a
sete chaves. O pior é que não foi possível comprovar que o boi em causa era o
legítimo marido das vacas, pelo que foram todas as vacas condenadas à morte por
apedrejamento e capados os bois de cobrição envolvidos no escândalo, o que deu
grande prejuízo aos criadores (os da moda e os dos bichos), levando a que todo
o pessoal emigrasse de imediato para outras paragens onde o seu negócio (o da
moda e pecuária) possa florescer sem tão sangrentas interferências.
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