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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Chegou a Nova Tendência Outono-Inverno: Justiça Pinóquio
O novo vestuário judiciário Outono-Inverno, tal como nos chega das principais capitais europeias e transatlânticas, é a há muito aguardada moda Pinóquio, ou moda Contorcionista. a qual entrou em força na jurisprudência mundial. Eis alguns exemplos:
1º - Andy Hall, activista e investigador sobre as práticas da escravatura e em particular a que atinge a mão-de-obra migrante, tal como a que trabalha para grandes companhias de processamento de fruta, marisco ou aquacultura, só para citar algumas, tem em tribunal diversas acções contra si por parte das companhias que lucram com esta mão-de-obra escrava e corre risco de ser condenado e preso e pagar uma multa de 10 milhões de dólares. Por seu turno na Mauritânia estão actualmente presos vários activistas locais contra a escravatura, alguns deles filhos de antigos escravos ou eles próprios ex-escravos. Donde na nova jurisprudência Contorcionista a prática da escravatura não é crime, denunciar este acto de barbárie é que é crime.
2º - Algures nos EUA um benemérito de 80 anos está em risco de ir para a prisão. Qual o seu crime? Dar de comer aos sem-abrigo. Portanto no novo evangelho Pinóquio devemos auxiliar o próximo mas o próximo é só quem tenha conta bancária suficientemente recheada para ser considerado boa pessoa. Os outros são… lixo. E como se sabe, promover a multiplicação do lixo é crime.
3º - Em Detroit, cidade oficialmente na bancarrota, como se os seus habitantes não o estivessem também, porque a cidade é uma coisa, as pessoas que nela vivem outra completamente distinta, é exigido às famílias, mesmo que não tenham quaisquer meios de subsistência porque também estão na bancarrota, que paguem adiantado, e com lingual de palmo, os serviços de fornecimento de água. No entanto as grandes firmas financeiras têm na mesma cidade cerca de 9,5 milhares de milhões de dólares em dívidas… que ninguém parece estar interessado em cobrar. Esta justiça de Pés-Para-o-Ar tem sido muito bem recebida pelos piolhos, percevejos, pulgas e demais parasitas que podem assim, finalmente reclamar um território que até há pouco lhes estava interdito e espalharem deliciosas doenças como o tifo, cólera e outras mazelas de sociedades disfuncionais, e que tão necessárias são à redução efectiva da população. Quem ganha é, talvez, a patologia… e as agências funerárias.

4º - Por seu turno, e em nome de Deus, da moral e bons costumes, Aminetou Mint El-Moctar corre perigo de vida pelo seu trabalho de defesa dos direitos humanos na Mauritânia – um dos países onde a escravatura é endémica – graças a uma fatwa do santo Sr.Yadhih Ould Dahi, auto-proclamado líder dos Amigos do Profeta (pobre Profeta, se pudesse, daria uma varridela nos seus supostos “amigos”), quea 5 de Junho de 2014 lançou uma fatwa contra a senhora Aminetou em que afirma que “whoever kills her or tears out her eyes will be rewarded by Allah” (sic.). Para ajudar a que Deus possa recompensar o benemérito assassino, as informações pessoais de  Amina, incluindo morada, local de trabalho, matrícula do carro foram amplamente divulgadas, o que teve entre outras coisas o salutar efeito de enviar a senhor para a clandestinidade. Naturalmente, e porque não se deve contraria as recompensas de Deus nem o trabalho benemérito de assassinar quem luta pelos direitos e dignidade dos outros, nem o governo nem a polícia se deram ao trabalho de proteger a visada ou de perseguir os incitadores ao assassinato. Allah, não sei não, mas parece-nos que tens de enviar outro profeta cá abaixo…
5º - Entretanto a Chiquita e outras grandes multinacionais, entre as quais várias grandes farmacêuticas do Midwest dos EUA conseguiram obter o estatuto de empresas estrangeiras, no seu próprio país, e assim poderem legalmente não pagar impostos neste. E nem, com toda a certeza naqueles em que exercem actividade e obtêm lucros, como se tem visto, preferindo pagar impostos simbólicos em paraísos fiscais como quiçá, talvez o Luxemburgo, o qual na União das Hortaliças dá lições de moral aos “preguiçosos” do sul, que são nestas manobras de elevado gabarito contorcionista esburgados do seu. Portanto neste novo mundo Pinóquio, se querem alguma coisa não perguntem “o que é que o meu país pode fazer por mim” mas sim “como posso meter a mão na grana depressa e bem para depois poder fugir com o cacao sem ter a polícia à perna”.
6º - Na mesma onda, várias empresas de comunicações na pátria dos cowboys têm recebido ao longo das últimas décadas fundos estatais e federais para expandir o serviço de internet DSL para as comunidades rurais mas não o têm feito. Em contrapartida criaram uma nova estratégia de marketing, que se pode designar por “projecções de futuros”, dado que publicitam os seus serviços anunciando que a Internet chegará a estas comunidades muito, muito em breve desde que os potenciais clients adquiram os seus serviços de TV e telefones, que temporariamente (e estes temporariamente é, mais ou menos, tal e coisa, nunca antes de daqui a 10 anos) mas na verdade tal não acontecerá em menos de 10 anos. Nos entretantos os clientes terão de se contentar com serviços 4G LTE que são cerca de 3 vezes mais caros do que os DSL. Note-se que estas companhias recebem fundos governamentais para fornecerem serviços DSL ás comunidades rurais há pelo menos uma década. Tal como cá, as investigações parece que não avançam mas nos entretantos os subsídios governamentais avançam e muito.
Conclusão: Já chegámos ao circo… e adivinhem quem são os palhaços?

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