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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Seremos Todos Charlie Hebdo?
Não me parece. De acordo com algumas cartas e comentários de Internet, que tenho tido a infelicidade de ler nas últimas horas, a culpa deste ataque terrorista e de outros atentados às liberdades dos habitantes da Europa não reside nos líderes religiosos e políticos do Médio Oriente que apelam a este tipo de atentados e até os abençoam, mas do Ocidente. Que é culpado de tudo, até da geada que deu nas couves.
A culpa é apenas do Ocidente e nunca de desmedido desejo de poder destes líderes ou da insana necessidade de calarem qualquer dissidência mesmo que não seja dentro das suas sociedades e regimes. A culpa não é da sua incapacidade prática para resolver - ou querer resolver - os problemas, que ão muitos, dos seus povos. A culpa não é duma visão destes líderes que não permitem que se pense diferente ou sequer que se veja o mundo de forma diferente mesmo entre os seus (recorde-se a recente fatwa a Aminetou Mint El-Moctar, defensora dos direitos humanos, apenas porque pela sua actividade deve ter psiado os calos ao sr. Yadhid Ould Dahi e líder do movimento fundamentalista dos Amigos do Profeta, na Mauritânia). Não, a culpa é sempre e só do Ocidente, tal como no infantário a culpa do vidro que eu parti não é minha mas do Zézinho.
Quando de uma vez paramos de lançar as culpas apenas nas acções desastradas do Ocidente e passamos também a compreender que o pior problema é a visão totalitária destes líderes que não se importam apenas de esmagar os seus mas querem esmagar quem quer que seja que lhes cause incómodo?
É que há uma grande diferença entre ser-se racista e acusar estes líderes, que de facto agem como certos monstros europeus de triste memória que tivémos de suportar no século passado. Sim, estou a falar do Hitler, do Mussolini, do Estaline, do Franco e correlativos. Para quando ter a coragem de reconhecer que estes líderes religiosos são terroristas e não querem saber do seu povo ou já agora da religião que dizem defender? Para quando deixar de sentir culpa pelos crimes e intolerância e desmedido desejo de poder mundial destes líderes? Não os afrontar, não apontar o dedo e acusá-los significa entre outras coisas trair os muçulmanos que desesperam sob o seu jugo. Significa entre outras coisas trair os sofrimento dos nossos antepassados para nos legarem o direito à liberdade de pensar, de podermos estabelecer uma relação mais franca, mais honesta e mais íntima com Deus ou de não estabelecer relação nenhuma e daí não vir mal nenhum ao mundo.

Oui, J’Accuse! Estes líderes, os sus paus-mandados e todos aqueles que por cegueira, voluntária ou, não atiram as culpas destes, e de tudo, para cima dos ombros do Ocidente.

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