Não me parece. De acordo com algumas cartas e comentários de Internet, que tenho
tido a infelicidade de ler nas últimas horas, a culpa deste ataque terrorista e
de outros atentados às liberdades dos habitantes da Europa não reside nos líderes religiosos e políticos do Médio Oriente que
apelam a este tipo de atentados e até os abençoam, mas do Ocidente. Que é
culpado de tudo, até da geada que deu nas couves.
A culpa é apenas do Ocidente e nunca de desmedido desejo de poder
destes líderes ou da insana necessidade de calarem qualquer dissidência mesmo
que não seja dentro das suas sociedades e regimes. A culpa não é da sua
incapacidade prática para resolver - ou querer resolver - os problemas, que ão
muitos, dos seus povos. A culpa não é duma visão
destes líderes que não permitem que se pense diferente ou sequer que se veja o
mundo de forma diferente mesmo entre os seus (recorde-se a recente fatwa a
Aminetou Mint El-Moctar, defensora dos direitos humanos, apenas porque pela sua
actividade deve ter psiado os calos ao sr. Yadhid Ould Dahi e líder do
movimento fundamentalista dos Amigos do Profeta, na Mauritânia). Não, a culpa é
sempre e só do Ocidente, tal como no infantário a culpa do vidro que eu parti
não é minha mas do Zézinho.
Quando de uma vez paramos de lançar as culpas apenas nas acções desastradas do Ocidente e passamos também a
compreender que o pior problema é a visão totalitária destes líderes que não se
importam apenas de esmagar os seus mas querem esmagar quem quer que seja que
lhes cause incómodo?
É que há uma grande diferença entre ser-se racista e acusar estes
líderes, que de facto agem como certos monstros europeus de triste memória que
tivémos de suportar no século passado. Sim, estou a falar do Hitler, do Mussolini,
do Estaline, do Franco e correlativos. Para quando ter a coragem de reconhecer
que estes líderes religiosos são terroristas e não querem saber do seu povo ou
já agora da religião que dizem defender? Para quando deixar de sentir culpa
pelos crimes e intolerância e desmedido desejo de poder mundial destes líderes?
Não os afrontar, não apontar o dedo e acusá-los significa entre outras coisas
trair os muçulmanos que desesperam sob o seu jugo. Significa entre outras
coisas trair os sofrimento dos nossos antepassados para nos legarem o direito à
liberdade de pensar, de podermos estabelecer uma relação mais franca, mais
honesta e mais íntima com Deus ou de não estabelecer relação nenhuma e daí não
vir mal nenhum ao mundo.
Oui, J’Accuse! Estes líderes, os sus paus-mandados e todos aqueles que por cegueira,
voluntária ou, não atiram as culpas destes, e de tudo, para cima dos ombros do
Ocidente.
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