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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Estaleiros Navais Inauguram Nova Tecnologia Para Submarinos e Porta-Aviões

Com pompa, copos de três e foguetório foi hoje lançado ao mar pelo Ministro dos Relógios, o excelentíssimo Paulo Ibn-Portões, o revolucionário porta-aviões Economia, o qual, como já se previa, nem chegou a sair das docas dos Estaleiros da Barafunda, pois mal lhe rebentaram com a garrafa de Raposeira na quilha e desceu o plano inclinado direito ao domínio marinho, entrou por ele dentro e foi ao fundo… sem voltar a reemergir, ao contrário de alguns submarinos também contratualizados pelo mesmo Ministro quando ainda andava a treinar para chegar aos Relógios. O afundanço foi considerado um enorme sucesso das políticas de crescimento do desemprego, emigração em massa e mortalidade devido ao também afundanço da segurança social e outras prebendas inúteis que só servem para criar calões e cabelos brancos nos governantes e impedi-los de saborear um bom havano (de contrabando). O director dos Estaleiros da Barafunda, comprados há poucos dias por uma empresa na pré-falência (chiu, é segredo, os mercados não podem saber) e que se especializou em obras que dão para o torto, declarou à imprensa escrita e visual que o agora adornado porta-aviões – nesse instante o vaso de guerra deixou de adornar para afundar a pique – foi construído com a mais avançada tecnologia dos tais submarinos, comprados à empresa Aço e Ferro-Velho com sede na Cidade das Bolas de Berlim. Seja dito que estes submarinos nunca saíram do cais por receio de que oferecessem ao curioso público o mesmo interessante espectáculo dos submersíveis desta empresa, comprados pela Democracia da Moussaka e que em vez de singrarem mar afora, viraram de borco quando a marinha local os tentou pôr a navegar. No entanto, como o pessoal aqui do Nabal não é de moussakas mas de boa cerveja do Mar do Norte, os Estaleiros da Barafunda ousaram melhorar a tecnologia da Aço e Ferro-Velho, a mais avançada neste tipo de construção naval, e o resultado foi uma Economia que afundou com maior rapidez que os submarinos das Bolas de Berlim, poupando assim imensas divisas em combustível, reparações, manutenção e salários dos marinheiros que estão lá em baixo a morrer aos bocadinhos, pois não há dinheiro para operações de resgate. A tecnologia incluiu rombos discretos no casco, designados na linguagem técnica naval como off-shores, alteração do design e aumento da potência dos turbo-reactores Dívida Pública e upgrade do sistema eléctrico Taxa de Desempego, que passa agora apenas a alimentar a cabine do capitão, desaparecendo das estatísticas todas as demais áreas do navio. Também foram revistas em alta as rendas do sistema PPP de camuflagem contra sonares inimigos e o sistema de propulsão de emergência Impostos e Taxas Moderadoras. Por seu turno, para poupar nos gastos com inutilidades como alimentação para a tripulação abaixo de comandante de frota, o sistema de distribuição de rações Défice Público passou a funcionar em regime alternado: umas vezes está em alta e outras está em baixa, tudo dependendo do menú do dia na messe dos capitães. Com todas estas alterações não sabemos se a economia real – a que, está bem de ver pelos resultados até agora obtidos, não é falada nos livros – vai alguma vez sair do coma mas o Economia afundou a uma velocidade que já o colocou no Livro dos Records. Pasmados com este sucesso, os dirigentes da Aço & Ferro-Velho enviaram já sinais de fumo (pois não acreditam que o pessoal daqui do sul tenha inteligência para usar sequer um email) a pedir detalhes das inovações, para as patentearem como suas no Cantão dos Queijos, onde se acabou de votar uma lei contra a entrada de estrangeiros mas não, como é natural, contra a entrada de negócios e divisas.

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