Estaleiros Navais Inauguram Nova Tecnologia Para Submarinos e Porta-Aviões
Com pompa, copos de três e
foguetório foi hoje lançado ao mar pelo Ministro dos Relógios, o excelentíssimo
Paulo Ibn-Portões, o revolucionário porta-aviões Economia, o qual, como já se
previa, nem chegou a sair das docas dos Estaleiros da Barafunda, pois mal lhe
rebentaram com a garrafa de Raposeira na quilha e desceu o plano inclinado
direito ao domínio marinho, entrou por ele dentro e foi ao fundo… sem voltar a
reemergir, ao contrário de alguns submarinos também contratualizados pelo mesmo
Ministro quando ainda andava a treinar para chegar aos Relógios. O afundanço
foi considerado um enorme sucesso das políticas de crescimento do desemprego,
emigração em massa e mortalidade devido ao também afundanço da segurança social
e outras prebendas inúteis que só servem para criar calões e cabelos brancos
nos governantes e impedi-los de saborear um bom havano (de contrabando). O
director dos Estaleiros da Barafunda, comprados há poucos dias por uma empresa
na pré-falência (chiu, é segredo, os mercados não podem saber) e que se
especializou em obras que dão para o torto, declarou à imprensa escrita e
visual que o agora adornado porta-aviões – nesse instante o vaso de guerra
deixou de adornar para afundar a pique – foi construído com a mais avançada
tecnologia dos tais submarinos, comprados à empresa Aço e Ferro-Velho com sede na
Cidade das Bolas de Berlim. Seja dito que estes submarinos nunca saíram do cais
por receio de que oferecessem ao curioso público o mesmo interessante espectáculo
dos submersíveis desta empresa, comprados pela Democracia da Moussaka e que em
vez de singrarem mar afora, viraram de borco quando a marinha local os tentou pôr
a navegar. No entanto, como o pessoal aqui do Nabal não é de moussakas mas de
boa cerveja do Mar do Norte, os Estaleiros da Barafunda ousaram melhorar a
tecnologia da Aço e Ferro-Velho, a mais avançada neste tipo de construção naval,
e o resultado foi uma Economia que afundou com maior rapidez que os submarinos das
Bolas de Berlim, poupando assim imensas divisas em combustível, reparações,
manutenção e salários dos marinheiros que estão lá em baixo a morrer aos
bocadinhos, pois não há dinheiro para operações de resgate. A tecnologia incluiu
rombos discretos no casco, designados na linguagem técnica naval como off-shores, alteração do design e aumento
da potência dos turbo-reactores Dívida Pública e upgrade do sistema eléctrico Taxa de Desempego, que passa agora
apenas a alimentar a cabine do capitão, desaparecendo das estatísticas todas as
demais áreas do navio. Também foram revistas em alta as rendas do sistema PPP
de camuflagem contra sonares inimigos e o sistema de propulsão de emergência
Impostos e Taxas Moderadoras. Por seu turno, para poupar nos gastos com
inutilidades como alimentação para a tripulação abaixo de comandante de frota,
o sistema de distribuição de rações Défice Público passou a funcionar em regime
alternado: umas vezes está em alta e outras está em baixa, tudo dependendo do
menú do dia na messe dos capitães. Com todas estas alterações não sabemos se a
economia real – a que, está bem de ver pelos resultados até agora obtidos, não é
falada nos livros – vai alguma vez sair do coma mas o Economia afundou a uma
velocidade que já o colocou no Livro dos Records. Pasmados com este sucesso, os
dirigentes da Aço & Ferro-Velho enviaram já sinais de fumo (pois não
acreditam que o pessoal daqui do sul tenha inteligência para usar sequer um
email) a pedir detalhes das inovações, para as patentearem como suas no Cantão
dos Queijos, onde se acabou de votar uma lei contra a entrada de estrangeiros
mas não, como é natural, contra a entrada de negócios e divisas.

Sem comentários:
Enviar um comentário