Número total de visualizações de páginas

segunda-feira, 30 de junho de 2014

As Vossas Vaginas Pertencem-nos!
Está em discussão o Projecto de Lei de Regulação dos Nascimentos dos Nabos. O Nabal tem tido uma crise de nascimentos e o governo decidiu atacar o problema com um pacote troikano de medidas drásticas. Esta nova lei obriga a que as nabiças tenham pelo menos dez filhos, quem tiver menos paga multa, o que dá muito jeito para pagar a massa aos credores internacionais. Esta lei promulga ao mesmo tempo a proibição de quem esteja a trabalhar de engravidar, pelo que a oposição designou esta lei de Missão Maternidade Impossível. A lei funciona assim: o patrão garante que a empregada não engravida, com testes periódicos p’ra ver se há lá alguma coisa; se estiver, esta é de imediato despedida, sem direito a indemnização; ao mesmo tempo cada empregada tem de ter ao longo da sua vida activa pelo menos dez filhos para repovoar o contingente. Como estas duas obrigações são mutuamente exclusivas, a empregada a única coisa que tem a fazer é despedir-se por iniciativa própria para poder botar ao mundo a quota de rebentos atribuída por decreto. Assim, como o mulherio é obrigado a ir para casa, podem os locais de trabalho respirar finalmente em sã ética pois não há distracções para o sexo forte. A ideia, segundo o nosso espia nos Passos Perdidos que acompanhou os trabalhos do governo atrás da porta, é a de pouco a pouco instaurar um regime tipo talibã pois aí é garantido que a miséria é mais que muita mas se há coisa em que nesse regime os pobres não o são é de filharada. Deste modo resolve-se o problema dos nascimentos e garante-se que os salários da rapaziada sejam sempre de fome pois a competição para arranjar um trabalho será mais que muita. Graças a esta radical lei, serão agora proibidos todos os métodos contraceptivos e as penas por os usar estão em conformidade com a Escola Ceausesco. O debate desta lei deu origem a um evento inédito no Nabal: em vez de serem os trabalhadores a sair para a rua, foram os patrões que bieram manifestar o seu firme apoio à nova legislação que, de acordo com o Sr. Porcas e Parafusos, venda por Grosso e Atacado, se pode resumir em: Querem trabalho? Então as vossas vaginas pertencem-nos!
Meditação da Redacção: Ainda acreditam que vivem numa sociedade livre e igualitária?


sexta-feira, 20 de junho de 2014

É a nova campanha de desenvolvimento dos nabos, baseada na sábia premissa de que “se funciona lá fora, também deve funcionar cá dentro”, mesmo que os nativos do “lá fora” específico onde esta campanha foi buscar exemplo sejam ridicularizados em toda a parte pela sua geral falta de conhecimentos, quando não analfabetismo puro e duro. Mas o Nabal não se deixa assustar por estes pequenos danos colaterais e avançou em força, qual desembarque em Gallipolli, pois nada trava esta pequena pátria de bravos aventureiros e empreendedores que tantos alfobres novos deram ao mundo. A campanha centra-se na educação e pretende desenvolvê-la… para baixo. Porque para baixo é que está o petróleo e quando se descobrir o petróleo no Beato acaba-se a crise. Para que a educação venha por aí abaixo é primeiro necessário cortar na despesa: salários cortados, turmas cortadas (encaixotando os alunos todos em meia dúzia de turmas, de preferência com vários níveis na mesma para alargar a confusão), escolas fechadas ou aglomeradas em ajuntamentos muito grandes qu’é p’ra professores e alunos não se sentirem tão sozinhos nem criarem vínculos afectivos com o edifício onde trabalham e se darem na ideia de melhorar alguma coisinha. Este aglomeranço tem ganhos económicos extra que muito contribuirão para baixar o défice, pois turmas de 40 alunos em salas só de vinte podem ser ecologicamente aquecidas a calor humano, o que traz ainda a vantagem de que os alunos assim juntinhos (para os pais medricas podemos voltar à velha segregação de sexos), começam desde bem cedo a desenvolver as capacidades sociais necessárias para lidar com comboios com crises de identidade (pensam que são latas de sardinhas). Ao mesmo tempo é promovido o desporto, não pela construção de pavilhões para a Educação Física mas ensarilhando de tal modo os acessos à escola com remodelações, passadiços e outras obras, que os alunos ficam em forma mesmo sem darem por isso; tais acrescentos fornecem também vasto leque de distracções que os alunos acabam por ir para todos os lados menos para a escola, as taxas de absentismo escolar aumentam e melhora-se o analfabetismo funcional dos catraios, tornando-os mais aptos a entrar no mundo do trabalho que não deseja gente de estudos mas malta de cabedal para aguentar com o que tiver de ser, tal e qual como manda o acordo da Tripeça. Lá que os alunos, e em particular as alunas, possam ser atacados no caminho para a escola, bom, acidentes acontecem, não é verdade? É claro que há alunos e alunos. E para os alunos com direito a ser alunos estão a ser construídas várias escolas exclusivas, ao lado das que já existem e que são para todos (os com e os sem direito a serem alunos) com pastel que devia ir para… as escolas de todos. Porque razão o pastel dos impostos de todos vai não para as escolas de todos mas para as exclusivas, deve-se à solidariedade mesmo se à força, pois se o nabal quer alguns nabos com estudos, todos têm de fazer o sacrifício, logo todos têm de pagar… para alguns. E pagam. As carrinhas privadas e as obras nestas escolas exclusivas, os pequenos enriquecimentos de currículo como equitação, bailado ou ténis, enquanto as escolas para todos se vão parecendo cada vez mais, para gáudio da garotada, com versões modernas da “Casa dos Horrores”, ensinando desde logo aos petizes as possibilidades do negócio de apostas: é hoje ou amanhã que o tecto cai em cima da mola do stôr? Somos borrifados pelo cano rebentado das escadas agora ou logo?... Aliás esta escola de “Horrores” traz outras interessantes apostas na formação para a vida, como sejam: (1) buracos nas paredes – dão estágios gratuitos da carreira de espião, estimulando os nabinhos a espreitar por qualquer frincha ou abertura, sendo de especial nota os buracos nos balneários e WCs das raparigas que calhem ser paredes meias com os dos rapazes; (2) degraus partidos – iniciam à prática do surf ou da astronáutica, servindo de rampa de lançamento para os nabos distraídos que assim se podem transformar em múmias, para felicidade dos colegas que terão mais algumas superfícies onde treinar graffitis sem ouvirem da directora; (3) paredes a cair – estágio gratuito de empreendedorismo em que os alunos são estimulados a venderem bocados de caliça, tijolos e outros objectos mais ou menos contundentes, para serem usados em tiro ao professor; (4) telhados a meter água – material experimental de bombeiro especializado em cheias, que prepara o jovem para quando em casa o mesmo fenómeno ocorrer, conferindo-lhe espectacular habilidade a fintar pingos e a mudar alguidares e baldes cheios, mais depressa que o Bota de Ouro a fazer um remate. Com este treino vocacional é extremamente difícil às escolas para alguns competirem com as de-todos, pelo que, e aproveitando também os protestos dos nabos-pais mais descontentes (desses nunca faltam), o ministério, querendo proteger a iniciativa privada e o direito de escolha dos nabos, decidiu dar um cheque a todos os pais que queiram meter o seu rebento nas escolas para-alguns. Como o cheque tem o mesmo valor que custaria ter um nabo na escola para-todos e a para-alguns é mais cara, sucederá que a meio dos estudos o nabo terá de sair desta para ir para a escola para-todos, apanhando um choque tão grande que se lhe murchará a rama e desistirá de vez de estudar. O que será óptimo para reduzir o défice. Quem disse que a crise não é um oceano de oportunidades?

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quer Combater as Alterações Climáticas? Então Pague a Multa!
O Potentado da Paelha está em maré de inovação fiscal. Após a lei que permite manifestações mas apenas se os manifestantes se vestirem com as cores da moda e os organizadores se comprometerem a que todos serão bem comportados e não atirarão sequer uma casca de banana para o chão, a maioria dos quais não conhecem nem sabem se aparecerão mesmo que digam que sim no Facebook, a garantia incluindo os infiltrados enviados pelas forças de segurança para causar sarrafusca, agora o governo local inovou no combate às alterações climáticas ao mesmo tempo que mete mais umas quantas castanholas (a moeda local) nos cofres do fisco. Assim, se quiser partilhar o carro para levar o colega ou algum outro triste ao emprego, dar boleia ao filho do vizinho até à escola ou oferecer-se para conduzir a vizinha boazona que vem carregada das compras até casa, páre… vá às Finanças pedir uma licença de transporte de passageiros como qualquer respeitável empresa de camionagem ou então… pague a multa. Pois é, no Potentado da Paelha agora é assim. Quem quer que se lembre de partilhar o carro, coisa que é no geral realizada à borla, com ou sem organização em rede de partilha MOV anunciada no Facebook, terá de pagar imposto ou multa, que isto da solidariedade é muito bonito, em especial num país em que 25% do pessoal não tem dinheiro porque está desempregado, mas se a solidariedade for para com o (con)Fisco. A vaga da partilha de carros começou há uns anos para combater as emissões de gases de efeito de estufa e assim tentar que as alterações climáticas não se tornassem tão desastrosas. Foi uma iniciativa em toda a União das Hortaliças mas só pegou a sério quando o pessoal entrou em crise se viu obrigado por força do aperto das carteiras a partilhar as viaturas para arredondar as despesas, porque hoje sou eu que entro com o meu popó e a gasolina, amanhã és tu. Assim, uma iniciativa anunciada há uns anos com pompa, fanfarra e circunstância, agora é reconhecida como contribuindo não para as reduções das emissões mas para o PIB e portanto digna de imposto, embora não de vistorias de segurança. Esta inovação do Potentado da Paelha vem provar aos críticos que o combate às alterações climáticas consegue dar dinheiro ao Estado, estando-se já a considerar taxar as donas-de-casa que em vez de usarem secadores de roupa decidem secá-la à varanda, beneficiando da energia solar por enquanto gratuita. Também se está a equacionar no Palácio da Moeda aplicar um imposto aos domingueiros veraneantes pois que ficam sem fazer nada na praia além de torrar ao sol, aproveitando para repor as suas doses de vitamina D anti-raquitismo e também as de percursores do cancro. A lógica é simples: se depois os veraneantes forem gastar toda a sua massa e vida nos tratamentos, nada como taxá-los antes que morram. Não foi ainda possível taxar a actividade respiratória devido a dificuldades técnicas com os equipamentos que deverão medir o volume de ar que cada cidadão inspira por minuto. Entretanto, e com o novo imposto sobre partilha de automóveis já em vigor, se você precisar de se deslocar para o serviço, esqueça os carrinhos partilhados e se não tem dinheiro para o passe, vá a pé. Se para chegar ao trabalho precisarem de sair de casa no dia anterior, arranje casa mais perto já que dormir no trabalho após as horas de expediente é interdito, uma vez que as novas leis punem com prisão (e antes disso o segurança correr-vos-á das instalações) todos os que estiverem a dormir fora na rua ou debaixo de telha que não seja sua. Esqueça também usar um burro, cavalo, boi, dromedário ou camelo de 4 patas pois terá de possuir licença de uso e porte de muar, matrícula e carroça devidamente certificada pelas normas da União que definem desde a cor dos taipais à dimensão dos cubos, diâmetro das rodas e distância entre semi-eixos. No caso de você ser dos sortudos que ainda pode ir passar as férias às berças e o Ti Jaquim das Couves precisar de ir ao hospital mas, como é de bom tom, não houver ambulância nem centro de saúde senão a 100 km de distância, já sabe: peça primeiro uma licença de transporte de passageiros, pegue no bloco dos recibos verdes e quando receber a licença, três meses mais tarde, poderá tranquilamente levar o Ti Jaquim… p’rá funerária. No final, de alma tranquila, vocês saberá que o Governo lhe estará profundamente agradecido pois é um chato a menos com que precisa de se preocupar.  

domingo, 15 de junho de 2014

Está Explicado Porque Sou Tão Vago Que Dou o Dito por Não Dito
Não é apenas no crime que também há um sistema de castas, como afirma Vikas Swarup, autor do “Quem quer Ser Bilionário”, mas também na doença. Uma pessoa de posses morre “como um passarinho” mas um pé rapado morre “c’um tiro nos cornos”. Uma senhora fina “teve um menino, a pobre pariu um moço”, como já nos informava o poeta Aleixo, um ricaço morre duma overdose de copos por falha da função hepática, um sem abrigo morre “bêbado que nem um cacho” mesmo que estivesse sóbrio e fosse morto por atropelamento dum menino em street racing que às 4 da matina perdera o controlo da direcção e galgara o passeio fazendo uma pega de caras com o seu bólide à fachada do cinema fechado para demolição. Na mesma linha filológica, o nosso caro PR teve recentemente uma reacção vagal, versão VIP do “deu-lhe um treco” que é o que dá ao pessoal da estiva quando está desde a madrugada a alombar à torreira do sol e, ao contrário do PR, sem direito a chá ou a bucha mesmo sem conduto. Foi uma reacção com ponderoso significado político pois veio esclarecer certos pequenos mistérios do corrente mandato da augusta personagem (sim, augusta porque o senhor tem assomos de rei por direito divino). Compreendeu-se assim porque o bendito senhor votou contra e favor de Madiba nas Nações Unidas, votando portanto numa as vezes a tese de que Madiba era terrorista e quando ele morreu veio a correr dizer que sempre se solidarizara com a sua luta. Donde, nalguma das 3 vezes o PR teve uma reacção vagal e não se recordou do que fez. Do mesmo modo, quando no início do ano defendeu um Programa Cautelar e durante boa parte do ano anterior andara a falar em espirais recessivas e, como perante a recusa dos países do norte em contribuírem mais para a fome geral, não houve segundo resgate nem programa cautelar, apresentou-se sorridente a dizer que sempre tivera razão e que quem ameaçara com programas cautelares e afins estivera redondamente errado… resultado de uma reacção vagal, com toda a certeza. Quando por alturas do Natal declarou que queria um embaixador em cada emigrante de “destaque” esquecendo todos os outros, foi também uma reacção vagal pois varreu-se-lhe da memória que a vasta maioria dos emigrantes são humildes assalariados de trabalhos sem pedigree. Ou então o país que representa é só o dos 1% e aí não precisa dos humildes para nada a não ser para pagar impostos. Com tantas reacções vagais, a augusta persoangem sofre, é evidente, de vagonite aguda. E o pior é isto parece que se pega, qual gripe das aves, pois só uma reacção vagal pode explicar o célebre diagnóstico: “o país está muito melhor mas as pessoas estão pior”… Provavelmente as pessoas também tiveram uma reacção vagal, perdão solipanta, por causa da fome. E como são pelintras, ninguém se terá preocupado a reanimá-las.

sábado, 14 de junho de 2014

Legalizada a Prática da Violação no País das Vacas Sagradas: Taxa de 5% Para Cada Violador, Multa e Prisão Para a Vítima
No País das Vacas Sagradas, um dos Tijolos (BRICS) do mundo porque as pessoas naquele país morrem que nem tordos e fartam-se de fazer tijolo, e que é apresentado ao mesmo mundo como um exemplo de sucesso económico, apesar de mais de metade da população viver abaixo do limiar da pobreza e a vasta maioria das raparigas nem saiba ler nem escrever pois têm de ficar em casa a tratar da ranchada de filhos das mães e ir buscar água de bilha à cabeça a alguns 7 kms de distância (mas isto é que é progresso!) acaba de se legalizar mais uma actividade económica. Trata-se da violação de mulheres, crianças e bebés do sexo feminino, actividade de grande relevância na saúde pública pois na opinião dos praticantes cura-os de toda a espécie de doenças sexualmente transmissíveis, que assim são descarregadas nas vítimas, e que muito mantém ocupados o lado masculino da população, incluindo boa parte dos desempregados profissionais pois nunca na vida conseguiram encontrar trabalho por mais que tentassem, o que a partir de agora com a legalização da coisa irá baixar as estatísticas do desemprego. É que apesar do sucesso económico do País das Vacas Sagradas, não só a miséria abunda a cada esquina como os cofres do estado estão sempre nas lonas porque para olear as rodas da corrupção não é possível chegar para outras encomendas. A corrupção é aliás uma actividade muito importante neste país pois sem ela a economia não andava. Portanto, dada a generalizada prática da violência sexual (e não só) sobre o mulherio local, o chefe máximo da Polícia decidiu propor ao Parlamento uma lei que legalizasse a prática e a equiparasse ao jogo ilegal que em breve será também alvo de regulamentação. Como o jogo ilegal será em breve monitorado através dos sistemas informáticos Snowden que permitem vigiar as compras, emails e toda a actividade online de todo e qualquer cidadão, seja subversivo, perigoso terrorista ou inocente bebé de colo, e a directiva normativa deste tipo de jogo pede que seja sobre ele imposta uma taxa de 5% a cada jogador, pelo pecúlio não que ganhe mas que jogue (se perde, ninguém tem culpa que seja um tanso), o emérito comandante das forças policiais advoga para a violação o seguinte regime taxativo e regulatório: ao violador será cobrada uma taxa de 10% do que ganharia no intervalo de tempo em que praticou o acto, caso estivesse a trabalhar (se o violador for desempregado, taxam-se as horas de sorna correspondentes); a vítima será presa, difamada publicamente, exposta para insulto público, servindo de tiro ao alvo com pedras e depois sentenciada a seis meses de cadeia, período durante o qual deverá servir de “conforto sexual” aos guardas prisionais e quaisquer membros da ordem que passem pela cadeia. Nenhuma mulher poderá opor resistência à violação, fugir ou teimosamente recusar-se, sob pena de ser enforcada ou em alternativa (caso a família pague um elevado suborno ao juiz) expulsa do país e posta na fronteira sem roupa, sapatos ou dinheiro. A população masculina já saiu à rupa para protestar pelo montante de 10% da taxa, pois existem mais violadores do que aficionados do jogo ilegal e deste modo mereciam um desconto mas o Parlamento não se inclina para esta exigência pois precisa muito do guito (e não tanto do Gita) para os seus grandes carros de luxo europeus topo de gama. Se isto vos parece uma justiça demasiado estranha, talvez de pernas para o ar, só fazemos um reparo à vossa distracção: o mundo é dos criminosos ou ainda não deram por isso, meus tansos!
 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Não Posso Ser Polícia Porque Sou Daltónico
Tó Segurança, candidato a vice-ministro sem trabalho, regressou hoje muito triste à sua mansão, pois a sua candidatura a polícia foi rejeitada. Em declarações à nossa repórter confessou sentir-se muito humilhado, zangado e frustrado pois e citando, neste momento em que a nossa nação atravessa tão graves dificuldades, desejava dar o meu melhor para a tirar de apertos, por favor votem em mim nas legislativas, dado que até para polícia-secretário fui considerado inapto. As razões da inaptidão do Tó Segurança, que viu assim aniquilado o seu sonho de infância, foram-nos reveladas pelos serviços de recrutamento: embora o Tó tivesse passado os testes vocacionais, físicos, psicológicos, psicotécnicos, académicos e de incompetência militar com distinção e louvor, falhou redondamente na primeira tarefa como estagiário-aprendiz. Há dois dias todos os polícias, incluindo os que estavam de férias e de folga, pois na próxima semana terão de controlar excitados adeptos desportivos, copofónicos e aficionados da traulitada em final de taça, foram chamados para uma vital operação especial que consistiu em… seleccionar por cores tampinhas de garrafas, para no Dia da Pátria se fazer uma bandeira nacional que possa entrar no Guiness. Estamos a falar do livro mas a ideia ocorreu ao chefe da polícia durante a ressaca de cerveja do mesmo nome, após uma noite de borga no bar irlandês Guiness, para ficar tudo em família. Como se vê, uma tarefa de fundamental importância para a segurança e bem-estar do país, dos cidadão, meios-cidadãos e até os que nem têm direito a serem considerados pessoas na cabeça de muita gente. Os ladrões, assassinos, traficantes de droga e de escravos, os contrabandistas de armas e outras matérias explosivas, os carteiristas, assaltantes de Multibanco à bomba e outros profissionais especializados e incompreendidos pelas forças policiais ficaram profundamente sensibilizados com a ideia solidária do “chefe da bófia” (declarações do líder sindical destes profissionais, sic.) e decidiram colocar os seus estagiários a recolher tampas de garrafa em caixotes do lixo, depósitos de fábricas e cafés, o que correspondeu um inusitado aumento de assaltos a estes locais, tendo os Multibancos temporariamente sido deixados em paz. O Sindicato dos Fora-da-Lei e Actividades Similares procedeu seguidamente ao envio (em camiões das máfias do Leste, Oeste e do Sul) das tampas roubadas para o armazém onde os polícias procediam à sua selecção por cores. Tó Segurança, responsável pela recepção das tampas, provocou de imediato um incidente ao recusar as que os beneméritos profissionais do crime tentavam entregar pois segundo ele eram todas cinzentas e não verdes, amarelas, pretas, azuis e vermelhas como mandava o regulamento. O chefe da polícia não gostou da desastrada intervenção do Tó e mandou-o ir escolher tampas com os outros, aceitando, grato, a contribuição solidária com o esforço seleccionador das forças da ordem por parte do sindicato dos criminosos. Quando o Tó passou ao trabalho efectivo a coisa deu berro, pois ele juntava todas as tampas no mesmo monte, dado serem todas da mesma cor. Foi assim que se descobriu o daltonismo do Tó, ficando explicado porque não distingue entre o rosa da esquerda e o amarelo e azul da direita. O pobre Tó Segurança foi de imediato demitido pois quem não distingue cores nã serve p’ró serviço, disse o chefe. O chefe da polícia disse já que, se a corporação entrar no Guiness, irá mais longe, pondo todos os operacionais a seleccionar tampinhas para uma bandeira gigante da União das Hortaliças, rodeada de todas as bandeiras em formato XXL dos 27 países que a constituem, mais os aspirantes a pertencerem-lhe, tarefa que exigirá cerca de 1 mês de recolha e selecção dos materiais. O Sindicato dos Fora-da-Lei e Actividades Similares já se solidarizou com a ideia e, além de enviar emissários para chantagearem o comité do Guiness, assim garantindo a inscrição da polícia do Nabal no famoso livro, prometeu aumentar o número de assaltos, contribuindo com os extras destes, isto é, as tampinhas, para a nova actividade profissional da polícia: reciclagem para inglês (no caso, americano) ver.
 
 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Vou-me Embora, Amor!... Não, Querida, Não Vás!...
Foi concluído hoje o divórcio entre as casas reinantes da República dos Nabos e da Tripeça, tendo-se concentrado no cais uma vasta multidão de súbditos nabos para dizer adeus ao navio que levava a princesa real de volta aos estados ricaços do norte da União das Hortaliças e ao seu palácio de infância na Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas. Ao que o nosso jornal apurou, o divórcio deveu-se a intrigas palacianas, estando entre os intriguistas o Sr. Dr. Paulo Ibn-Portões, que até ensinara os seus galos a cocoricar a todas as matinas, vésperas e completas, rematado com grande coro elegíaco final de cacarejos quando a bela princesa nórdica se fosse embora. O objectivo: ganhar as boas graças dos nabos e vir a ser vizir em lugar do vizir, como o seu querido e até ao momento falhado primo Iznogood tanto anseia. O fall out do casório deveu-se a que a segunda parte do dote da princesa, designado por Segundo Resgate (talvez porque a princesa seja tão feia que o noivo tem de ser resgatado do susto com umas boas arrobas de ouro), não foi pago pois os primos da Terra dos Gelos e Fiordes se recusaram a contribuir para o Resgate, argumentando que “já tinham entrado com a massa para as pérolas do vestido de noiva, agora outros que se descosam c’o pilim”. Para tristeza do rei dos nabos, que ama muito a princesa apesar dela ser feia como uma noite de trovoada, os seus conselheiros e embaixadores aliaram-se aos somíticos parentes da moça e obrigaram-no ao divórcio, não se sabendo até ao momento quais terão sido as contrapartidas recebidas por mandarem a princesa dar uma volta ao bilhar grande e desamparar a loja, mas o nosso repórter especializado em furos económicos já se deslocou ao offshore do Luxoburgo para fazer umas averiguações em certos bancos e quando tivermos pormenores, deles daremos devida publicação (se não nos fecharem a tasca antes). Entretanto, no dia da partida da princesa, os galos do Sr. Paulo Ibn-Portões desafinaram de tal maneira que a cidade entrou em pânico, a pensar que vinha aí uma invasão dos hunos. Mas o Sr. Paulo Ibn-Portões é um homem de acção, que não se perturba por nada, nem mesmo pelas irrevogabilidades revogáveis e linhas vermelhas que não se podem passar mas que ele passa pois ainda está para nascer o cavaleiro que lhe ponha um travão à cavalgada. Arregimentou de imediato vários trovadores fatelas, numeroso coro de cantores pimba e pô-los a tocar no rossio enquanto convocava um Conselho de Estado para decidir dos sapatos e vestidos que a princesa seria autorizada a levar pois “vão-se as princesas mas ficam os anéis”. Eufórico pela partida da Tripeça, que se negara a oferecer-lhe uns certos favores privados porque também ela ama o rei nabo, o Sr. Paulo Ibn-Portões, após a actuação do orfeão pimba, cujo fim era juntar o máximo de nabos dada a popularidade dos pimbalhões, fez acalorado discurso (talvez fosse por isso que a tribuna pegou fogo), declarando ser este o dia da restauração da independência do Nabal, agora que lançara borda fora os sovinas mandões da Tripeça e já podia ir sozinho ao mercado, esqueçam o 1º de Dezembro, o 18 de Maio será o novo feriado, Viva a Independência, Viva o Nabal! Houve grande ovação, embora não se saiba se foi pela independência se pelo incidente de strip-tease de que foi vítima a cantora pimba Mamalhuda-Fornecida-Afinal-Havia-Outra na saída da esquerda baixa da tribuna. O barco da princesa partiu e o rei ficou sozinho a chorar no cais enquanto à sua volta os conselheiros e ministros afiavam os punhais e espadas para o torneio que se realizará em breve para Manda-Chuva-do-Nabal. Mas queridos concidadão não chorem pela princesa expulsa. Sabemos de fonte segura que, quando a euforia do mercado desaparecer, com a chegada das chuvas e do míldio na vinha, o rei pedirá de novo o regresso da Tripeça e, como ela gostou tanto de ser rainha neste Nabal à beira mar plantado, voltará e com um fornecido Segundo, Terceiro e todos os Resgates que o rei desejar. Para o povão não fará nenhuma diferença estar cá a Tripeça ou não estar, pois terá de continuar a apertar o cinto, dado que o divórcio exige a restituição de todo o dote, com juros, custos de mora, taxas de câmbio e despesas de advogado, estas últimas a pagar por pelo menos durante 100 anos.

terça-feira, 3 de junho de 2014

E os Espíritos Vão ao Parlamento…
Em razão da nossa última notícia o Parlamento da República Democrática dos Nabos decidiu iniciar jornadas de formação profissional para os seus deputados, de modo a que estes se mantenham na crista da onda do pensamento e conhecimento político mais recente. Ora como foi noticiado, a nova trend da praxis política é o uso do pensamento positivo, a que se podem associar eventos de oração colectiva e expulsão de demónios do corpo dos adversários políticos, rituais de propiciamento a entidades superiores como anjos e santos (ou a versão mística do suborno), sessões de candomblé e umbanda com técnicas especiais para alcançar o transe místico e a comunicação directa com os deuses afro-caribenhos, jogo de búzios, meditação transcendental que permitirá o acesso directo em linha telefónica privada com o Altíssimo como tem sido privilégio de alguns presidentes, como o famoso Ronaldo Rega-Rega, entre muitas outras técnicas e práticas pois o mundo esotérico é extremamente criativo, em especial quando toca de ir ao bolso dos incautos clientes, demonstrando mais outra ponte de contacto com a actual praxis política. Assim sendo, a presidente do parlamento Estevas-Atenção-Pelintras-os-Carrascos-Somos-Nós, carinhosamente apelidada pelas bancadas de mirones ruidosos “Passem mas é p’ra cá o guito da minha reforma precoce”, convidou os mais famosos bruxos, adivinhos e gurus do país para darem aulas aos deputados nas suas áreas de especialização. A primeira aula consiste numa palestra, seguida de aula prática de invocação de espíritos em torno de tábua Oji e mesa de pé de galo, sobre “Vidas Passadas”. O objectivo é levar os deputados a viajarem no tempo – ajudas de custo a preço extra por serem usados veículos experimentais – e verem não apenas as suas vidas passadas, mas para ajustar contas com os eleitores e vizinhos que não os gramavam nessas vidas anteriores, quando regressarem ao lado de cá, permitindo deste modo um encaixe extra de receitas no Orçamento de Estado por sobretaxação e expropriação de bens aos alvos de vingança retroactiva. A formadora, Ana Sol-a-Nadar, garantiu já a apresentação da palestra, com a inclusão de feitos especiais tais como arraste de objectos sem aparente intervenção humana, dança aérea de cadeiras (não confundir com as nomeações na TAP), vozes em off e véus de ectolasma, com a possibilidade de participação especial de Albus Dumbledore ou Gandalf. Os nabos eleitores desde já saúdam a ideia pois que, entretidos com as matérias do além, os deputados talvez façam menos estragos à República do que se estiverem no hemiciclo a fazerem de conta que fazem aquilo para que foram eleitos.