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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quer Combater as Alterações Climáticas? Então Pague a Multa!
O Potentado da Paelha está em maré de inovação fiscal. Após a lei que permite manifestações mas apenas se os manifestantes se vestirem com as cores da moda e os organizadores se comprometerem a que todos serão bem comportados e não atirarão sequer uma casca de banana para o chão, a maioria dos quais não conhecem nem sabem se aparecerão mesmo que digam que sim no Facebook, a garantia incluindo os infiltrados enviados pelas forças de segurança para causar sarrafusca, agora o governo local inovou no combate às alterações climáticas ao mesmo tempo que mete mais umas quantas castanholas (a moeda local) nos cofres do fisco. Assim, se quiser partilhar o carro para levar o colega ou algum outro triste ao emprego, dar boleia ao filho do vizinho até à escola ou oferecer-se para conduzir a vizinha boazona que vem carregada das compras até casa, páre… vá às Finanças pedir uma licença de transporte de passageiros como qualquer respeitável empresa de camionagem ou então… pague a multa. Pois é, no Potentado da Paelha agora é assim. Quem quer que se lembre de partilhar o carro, coisa que é no geral realizada à borla, com ou sem organização em rede de partilha MOV anunciada no Facebook, terá de pagar imposto ou multa, que isto da solidariedade é muito bonito, em especial num país em que 25% do pessoal não tem dinheiro porque está desempregado, mas se a solidariedade for para com o (con)Fisco. A vaga da partilha de carros começou há uns anos para combater as emissões de gases de efeito de estufa e assim tentar que as alterações climáticas não se tornassem tão desastrosas. Foi uma iniciativa em toda a União das Hortaliças mas só pegou a sério quando o pessoal entrou em crise se viu obrigado por força do aperto das carteiras a partilhar as viaturas para arredondar as despesas, porque hoje sou eu que entro com o meu popó e a gasolina, amanhã és tu. Assim, uma iniciativa anunciada há uns anos com pompa, fanfarra e circunstância, agora é reconhecida como contribuindo não para as reduções das emissões mas para o PIB e portanto digna de imposto, embora não de vistorias de segurança. Esta inovação do Potentado da Paelha vem provar aos críticos que o combate às alterações climáticas consegue dar dinheiro ao Estado, estando-se já a considerar taxar as donas-de-casa que em vez de usarem secadores de roupa decidem secá-la à varanda, beneficiando da energia solar por enquanto gratuita. Também se está a equacionar no Palácio da Moeda aplicar um imposto aos domingueiros veraneantes pois que ficam sem fazer nada na praia além de torrar ao sol, aproveitando para repor as suas doses de vitamina D anti-raquitismo e também as de percursores do cancro. A lógica é simples: se depois os veraneantes forem gastar toda a sua massa e vida nos tratamentos, nada como taxá-los antes que morram. Não foi ainda possível taxar a actividade respiratória devido a dificuldades técnicas com os equipamentos que deverão medir o volume de ar que cada cidadão inspira por minuto. Entretanto, e com o novo imposto sobre partilha de automóveis já em vigor, se você precisar de se deslocar para o serviço, esqueça os carrinhos partilhados e se não tem dinheiro para o passe, vá a pé. Se para chegar ao trabalho precisarem de sair de casa no dia anterior, arranje casa mais perto já que dormir no trabalho após as horas de expediente é interdito, uma vez que as novas leis punem com prisão (e antes disso o segurança correr-vos-á das instalações) todos os que estiverem a dormir fora na rua ou debaixo de telha que não seja sua. Esqueça também usar um burro, cavalo, boi, dromedário ou camelo de 4 patas pois terá de possuir licença de uso e porte de muar, matrícula e carroça devidamente certificada pelas normas da União que definem desde a cor dos taipais à dimensão dos cubos, diâmetro das rodas e distância entre semi-eixos. No caso de você ser dos sortudos que ainda pode ir passar as férias às berças e o Ti Jaquim das Couves precisar de ir ao hospital mas, como é de bom tom, não houver ambulância nem centro de saúde senão a 100 km de distância, já sabe: peça primeiro uma licença de transporte de passageiros, pegue no bloco dos recibos verdes e quando receber a licença, três meses mais tarde, poderá tranquilamente levar o Ti Jaquim… p’rá funerária. No final, de alma tranquila, vocês saberá que o Governo lhe estará profundamente agradecido pois é um chato a menos com que precisa de se preocupar.  

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