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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Não Posso Ser Polícia Porque Sou Daltónico
Tó Segurança, candidato a vice-ministro sem trabalho, regressou hoje muito triste à sua mansão, pois a sua candidatura a polícia foi rejeitada. Em declarações à nossa repórter confessou sentir-se muito humilhado, zangado e frustrado pois e citando, neste momento em que a nossa nação atravessa tão graves dificuldades, desejava dar o meu melhor para a tirar de apertos, por favor votem em mim nas legislativas, dado que até para polícia-secretário fui considerado inapto. As razões da inaptidão do Tó Segurança, que viu assim aniquilado o seu sonho de infância, foram-nos reveladas pelos serviços de recrutamento: embora o Tó tivesse passado os testes vocacionais, físicos, psicológicos, psicotécnicos, académicos e de incompetência militar com distinção e louvor, falhou redondamente na primeira tarefa como estagiário-aprendiz. Há dois dias todos os polícias, incluindo os que estavam de férias e de folga, pois na próxima semana terão de controlar excitados adeptos desportivos, copofónicos e aficionados da traulitada em final de taça, foram chamados para uma vital operação especial que consistiu em… seleccionar por cores tampinhas de garrafas, para no Dia da Pátria se fazer uma bandeira nacional que possa entrar no Guiness. Estamos a falar do livro mas a ideia ocorreu ao chefe da polícia durante a ressaca de cerveja do mesmo nome, após uma noite de borga no bar irlandês Guiness, para ficar tudo em família. Como se vê, uma tarefa de fundamental importância para a segurança e bem-estar do país, dos cidadão, meios-cidadãos e até os que nem têm direito a serem considerados pessoas na cabeça de muita gente. Os ladrões, assassinos, traficantes de droga e de escravos, os contrabandistas de armas e outras matérias explosivas, os carteiristas, assaltantes de Multibanco à bomba e outros profissionais especializados e incompreendidos pelas forças policiais ficaram profundamente sensibilizados com a ideia solidária do “chefe da bófia” (declarações do líder sindical destes profissionais, sic.) e decidiram colocar os seus estagiários a recolher tampas de garrafa em caixotes do lixo, depósitos de fábricas e cafés, o que correspondeu um inusitado aumento de assaltos a estes locais, tendo os Multibancos temporariamente sido deixados em paz. O Sindicato dos Fora-da-Lei e Actividades Similares procedeu seguidamente ao envio (em camiões das máfias do Leste, Oeste e do Sul) das tampas roubadas para o armazém onde os polícias procediam à sua selecção por cores. Tó Segurança, responsável pela recepção das tampas, provocou de imediato um incidente ao recusar as que os beneméritos profissionais do crime tentavam entregar pois segundo ele eram todas cinzentas e não verdes, amarelas, pretas, azuis e vermelhas como mandava o regulamento. O chefe da polícia não gostou da desastrada intervenção do Tó e mandou-o ir escolher tampas com os outros, aceitando, grato, a contribuição solidária com o esforço seleccionador das forças da ordem por parte do sindicato dos criminosos. Quando o Tó passou ao trabalho efectivo a coisa deu berro, pois ele juntava todas as tampas no mesmo monte, dado serem todas da mesma cor. Foi assim que se descobriu o daltonismo do Tó, ficando explicado porque não distingue entre o rosa da esquerda e o amarelo e azul da direita. O pobre Tó Segurança foi de imediato demitido pois quem não distingue cores nã serve p’ró serviço, disse o chefe. O chefe da polícia disse já que, se a corporação entrar no Guiness, irá mais longe, pondo todos os operacionais a seleccionar tampinhas para uma bandeira gigante da União das Hortaliças, rodeada de todas as bandeiras em formato XXL dos 27 países que a constituem, mais os aspirantes a pertencerem-lhe, tarefa que exigirá cerca de 1 mês de recolha e selecção dos materiais. O Sindicato dos Fora-da-Lei e Actividades Similares já se solidarizou com a ideia e, além de enviar emissários para chantagearem o comité do Guiness, assim garantindo a inscrição da polícia do Nabal no famoso livro, prometeu aumentar o número de assaltos, contribuindo com os extras destes, isto é, as tampinhas, para a nova actividade profissional da polícia: reciclagem para inglês (no caso, americano) ver.
 
 

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