Não Posso Ser Polícia Porque Sou Daltónico
Tó Segurança, candidato a
vice-ministro sem trabalho, regressou hoje muito triste à sua mansão, pois a
sua candidatura a polícia foi rejeitada. Em declarações à nossa repórter confessou
sentir-se muito humilhado, zangado e frustrado pois e citando, neste momento em que a nossa nação atravessa
tão graves dificuldades, desejava dar o meu melhor para a tirar de apertos, por
favor votem em mim nas legislativas, dado que até para polícia-secretário fui
considerado inapto. As razões da inaptidão do Tó Segurança, que viu assim
aniquilado o seu sonho de infância, foram-nos reveladas pelos serviços de
recrutamento: embora o Tó tivesse passado os testes vocacionais, físicos,
psicológicos, psicotécnicos, académicos e de incompetência militar com
distinção e louvor, falhou redondamente na primeira tarefa como
estagiário-aprendiz. Há dois dias todos os polícias, incluindo os que estavam
de férias e de folga, pois na próxima semana terão de controlar excitados
adeptos desportivos, copofónicos e aficionados da traulitada em final de taça,
foram chamados para uma vital operação especial que consistiu em… seleccionar
por cores tampinhas de garrafas, para no Dia da Pátria se fazer uma bandeira
nacional que possa entrar no Guiness. Estamos a falar do livro mas a ideia
ocorreu ao chefe da polícia durante a ressaca de cerveja do mesmo nome, após
uma noite de borga no bar irlandês Guiness, para ficar tudo em família. Como se
vê, uma tarefa de fundamental importância para a segurança e bem-estar do país,
dos cidadão, meios-cidadãos e até os que nem têm direito a serem considerados
pessoas na cabeça de muita gente. Os ladrões, assassinos, traficantes de droga
e de escravos, os contrabandistas de armas e outras matérias explosivas, os
carteiristas, assaltantes de Multibanco à bomba e outros profissionais
especializados e incompreendidos pelas forças policiais ficaram profundamente
sensibilizados com a ideia solidária do “chefe da bófia” (declarações do líder
sindical destes profissionais, sic.) e decidiram colocar os seus estagiários a
recolher tampas de garrafa em caixotes do lixo, depósitos de fábricas e cafés, o
que correspondeu um inusitado aumento de assaltos a estes locais, tendo os
Multibancos temporariamente sido deixados em paz. O Sindicato dos Fora-da-Lei e
Actividades Similares procedeu seguidamente ao envio (em camiões das máfias do
Leste, Oeste e do Sul) das tampas roubadas para o armazém onde os polícias
procediam à sua selecção por cores. Tó Segurança, responsável pela recepção das
tampas, provocou de imediato um incidente ao recusar as que os beneméritos
profissionais do crime tentavam entregar pois segundo ele eram todas cinzentas
e não verdes, amarelas, pretas, azuis e vermelhas como mandava o regulamento. O
chefe da polícia não gostou da desastrada intervenção do Tó e mandou-o ir
escolher tampas com os outros, aceitando, grato, a contribuição solidária com o
esforço seleccionador das forças da ordem por parte do sindicato dos criminosos.
Quando o Tó passou ao trabalho efectivo a coisa deu berro, pois ele juntava
todas as tampas no mesmo monte, dado serem
todas da mesma cor. Foi assim que se descobriu o daltonismo do Tó, ficando
explicado porque não distingue entre o rosa da esquerda e o amarelo e azul da
direita. O pobre Tó Segurança foi de imediato demitido pois quem não distingue cores nã serve p’ró serviço, disse o chefe.
O chefe da polícia disse já que, se a corporação entrar no Guiness, irá mais
longe, pondo todos os operacionais a seleccionar tampinhas para uma bandeira
gigante da União das Hortaliças, rodeada de todas as bandeiras em formato XXL
dos 27 países que a constituem, mais os aspirantes a pertencerem-lhe, tarefa
que exigirá cerca de 1 mês de recolha e selecção dos materiais. O Sindicato dos
Fora-da-Lei e Actividades Similares já se solidarizou com a ideia e, além de
enviar emissários para chantagearem o comité do Guiness, assim garantindo a
inscrição da polícia do Nabal no famoso livro, prometeu aumentar o número de
assaltos, contribuindo com os extras destes, isto é, as tampinhas, para a nova
actividade profissional da polícia: reciclagem para inglês (no caso, americano)
ver.


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