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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Vou-me Embora, Amor!... Não, Querida, Não Vás!...
Foi concluído hoje o divórcio entre as casas reinantes da República dos Nabos e da Tripeça, tendo-se concentrado no cais uma vasta multidão de súbditos nabos para dizer adeus ao navio que levava a princesa real de volta aos estados ricaços do norte da União das Hortaliças e ao seu palácio de infância na Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas. Ao que o nosso jornal apurou, o divórcio deveu-se a intrigas palacianas, estando entre os intriguistas o Sr. Dr. Paulo Ibn-Portões, que até ensinara os seus galos a cocoricar a todas as matinas, vésperas e completas, rematado com grande coro elegíaco final de cacarejos quando a bela princesa nórdica se fosse embora. O objectivo: ganhar as boas graças dos nabos e vir a ser vizir em lugar do vizir, como o seu querido e até ao momento falhado primo Iznogood tanto anseia. O fall out do casório deveu-se a que a segunda parte do dote da princesa, designado por Segundo Resgate (talvez porque a princesa seja tão feia que o noivo tem de ser resgatado do susto com umas boas arrobas de ouro), não foi pago pois os primos da Terra dos Gelos e Fiordes se recusaram a contribuir para o Resgate, argumentando que “já tinham entrado com a massa para as pérolas do vestido de noiva, agora outros que se descosam c’o pilim”. Para tristeza do rei dos nabos, que ama muito a princesa apesar dela ser feia como uma noite de trovoada, os seus conselheiros e embaixadores aliaram-se aos somíticos parentes da moça e obrigaram-no ao divórcio, não se sabendo até ao momento quais terão sido as contrapartidas recebidas por mandarem a princesa dar uma volta ao bilhar grande e desamparar a loja, mas o nosso repórter especializado em furos económicos já se deslocou ao offshore do Luxoburgo para fazer umas averiguações em certos bancos e quando tivermos pormenores, deles daremos devida publicação (se não nos fecharem a tasca antes). Entretanto, no dia da partida da princesa, os galos do Sr. Paulo Ibn-Portões desafinaram de tal maneira que a cidade entrou em pânico, a pensar que vinha aí uma invasão dos hunos. Mas o Sr. Paulo Ibn-Portões é um homem de acção, que não se perturba por nada, nem mesmo pelas irrevogabilidades revogáveis e linhas vermelhas que não se podem passar mas que ele passa pois ainda está para nascer o cavaleiro que lhe ponha um travão à cavalgada. Arregimentou de imediato vários trovadores fatelas, numeroso coro de cantores pimba e pô-los a tocar no rossio enquanto convocava um Conselho de Estado para decidir dos sapatos e vestidos que a princesa seria autorizada a levar pois “vão-se as princesas mas ficam os anéis”. Eufórico pela partida da Tripeça, que se negara a oferecer-lhe uns certos favores privados porque também ela ama o rei nabo, o Sr. Paulo Ibn-Portões, após a actuação do orfeão pimba, cujo fim era juntar o máximo de nabos dada a popularidade dos pimbalhões, fez acalorado discurso (talvez fosse por isso que a tribuna pegou fogo), declarando ser este o dia da restauração da independência do Nabal, agora que lançara borda fora os sovinas mandões da Tripeça e já podia ir sozinho ao mercado, esqueçam o 1º de Dezembro, o 18 de Maio será o novo feriado, Viva a Independência, Viva o Nabal! Houve grande ovação, embora não se saiba se foi pela independência se pelo incidente de strip-tease de que foi vítima a cantora pimba Mamalhuda-Fornecida-Afinal-Havia-Outra na saída da esquerda baixa da tribuna. O barco da princesa partiu e o rei ficou sozinho a chorar no cais enquanto à sua volta os conselheiros e ministros afiavam os punhais e espadas para o torneio que se realizará em breve para Manda-Chuva-do-Nabal. Mas queridos concidadão não chorem pela princesa expulsa. Sabemos de fonte segura que, quando a euforia do mercado desaparecer, com a chegada das chuvas e do míldio na vinha, o rei pedirá de novo o regresso da Tripeça e, como ela gostou tanto de ser rainha neste Nabal à beira mar plantado, voltará e com um fornecido Segundo, Terceiro e todos os Resgates que o rei desejar. Para o povão não fará nenhuma diferença estar cá a Tripeça ou não estar, pois terá de continuar a apertar o cinto, dado que o divórcio exige a restituição de todo o dote, com juros, custos de mora, taxas de câmbio e despesas de advogado, estas últimas a pagar por pelo menos durante 100 anos.

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