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domingo, 20 de outubro de 2013

O amado líder do País dos Turbantes está muito deprimido. Foi-lhe feita uma terrível injustiça! Não é que a guerra civil no país lhe esteja a correr mal. Em termos de guerra ele e os amigos que se distraem a dar tiros do outro lado das trincheiras, barricadas e casas alagadas, já conseguiram destruir todas as cidades do país (agora existem, para alegria de futuros turistas e construtores, pitorescos destroços). Também deitaram borda fora milhões de súbditos que estavam lá a mais, o que ficará muito bem na redução da taxa de desemprego e despesa do Estado. Ao mesmo tempo, e porque o grande líder tem sempre o povo no seu coração, obrigaram-se os teimosos que não querem partir a tirar férias à força, proporcionando magníficas deslocações através do país para osa levarem a conhecer as maravilhas dos meditativos desertos locais, embora os ingratos sortudos digam que passeiam mas é para fugir às balas e às bombinhas de mau cheiro que matam que se fartam. Não, apesar das bombas de mau cheiro, que quase iam pondo ursos e hambúrgueres ao estalo precisamente no território dos turbantes (e todos sabem como é complicado duas guerras decorrerem no mesmo espaço pois às duas por três já ninguém sabe quem é o inimigo e atira-se a tudo o que mexe) a guerra corre-lhe muito bem. A grande tristeza do Grande Líder é que os injustos do comité do Nobel para o Ditador de Sucesso, não lhe deram o prémio. Quando soube que o dito cujo fora para o querido Pupu, o Grande Líder desfez-se em lágrimas e nem o facto do Pupu ser um seu grande amigo o consolou da derrota. Então, pode lá ser-se um ditador melhor-sucedido do que alguém que após dois anos contínuos de traulitada se mantém mais agarrado ao poder do que mexilhão à rocha em dia de calmaria? Alguém que conseguiu destruir todas as cidades e aldeias do país e expulsar o indesejável povinho ingrato para o estrangeiro? Alguém que bombardeia alegremente hospitais – competindo com os adversários neste campeonato, devidamente assinalado nas paredes dos quartéis-generais com pauzinhos traçados a preto por cada um que é deitado abaixo – e tira de lá doentes para os matar no meio da rua? Ou que mata e tortura médicos para que estes não sejam parvos mas bazem p’ra casa descansar em vez de teimarem cumprir o “dever profissional”? Que injustiça! O querido e amado Grande Líder não aguentou e desabou por cima duma bela otomana bem estofada a brocado e veludo, chorando como na primária, quando a professora lhe pusera umas orelhas de burro. As criancinhas ficaram tão impressionadas com a tristeza do Grande Líder que vieram para a rua com bandeirinhas pintadas na cara e abanos com a amada fronha do Grande Líder estampada às cores, escoltadas por soldados que timidamente não ficaram nas fotografias, os quais as animavam dizendo que se não agitassem bem os abanos nem gritassem protestos que se ouvissem ao fundo da avenida, os pais e os irmãos iriam aprender a dançar ao ritmo das kalashnikov e AK-57. E as crianças gritaram expontaneamente “viva o nosso amado Grande Líder, o anjo salvador da pátria” e “discriminação, discriminação, não queremos cá Nóbeis, não”. Porque só pode ser discriminação, não o terem eleito. Como se o Pupu fosse melhor que ele! E o prémio vinha mesmo a calhar para endireitar as contas da guerra e comprar ao Império do Chá, ou quiçá à República Federal das Batatas, assim uns mísseizitos, mais umas bombinhas de mau cheiro última geração com capacidade para matar tudo o que respira num raio de 20 kms… Que grande maldade!....

sábado, 19 de outubro de 2013

Para combater a crise a União das Hortaliças fez uma exaustiva pesquisa de mercado – realizada a custo zero pelos pesquisadores que se quiseram trabalhar tiveram de assinar um contrato onde o seu salário estabelecido era = 0 – com vista a identificar novos produtos, de exclusiva produção na União, e que tenham especial apetência para serem exportados para os mercados emergentes. Foram identificados numerosos produtos, o que confirma que em tempos de crise a produtividade rompe todas as previsões, e os respectivos mercados de maior potencial. Todos eles entram na categoria “léxico”, já que os políticos e gestores do mundo inteiro, que são quem pode pagar alguma coisa seja pelo que for, precisam de ter sempre expressões exactas para lidar com os muitos problemas que lhes levantam os seus súbditos e os levar a acatar leis absurdas. Assim, a palavra “irrevogável” foi vendida em leilão ao Fundo Mundial da Agiotagem, para ser usada sempre que este Fundo vier declarar ser necessário aliviar a austeridade mas, é claro, mantiver todas as metas rigorosamente na mesma senão até pondo-lhe em cima mais uma dosezinha de aperto de cinto. A expressão “inexactidão factual” será cedida em leasing ao Califado dos Ai-aTola!, sempre que estes declararem que não estão a produzir urânio para bombas atómicas mas se descobrir depois que construíram mais uma milhena de centrifugadoras para enriquecimento da coisa. A metáfora “faltou à verdade” foi contratualizada pelos bancos que dominam as agências de rating e por todos os analistas políticos e económicos que prevêem crescimento económico positivo para 4 meses depois os resultados o comprovarem negativo, tendo sido dos produtos de mais elevada cotação em bolsa até ao momento. O “lapso de memória” está em leilão, tendo até ao momento manifestado o seu interesse em adquiri-lo vários CEOs de bancos falidos que têm vários offshores e fugiram ao fisco com vários milhões e por isso têm as suas declarações de rendimentos algo desviadas da realidade. Por seu lado o “omitiu factos que considerou irrelevantes” será vendido em hasta pública perante um público constituído por membros de governos que estejam com os calos apertados por via de investigações em curso e às quais sonegaram factos. Já a expressão “inverdade” foi vendida a políticos-gestores-políticos (podendo acumular as duas carreiras ao mesmo tempo) que andem às aranhas com os mercados de CDS (sapos tóxicos). As “afirmações menos felizes” e “afirmações sem gravidade” vendem-se nas lojas de trajes académicos para doutores honoris causa e doutorandos da carreira diplomática, com fitinha colorida a condizer com a embaixada a que pertençam. A “campanha de perseguição” está em pré-apreciação por um painel de interessados ditadores que vêm no estrangeiro terríveis inimigos. A acusação “assassinato político” mereceu já muitas propostas de aquisição por parte de ministros incompreendidos pelo povo que representam e/ou que se sentem diminuídos no exercício das suas funções. Por seu turno os “não é um novo pagote de austeridade” e “não haverá mais austeridade” está a receber licitações de governos que após esfolarem os súbditos até ao osso estejam a inda a pensar em apertar-lhes mais o esqueleto. O “pequeno ajustamento” vai a leilão para um público conhecedor: ministros prestes a espremer os súbditos e ao mesmo tempo aumentar os gastos nos seus gabinetes privados. A subtil “fui apenas depositante” foi activamente regateada por numerosos banqueiros, traficantes de variadas mercadorias, clientes de offshores e accionistas com activos embrulhados que precisem de assegurar a sua inocência, em caso de escândalo. Finalmente o “iremos perseguir e neutralizar todos os extremistas pertencentes a este grupo” teve uma OPV por parte de governos que decidem, para povinho ver, ilegalizar associações especializadas em linchamentos, atentados bombistas e facadas a incautos imigrantes ou minorias étnicas locais, para libertar todos os linchadores e industriá-los para continuarem a prestar o “bom serviço” mal os repórteres estejam a olhar p’ra outro lado.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A mudança de cabeças na Tripeça, que regressa ao nabal para avaliar da qualidade da safra de nabos, verificar se estes apararam as ramas e se deixaram de mamar na água da rega, tem causado algumas interessantes surpresas nos últimos dias, que baralharam os observadores. O Fundo Mundial da Agiotagem, uma das pernas da Tripeça disse, logo antes de poisar no nabal, que aperto de cinto a mais era mau para o negócio. Ao mesmo tempo a outra perna exigia que se mantivesse o aperto nas ramas e a espremedura dos nabos, até estes largarem o caroço, porque eles são uns mafiosos, estão sempre a fugir à seringa. Logo a seguir a terceira perna, o Fundo da Agiotagem em Acção, declarou que os antecessores não lhes haviam explicado nada, nem sequer deixado um post-it colado na porta do frigorífico ou, já agora, a lista das tascas com melhores petiscos e mais em conta, portanto não faziam ideia daquilo que iriam encontrar pela frente já que os guias turísticos são famosos por nunca informarem dos pormenores sórdidos do país. Isto causou grande consternação entre os nabos pois é suposto os técnicos do Fundo da Agiotagem serem especialistas de altíssimo gabarito a pôr avanços económicos e sociais em marcha-atrás e como tal esperava-se destes competentíssimos profissionais que realizassem ao menos aquilo que até o mais lerdo chefe de faxina sabe que tem de fazer: reunir com os novos colegas para lhes explicar onde ficam as vassouras e os baldes isto é, um “briefing”, nem que seja no vão de escada. Mas não, as luminárias cessantes tinham-se esquecido disso, o que até nem será de todo de estranhar pois são profissionais demasiado atarefados e sofrendo de considerável jet-lag com a realidade. Como se isto já não fosse suficientemente perturbador, a líder do Fundo Mundial da Agiotagem veio mais uma vez, em contramão das políticas que os seus súbditos mandam implementar nos países alinhados para a forca, dizer que afinal o aperto de cinto, no caso dos nabos o aperto do molho nas ramas, não era bom para a saúde, havia limites para as dietas de penúria. Na sequência destas declarações houve um aumento explosivo nas compras do romance vitoriano Dr. Jekill e Mister Hyde, que passou a ser leitura de cabeceira para todo o psiquiatra encartado. Com efeito, a Associação Mundial dos Psiquiatras e Malucos Equiparados lançou um programa de análise exaustiva de todas as declarações, memorandos, relatórios, avaliações e outras publicações que o Fundo tem dado generosamente ao prelo nestes muitos anos já de existência. Os resultados preliminares foram muito preocupantes pelo que os Psiquiatras contrataram malucos com notória capacidade para se apoderarem do alheio e realizarem espectaculares fugas dos quartos para interceptarem os memorandos, relatórios e apontamentos secretos dos funcionários do Fundo, razão porque a referida associação passou a ser dos Psiquiatras e Malucos Equiparados. Estes documentos secretos estão ainda em análise e, em justa coerência, os resultados da sua avaliação permanecerão secretos mas alguns dos nossos informadores – um dos quais jura a pés juntos ser a Cleópatra – revelaram-nos que as apreensões dos colegas psiquiatras estão a avolumar-se podendo um destes dias rebentar como uma borrasca das antigas. De modos que, e dado o comportamento sui generis dos membros do Fundo Mundial da Agiotagem nos últimos tempos, se isto acabar tudo no manicómio não se admirem.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Os nossos informadores secretos que instalaram sistemas de espionagem nos computadores da
Tripeça ao abrigo do convénio de prestação de serviços com a agência de espionagem da República dos Hambúrgueres “Espia Tudo” acabaram de descobrir que o líder supremo da Tripeça – joint-venture que inclui a União das Hortaliças, O Banco dessa União e o Fundo de Agiotagem Mundial – afinal tem como presidente secreto… a Divina Providência. Como sempre, os nabos foram os primeiros a suspeitar, e o Nabo-Maior até fez referências a milagres quando da última visita da Tripeça, esta dissera que estava tudo bem, os meninos tinham sido aprovados, mas precisavam de se esforçar um pouco mais para acabar de matar a economia local, pois os investidores estrangeiros estão ansiosos por meterem as mãos nas bonitas praias e ainda melhor mão-de-obra escrava e qualificada, ao contrário do que sucede nos países dos 2º, 3º, 4º e etc. mundos. O facto de logo a seguir ter surgido o Chilique Ministerial já aqui relatado em numerosos episódios foi, descobriu-se agora, um castigo do Divino aos infiéis que na altura tinham rido do Nabo-Maior, o qual muito ofendido, fora para a Ilha dos Cagarros, deixando por cá o pessoal a desembrulhar-se com a crise. As suspeitas confirmaram-se agora, com a publicação dos novos resultados estatísticos da economia na União das Hortaliças e em particular da República dos Nabos, verificando-se o milagre de que a economia está a recuperar espectacularmente, apesar dos indicies dizerem que está tudo pior do que no ano passado. Aliás, a porta-voz divinal sedeada na República dos Nabos, veio já dizer aos pastorinhos seus porta-vozes, que o milagre se deve à extrema boa-vontade do Divino, não referindo contudo os receios da última reunião em que se temeu que os crentes pudessem abandonar de vez o clube porque, se existe um Poder Supremo e bondoso, porque razão está o mundo da maneira como está? O Divino, disse a doce Senhora, quer demonstrar aos vacilantes e aos incrédulos que os milagres são possíveis e não apenas esses plágios dos “milagres da ciência” pois quem tem a patente dos milagres é o Divino. O qual mandou também dizer que mandará processar quem quer que apareça por aí a prodigalizar novos milagres. Esta descoberta encheu os nabos de alegria pois todos andavam já aterrorizados com o 8º e 9º exame da Tripeça que serão, como se sabe, os mais difíceis. Resta agora que a Tripeça aceda aos rogos dos fiéis para aliviar a taxa de convergência do défice, razão pela qual a sua sucursal romana já pediu a todas as famílias da República dos Nabos para pelo menos uma noite por semana desligarem as televisões e rezarem em família pela boa vontade da tripeça. Esperemos que as orações façam o milagre pois os nabos-políticos, está visto que não o conseguem.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Luz ao Fundo do Túnel Apagou-se Há Muito (ou o sucesso económico do Continente Apagado)
Por causa das alterações climáticas e dos terríveis gases de efeito de estufa pede-se agora à parte do mundo que quase nunca provou os benefícios da civilização ocidental que se deixe de lérias e tentem é viver com menos e sem os luxos do 1º mundo porque, afinal, estão já a isso habituados. E se é preciso poupar, nada mais natural, portanto, que as poupanças comecem entre o pessoal que nunca se habituou a luxos, e devam aí ser impostas com maior afinco. Afinal, quem nunca teve electricidade em casa nem sabe o que são as delícias dum fogão a gás ou dum micro-ondas, pode continuar alegremente a viver sem essas comodidades; não é tão divertido o jogo de sufocar a cozinheira a dona de casa e família com fogueiras na cozinha alimentadas a lenha? Ou que há de melhor para a saúde do que o mulherio transportar bidões de água à cabeça durante 60 kms (30 de ida e 30 à volta) e a corta-mato, correndo para se safar a violadores, guerrilheiros, polícias ou vizinhos bêbados, todos apostados em enfiarem-lhes o “bico”? Como se pode dizer que ninguém se preocupa com a saúde feminina se se lhes oferece este exercício em troca da escola sedentarizadora e criadora dos pecaminosos hábitos de usar a cabeça para pensar? Afinal é para carregar água, homens e ter meninos que o mulherio serve. Pedir a um honesto cidadão da República das Batatas que passe sem o seu micro-ondas ou o seu televisor de plasma de 1000 e tal milímetros de ecrã… é sem dúvida exigir um sacrifício muito mais doloroso do que pedir aos pobres que se mantenham na pobreza, pois esses não estranharão tal “evolução na continuidade”. Por isso serão a partir de hoje apagadas todas as luzes de todos nos túneis, aldeias, jardins e bairros de barracas no 2º, 3º, 4º e 5º mundo e mais alguns outros que porventura por aí haja e não tenhamos ainda descoberto. Naturalmente, os terroristas que habitam nos bairros da lata desses mundos irão dizer que a luz ao fundo do túnel nunca se chegou a acender mas não acreditem. Pois que há demais romântico do que uma tenda de plástico com bonitos dísticos das misericórdias internacionais, dividida com cinco outras famílias num campo de refugiados? Campismo o ano inteiro e com refeições servidas e tudo! Ou o tipismo único dum bairro de lata onde os homens se colocam em linha para defecar ao ar livre pois como são só meios cidadãos, não precisam de latrinas. Sem contar que estas condições são excelentes para as economias desses países, que podem poupar em luxos como saúde e educação dos seus habitantes e ver crescer fábricas e plantações de óleo de palma e biofúel, onde os nativos têm o privilégio de trabalhar em regime escravo, tal e qual como os seus antepassados e pioneiros da globalização. Das suas mãos saem para o 1º mundo todas as delícias das pessoas civilizadas, como calças, sapatos, cintos, ouro, telemóveis, bluetoots, metais raros, prata, diamantes, petróleo, Ipods, acessórios e tantas outras maravilhas tecnológicas que, é claro, só são tocadas pelos nativos se porventura trabalharem nas fábricas que as produzem. Não pode haver assim maior ordem no mundo: uns produzem e vivem pobrezinhos e maneirinhos para não terem maus hábitos, e outros enriquecem e generosamente colocam as suas fábricas poluidoras nos bairros dos operários, pois para quem é bacalhau basta. O imenso sucesso económico deste modelo é atestado pelos índices macroeconómicos, embora para a maioria da população local esses índices talvez sejam os dum universo paralelo pois as suas condições de vida estão cada vez mais na mesma, em especial se calharem de terem um campo petrolífero nas proximidades que lhes suja os rios onde por milhares de anos puderam pescar e agora também podem mas morrem a seguir, de cancro e essas coisitas, por o peixe estar contaminado. Em alternativa podem sempre receber os misericordiosos tiros à queima-roupa dos seguranças se se armam em parvos e se lembram de protestar pela poluição. Talvez o melhor exemplo deste bem fazer seja ilustrado pelo Continente dos Elefantes, onde o Fundo Mundial da Agiotagem tem ajudado os países a entrar no mercado global, impondo as suas regras económicas fundamentadas nas folhas de cálculo falsificadas do merceeiro-burlão Madoff e que leva as economias locais à morgue. Com desempregos nos píncaros, serviços públicos proibidos porque tem de ser tudo privado, incluindo ar, sol e água, normas alimentares tão assépticas que mesmo hortaliça criada em laboratório não pode ser vendida, os nativos, muito dançarinos, muito alegres, muito folclóricos e garridos, viraram-se à tarefa de se matarem uns aos outros, pois é a única actividade que tem subsídios e ferramentas de trabalho amavelmente cedidas por almas beneméritas em troca de pequenas contribuições em géneros: diamantes, ouro, super-petroleiros cheios, etc. Estas guerras são obviamente um bom investimento pois são os mais fortes, ou seja, os melhor armados e com maior espírito de iniciativa que ficam a controlar estes bens comerciáveis e deste modo o comércio mundial ganha mais dinamismo, enquanto ficam garantidos os subsídios defensivos dos conquistadores. Do mesmo modo quantos mais morrerem, menos são os competidores na hora da distribuição de alimentos doados por outras, às vezes as mesmas, almas beneméritas. Além disso, respondendo ao apelo da espécie os sobreviventes desatam a fazer muitos meninos, o que é excelente pois garante mão-de-obra sempre renovada nas fábricas que as empresas do 1º mundo decidiam aí instalar por os gastos de produção serem tão baixos. Os cidadãos apanhados no meio do tiroteio, apenas podem recorrer ao Divino e este faz-lhes a vontade, enviando mais outra horda de guerrilheiros: os “combatentes por Deus”. Estes combatentes, cujo objectivo primeiro e único é converter as populações, a bem ou a mal e exterminar os teimosos que se recusam à conversão é uma grande mais-valia para a economia mundial por ser um eficiente meio de escoar o material de guerra e alguns outros apetrechos do 1º mundo, estimulando assim o comércio internacional. Mas ultimamente têm-se registado uma perturbadora evolução neste combate teológico. É que os “guerreiros de Deus” deixaram de matar nas terras deles, onde o seu mister faz muita falta, e decidiram “deslocalizar-se” para o 1º mundo. Isto está mal. Só o 1º mundo deveria ter o direito de se deslocalizar para outros lados, o que está já a ser corrigido em sede própria. É que estes “guerreiros de Deus”, quando se deslocalizam não é para pacatamente viverem dos rendimentos da sua guerra mas, apaixonados pela profissão, continuam a matar. Agora nas nossas belas e civilizadas cidades. Até quando se permitirá tão grande atentado à civilização?!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Informações de última hora dão conta que no nabal dos… Reino dos Agriões a situação é pouco
menos que explosiva. Como se sabe, o reino dos Agriões é outro dos estados membro da União das Hortaliças que está intervencionado pela Tripeça pois desfalques vários, falências consecutivas e obras megalómanas nos diques-fronteira do Reino atiraram com este para um endividamento excessivo. Não é que os Agriões estivessem em situação pior que os outros da União das Hortaliças mas, sendo os agriões uns tipos de segunda, com uma economia de terceira, as agências de atribuição de notas (e de recebimento de notas em troca das que dão) decidiram alarmar os mercados, dando chumbos atrás de chumbos à economia dos agriões. Os investidores fugiram todos, os especuladores caíram em bando sobre as folhas ainda verdes do reino, e foi o que se sabe. A seguir à confusão nas finanças sucedeu-se um sarilho de meia-noite na área política – e de meia-noite pois foi a horas tardias que as piores rabaldarias aconteceram – e um jovem todo desempoeirado entretanto chamado ao governo concluiu que o grande problema do país não era o fecho sucessivo de lojas e empresas, os despedimentos (educadamente chamados de layoff, até porque é palavra estrangeira e os agriões não sabem línguas), os cortes nos salários, a emigração em massa e o colapso do consumo interno ainda mais maciço, o que tem dado graves problemas ambientais nos países vizinhos (e possa talvez explicar a invasão maciça de mosquitos no Califado das sardinhas) pois os agriões, sem poder de compra, não recebem agora o adubo que lhes põe, na água e vai tudo borda fora, com as descargas. É claro que a União das Hortaliças já multou o Reino dos Agriões por não cumprir as normas ambientais, mas não se preocupem os dinheiros da Tripeça, a serem pagos com juros de palmo, também irão servir para pagar as multas. Mas voltando ao “furo” principal: o jovem ministro concluiu que o verdadeiro problema do país era… falta de comunicação entre o governo e os agriões revoltados. Com uma boa comunicação, cheia de mensagens de esperança e explicações dos actos governativos simplificadas ao nível de compreensão dos agriões ainda na semente, tudo ficaria resolvido, os agriões que morressem de fome ou se enforcassem por não saberem já como sobreviver demonstrariam uma execrável falta de patriotismo. Estas declarações levaram ao suicídio em massa dos agriões do bordo poente do canteiro e iniciaram aquilo a que se designou de briefings, outra palavra estrangeira que quer dizer “conversas da treta” mas como é em estrangeiro os agriões pensaram que quisesse dizer “importantes sessões de esclarecimento”. E de facto, têm sido. Logo à primeira o Ministro dos Carcanhóis locais demitiu-se, a seguir foi o vice-ministro Agrião Ramalhudo, que disse que se demitia mas depois não se demitiu. De seguida também neste reino rebentaram as posturas de sapos e a sala do parlapatéu ficou inundada de sapos coachantes e a baterem espuma para os ovos, sendo que na semana seguinte já não se podia lá andar com tantos girinos e os briefings foram transferidos para outro lado. Como não se avisassem os jornalistas que têm a mania de fazer as perguntas mais enervantes, estes só descobriram o local correcto duas sessões depois, o que levou a oposição a acusar o governo de falta de espírito democrático. Por fim um dos vendedores de sapos e que fazia parte do governo decidiu dizer que não vendia sapos mas depois já não se lembrava e depois… estão a ver a coisa. Resultado: de cada vez que havia um briefing, o governo sabia que vinha aí sarrabulho. Foi por mero acaso, quando o Ministro da Água Estagnada teve de ir àquele sítio onde se vai quando se está aflito, que se descobriu que afinal o inventor dos briefings era um agente infiltrado da República das Beterrabas, que está há anos em guerra com os agriões por causa das quotas de água para os respectivos canteiros. O excelso ministro descobriu-o ao contemplar os numerosos escritos e graffitis na porta do referido sítio dos aflitos, e como também já fora agente das Beterrabas, compreendeu perfeitamente o código de uma das mensagens, por acaso a única que não referia hábitos íntimos de terceiros nem dissertava sobre a genealogia dos leitores. Rebentou a bomba no canteiro, de repente compreende-se porque os briefings em vez de melhorarem a imagem do governo só a deitavam ainda mais abaixo do que se todos estivessem calados (e garanto-vos que mesmo calados, o governo está com a imagem a alguns 3 kms debaixo da terra). Os agriões andam agora à caça do jovem ministro e inventor dos briefings mas não o encontram em parte alguma, apesar da secretária garantir que ele foi apenas de férias. Entre suspeitas de que o traidor se haja passado para o campo das beterrabas veio a descobrir-se uma outra verdade chocante que deitou por terra o patriotismo dos agriões. Os briefings não eram afinal uma invenção sua mas uma tradição com mais de 100 anos na República dos Hambúrgueres. Depois da economia e da política, foi agora a vez do patriotismo dos agriões entrar em crise…
 

domingo, 13 de outubro de 2013

Abriram vagas para explicadores de Direito Constitucional e Direito Internacional no Ministério das Trapalhadas Estrangeiras, para darem aulas de reforço curricular ao Ministro, o qual veio publicamente confessar que, embora tendo-se formado em Direito com a melhor classificação do seu curso, não só a nota foi obtida graças a métodos inovadores de cabulanço (na altura, hoje esses métodos são usados nos exames do Primeiro Ciclo) como no seu tempo não havia a figura jurídica da separação de poderes entre o legislativo, o judicial e o político. Com efeito, embora esta separação de poderes tenham já 300 anos de existência, como a República Democrática dos Nabos anda sempre um bocadinho atrasada nestas coisas, tal matéria não fazia parte dos currículos há cerca de 30 anos. O Ministro opõe-se a esta contratação porque criará despesa no seu ministério que precisa de todos os trocos para instalar um jacuzzi com massagens direccionadas na casa de banho-suíte ministrial, remodelar os soalhos com mármore montanha embutido a lazúli, revestir as paredes com madeira de teca embutida a paubrasile pau preto com lambrins de turquesa e ouro, substituir as tapeçarias do chão por tapetes de seda tecidos à mão por mãos infantis paquistanesas pagos na origem a meia conquilha o metro e a 3000 conquilhas o metro no mercado da União das Hortaliças, substituir todos os quadros e aguarelas actuais pela colecção integral das obras de Caravaggio, Turner, rembrant, Vermeer, Renoir e Matisse, mudar os puxadores das portas para aplicações em marfim legítimo e substituir os telefones de plástico por aparelhos em ouro 24 quilates. Infelizmente os nabos seus assessores recusaram as explicações do chefe e foram por diante com o concurso para evitar novo desaguisado com a república dos Cocos, que como se sabe anda de trombas por causa dos nabos se darem ao desplante de investigarem alguns altos dirigentes couquenses por tráfico de influências e outros pecadilhos menores. O bem-intencionado ministro das Trapalhadas pediu desculpa ao Coco-chefe, quando o foi visitar pelo aniversário da filhinha Zazá, por esta incómoda investigação e prometeu que mal regressasse ao nabal iria dar 40 chicotadas, como manda a lei religiosa, a cada um dos investigadores e magistrados que andam a incomodar os dignos couquenses. Até porque nabal a corrupção e tráfico de influências, embora criticada na lei, é um modo de vida e adorno cultural dos nabos com rama suficiente para serem mecenas de tais artes. Sem a corrupção o nabal nem é o nabal, que tinham agora os coca-bichinhos nabos de meterem o bedelho na vida dos outros? Tinha de, após aplicar as chicotadas, mandar chamar um catequista para ensinar aos malandretes a parábola da trave de madeira e do grão de sésamo. Tendo jurado e garantido que estas seriam as primeiras medidas que tomaria mal regressasse ao nabal, entregou o cheque à afilhada Zazá, recebeu umas caixinhas de diamantes e vários barris de crude e regressou a casa, onde encontrou os nabos em polvorosa, por causa dessa estranha figura jurídica de “separação de poderes”. Os candidatos deverão ter dado provas durante mais de 20 anos, com livros e teses publicadas em revistas internacionais da especialidade com peer review e impact factornunca inferior a 10, e apresentar provas insufismáveis de que leccionaram durante 15 anos nas melhores faculdades da Ivy League. Os professores serão pagos à hora, sem contrato de trabalho nem desconto para a Segurança Social, sem direito a horário de almoço nem aposentação, sendo o salário função do grau de aproveitamento do aluno. Quando o douto ministro tiver concluído a sua formação, os professores serão despedidos em conformidade com a nova legislação laboral em vigor, devendo pagar integralmente todas as custas do seu processo de despedimento e indemnização à entidade patronal.