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domingo, 13 de outubro de 2013

Abriram vagas para explicadores de Direito Constitucional e Direito Internacional no Ministério das Trapalhadas Estrangeiras, para darem aulas de reforço curricular ao Ministro, o qual veio publicamente confessar que, embora tendo-se formado em Direito com a melhor classificação do seu curso, não só a nota foi obtida graças a métodos inovadores de cabulanço (na altura, hoje esses métodos são usados nos exames do Primeiro Ciclo) como no seu tempo não havia a figura jurídica da separação de poderes entre o legislativo, o judicial e o político. Com efeito, embora esta separação de poderes tenham já 300 anos de existência, como a República Democrática dos Nabos anda sempre um bocadinho atrasada nestas coisas, tal matéria não fazia parte dos currículos há cerca de 30 anos. O Ministro opõe-se a esta contratação porque criará despesa no seu ministério que precisa de todos os trocos para instalar um jacuzzi com massagens direccionadas na casa de banho-suíte ministrial, remodelar os soalhos com mármore montanha embutido a lazúli, revestir as paredes com madeira de teca embutida a paubrasile pau preto com lambrins de turquesa e ouro, substituir as tapeçarias do chão por tapetes de seda tecidos à mão por mãos infantis paquistanesas pagos na origem a meia conquilha o metro e a 3000 conquilhas o metro no mercado da União das Hortaliças, substituir todos os quadros e aguarelas actuais pela colecção integral das obras de Caravaggio, Turner, rembrant, Vermeer, Renoir e Matisse, mudar os puxadores das portas para aplicações em marfim legítimo e substituir os telefones de plástico por aparelhos em ouro 24 quilates. Infelizmente os nabos seus assessores recusaram as explicações do chefe e foram por diante com o concurso para evitar novo desaguisado com a república dos Cocos, que como se sabe anda de trombas por causa dos nabos se darem ao desplante de investigarem alguns altos dirigentes couquenses por tráfico de influências e outros pecadilhos menores. O bem-intencionado ministro das Trapalhadas pediu desculpa ao Coco-chefe, quando o foi visitar pelo aniversário da filhinha Zazá, por esta incómoda investigação e prometeu que mal regressasse ao nabal iria dar 40 chicotadas, como manda a lei religiosa, a cada um dos investigadores e magistrados que andam a incomodar os dignos couquenses. Até porque nabal a corrupção e tráfico de influências, embora criticada na lei, é um modo de vida e adorno cultural dos nabos com rama suficiente para serem mecenas de tais artes. Sem a corrupção o nabal nem é o nabal, que tinham agora os coca-bichinhos nabos de meterem o bedelho na vida dos outros? Tinha de, após aplicar as chicotadas, mandar chamar um catequista para ensinar aos malandretes a parábola da trave de madeira e do grão de sésamo. Tendo jurado e garantido que estas seriam as primeiras medidas que tomaria mal regressasse ao nabal, entregou o cheque à afilhada Zazá, recebeu umas caixinhas de diamantes e vários barris de crude e regressou a casa, onde encontrou os nabos em polvorosa, por causa dessa estranha figura jurídica de “separação de poderes”. Os candidatos deverão ter dado provas durante mais de 20 anos, com livros e teses publicadas em revistas internacionais da especialidade com peer review e impact factornunca inferior a 10, e apresentar provas insufismáveis de que leccionaram durante 15 anos nas melhores faculdades da Ivy League. Os professores serão pagos à hora, sem contrato de trabalho nem desconto para a Segurança Social, sem direito a horário de almoço nem aposentação, sendo o salário função do grau de aproveitamento do aluno. Quando o douto ministro tiver concluído a sua formação, os professores serão despedidos em conformidade com a nova legislação laboral em vigor, devendo pagar integralmente todas as custas do seu processo de despedimento e indemnização à entidade patronal.

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