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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Como se sabe a crise e o colapso económico está por toda a parte e não apenas nalguns estados perdulários da União das Hortaliças. Ou pelo menos não chega a outros estados da União que durante anos andaram a emprestar-lhes dinheiro a crédito zero e, quando a barraca rebentou, desataram a exigir a devolução dos empréstimos, a juros de arrepiar as folhas da couve mais frisada. Exigência compreensível pois é o dinheiro deles e porque também os seus bancos, nada perdulários, se tinham envolvido em negócios cabeludos (pelo menos cheios de processionárias dos pinheiros), estando à beira da bancarrota, e um dinheiro caído nos cofres assim sem mais nem ontem, até sabe a pouco. Ora a mais recente vítima da espiral da crise na União é o Principado das Couves-de-Bruxelas, que andou a investir dinheiro das Hortaliças em estradas que não levam a lado nenhum e em actividades agrícolas muito produtivas não em cebolas e alhos mas em carrões, 4x4 e outros bólides de grande potência que não servem para lavrar campos mas para levar os seus donos às estâncias turísticas do Potentado da Paelha. A Comissão de Caça aos Gastos da União das Hortaliças zangou-se com isto, e mais ainda com o endividamento excessivo das Couves-de-Bruxelas e zás, enviou a Tripeça para tomar conta dos calotes do Principado. A qual aplicou o roteiro que como já noticiámos, é auto-plágio do roteiro de intervenção económica realizado em 1980 e troca o passo na então mais do que de tanga Federação do Cacau e que, sendo até noutro continente, tinha enquadramentos económicos totalmente diferentes dos da União das Hortaliças. Mas não há problema pois o dito roteiro de reestruturação económica dá sempre os mesmos espectaculares resultados, seja em que situação ou país for aplicado: o extermínio da economia local. E uma vez esta exterminada (e parte da população também à conta da resultante fome ou vagas de emigração) pode-se criar uma economia nova, já não baseada na redistribuição da riqueza produzida mas no trabalho escravo – muito mais barato e gerador de muito maiores lucros – nas chamadas sweat-shops, ou seja fábricas movidas a suor e sangue, que é um combustível que nem precisa de ser pago nem nada. Assim, mal a Tripeça entrou no Principado, os índices económicos vieram por aí abaixo, como se previa no roteiro de intervenção, as couves-de-bruxelas perderam todos os direitos laborais e civis, passaram a trabalhar de borla e a cultivarem os seus almoços que deverão trazer para os gestores das firmas (sedeados algures fora do reino), ou seja, deixou de haver salários, o que de imediato se reflectiu nos cofres-fortes secretos do Cantão dos Queijos. Não é assim de estranhar que os mercados ficassem muito confusos quando se soube que os parlamentares e outros líderes de grande respeitabilidade aprovaram em sessão plenária a manutenção dos seus salários e pensões – perdão, subvenções eternas, com transferência automática para descendentes e afilhados por morte do titular – enquanto para os restantes cidadãos se decretou que agora tinham eles de pagar pelo privilégio de poderem trabalhar. De facto, num país com 90% de desempregados, trabalhar é mesmo um privilégio. Os mercados temem que o Principado das Couves-de-Bruxelas esteja de novo a enveredar por uma via despesista em vez de fazer as sempre adiadas reformas (que de tão adiadas já ninguém se lembra o que deveriam reformar) mas os chefes governativos do Principado já vieram esclarecer que os pagamentos dos trabalhadores para terem o privilégio de trabalhar mais do que cobre os gastos com a manutenção dos salários e pensões, perdão, subvenções, dos políticos e até geram um encaixe nos cofres públicos de alguns milhões de conquilhas, muito necessários para pagar os juros a 300% dos empréstimos da Tripeça. Acalmados os mercados, houve grande surpresa quando logo a seguir o índice de desemprego subiu para os 98%, o que levou o governo do Principado a acusar os seus cidadãos remanescentes (após a promulgação do decreto “pagar pelo direito de trabalhar”, multidões rumaram à fronteira para emigrarem o mais depressa possível, esborrachado os alfandegários que tentaram pôr cobro à debandada) de serem uns calinas e piegas, não quererem trabalhar mas apenas receber subsídios sem dobrar a mola O enviado deste jornal ao Principado das Couves-de-Bruxelas foi sondar a opinião pública e, com minúsculas variações, poderia sintetizar-se a voz do povo em: “até gostaríamos de pagar para trabalhar mas está a ver, há muito tempo que os salários se extinguiram, não temos mais conquilhas, se queremos alguma coisa trocamos o que há em casa com os vizinhos, como podemos agora dar conquilhas ao patrão se não vemos nenhuma há quase 1 ano?” Se isto é verdade, não foi possível apurar mas o nosso repórter constatou que de facto nos mercados já não se vê sequer minúscula conquilha bebé furada, nem tão-pouco uma meia casca, os negócios fazem-se todos troca por troca Podem assim ficar descansados os investidores, os mercados do Principado das Couves-de-Bruxelas ainda mexem.
 fonte: teleculinária.pt

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