Como se sabe a crise e o colapso
económico está por toda a parte e não apenas nalguns estados perdulários da União
das Hortaliças. Ou pelo menos não chega a outros estados da União que durante
anos andaram a emprestar-lhes dinheiro a crédito zero e, quando a barraca
rebentou, desataram a exigir a devolução dos empréstimos, a juros de arrepiar
as folhas da couve mais frisada. Exigência compreensível pois é o dinheiro
deles e porque também os seus bancos, nada perdulários, se tinham envolvido em
negócios cabeludos (pelo menos cheios de processionárias dos pinheiros), estando
à beira da bancarrota, e um dinheiro caído nos cofres assim sem mais nem ontem,
até sabe a pouco. Ora a mais recente vítima da espiral da crise na União é o
Principado das Couves-de-Bruxelas, que andou a investir dinheiro das Hortaliças
em estradas que não levam a lado nenhum e em actividades agrícolas muito
produtivas não em cebolas e alhos mas em carrões, 4x4 e outros bólides de
grande potência que não servem para lavrar campos mas para levar os seus donos às
estâncias turísticas do Potentado da Paelha. A Comissão de Caça aos Gastos da
União das Hortaliças zangou-se com isto, e mais ainda com o endividamento
excessivo das Couves-de-Bruxelas e zás, enviou a Tripeça para tomar conta dos
calotes do Principado. A qual aplicou o roteiro que como já noticiámos, é
auto-plágio do roteiro de intervenção económica realizado em 1980 e troca o
passo na então mais do que de tanga Federação do Cacau e que, sendo até noutro
continente, tinha enquadramentos económicos totalmente diferentes dos da União
das Hortaliças. Mas não há problema pois o dito roteiro de reestruturação
económica dá sempre os mesmos espectaculares resultados, seja em que situação
ou país for aplicado: o extermínio da economia local. E uma vez esta
exterminada (e parte da população também à conta da resultante fome ou vagas de
emigração) pode-se criar uma economia nova, já não baseada na redistribuição da
riqueza produzida mas no trabalho escravo – muito mais barato e gerador de
muito maiores lucros – nas chamadas sweat-shops,
ou seja fábricas movidas a suor e sangue, que é um combustível que nem precisa
de ser pago nem nada. Assim, mal a Tripeça entrou no Principado, os índices
económicos vieram por aí abaixo, como se previa no roteiro de intervenção, as
couves-de-bruxelas perderam todos os direitos laborais e civis, passaram a
trabalhar de borla e a cultivarem os seus almoços que deverão trazer para os
gestores das firmas (sedeados algures fora do reino), ou seja, deixou de haver
salários, o que de imediato se reflectiu nos cofres-fortes secretos do Cantão
dos Queijos. Não é assim de estranhar que os mercados ficassem muito confusos
quando se soube que os parlamentares e outros líderes de grande
respeitabilidade aprovaram em sessão plenária a manutenção dos seus salários e
pensões – perdão, subvenções eternas, com transferência automática para
descendentes e afilhados por morte do titular – enquanto para os restantes
cidadãos se decretou que agora tinham eles de pagar pelo privilégio de poderem trabalhar.
De facto, num país com 90% de desempregados, trabalhar é mesmo um privilégio.
Os mercados temem que o Principado das Couves-de-Bruxelas esteja de novo a
enveredar por uma via despesista em vez de fazer as sempre adiadas reformas
(que de tão adiadas já ninguém se lembra o que deveriam reformar) mas os chefes
governativos do Principado já vieram esclarecer que os pagamentos dos
trabalhadores para terem o privilégio de trabalhar mais do que cobre os gastos
com a manutenção dos salários e pensões, perdão, subvenções, dos políticos e
até geram um encaixe nos cofres públicos de alguns milhões de conquilhas, muito
necessários para pagar os juros a 300% dos empréstimos da Tripeça. Acalmados os
mercados, houve grande surpresa quando logo a seguir o índice de desemprego
subiu para os 98%, o que levou o governo do Principado a acusar os seus
cidadãos remanescentes (após a promulgação do decreto “pagar pelo direito de
trabalhar”, multidões rumaram à fronteira para emigrarem o mais depressa
possível, esborrachado os alfandegários que tentaram pôr cobro à debandada) de
serem uns calinas e piegas, não quererem trabalhar mas apenas receber subsídios
sem dobrar a mola O enviado deste jornal ao Principado das Couves-de-Bruxelas
foi sondar a opinião pública e, com minúsculas variações, poderia sintetizar-se
a voz do povo em: “até gostaríamos de pagar para trabalhar mas está a ver, há
muito tempo que os salários se extinguiram, não temos mais conquilhas, se
queremos alguma coisa trocamos o que há em casa com os vizinhos, como podemos
agora dar conquilhas ao patrão se não vemos nenhuma há quase 1 ano?” Se isto é
verdade, não foi possível apurar mas o nosso repórter constatou que de facto
nos mercados já não se vê sequer minúscula conquilha bebé furada, nem tão-pouco
uma meia casca, os negócios fazem-se todos troca por troca Podem assim ficar
descansados os investidores, os mercados do Principado das Couves-de-Bruxelas
ainda mexem.Número total de visualizações de páginas
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Como se sabe a crise e o colapso
económico está por toda a parte e não apenas nalguns estados perdulários da União
das Hortaliças. Ou pelo menos não chega a outros estados da União que durante
anos andaram a emprestar-lhes dinheiro a crédito zero e, quando a barraca
rebentou, desataram a exigir a devolução dos empréstimos, a juros de arrepiar
as folhas da couve mais frisada. Exigência compreensível pois é o dinheiro
deles e porque também os seus bancos, nada perdulários, se tinham envolvido em
negócios cabeludos (pelo menos cheios de processionárias dos pinheiros), estando
à beira da bancarrota, e um dinheiro caído nos cofres assim sem mais nem ontem,
até sabe a pouco. Ora a mais recente vítima da espiral da crise na União é o
Principado das Couves-de-Bruxelas, que andou a investir dinheiro das Hortaliças
em estradas que não levam a lado nenhum e em actividades agrícolas muito
produtivas não em cebolas e alhos mas em carrões, 4x4 e outros bólides de
grande potência que não servem para lavrar campos mas para levar os seus donos às
estâncias turísticas do Potentado da Paelha. A Comissão de Caça aos Gastos da
União das Hortaliças zangou-se com isto, e mais ainda com o endividamento
excessivo das Couves-de-Bruxelas e zás, enviou a Tripeça para tomar conta dos
calotes do Principado. A qual aplicou o roteiro que como já noticiámos, é
auto-plágio do roteiro de intervenção económica realizado em 1980 e troca o
passo na então mais do que de tanga Federação do Cacau e que, sendo até noutro
continente, tinha enquadramentos económicos totalmente diferentes dos da União
das Hortaliças. Mas não há problema pois o dito roteiro de reestruturação
económica dá sempre os mesmos espectaculares resultados, seja em que situação
ou país for aplicado: o extermínio da economia local. E uma vez esta
exterminada (e parte da população também à conta da resultante fome ou vagas de
emigração) pode-se criar uma economia nova, já não baseada na redistribuição da
riqueza produzida mas no trabalho escravo – muito mais barato e gerador de
muito maiores lucros – nas chamadas sweat-shops,
ou seja fábricas movidas a suor e sangue, que é um combustível que nem precisa
de ser pago nem nada. Assim, mal a Tripeça entrou no Principado, os índices
económicos vieram por aí abaixo, como se previa no roteiro de intervenção, as
couves-de-bruxelas perderam todos os direitos laborais e civis, passaram a
trabalhar de borla e a cultivarem os seus almoços que deverão trazer para os
gestores das firmas (sedeados algures fora do reino), ou seja, deixou de haver
salários, o que de imediato se reflectiu nos cofres-fortes secretos do Cantão
dos Queijos. Não é assim de estranhar que os mercados ficassem muito confusos
quando se soube que os parlamentares e outros líderes de grande
respeitabilidade aprovaram em sessão plenária a manutenção dos seus salários e
pensões – perdão, subvenções eternas, com transferência automática para
descendentes e afilhados por morte do titular – enquanto para os restantes
cidadãos se decretou que agora tinham eles de pagar pelo privilégio de poderem trabalhar.
De facto, num país com 90% de desempregados, trabalhar é mesmo um privilégio.
Os mercados temem que o Principado das Couves-de-Bruxelas esteja de novo a
enveredar por uma via despesista em vez de fazer as sempre adiadas reformas
(que de tão adiadas já ninguém se lembra o que deveriam reformar) mas os chefes
governativos do Principado já vieram esclarecer que os pagamentos dos
trabalhadores para terem o privilégio de trabalhar mais do que cobre os gastos
com a manutenção dos salários e pensões, perdão, subvenções, dos políticos e
até geram um encaixe nos cofres públicos de alguns milhões de conquilhas, muito
necessários para pagar os juros a 300% dos empréstimos da Tripeça. Acalmados os
mercados, houve grande surpresa quando logo a seguir o índice de desemprego
subiu para os 98%, o que levou o governo do Principado a acusar os seus
cidadãos remanescentes (após a promulgação do decreto “pagar pelo direito de
trabalhar”, multidões rumaram à fronteira para emigrarem o mais depressa
possível, esborrachado os alfandegários que tentaram pôr cobro à debandada) de
serem uns calinas e piegas, não quererem trabalhar mas apenas receber subsídios
sem dobrar a mola O enviado deste jornal ao Principado das Couves-de-Bruxelas
foi sondar a opinião pública e, com minúsculas variações, poderia sintetizar-se
a voz do povo em: “até gostaríamos de pagar para trabalhar mas está a ver, há
muito tempo que os salários se extinguiram, não temos mais conquilhas, se
queremos alguma coisa trocamos o que há em casa com os vizinhos, como podemos
agora dar conquilhas ao patrão se não vemos nenhuma há quase 1 ano?” Se isto é
verdade, não foi possível apurar mas o nosso repórter constatou que de facto
nos mercados já não se vê sequer minúscula conquilha bebé furada, nem tão-pouco
uma meia casca, os negócios fazem-se todos troca por troca Podem assim ficar
descansados os investidores, os mercados do Principado das Couves-de-Bruxelas
ainda mexem.
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