Notícias do nosso correspondente
económico (porque não lhe pagamos salário) na Feira dos Caídos dão conta duma
grande barafunda entre vendedores e compradores de nabos com bicho e pilecas
velhas engraxadas para parecerem novas. Até hoje de manhã todos diziam que os
nabos estavam em franca recuperação e podiam de novo ser apresentados ao
mercado, o que aliviaria em muito as contas da República dos Nabos. Era o que
se dizia. Agora já ninguém sabe o que se deve dizer ou o que se deve esperar da
cotação dos nabos e respectivos bichos. É que os mercadores do Arquipélago do
Chá e da República Federal das Batatas, que têm andado a comprar nabos e bichos
como se fosse esta a última safra do mundo, e por isso têm levado os outros
comerciantes a pensar que a crise já saiu do nabal e agora vale a pena apostar
nos nabos, chegaram à Feira dos Caídos e venderam todos os nabos e bichos que
tinham em carteira, isto é, nos seirões e alforjes dos burros. Foi um choque
para os mercados! Alguns mercadores mais dados aos jogos de azar e especulação
desataram a comprar a mercadoria dos batatenses e dos súbditos do chá mas os
outros estão agora a ver se se desfazem da safra de nabos que tinham comprado
nos leilões anteriores. Pela calada, para não darem nas vistas e afastarem a
clientela, que já começa a interrogar-se se o bicho no nabal não se tornou
praga para ficar. Prevêem-se grandes sobressaltos nas próximas feiras e
mercados locais, estejam atentos aos boletins de pancadaria. Porque isto vai
aquecer, ah vai…
A escassos dias da chegada à
linha de meta na corrida eleitoral na República das Batatas, a antiga-
nova líder Totiço Despenteado/Mãos de Diamante proferiu um
discurso onde foram enunciados os novos planos de governo, não da República das
Batatas mas da União das Hortaliças, pois quem manda no pilim é quem manda na
casa. Tem sido uma corrida cheia de acidentes e incidentes, em que um dos
maiores problemas que se colocam aos eleitores não são os mini-jobs nem a
confusão geral na União das Hortaliças mas… as mãos de diamante da Totiço
Despenteado. Além disso, como noticiámos, também um dos candidatos surpreendeu
de repente tudo e todos ao esclarecer a sua equipa de atletismo que não estava
a correr para se tornar chanceler mas para ser palhaço, o que provocou
embaraços aos eleitores e a necessidade de uma reestruturação urgente da equipa
competidora, tal e qual como a dita equipa tem aconselhado às economias de toda
a União e que origina sempre o encerramento de fábricas ou o despedimento sem
aviso de milhares de operários; claro que, quando chegou a vez de aplicar a
receita a eles próprios o processo se verificou de repente muito mais
complicado e neste momento mantêm ainda o candidato a palhaço na corrida,
esperando fazer os reajustamentos depois do encerramento da competição.
Contudo, indiferente a tudo isto, a seríssima Totiço Despenteado, para mostrar
que não vai em palhaçadas e é uma pessoa séria que conhece bem o peso das suas
responsabildiades, decidiu dar um sermão à União das Hortaliças e em especial
aos anarcas sulistas, até porque teve já grande prática, dado que lá em casa o
pai os oferecia aos paroquianos todos os domingos. Depois do sermão,
subordinado ao tema: “Estou convencida de que não faremos uma Europa mais forte
se formos indulgentes uns com os outros”, a União das Hortaliças reuniu em
plenário e decidiu aprovar legislação em conformidade com este lema, a qual
entra de imediato em vigor. Assim, a partir de hoje passarão os cidadãos – e
também os infra-cidadãos – da União das Hortaliças a transportar
obrigatoriamente consigo, varas de jogo do pau, pistolas automáticas ou AK-47
(dependendo dos gostos e da dimensão da carteira), catanas e navalhas de
ponta-e-mola, para que não caiam na tentação de serem indulgentes com algum
outro cidadão mais necessitado, menos activo muscularmente, mais lerdo das
ideias ou simplesmente preguiçoso. Nesta União das Hortaliças, onde o novo mote
é a desunião e cada um tem de ser por si, já que Deus há muito foi para férias
e não pretende regressar, tornou-se a partir de hoje ilegal qualquer sentimento
de boa-vontade, solidariedade ou indulgência. Haverá contudo importantes
excepções, para descanso dos modestos, labutadores e honestos e cidadãos da
República Federal das Batatas. Assim, na República dos Nabos, recreio de férias
da União, os nabos, embora estando todos ansiosamente à espera de limpar os
grelos e esfregar a pele das batatas, estão proibidos de possuir qualquer arma,
mesmo que seja apenas uma carteira recheada de notas. Do mesmo modo, para não
causar perturbações à lei nem incomodarem as visitas, os nabos pobres e
escanzelados serão acantonados em campos de concentração e aí trabalharem
finalmente para o bem comum. O governo do nabal, tendo em mente a felicidade
dos futuros turistas, requereu já um subsídio para a criação dos campos de
concentração. Mas como na União é agora proibido ser indulgente até com os
santos, da Capital do Tacho veio já a resposta de que não haverá subsídio e terão
de ser os próprios prisioneiros a construir os campos e a encarcerar-se lá
dentro.
nova líder Totiço Despenteado/Mãos de Diamante proferiu um
discurso onde foram enunciados os novos planos de governo, não da República das
Batatas mas da União das Hortaliças, pois quem manda no pilim é quem manda na
casa. Tem sido uma corrida cheia de acidentes e incidentes, em que um dos
maiores problemas que se colocam aos eleitores não são os mini-jobs nem a
confusão geral na União das Hortaliças mas… as mãos de diamante da Totiço
Despenteado. Além disso, como noticiámos, também um dos candidatos surpreendeu
de repente tudo e todos ao esclarecer a sua equipa de atletismo que não estava
a correr para se tornar chanceler mas para ser palhaço, o que provocou
embaraços aos eleitores e a necessidade de uma reestruturação urgente da equipa
competidora, tal e qual como a dita equipa tem aconselhado às economias de toda
a União e que origina sempre o encerramento de fábricas ou o despedimento sem
aviso de milhares de operários; claro que, quando chegou a vez de aplicar a
receita a eles próprios o processo se verificou de repente muito mais
complicado e neste momento mantêm ainda o candidato a palhaço na corrida,
esperando fazer os reajustamentos depois do encerramento da competição.
Contudo, indiferente a tudo isto, a seríssima Totiço Despenteado, para mostrar
que não vai em palhaçadas e é uma pessoa séria que conhece bem o peso das suas
responsabildiades, decidiu dar um sermão à União das Hortaliças e em especial
aos anarcas sulistas, até porque teve já grande prática, dado que lá em casa o
pai os oferecia aos paroquianos todos os domingos. Depois do sermão,
subordinado ao tema: “Estou convencida de que não faremos uma Europa mais forte
se formos indulgentes uns com os outros”, a União das Hortaliças reuniu em
plenário e decidiu aprovar legislação em conformidade com este lema, a qual
entra de imediato em vigor. Assim, a partir de hoje passarão os cidadãos – e
também os infra-cidadãos – da União das Hortaliças a transportar
obrigatoriamente consigo, varas de jogo do pau, pistolas automáticas ou AK-47
(dependendo dos gostos e da dimensão da carteira), catanas e navalhas de
ponta-e-mola, para que não caiam na tentação de serem indulgentes com algum
outro cidadão mais necessitado, menos activo muscularmente, mais lerdo das
ideias ou simplesmente preguiçoso. Nesta União das Hortaliças, onde o novo mote
é a desunião e cada um tem de ser por si, já que Deus há muito foi para férias
e não pretende regressar, tornou-se a partir de hoje ilegal qualquer sentimento
de boa-vontade, solidariedade ou indulgência. Haverá contudo importantes
excepções, para descanso dos modestos, labutadores e honestos e cidadãos da
República Federal das Batatas. Assim, na República dos Nabos, recreio de férias
da União, os nabos, embora estando todos ansiosamente à espera de limpar os
grelos e esfregar a pele das batatas, estão proibidos de possuir qualquer arma,
mesmo que seja apenas uma carteira recheada de notas. Do mesmo modo, para não
causar perturbações à lei nem incomodarem as visitas, os nabos pobres e
escanzelados serão acantonados em campos de concentração e aí trabalharem
finalmente para o bem comum. O governo do nabal, tendo em mente a felicidade
dos futuros turistas, requereu já um subsídio para a criação dos campos de
concentração. Mas como na União é agora proibido ser indulgente até com os
santos, da Capital do Tacho veio já a resposta de que não haverá subsídio e terão
de ser os próprios prisioneiros a construir os campos e a encarcerar-se lá
dentro.
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