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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Notícias do nosso correspondente económico (porque não lhe pagamos salário) na Feira dos Caídos dão conta duma grande barafunda entre vendedores e compradores de nabos com bicho e pilecas velhas engraxadas para parecerem novas. Até hoje de manhã todos diziam que os nabos estavam em franca recuperação e podiam de novo ser apresentados ao mercado, o que aliviaria em muito as contas da República dos Nabos. Era o que se dizia. Agora já ninguém sabe o que se deve dizer ou o que se deve esperar da cotação dos nabos e respectivos bichos. É que os mercadores do Arquipélago do Chá e da República Federal das Batatas, que têm andado a comprar nabos e bichos como se fosse esta a última safra do mundo, e por isso têm levado os outros comerciantes a pensar que a crise já saiu do nabal e agora vale a pena apostar nos nabos, chegaram à Feira dos Caídos e venderam todos os nabos e bichos que tinham em carteira, isto é, nos seirões e alforjes dos burros. Foi um choque para os mercados! Alguns mercadores mais dados aos jogos de azar e especulação desataram a comprar a mercadoria dos batatenses e dos súbditos do chá mas os outros estão agora a ver se se desfazem da safra de nabos que tinham comprado nos leilões anteriores. Pela calada, para não darem nas vistas e afastarem a clientela, que já começa a interrogar-se se o bicho no nabal não se tornou praga para ficar. Prevêem-se grandes sobressaltos nas próximas feiras e mercados locais, estejam atentos aos boletins de pancadaria. Porque isto vai aquecer, ah vai…

A escassos dias da chegada à linha de meta na corrida eleitoral na República das Batatas, a antiga-
nova líder Totiço Despenteado/Mãos de Diamante proferiu um discurso onde foram enunciados os novos planos de governo, não da República das Batatas mas da União das Hortaliças, pois quem manda no pilim é quem manda na casa. Tem sido uma corrida cheia de acidentes e incidentes, em que um dos maiores problemas que se colocam aos eleitores não são os mini-jobs nem a confusão geral na União das Hortaliças mas… as mãos de diamante da Totiço Despenteado. Além disso, como noticiámos, também um dos candidatos surpreendeu de repente tudo e todos ao esclarecer a sua equipa de atletismo que não estava a correr para se tornar chanceler mas para ser palhaço, o que provocou embaraços aos eleitores e a necessidade de uma reestruturação urgente da equipa competidora, tal e qual como a dita equipa tem aconselhado às economias de toda a União e que origina sempre o encerramento de fábricas ou o despedimento sem aviso de milhares de operários; claro que, quando chegou a vez de aplicar a receita a eles próprios o processo se verificou de repente muito mais complicado e neste momento mantêm ainda o candidato a palhaço na corrida, esperando fazer os reajustamentos depois do encerramento da competição. Contudo, indiferente a tudo isto, a seríssima Totiço Despenteado, para mostrar que não vai em palhaçadas e é uma pessoa séria que conhece bem o peso das suas responsabildiades, decidiu dar um sermão à União das Hortaliças e em especial aos anarcas sulistas, até porque teve já grande prática, dado que lá em casa o pai os oferecia aos paroquianos todos os domingos. Depois do sermão, subordinado ao tema: “Estou convencida de que não faremos uma Europa mais forte se formos indulgentes uns com os outros”, a União das Hortaliças reuniu em plenário e decidiu aprovar legislação em conformidade com este lema, a qual entra de imediato em vigor. Assim, a partir de hoje passarão os cidadãos – e também os infra-cidadãos – da União das Hortaliças a transportar obrigatoriamente consigo, varas de jogo do pau, pistolas automáticas ou AK-47 (dependendo dos gostos e da dimensão da carteira), catanas e navalhas de ponta-e-mola, para que não caiam na tentação de serem indulgentes com algum outro cidadão mais necessitado, menos activo muscularmente, mais lerdo das ideias ou simplesmente preguiçoso. Nesta União das Hortaliças, onde o novo mote é a desunião e cada um tem de ser por si, já que Deus há muito foi para férias e não pretende regressar, tornou-se a partir de hoje ilegal qualquer sentimento de boa-vontade, solidariedade ou indulgência. Haverá contudo importantes excepções, para descanso dos modestos, labutadores e honestos e cidadãos da República Federal das Batatas. Assim, na República dos Nabos, recreio de férias da União, os nabos, embora estando todos ansiosamente à espera de limpar os grelos e esfregar a pele das batatas, estão proibidos de possuir qualquer arma, mesmo que seja apenas uma carteira recheada de notas. Do mesmo modo, para não causar perturbações à lei nem incomodarem as visitas, os nabos pobres e escanzelados serão acantonados em campos de concentração e aí trabalharem finalmente para o bem comum. O governo do nabal, tendo em mente a felicidade dos futuros turistas, requereu já um subsídio para a criação dos campos de concentração. Mas como na União é agora proibido ser indulgente até com os santos, da Capital do Tacho veio já a resposta de que não haverá subsídio e terão de ser os próprios prisioneiros a construir os campos e a encarcerar-se lá dentro.

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