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| blog amaral marques |
Perante as dificuldades
crescentes do mercado de trabalho, e das fugas de alunos para outras paragens,
a escola de futebol “Pés Tortos” decidiu responder à crise promovendo cursos
para duplo emprego, caso os candidatos não dêem uma para a caixa e em vez de
acertarem na baliza atinjam o holofote do estádio (que está a mais das vezes
apagado por esse motivo embora as más-línguas digam que é das contas da
electricidade em atraso). Como as carreiras com mais saída são as de diplomata
– sai-se quase sempre para o estrangeiro – seguidas das de gestor, começou a
“Pés Tortos” por criar um projecto-piloto em Relações Internacionais/Futebol,
dado que o futebol, dizem, é o melhor embaixador dos nabos. Estão assim abertas
as inscrições para os cursos de Cônsul ponta de lança, Embaixador guarda-redes,
Adido cultural meio-campo e Oficial de liaison
fiscal-de-linha. Prevê-se assim garantir aos alunos um futuro milionário, em
especial se forem bem sucedidos no jogo da bola. Caso não o sejam sempre podem
viajar em classe executivo como representantes oficiais do país e conhecer
capitais de exóticos países ou apertar as mãos da realeza, tal e qual como um
craque a sério, com a desvantagem de terem menor salário e mais tempo de espera
pela reforma. Contudo, e para os mais empreendedores, as malas diplomáticas
sempre podem servir para iniciar start-ups,
como sociedades de importação/exportação de artigos de luxo sem passar pela
chatice das alfândegas e taxas de importação, serviços de estafeta de
dinheiros, jóias ou obras de arte que se desejem fazer sair discretamente para
cofres no cantão dos Queijos, ou prestar serviços de intermediação financeira,
em especial no envio de divisas limpas ou sujas para bancos da especialidade.
As propinas são elevadas mas a qualidade de ensino justifica-as: os alunos
poderão participar em eventos diplomáticos como regatas do jet-set, passagens de modelos, casamentos reais, reuniões de alto
nível na União das Hortaliças, treinos com as grandes equipas de futebol da
União das Hortaliças, frequência de cursos de arbitragem e de espionagem, entre
outra formação de grande importância (como por exemplo emborcar sem que ninguém
veja a comida dos cocktails em saquinhos levados para o efeito, ou como usar a
imunidade diplomática para iniciar certos negócios interessantes…). Os
primeiros doutorados pela escola “Pés Tortos” encontraram já todos colocação no
mercado de trabalho, sendo de realçar entre os casos de maior sucesso o Ronaldo
futebolista e o Nabo-Duro, que é já apelidado de “Ronaldo da diplomacia da
União das Hortaliças”, segundo a avalizada opinião de peritos internacionais, o
que aliás motivou um protesto do Ronaldo-futebolista porque o Nabo-Duro,
declarou ele aos repórteres, era um azelha tão grande que partiu todos os
vidros no quarteirão onde se situava a escola e foi o responsável por esta ter
de mudar de local e envergar agora o nome de “Pés Tortos”. Com ou sem pés
tortos, a verdade é que Nabo-Duro é posto em pé de igualdade com o Ronaldo
embora daí não venha grande felicidade à República dos Nabos, onde ambos
nasceram. Caso para dizer: de nabos como estes estamos nós bem aviados.

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