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quarta-feira, 23 de outubro de 2013


blog amaral marques
Perante as dificuldades crescentes do mercado de trabalho, e das fugas de alunos para outras paragens, a escola de futebol “Pés Tortos” decidiu responder à crise promovendo cursos para duplo emprego, caso os candidatos não dêem uma para a caixa e em vez de acertarem na baliza atinjam o holofote do estádio (que está a mais das vezes apagado por esse motivo embora as más-línguas digam que é das contas da electricidade em atraso). Como as carreiras com mais saída são as de diplomata – sai-se quase sempre para o estrangeiro – seguidas das de gestor, começou a “Pés Tortos” por criar um projecto-piloto em Relações Internacionais/Futebol, dado que o futebol, dizem, é o melhor embaixador dos nabos. Estão assim abertas as inscrições para os cursos de Cônsul ponta de lança, Embaixador guarda-redes, Adido cultural meio-campo e Oficial de liaison fiscal-de-linha. Prevê-se assim garantir aos alunos um futuro milionário, em especial se forem bem sucedidos no jogo da bola. Caso não o sejam sempre podem viajar em classe executivo como representantes oficiais do país e conhecer capitais de exóticos países ou apertar as mãos da realeza, tal e qual como um craque a sério, com a desvantagem de terem menor salário e mais tempo de espera pela reforma. Contudo, e para os mais empreendedores, as malas diplomáticas sempre podem servir para iniciar start-ups, como sociedades de importação/exportação de artigos de luxo sem passar pela chatice das alfândegas e taxas de importação, serviços de estafeta de dinheiros, jóias ou obras de arte que se desejem fazer sair discretamente para cofres no cantão dos Queijos, ou prestar serviços de intermediação financeira, em especial no envio de divisas limpas ou sujas para bancos da especialidade. As propinas são elevadas mas a qualidade de ensino justifica-as: os alunos poderão participar em eventos diplomáticos como regatas do jet-set, passagens de modelos, casamentos reais, reuniões de alto nível na União das Hortaliças, treinos com as grandes equipas de futebol da União das Hortaliças, frequência de cursos de arbitragem e de espionagem, entre outra formação de grande importância (como por exemplo emborcar sem que ninguém veja a comida dos cocktails em saquinhos levados para o efeito, ou como usar a imunidade diplomática para iniciar certos negócios interessantes…). Os primeiros doutorados pela escola “Pés Tortos” encontraram já todos colocação no mercado de trabalho, sendo de realçar entre os casos de maior sucesso o Ronaldo futebolista e o Nabo-Duro, que é já apelidado de “Ronaldo da diplomacia da União das Hortaliças”, segundo a avalizada opinião de peritos internacionais, o que aliás motivou um protesto do Ronaldo-futebolista porque o Nabo-Duro, declarou ele aos repórteres, era um azelha tão grande que partiu todos os vidros no quarteirão onde se situava a escola e foi o responsável por esta ter de mudar de local e envergar agora o nome de “Pés Tortos”. Com ou sem pés tortos, a verdade é que Nabo-Duro é posto em pé de igualdade com o Ronaldo embora daí não venha grande felicidade à República dos Nabos, onde ambos nasceram. Caso para dizer: de nabos como estes estamos nós bem aviados.

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