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domingo, 20 de outubro de 2013

O amado líder do País dos Turbantes está muito deprimido. Foi-lhe feita uma terrível injustiça! Não é que a guerra civil no país lhe esteja a correr mal. Em termos de guerra ele e os amigos que se distraem a dar tiros do outro lado das trincheiras, barricadas e casas alagadas, já conseguiram destruir todas as cidades do país (agora existem, para alegria de futuros turistas e construtores, pitorescos destroços). Também deitaram borda fora milhões de súbditos que estavam lá a mais, o que ficará muito bem na redução da taxa de desemprego e despesa do Estado. Ao mesmo tempo, e porque o grande líder tem sempre o povo no seu coração, obrigaram-se os teimosos que não querem partir a tirar férias à força, proporcionando magníficas deslocações através do país para osa levarem a conhecer as maravilhas dos meditativos desertos locais, embora os ingratos sortudos digam que passeiam mas é para fugir às balas e às bombinhas de mau cheiro que matam que se fartam. Não, apesar das bombas de mau cheiro, que quase iam pondo ursos e hambúrgueres ao estalo precisamente no território dos turbantes (e todos sabem como é complicado duas guerras decorrerem no mesmo espaço pois às duas por três já ninguém sabe quem é o inimigo e atira-se a tudo o que mexe) a guerra corre-lhe muito bem. A grande tristeza do Grande Líder é que os injustos do comité do Nobel para o Ditador de Sucesso, não lhe deram o prémio. Quando soube que o dito cujo fora para o querido Pupu, o Grande Líder desfez-se em lágrimas e nem o facto do Pupu ser um seu grande amigo o consolou da derrota. Então, pode lá ser-se um ditador melhor-sucedido do que alguém que após dois anos contínuos de traulitada se mantém mais agarrado ao poder do que mexilhão à rocha em dia de calmaria? Alguém que conseguiu destruir todas as cidades e aldeias do país e expulsar o indesejável povinho ingrato para o estrangeiro? Alguém que bombardeia alegremente hospitais – competindo com os adversários neste campeonato, devidamente assinalado nas paredes dos quartéis-generais com pauzinhos traçados a preto por cada um que é deitado abaixo – e tira de lá doentes para os matar no meio da rua? Ou que mata e tortura médicos para que estes não sejam parvos mas bazem p’ra casa descansar em vez de teimarem cumprir o “dever profissional”? Que injustiça! O querido e amado Grande Líder não aguentou e desabou por cima duma bela otomana bem estofada a brocado e veludo, chorando como na primária, quando a professora lhe pusera umas orelhas de burro. As criancinhas ficaram tão impressionadas com a tristeza do Grande Líder que vieram para a rua com bandeirinhas pintadas na cara e abanos com a amada fronha do Grande Líder estampada às cores, escoltadas por soldados que timidamente não ficaram nas fotografias, os quais as animavam dizendo que se não agitassem bem os abanos nem gritassem protestos que se ouvissem ao fundo da avenida, os pais e os irmãos iriam aprender a dançar ao ritmo das kalashnikov e AK-57. E as crianças gritaram expontaneamente “viva o nosso amado Grande Líder, o anjo salvador da pátria” e “discriminação, discriminação, não queremos cá Nóbeis, não”. Porque só pode ser discriminação, não o terem eleito. Como se o Pupu fosse melhor que ele! E o prémio vinha mesmo a calhar para endireitar as contas da guerra e comprar ao Império do Chá, ou quiçá à República Federal das Batatas, assim uns mísseizitos, mais umas bombinhas de mau cheiro última geração com capacidade para matar tudo o que respira num raio de 20 kms… Que grande maldade!....

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