Número total de visualizações de páginas

sábado, 12 de outubro de 2013

O Director-Geral das Finanças do Céu expressou ontem a sua indignação com o fisco da República dos Nabos, desencadeando uma tempestade das antigas sobre o nabal, por mor do ofício das Finanças Nabense que exige a todos os mortos que compareçam na respectiva repartição de finanças para regularizarem as suas contribuições de IRS, IRC, IVA, IMI, IUC, IMT, Imposto de Selo, Imposto Especial de Consumo, Segurança Social, Direito Sucessório, Tributação Autónoma e diversos outros impostos e taxas, nacionais e autárquicas, dado estarem a baldar-se às ditas mais de um ano. Se não comparecerem, avisa o ofício, as esposas, filhos deficientes e outros dependentes terão integralmente cortadas as pensões de sobrevivência e também as próprias até perfazer o montante em falta. Caso as reformas sejam de miséria, os conjugues dos mortos faltosos serão obrigados a trabalhar em regime forçado – como os médicos, enfermeiros e alunos do Uzbekistão na apanha do algodão – até o seu trabalho, após desconto dos gastos do Estado com o seu alojamento, comida (que contudo os forçados deverão arranjar do seu bolso, mesmo que nada tenham no dito) e utensílios de trabalho, perfazer os montantes em falta. Esta comunicação causou grande indignação nas nuvens pois é suposto os habitantes celestiais serem exemplares em tudo, até mesmo nas suas contas com o fisco, por mais rapace que este último seja. Pior ainda, no topo da lista vinham os nomes de alguns carismáticos líderes, como Moisés (a quem, além dos supra-citados impostos, era taxado o Imposto Devido ao Templo, Imposto de Uso de Material Combustível e Sarças Ardentes, Imposto Por Ter Casado e Vivido no Estrangeiro, etc.), Maomé que, entre outros impostos tinha de regularizar o Imposto de Comércio, Imposto por Caravanas de Camelos, Imposto por Proteger Gatos, Imposto por Posse de Exército Pessoal “como aliás também Moisés”, etc.) e Buda, o qual além de numerosos impostos exóticos, tem em atraso o Imposto do Elefante Branco. Cristo foi taxado com o Imposto por Fazer Milagres, Imposto de Sudário, Imposto por Exercer Ofício de Padeiro e de Pescador Sem Licença, Imposto por Vandalizar Bancas de Cambistas. Com a excepção de Buda, que encolheu os ombros e disse para não se preocuparem pois tudo é ilusão e mudança, continuando calmamente sentado na sua flor de lótus a falar para os doze animais do Zodíaco, que são os únicos que o ouvem, os restantes líderes ficaram muito indignados e pediram uma audiência ao chefe do Paraíso. Maomé declarou que era um homem de paz mas estavam a insultar os seus muitos milhões de seguidores, donde ia promulgar uma fatwa a exigir uma jihad. Moisés elevou mãos e bastão ao alto, queixando-se que andavam mais uma vez a perseguir deliberadamente os judeus e Cristo disse que já dera a César o que era de César, não tinha nada que dar aos nabos aquilo que era do Pai e se continuassem a chateá-lo com impostos ia lá abaixo e punha tudo em cacos, momento em que Moisés se meteu ao barulho, para dizer que não podia fazê-lo pois se ele era o Messias, quando regressasse à terra tinha era de pacificar tudo e dar a comer aos povos o leviatã e o grande touro vermelho, era o que estava nas escrituras sobre o Olam Ha-Bav. Cristo e Moisés pegaram-se de razões em aramaico antigo sobre os estatutos do Olam Ha-Bav, o que pôs Maomé fora de terreiro porque não fala aramaico antigo. Deus viu-se aflito para acalmar os seus profetas e ainda mais à rasca se viu com o resto dos súbditos, pois até os nabos seguidores de Buda estão muito melindrados, ignorando em absoluto os conselhos do Mestre. Xiva é que ficou todo feliz e pôs-se dançar a dança da destruição enquanto abria o seu terceiro olho, embora o fechasse logo a seguir porque Deus lhe deu uma lambada em cheio na pupila, o fim do mundo ainda não é p’ra já. O tumulto, que tem gerado tornados, trovadas, tufões, quedas de granizo e sapos e outros desmandos climáticos, ainda não foi aplacado. No Inferno a mesma pretensão do fisco nabense causou gargalhada geral entre diabos e hóspedes e o chefe da banda enviou o seguinte email que atravessou todas as firewalls: “Acusamos a recepção do vosso ofício e vimos por este meio declarar toda a nossa colaboração para satisfazer a vossa lunática exigência. Mas como os transportes estão caros e antes que por aqui também chegue a crise decidimos começar a poupar, façam o favor de vir cá recolher o guito. Estaremos ansiosamente à vossa espera com forquilhas, aguilhões, instrumentos de tortura ao gosto do freguês, baldes de pez ardente, bombas de napalm, lança-chamas e outros objectos contundentes para no melhor dos nossos esforços vos oferecer a hospitalidade do nosso ardente reino. Tragam por favor bifanas de porco e um bom tinto para fazermos uma churrascada. Caso não haja bifanas, podemos grelhar-vos a vós próprios. Com os nossos reconhecidos e sinceros votos de vos ver por cá em breve, Satã”.

Sem comentários:

Enviar um comentário