Surgem casos algo extraordinários
na República dos Nabos, que acordam memórias dos fenómenos do Entroncamento.
Desta vez o fenómeno ocorreu com o chefe do nabal, sua excelência Nabo-Mor,
reputado professor de economia de carreira, e economista com grande sucesso
pessoal como atestam as suas contas bancárias, carteiras de acções e os exactos
momentos e condições em que as adquire e posteriormente vende. O nabal olha
para ele como a fonte da sabedoria quando deseja compreender o que se passa
pelos mercados, porque razão a nabiça baixa, o grelo sobe e não importa quais
sejam as subidas e descidas, a carteira dos nabos está sempre e cada vez mais
vazia. Até agora tudo tem sido explicado: os nabos são uns madraços, deram uma
de novos-ricos, era preciso fazer um ajustamento estrutural na água de regadio dos
canteiros, os mercados tiveram uma crise de acne… Mas eis que, em visita aos
países do Norte, o Nabo-Mor declarou estar muito confuso com os mercados, que
teimavam comprar os nabos a preço inferior ao custo de produção, dando grandes
prejuízos ao agricultor. Só podia ser coisa de masoquistas dado que a crise e o
bicho nos nabos eram já coisa do passado, a atitude dos especuladores era
absolutamente incompreensível, ele sentia-se muito ofendido com tal estado de
coisas. O rei do país anfitrião franziu o sobrolho e discretamente mandou
averiguar se as amêijoas, dado que o hóspede se empanturrara à grande com elas,
não estariam estragadas ou algum improvável agente estrangeiro não teria
injectado nas ditas um psicotrópico ou quiçá veneno, mas as análises deram
resultado negativo. Pôs-se a hipótese de, estando para breve o arrancar do
Nabo-Mor do seu doce canteiro, não andaria este a treinar para bobo, o que fará
mui menos mossa aos nabos embora possa revelar-se profissão difícil pois estes
ramalhudos súbditos há muito perderam a vontade de rir, e o candidato é um
notório nabo-cara-de-pau. Assim que os repórteres foram mandados para a cozinha
do palácio, quatro enfermeiros caíram em cima do chefe do nabal – o que
configurou um incidente diplomático em tudo semelhante ao que opõe o nabal à
República dos Cocos – levando-o numa camisa de forças para o hospício mais
próximo para procederem a extensa bateria de testes com vista a averiguar a
natureza e grau da psicose do chefe do nabal. Felizmente para os nabos, o
mistério adensou-se. Porque após todos os testes, e depois de sua repetição
pois ninguém acreditou nos primeiros resultados, ficou confirmado. O Nabo-Mor
não tinha psicose nenhuma nem estivera sob influência de drogas alucinogéneas.
O Nabo-Mor acreditava piamente no que dissera. O rei do Norte teve grande
dificuldade em acalmar o susceptível convidado que só por lhe lançarem piropos
tem o habito de mandar prender e pôr em tribunal o engraçadinho, o que não
deverá admirar ninguém se ele agora também diz que se sente muito sozinho e
incompreendido pelos súbditos. De facto só o acalmou após oferecer-lhe um bom
naco de acções de empresas de sucesso, o que este monarca nortenho conseguiu
após suar as estopinhas em muitos telefonemas para convencer accionistas
recalcitrantes, tendo de apelar aos seus brios patrióticos para livrarem o
reino dum desagradável desaguizado entre chancelarias. No nabal as declarações
do rei, desculpem, de sua excelência Nabo-Mor, também causaram perplexidade,
acabando por se concluir que talvez o douto nabo tenha perdido as acções de
formação sobre instrumentos financeiros que originaram a recente crise de acne
nos mercados. Desejando contribuir para o reforço financeiro, perdão, académico
da prestigiosa carreira do Nabo, a Casa da Presidência Nabal abriu já
inscrições para o posto de explicador privativo de economia. Dado o invejável
currículo do explicando na área económica, só se aceitam candidatos laureados
com o Prémio Nobel nessa nobre e não menos cabalística ciência. Entretanto, no
regresso a casa, o Nabo-Mor perdeu-se e encontra-se neste momento algures à
beira duma estrada, polegar para cima a pedir boleia, interpelando os
motoristas que param sobre qual o caminho para o mercado mais próximo.Número total de visualizações de páginas
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Surgem casos algo extraordinários
na República dos Nabos, que acordam memórias dos fenómenos do Entroncamento.
Desta vez o fenómeno ocorreu com o chefe do nabal, sua excelência Nabo-Mor,
reputado professor de economia de carreira, e economista com grande sucesso
pessoal como atestam as suas contas bancárias, carteiras de acções e os exactos
momentos e condições em que as adquire e posteriormente vende. O nabal olha
para ele como a fonte da sabedoria quando deseja compreender o que se passa
pelos mercados, porque razão a nabiça baixa, o grelo sobe e não importa quais
sejam as subidas e descidas, a carteira dos nabos está sempre e cada vez mais
vazia. Até agora tudo tem sido explicado: os nabos são uns madraços, deram uma
de novos-ricos, era preciso fazer um ajustamento estrutural na água de regadio dos
canteiros, os mercados tiveram uma crise de acne… Mas eis que, em visita aos
países do Norte, o Nabo-Mor declarou estar muito confuso com os mercados, que
teimavam comprar os nabos a preço inferior ao custo de produção, dando grandes
prejuízos ao agricultor. Só podia ser coisa de masoquistas dado que a crise e o
bicho nos nabos eram já coisa do passado, a atitude dos especuladores era
absolutamente incompreensível, ele sentia-se muito ofendido com tal estado de
coisas. O rei do país anfitrião franziu o sobrolho e discretamente mandou
averiguar se as amêijoas, dado que o hóspede se empanturrara à grande com elas,
não estariam estragadas ou algum improvável agente estrangeiro não teria
injectado nas ditas um psicotrópico ou quiçá veneno, mas as análises deram
resultado negativo. Pôs-se a hipótese de, estando para breve o arrancar do
Nabo-Mor do seu doce canteiro, não andaria este a treinar para bobo, o que fará
mui menos mossa aos nabos embora possa revelar-se profissão difícil pois estes
ramalhudos súbditos há muito perderam a vontade de rir, e o candidato é um
notório nabo-cara-de-pau. Assim que os repórteres foram mandados para a cozinha
do palácio, quatro enfermeiros caíram em cima do chefe do nabal – o que
configurou um incidente diplomático em tudo semelhante ao que opõe o nabal à
República dos Cocos – levando-o numa camisa de forças para o hospício mais
próximo para procederem a extensa bateria de testes com vista a averiguar a
natureza e grau da psicose do chefe do nabal. Felizmente para os nabos, o
mistério adensou-se. Porque após todos os testes, e depois de sua repetição
pois ninguém acreditou nos primeiros resultados, ficou confirmado. O Nabo-Mor
não tinha psicose nenhuma nem estivera sob influência de drogas alucinogéneas.
O Nabo-Mor acreditava piamente no que dissera. O rei do Norte teve grande
dificuldade em acalmar o susceptível convidado que só por lhe lançarem piropos
tem o habito de mandar prender e pôr em tribunal o engraçadinho, o que não
deverá admirar ninguém se ele agora também diz que se sente muito sozinho e
incompreendido pelos súbditos. De facto só o acalmou após oferecer-lhe um bom
naco de acções de empresas de sucesso, o que este monarca nortenho conseguiu
após suar as estopinhas em muitos telefonemas para convencer accionistas
recalcitrantes, tendo de apelar aos seus brios patrióticos para livrarem o
reino dum desagradável desaguizado entre chancelarias. No nabal as declarações
do rei, desculpem, de sua excelência Nabo-Mor, também causaram perplexidade,
acabando por se concluir que talvez o douto nabo tenha perdido as acções de
formação sobre instrumentos financeiros que originaram a recente crise de acne
nos mercados. Desejando contribuir para o reforço financeiro, perdão, académico
da prestigiosa carreira do Nabo, a Casa da Presidência Nabal abriu já
inscrições para o posto de explicador privativo de economia. Dado o invejável
currículo do explicando na área económica, só se aceitam candidatos laureados
com o Prémio Nobel nessa nobre e não menos cabalística ciência. Entretanto, no
regresso a casa, o Nabo-Mor perdeu-se e encontra-se neste momento algures à
beira duma estrada, polegar para cima a pedir boleia, interpelando os
motoristas que param sobre qual o caminho para o mercado mais próximo.
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