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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os Sinais da Recuperação Económica: Está Tudo Maduro (ou deu o bicho?) na Monarquia das Frutas 
Movimento certo
Na Monarquia das Frutas vai grande euforia com os sinais da recuperação económica que já anda pelo vale das sombras há mais de uma década. Com efeito as taxas de podridão dos citrinos baixaram 0,0001% comparativamente aos valores de há 15 dias embora se se comparar com a mesma data do ano passado a podridão haja aumentado 150%. Também o importante índice dos pícaros de uva, que mede as exportações, aumentou significativamente, embora não tanto como esperavam as previsões, do que resulta um Produto Interno de Graínhas positivo (+0,000001%), coisa que não acontecia há 9 anos. É claro que este resultado positivo resulta mais da contração em massa das importações do que propriamente dum grande salto na exportação de produtos de ponta como por exemplo bananas afiladas, bróculos-fractais, kiabos doces, caroços de manga e outras mercadorias. A contracção das importações também não resulta da melhoria da oferta no mercado interno mas do facto de que os cidadãos frutenses já não têm muitas parras e portanto não as gastam, razão pela qual as feiras estão normalmente às moscas a partir das 7 da manhã, tendo aberto aí às 6:50. Ao mesmo tempo e dado que a Monarquia das Frutas é um país soalheiro, cheio de bons petiscos a preços da chuva – porque de facto é preciso vir chuva para se poder comer alguma coisa e as alterações climáticas não ajudam – e praias cheias de caricas, o turismo é desde há muito uma tradição dos frutenses. Os turistas estrangeiros são quase a única fonte de receitas, pelo que todos os indicadores relacionados com esta actividade são devotamente seguidos pelos cidadãos locais, que chegam a fazer longas filas atrás deles. A segunda mais importante fonte de receita é a dos turistas frutenses que cavam do país e nunca mais lá voltam, com a vantagem de deixarem de ser fonte de despesa. Assim sendo, os frutenses vieram todos para a rua comemorar a descida do desemprego em 0,002%, face ao mês anterior, devida à abertura da época da Caça aos Turistas. Não de relevância digna de nota que muitos frutenses celebrassem estendidos no chão por falta de alimento pois não têm trabalho há mais de 2 anos, e do número de estendidos ser agora maior do que há 15 dias (sendo que quando se estendem já não se voltam a erguer, os valores são sempre aditivos). O enorme aumento de estendidos não perturbou aliás os que ainda se mexem, pois aproveitam as pernas tesas dos ditos para gincanas de pé-coxinho, estendais da roupa ou como apoio para se aguentarem nas gâmbias. O rei do país, Melão-com-Bicho veio à varanda do palácio anunciar ao público reunido – e que não lhe prestava atenção, ocupado à séria a enfardar os caixotes do lixo palaciano e a beber uma mistela alcoólica e de composição dependente da classe de frutos que é mensalmente exterminada – que desta vez é que era, desta vez é que a economia das Frutas estava a ver a luz ao fundo do túnel (não se via luz nenhuma no túnel nem aliás na praça ou em lugar algum pois os calotes às multinacionais fizeram-nas cortar a electricidade produzida nas barragens locais). É aliás já a 5947ª vez que o monarca anuncia o fim dos maus tempos, sendo já só preciso mais um pequeno e perseverante esforço para voltarmos aos dias em que os pícaros andavam todos para cima e o grelo nem ousava aparecer na nossa excelsa pátria, tenho dito. E foi para dentro, onde a rainha, a senhora Melancia-Ensoada, estava a fazer um grande esforço para botar as suas novas sete pevides ao mundo. Onde, por causa de estar tudo às escuras, se agarrou não à rainha mas ao pícaro do chanceler-mor, incidente que fez vender febrilmente os tabloides do mundo inteiro. Recuperação ou deu mesmo o bicho no pícaro do Melão?

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