Número total de visualizações de páginas

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Informações de última hora dão conta que no nabal dos… Reino dos Agriões a situação é pouco
menos que explosiva. Como se sabe, o reino dos Agriões é outro dos estados membro da União das Hortaliças que está intervencionado pela Tripeça pois desfalques vários, falências consecutivas e obras megalómanas nos diques-fronteira do Reino atiraram com este para um endividamento excessivo. Não é que os Agriões estivessem em situação pior que os outros da União das Hortaliças mas, sendo os agriões uns tipos de segunda, com uma economia de terceira, as agências de atribuição de notas (e de recebimento de notas em troca das que dão) decidiram alarmar os mercados, dando chumbos atrás de chumbos à economia dos agriões. Os investidores fugiram todos, os especuladores caíram em bando sobre as folhas ainda verdes do reino, e foi o que se sabe. A seguir à confusão nas finanças sucedeu-se um sarilho de meia-noite na área política – e de meia-noite pois foi a horas tardias que as piores rabaldarias aconteceram – e um jovem todo desempoeirado entretanto chamado ao governo concluiu que o grande problema do país não era o fecho sucessivo de lojas e empresas, os despedimentos (educadamente chamados de layoff, até porque é palavra estrangeira e os agriões não sabem línguas), os cortes nos salários, a emigração em massa e o colapso do consumo interno ainda mais maciço, o que tem dado graves problemas ambientais nos países vizinhos (e possa talvez explicar a invasão maciça de mosquitos no Califado das sardinhas) pois os agriões, sem poder de compra, não recebem agora o adubo que lhes põe, na água e vai tudo borda fora, com as descargas. É claro que a União das Hortaliças já multou o Reino dos Agriões por não cumprir as normas ambientais, mas não se preocupem os dinheiros da Tripeça, a serem pagos com juros de palmo, também irão servir para pagar as multas. Mas voltando ao “furo” principal: o jovem ministro concluiu que o verdadeiro problema do país era… falta de comunicação entre o governo e os agriões revoltados. Com uma boa comunicação, cheia de mensagens de esperança e explicações dos actos governativos simplificadas ao nível de compreensão dos agriões ainda na semente, tudo ficaria resolvido, os agriões que morressem de fome ou se enforcassem por não saberem já como sobreviver demonstrariam uma execrável falta de patriotismo. Estas declarações levaram ao suicídio em massa dos agriões do bordo poente do canteiro e iniciaram aquilo a que se designou de briefings, outra palavra estrangeira que quer dizer “conversas da treta” mas como é em estrangeiro os agriões pensaram que quisesse dizer “importantes sessões de esclarecimento”. E de facto, têm sido. Logo à primeira o Ministro dos Carcanhóis locais demitiu-se, a seguir foi o vice-ministro Agrião Ramalhudo, que disse que se demitia mas depois não se demitiu. De seguida também neste reino rebentaram as posturas de sapos e a sala do parlapatéu ficou inundada de sapos coachantes e a baterem espuma para os ovos, sendo que na semana seguinte já não se podia lá andar com tantos girinos e os briefings foram transferidos para outro lado. Como não se avisassem os jornalistas que têm a mania de fazer as perguntas mais enervantes, estes só descobriram o local correcto duas sessões depois, o que levou a oposição a acusar o governo de falta de espírito democrático. Por fim um dos vendedores de sapos e que fazia parte do governo decidiu dizer que não vendia sapos mas depois já não se lembrava e depois… estão a ver a coisa. Resultado: de cada vez que havia um briefing, o governo sabia que vinha aí sarrabulho. Foi por mero acaso, quando o Ministro da Água Estagnada teve de ir àquele sítio onde se vai quando se está aflito, que se descobriu que afinal o inventor dos briefings era um agente infiltrado da República das Beterrabas, que está há anos em guerra com os agriões por causa das quotas de água para os respectivos canteiros. O excelso ministro descobriu-o ao contemplar os numerosos escritos e graffitis na porta do referido sítio dos aflitos, e como também já fora agente das Beterrabas, compreendeu perfeitamente o código de uma das mensagens, por acaso a única que não referia hábitos íntimos de terceiros nem dissertava sobre a genealogia dos leitores. Rebentou a bomba no canteiro, de repente compreende-se porque os briefings em vez de melhorarem a imagem do governo só a deitavam ainda mais abaixo do que se todos estivessem calados (e garanto-vos que mesmo calados, o governo está com a imagem a alguns 3 kms debaixo da terra). Os agriões andam agora à caça do jovem ministro e inventor dos briefings mas não o encontram em parte alguma, apesar da secretária garantir que ele foi apenas de férias. Entre suspeitas de que o traidor se haja passado para o campo das beterrabas veio a descobrir-se uma outra verdade chocante que deitou por terra o patriotismo dos agriões. Os briefings não eram afinal uma invenção sua mas uma tradição com mais de 100 anos na República dos Hambúrgueres. Depois da economia e da política, foi agora a vez do patriotismo dos agriões entrar em crise…
 

Sem comentários:

Enviar um comentário