Informações de última hora dão
conta que no nabal dos… Reino dos Agriões a situação é pouco
menos que
explosiva. Como se sabe, o reino dos Agriões é outro dos estados membro da
União das Hortaliças que está intervencionado pela Tripeça pois desfalques
vários, falências consecutivas e obras megalómanas nos diques-fronteira do
Reino atiraram com este para um endividamento excessivo. Não é que os Agriões
estivessem em situação pior que os outros da União das Hortaliças mas, sendo os
agriões uns tipos de segunda, com uma economia de terceira, as agências de
atribuição de notas (e de recebimento de notas em troca das que dão) decidiram
alarmar os mercados, dando chumbos atrás de chumbos à economia dos agriões. Os
investidores fugiram todos, os especuladores caíram em bando sobre as folhas
ainda verdes do reino, e foi o que se sabe. A seguir à confusão nas finanças
sucedeu-se um sarilho de meia-noite na área política – e de meia-noite pois foi
a horas tardias que as piores rabaldarias aconteceram – e um jovem todo
desempoeirado entretanto chamado ao governo concluiu que o grande problema do
país não era o fecho sucessivo de lojas e empresas, os despedimentos
(educadamente chamados de layoff, até porque é palavra estrangeira e os agriões
não sabem línguas), os cortes nos salários, a emigração em massa e o colapso do
consumo interno ainda mais maciço, o que tem dado graves problemas ambientais
nos países vizinhos (e possa talvez explicar a invasão maciça de mosquitos no
Califado das sardinhas) pois os agriões, sem poder de compra, não recebem agora
o adubo que lhes põe, na água e vai tudo borda fora, com as descargas. É claro
que a União das Hortaliças já multou o Reino dos Agriões por não cumprir as
normas ambientais, mas não se preocupem os dinheiros da Tripeça, a serem pagos
com juros de palmo, também irão servir para pagar as multas. Mas voltando ao
“furo” principal: o jovem ministro concluiu que o verdadeiro problema do país
era… falta de comunicação entre o governo e os agriões revoltados. Com uma boa
comunicação, cheia de mensagens de esperança e explicações dos actos
governativos simplificadas ao nível de compreensão dos agriões ainda na
semente, tudo ficaria resolvido, os agriões que morressem de fome ou se
enforcassem por não saberem já como sobreviver demonstrariam uma execrável
falta de patriotismo. Estas declarações levaram ao suicídio em massa dos
agriões do bordo poente do canteiro e iniciaram aquilo a que se designou de
briefings, outra palavra estrangeira que quer dizer “conversas da treta” mas
como é em estrangeiro os agriões pensaram que quisesse dizer “importantes
sessões de esclarecimento”. E de facto, têm sido. Logo à primeira o Ministro
dos Carcanhóis locais demitiu-se, a seguir foi o vice-ministro Agrião
Ramalhudo, que disse que se demitia mas depois não se demitiu. De seguida
também neste reino rebentaram as posturas de sapos e a sala do parlapatéu ficou
inundada de sapos coachantes e a baterem espuma para os ovos, sendo que na
semana seguinte já não se podia lá andar com tantos girinos e os briefings
foram transferidos para outro lado. Como não se avisassem os jornalistas que
têm a mania de fazer as perguntas mais enervantes, estes só descobriram o local
correcto duas sessões depois, o que levou a oposição a acusar o governo de
falta de espírito democrático. Por fim um dos vendedores de sapos e que fazia
parte do governo decidiu dizer que não vendia sapos mas depois já não se
lembrava e depois… estão a ver a coisa. Resultado: de cada vez que havia um
briefing, o governo sabia que vinha aí sarrabulho. Foi por mero acaso, quando o
Ministro da Água Estagnada teve de ir àquele sítio onde se vai quando se está
aflito, que se descobriu que afinal o inventor dos briefings era um agente
infiltrado da República das Beterrabas, que está há anos em guerra com os
agriões por causa das quotas de água para os respectivos canteiros. O excelso
ministro descobriu-o ao contemplar os numerosos escritos e graffitis na porta
do referido sítio dos aflitos, e como também já fora agente das Beterrabas,
compreendeu perfeitamente o código de uma das mensagens, por acaso a única que
não referia hábitos íntimos de terceiros nem dissertava sobre a genealogia dos
leitores. Rebentou a bomba no canteiro, de repente compreende-se porque os
briefings em vez de melhorarem a imagem do governo só a deitavam ainda mais
abaixo do que se todos estivessem calados (e garanto-vos que mesmo calados, o
governo está com a imagem a alguns 3 kms debaixo da terra). Os agriões andam
agora à caça do jovem ministro e inventor dos briefings mas não o encontram em
parte alguma, apesar da secretária garantir que ele foi apenas de férias. Entre
suspeitas de que o traidor se haja passado para o campo das beterrabas veio a
descobrir-se uma outra verdade chocante que deitou por terra o patriotismo dos
agriões. Os briefings não eram afinal uma invenção sua mas uma tradição com
mais de 100 anos na República dos Hambúrgueres. Depois da economia e da
política, foi agora a vez do patriotismo dos agriões entrar em crise…


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