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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

As autoridades sanitárias encontram-se em estado de alerta, temendo uma epidemia ou, na mais salutar hipótese, adulteração de especialidades alimentares e de prazer, nestes inclusos cigarros, charutos, vinhos pedigree e whiskys velhos de reconhecida reputação, consumidos pelos líderes de estado da União das Hortaliças. É que nos últimos tempos os chefes de estado da União têm proferido umas singulares afirmações sobre o estado do mundo que só por mero acaso coincidem com a realidade. A líder da República Federal das Batatas, apoiando o estranho discurso do seu ministro das finanças disse pouco antes de ganhar as eleições, que as políticas de destruição económica que têm sido aplicadas na União estavam a dar os seus resultados e via-se já um crescimento económico assinalável na Zona da Moeda Única para Pategos. Toda a gente achou esta declaração muito estranha, pois todos os indicadores económicos mostram exactamente o oposto, mas como se estava em campanha eleitoral e os políticos são especialmente sensíveis à bactéria februm votaricum que os leva a proferir afirmações inverosímeis (afecção que felizmente desaparece mal se contam os votos, regressando os afectados à sua consciência normal) pesumiu-se que a pobre líder estivesse a ser vítima dessa epidemia algo benigna. De facto só se torna problemática quando o político afectado, mostrando perturbantes pudores morais e deslocadas honras à sua palavra, tenta depois da eleição cumprir as promessas e diatribes mirabolantes proferidas durante a fase mais aguda de febre votárica. Só que a seguir o chefe em exercício – e é um duro exercício – do Potentado da Paelha, que é outro país nas lonas, veio garantir e jurar e bater o pé de que desta é que o Potentado ia sair da crise, e que o crescimento… para o ano… seria de 0,001% positivo, dado que este ano ainda estava em queda mas era uma queda menos trambolhona do que há 2 meses, e a taxa de desemprego estava já a baixar (altura em que os jornalistas viraram câmaras e cabeças ao contrário, a tentarem apanhar o ponto de vista do chefe de estado pois o desemprego mantém-se acima dos valores do ano passado). Sabemos que a líder das Batatas, a querida e amada Toutiço Despenteado, adora bolinhos e o chefe do Potentado gosta duns bons havanos, tendo um fraquinho especial pelos que forem embrulhados em bom pilim da República dos Hambúrgueres embora também se aceitem contribuições em pasta do Cantão dos Queijos. Hoje foi a vez do representante da República dos Nabos, o excelso Nabo-Maior, surpreender a opinião pública e os mercados com as suas declarações quando visitava a Monarquia das Renas. Nabo-Maior foi durante vários anos professor de economia numa das mais reputadas universidades da República do Nabal e acumulou este trabalho com vários cargos de direcção em alguns dos mais importantes bancos do nabal, incluindo aquele que é polícia dos outros todos. Após um simpático almoço com a família real das Renas, foi o catedrático entrevistado em conferência de imprensa onde, falando em nabês, que é a única língua que domina em condições, se declarou muito surpreendido com os mercados de cebolas, nabos, rábanos, cenouras, couves e outras hortaliças dado que a cotação do nabal nesses mercados estava para esquecer, e não havia razões para isso. Aliás, continuou, não percebia porque tantos bancos internacionais diziam que o nabal estava a afundar-se, prontinho para segunda transfusão vampírica. Não havia crise, a economia estava a crescer, a recessão acabara, os juros da dívida – que durante todo o ano o senhor Nabo-Maior dissera estar em níveis insustentáveis – eram perfeitamente comportáveis, ele sentia-se imensamente perplexo por tantas previsões negativas. Perplexo também se sentiram os jornalistas presentes e até a família real não conseguiu evitar preocupados olhares de soslaio sobre o convidado. Porque no caso a dívida continua a subir pois os juros da mesma vão adicionando aos anteriores e… bem, porque se seu excelentíssimo líder dos nabos, catedrático de economia, dizia não compreender os mercados e seus mercadores, então quem compreenderá? Então, onde está a racionalidade dos mercados que os teóricos e práticos do assunto garantem ser a base de funcionamento dos ditos? Para evitar mais embaraços, a família real das renas arrastou o excelso Nabo-Maior para as traseiras do palácio com o pretexto de terem de realizar a importantíssima missão de inaugurarem uma estátua, descerrarem uma placa comemorativa, e partirem para a caça. Intrigados com estas declarações, os nossos enviados foram investigar o caso. E encontrámos o fornecedor dos charutos do presidente do Potentado da Paelha, dos bolinhos da Toutiço despenteado e do catering dos jantares de gala da União das Hortaliças, que nos confessou que além destes negócios legítimos tinha um pequeno trabalhinho colateral, “por baixo dos panos” e sem descontos à segurança social ou nos impostos, para arredondar o orçamento lá de casa. Todos os seus produtos são docemente condimentados com pozinhos brancos e licores vindos do produtor, sedeado no Charco do Milho. Os ditos pozinhos e licores têm, confessou-nos, por vezes uns pequenos efeitos viciantes (o que é bom para manter a clientela) e dão ao consumidor várias horas de separação deste triste mundo, deliciando-o em coloridas ondas de prazer. Infelizmente a Organização Mundial da Doença, e por conseguinte todos os estados da União das Hortaliças, proíbem os condimentos em questão mas ele tem de dar vazão ao produto. Informados destes desenvolvimentos a nossa cara Toutiço despenteado pôs as mãos em diamante e declarou que não podia preocupar-se com isso, tinha um governo para formar e os colegas de coligação estavam muito renitentes em casar-se com ela, que era uma devoradora de coligantes. O excelso presidente Nabo-Maior informou que não comentava e somente o líder em exercício do Potentado da Paelha se dispôs a prestar declarações, exclamando perante as provas: “oh, infelizmente não sei que charutos são, não prestei atenção à marca pois entrei logo em órbita. Mas que são muito bons, são. Podem dar-me o contacto pessoal do fornecedor?”

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