As autoridades sanitárias
encontram-se em estado de alerta, temendo uma epidemia ou, na mais salutar
hipótese, adulteração de especialidades alimentares e de prazer, nestes inclusos
cigarros, charutos, vinhos pedigree e
whiskys velhos de reconhecida reputação, consumidos pelos líderes de estado da
União das Hortaliças. É que nos últimos tempos os chefes de estado da União têm
proferido umas singulares afirmações sobre o estado do mundo que só por mero
acaso coincidem com a realidade. A líder da República Federal das Batatas,
apoiando o estranho discurso do seu ministro das finanças disse pouco antes de
ganhar as eleições, que as políticas de destruição económica que têm sido
aplicadas na União estavam a dar os seus resultados e via-se já um crescimento
económico assinalável na Zona da Moeda Única para Pategos. Toda a gente achou
esta declaração muito estranha, pois todos os indicadores económicos mostram
exactamente o oposto, mas como se estava em campanha eleitoral e os políticos
são especialmente sensíveis à bactéria februm
votaricum que os leva a proferir afirmações inverosímeis (afecção que
felizmente desaparece mal se contam os votos, regressando os afectados à sua
consciência normal) pesumiu-se que a pobre líder estivesse a ser vítima dessa
epidemia algo benigna. De facto só se torna problemática quando o político
afectado, mostrando perturbantes pudores morais e deslocadas honras à sua
palavra, tenta depois da eleição cumprir as promessas e diatribes mirabolantes
proferidas durante a fase mais aguda de febre votárica. Só que a seguir o chefe
em exercício – e é um duro exercício – do Potentado da Paelha, que é outro país
nas lonas, veio garantir e jurar e bater o pé de que desta é que o Potentado ia
sair da crise, e que o crescimento… para o ano… seria de 0,001% positivo, dado
que este ano ainda estava em queda mas era uma queda menos trambolhona do que
há 2 meses, e a taxa de desemprego estava já a baixar (altura em que os
jornalistas viraram câmaras e cabeças ao contrário, a tentarem apanhar o ponto
de vista do chefe de estado pois o desemprego mantém-se acima dos valores do
ano passado). Sabemos que a líder das Batatas, a querida e amada Toutiço
Despenteado, adora bolinhos e o chefe do Potentado gosta duns bons havanos,
tendo um fraquinho especial pelos que forem embrulhados em bom pilim da
República dos Hambúrgueres embora também se aceitem contribuições em pasta do
Cantão dos Queijos. Hoje foi a vez do representante da República dos Nabos, o
excelso Nabo-Maior, surpreender a opinião pública e os mercados com as suas
declarações quando visitava a Monarquia das Renas. Nabo-Maior foi durante
vários anos professor de economia numa das mais reputadas universidades da
República do Nabal e acumulou este trabalho com vários cargos de direcção em
alguns dos mais importantes bancos do nabal, incluindo aquele que é polícia dos
outros todos. Após um simpático almoço com a família real das Renas, foi o
catedrático entrevistado em conferência de imprensa onde, falando em nabês, que
é a única língua que domina em condições, se declarou muito surpreendido com os
mercados de cebolas, nabos, rábanos, cenouras, couves e outras hortaliças dado
que a cotação do nabal nesses mercados estava para esquecer, e não havia razões
para isso. Aliás, continuou, não percebia porque tantos bancos internacionais
diziam que o nabal estava a afundar-se, prontinho para segunda transfusão
vampírica. Não havia crise, a economia estava a crescer, a recessão acabara, os
juros da dívida – que durante todo o ano o senhor Nabo-Maior dissera estar em
níveis insustentáveis – eram perfeitamente comportáveis, ele sentia-se
imensamente perplexo por tantas previsões negativas. Perplexo também se
sentiram os jornalistas presentes e até a família real não conseguiu evitar
preocupados olhares de soslaio sobre o convidado. Porque no caso a dívida
continua a subir pois os juros da mesma vão adicionando aos anteriores e… bem,
porque se seu excelentíssimo líder dos nabos, catedrático de economia, dizia
não compreender os mercados e seus mercadores, então quem compreenderá? Então,
onde está a racionalidade dos mercados que os teóricos e práticos do assunto
garantem ser a base de funcionamento dos ditos? Para evitar mais embaraços, a
família real das renas arrastou o excelso Nabo-Maior para as traseiras do
palácio com o pretexto de terem de realizar a importantíssima missão de inaugurarem
uma estátua, descerrarem uma placa comemorativa, e partirem para a caça.
Intrigados com estas declarações, os nossos enviados foram investigar o caso. E
encontrámos o fornecedor dos charutos do presidente do Potentado da Paelha, dos
bolinhos da Toutiço despenteado e do catering
dos jantares de gala da União das Hortaliças, que nos confessou que além destes
negócios legítimos tinha um pequeno trabalhinho colateral, “por baixo dos
panos” e sem descontos à segurança social ou nos impostos, para arredondar o
orçamento lá de casa. Todos os seus produtos são docemente condimentados com
pozinhos brancos e licores vindos do produtor, sedeado no Charco do Milho. Os
ditos pozinhos e licores têm, confessou-nos, por vezes uns pequenos efeitos
viciantes (o que é bom para manter a clientela) e dão ao consumidor várias
horas de separação deste triste mundo, deliciando-o em coloridas ondas de
prazer. Infelizmente a Organização Mundial da Doença, e por conseguinte todos
os estados da União das Hortaliças, proíbem os condimentos em questão mas ele
tem de dar vazão ao produto. Informados destes desenvolvimentos a nossa cara
Toutiço despenteado pôs as mãos em diamante e declarou que não podia
preocupar-se com isso, tinha um governo para formar e os colegas de coligação
estavam muito renitentes em casar-se com ela, que era uma devoradora de
coligantes. O excelso presidente Nabo-Maior informou que não comentava e
somente o líder em exercício do Potentado da Paelha se dispôs a prestar declarações,
exclamando perante as provas: “oh, infelizmente não sei que charutos são, não
prestei atenção à marca pois entrei logo em órbita. Mas que são muito bons,
são. Podem dar-me o contacto pessoal do fornecedor?” Número total de visualizações de páginas
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
As autoridades sanitárias
encontram-se em estado de alerta, temendo uma epidemia ou, na mais salutar
hipótese, adulteração de especialidades alimentares e de prazer, nestes inclusos
cigarros, charutos, vinhos pedigree e
whiskys velhos de reconhecida reputação, consumidos pelos líderes de estado da
União das Hortaliças. É que nos últimos tempos os chefes de estado da União têm
proferido umas singulares afirmações sobre o estado do mundo que só por mero
acaso coincidem com a realidade. A líder da República Federal das Batatas,
apoiando o estranho discurso do seu ministro das finanças disse pouco antes de
ganhar as eleições, que as políticas de destruição económica que têm sido
aplicadas na União estavam a dar os seus resultados e via-se já um crescimento
económico assinalável na Zona da Moeda Única para Pategos. Toda a gente achou
esta declaração muito estranha, pois todos os indicadores económicos mostram
exactamente o oposto, mas como se estava em campanha eleitoral e os políticos
são especialmente sensíveis à bactéria februm
votaricum que os leva a proferir afirmações inverosímeis (afecção que
felizmente desaparece mal se contam os votos, regressando os afectados à sua
consciência normal) pesumiu-se que a pobre líder estivesse a ser vítima dessa
epidemia algo benigna. De facto só se torna problemática quando o político
afectado, mostrando perturbantes pudores morais e deslocadas honras à sua
palavra, tenta depois da eleição cumprir as promessas e diatribes mirabolantes
proferidas durante a fase mais aguda de febre votárica. Só que a seguir o chefe
em exercício – e é um duro exercício – do Potentado da Paelha, que é outro país
nas lonas, veio garantir e jurar e bater o pé de que desta é que o Potentado ia
sair da crise, e que o crescimento… para o ano… seria de 0,001% positivo, dado
que este ano ainda estava em queda mas era uma queda menos trambolhona do que
há 2 meses, e a taxa de desemprego estava já a baixar (altura em que os
jornalistas viraram câmaras e cabeças ao contrário, a tentarem apanhar o ponto
de vista do chefe de estado pois o desemprego mantém-se acima dos valores do
ano passado). Sabemos que a líder das Batatas, a querida e amada Toutiço
Despenteado, adora bolinhos e o chefe do Potentado gosta duns bons havanos,
tendo um fraquinho especial pelos que forem embrulhados em bom pilim da
República dos Hambúrgueres embora também se aceitem contribuições em pasta do
Cantão dos Queijos. Hoje foi a vez do representante da República dos Nabos, o
excelso Nabo-Maior, surpreender a opinião pública e os mercados com as suas
declarações quando visitava a Monarquia das Renas. Nabo-Maior foi durante
vários anos professor de economia numa das mais reputadas universidades da
República do Nabal e acumulou este trabalho com vários cargos de direcção em
alguns dos mais importantes bancos do nabal, incluindo aquele que é polícia dos
outros todos. Após um simpático almoço com a família real das Renas, foi o
catedrático entrevistado em conferência de imprensa onde, falando em nabês, que
é a única língua que domina em condições, se declarou muito surpreendido com os
mercados de cebolas, nabos, rábanos, cenouras, couves e outras hortaliças dado
que a cotação do nabal nesses mercados estava para esquecer, e não havia razões
para isso. Aliás, continuou, não percebia porque tantos bancos internacionais
diziam que o nabal estava a afundar-se, prontinho para segunda transfusão
vampírica. Não havia crise, a economia estava a crescer, a recessão acabara, os
juros da dívida – que durante todo o ano o senhor Nabo-Maior dissera estar em
níveis insustentáveis – eram perfeitamente comportáveis, ele sentia-se
imensamente perplexo por tantas previsões negativas. Perplexo também se
sentiram os jornalistas presentes e até a família real não conseguiu evitar
preocupados olhares de soslaio sobre o convidado. Porque no caso a dívida
continua a subir pois os juros da mesma vão adicionando aos anteriores e… bem,
porque se seu excelentíssimo líder dos nabos, catedrático de economia, dizia
não compreender os mercados e seus mercadores, então quem compreenderá? Então,
onde está a racionalidade dos mercados que os teóricos e práticos do assunto
garantem ser a base de funcionamento dos ditos? Para evitar mais embaraços, a
família real das renas arrastou o excelso Nabo-Maior para as traseiras do
palácio com o pretexto de terem de realizar a importantíssima missão de inaugurarem
uma estátua, descerrarem uma placa comemorativa, e partirem para a caça.
Intrigados com estas declarações, os nossos enviados foram investigar o caso. E
encontrámos o fornecedor dos charutos do presidente do Potentado da Paelha, dos
bolinhos da Toutiço despenteado e do catering
dos jantares de gala da União das Hortaliças, que nos confessou que além destes
negócios legítimos tinha um pequeno trabalhinho colateral, “por baixo dos
panos” e sem descontos à segurança social ou nos impostos, para arredondar o
orçamento lá de casa. Todos os seus produtos são docemente condimentados com
pozinhos brancos e licores vindos do produtor, sedeado no Charco do Milho. Os
ditos pozinhos e licores têm, confessou-nos, por vezes uns pequenos efeitos
viciantes (o que é bom para manter a clientela) e dão ao consumidor várias
horas de separação deste triste mundo, deliciando-o em coloridas ondas de
prazer. Infelizmente a Organização Mundial da Doença, e por conseguinte todos
os estados da União das Hortaliças, proíbem os condimentos em questão mas ele
tem de dar vazão ao produto. Informados destes desenvolvimentos a nossa cara
Toutiço despenteado pôs as mãos em diamante e declarou que não podia
preocupar-se com isso, tinha um governo para formar e os colegas de coligação
estavam muito renitentes em casar-se com ela, que era uma devoradora de
coligantes. O excelso presidente Nabo-Maior informou que não comentava e
somente o líder em exercício do Potentado da Paelha se dispôs a prestar declarações,
exclamando perante as provas: “oh, infelizmente não sei que charutos são, não
prestei atenção à marca pois entrei logo em órbita. Mas que são muito bons,
são. Podem dar-me o contacto pessoal do fornecedor?”
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