É a nova campanha de
desenvolvimento dos nabos, baseada na sábia premissa de que “se funciona lá
fora, também deve funcionar cá dentro”, mesmo que os nativos do “lá fora”
específico onde esta campanha foi buscar exemplo sejam ridicularizados em toda
a parte pela sua geral falta de conhecimentos, quando não analfabetismo puro e
duro. Mas o Nabal não se deixa assustar por estes pequenos danos colaterais e
avançou em força, qual desembarque em Gallipolli, pois nada trava esta pequena
pátria de bravos aventureiros e empreendedores que tantos alfobres novos deram ao
mundo. A campanha centra-se na educação e pretende desenvolvê-la… para baixo.
Porque para baixo é que está o petróleo e quando se descobrir o petróleo no
Beato acaba-se a crise. Para que a educação venha por aí abaixo é primeiro
necessário cortar na despesa: salários cortados, turmas cortadas (encaixotando
os alunos todos em meia dúzia de turmas, de preferência com vários níveis na
mesma para alargar a confusão), escolas fechadas ou aglomeradas em ajuntamentos
muito grandes qu’é p’ra professores e alunos não se sentirem tão sozinhos nem
criarem vínculos afectivos com o edifício onde trabalham e se darem na ideia de
melhorar alguma coisinha. Este aglomeranço tem ganhos económicos extra que muito
contribuirão para baixar o défice, pois turmas de 40 alunos em salas só de
vinte podem ser ecologicamente aquecidas a calor humano, o que traz ainda a
vantagem de que os alunos assim juntinhos (para os pais medricas podemos voltar
à velha segregação de sexos), começam desde bem cedo a desenvolver as
capacidades sociais necessárias para lidar com comboios com crises de
identidade (pensam que são latas de sardinhas). Ao mesmo tempo é promovido o
desporto, não pela construção de pavilhões para a Educação Física mas ensarilhando
de tal modo os acessos à escola com remodelações, passadiços e outras obras,
que os alunos ficam em forma mesmo sem darem por isso; tais acrescentos
fornecem também vasto leque de distracções que os alunos acabam por ir para
todos os lados menos para a escola, as taxas de absentismo escolar aumentam e melhora-se
o analfabetismo funcional dos catraios, tornando-os mais aptos a entrar no mundo
do trabalho que não deseja gente de estudos mas malta de cabedal para aguentar
com o que tiver de ser, tal e qual como manda o acordo da Tripeça. Lá que os
alunos, e em particular as alunas, possam ser atacados no caminho para a
escola, bom, acidentes acontecem, não é verdade? É claro que há alunos e
alunos. E para os alunos com direito a ser alunos estão a ser construídas
várias escolas exclusivas, ao lado das que já existem e que são para todos (os
com e os sem direito a serem alunos) com pastel que devia ir para… as escolas
de todos. Porque razão o pastel dos impostos de todos vai não para as escolas
de todos mas para as exclusivas, deve-se à solidariedade mesmo se à força, pois
se o nabal quer alguns nabos com estudos, todos têm de fazer o sacrifício, logo
todos têm de pagar… para alguns. E pagam. As carrinhas privadas e as obras
nestas escolas exclusivas, os pequenos enriquecimentos de currículo como
equitação, bailado ou ténis, enquanto as escolas para todos se vão parecendo
cada vez mais, para gáudio da garotada, com versões modernas da “Casa dos
Horrores”, ensinando desde logo aos petizes as possibilidades do negócio de
apostas: é hoje ou amanhã que o tecto cai em cima da mola do stôr? Somos
borrifados pelo cano rebentado das escadas agora ou logo?... Aliás esta escola
de “Horrores” traz outras interessantes apostas na formação para a vida, como
sejam: (1) buracos nas paredes – dão estágios gratuitos da carreira de espião,
estimulando os nabinhos a espreitar por qualquer frincha ou abertura, sendo de
especial nota os buracos nos balneários e WCs das raparigas que calhem ser
paredes meias com os dos rapazes; (2) degraus partidos – iniciam à prática do
surf ou da astronáutica, servindo de rampa de lançamento para os nabos
distraídos que assim se podem transformar em múmias, para felicidade dos
colegas que terão mais algumas superfícies onde treinar graffitis sem ouvirem
da directora; (3) paredes a cair – estágio gratuito de empreendedorismo em que
os alunos são estimulados a venderem bocados de caliça, tijolos e outros
objectos mais ou menos contundentes, para serem usados em tiro ao professor;
(4) telhados a meter água – material experimental de bombeiro especializado em
cheias, que prepara o jovem para quando em casa o mesmo fenómeno ocorrer, conferindo-lhe
espectacular habilidade a fintar pingos e a mudar alguidares e baldes cheios, mais
depressa que o Bota de Ouro a fazer um remate. Com este treino vocacional é
extremamente difícil às escolas para alguns competirem com as de-todos, pelo
que, e aproveitando também os protestos dos nabos-pais mais descontentes
(desses nunca faltam), o ministério, querendo proteger a iniciativa privada e o
direito de escolha dos nabos, decidiu dar um cheque a todos os pais que queiram
meter o seu rebento nas escolas para-alguns. Como o cheque tem o mesmo valor
que custaria ter um nabo na escola para-todos e a para-alguns é mais cara,
sucederá que a meio dos estudos o nabo terá de sair desta para ir para a escola
para-todos, apanhando um choque tão grande que se lhe murchará a rama e
desistirá de vez de estudar. O que será óptimo para reduzir o défice. Quem
disse que a crise não é um oceano de oportunidades?
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Quer Combater as Alterações Climáticas? Então Pague
a Multa!
O Potentado da
Paelha está em maré de inovação fiscal. Após a lei que permite manifestações mas
apenas se os manifestantes se vestirem com as cores da moda e os organizadores
se comprometerem a que todos serão bem comportados e não atirarão sequer uma
casca de banana para o chão, a maioria dos quais não conhecem nem sabem se
aparecerão mesmo que digam que sim no Facebook, a garantia incluindo os
infiltrados enviados pelas forças de segurança para causar sarrafusca, agora o
governo local inovou no combate às alterações climáticas ao mesmo tempo que
mete mais umas quantas castanholas (a moeda local) nos cofres do fisco. Assim,
se quiser partilhar o carro para levar o colega ou algum outro triste ao
emprego, dar boleia ao filho do vizinho até à escola ou oferecer-se para
conduzir a vizinha boazona que vem carregada das compras até casa, páre… vá às
Finanças pedir uma licença de transporte de passageiros como qualquer
respeitável empresa de camionagem ou então… pague a multa. Pois é, no Potentado
da Paelha agora é assim. Quem quer que se lembre de partilhar o carro, coisa
que é no geral realizada à borla, com ou sem organização em rede de partilha
MOV anunciada no Facebook, terá de pagar imposto ou multa, que isto da
solidariedade é muito bonito, em especial num país em que 25% do pessoal não
tem dinheiro porque está desempregado, mas se a solidariedade for para com o
(con)Fisco. A vaga da partilha de carros começou há uns anos para combater as
emissões de gases de efeito de estufa e assim tentar que as alterações
climáticas não se tornassem tão desastrosas. Foi uma iniciativa em toda a União
das Hortaliças mas só pegou a sério quando o pessoal entrou em crise se viu
obrigado por força do aperto das carteiras a partilhar as viaturas para
arredondar as despesas, porque hoje sou eu que entro com o meu popó e a
gasolina, amanhã és tu. Assim, uma iniciativa anunciada há uns anos com pompa,
fanfarra e circunstância, agora é reconhecida como contribuindo não para as
reduções das emissões mas para o PIB e portanto digna de imposto, embora não de
vistorias de segurança. Esta inovação do Potentado da Paelha vem provar aos
críticos que o combate às alterações climáticas consegue dar dinheiro ao
Estado, estando-se já a considerar taxar as donas-de-casa que em vez de usarem
secadores de roupa decidem secá-la à varanda, beneficiando da energia solar por
enquanto gratuita. Também se está a equacionar no Palácio da Moeda aplicar um
imposto aos domingueiros veraneantes pois que ficam sem fazer nada na praia
além de torrar ao sol, aproveitando para repor as suas doses de vitamina D
anti-raquitismo e também as de percursores do cancro. A lógica é simples: se
depois os veraneantes forem gastar toda a sua massa e vida nos tratamentos,
nada como taxá-los antes que morram. Não foi ainda possível taxar a actividade
respiratória devido a dificuldades técnicas com os equipamentos que deverão
medir o volume de ar que cada cidadão inspira por minuto. Entretanto, e com o
novo imposto sobre partilha de automóveis já em vigor, se você precisar de se
deslocar para o serviço, esqueça os carrinhos partilhados e se não tem dinheiro
para o passe, vá a pé. Se para chegar ao trabalho precisarem de sair de casa no
dia anterior, arranje casa mais perto já que dormir no trabalho após as horas
de expediente é interdito, uma vez que as novas leis punem com prisão (e antes
disso o segurança correr-vos-á das instalações) todos os que estiverem a dormir
fora na rua ou debaixo de telha que não seja sua. Esqueça também usar um burro,
cavalo, boi, dromedário ou camelo de 4 patas pois terá de possuir licença de
uso e porte de muar, matrícula e carroça devidamente certificada pelas normas
da União que definem desde a cor dos taipais à dimensão dos cubos, diâmetro das
rodas e distância entre semi-eixos. No caso de você ser dos sortudos que ainda
pode ir passar as férias às berças e o Ti Jaquim das Couves precisar de ir ao
hospital mas, como é de bom tom, não houver ambulância nem centro de saúde
senão a 100 km
de distância, já sabe: peça primeiro uma licença de transporte de passageiros,
pegue no bloco dos recibos verdes e quando receber a licença, três meses mais
tarde, poderá tranquilamente levar o Ti Jaquim… p’rá funerária. No final, de
alma tranquila, vocês saberá que o Governo lhe estará profundamente agradecido pois é um
chato a menos com que precisa de se preocupar.
domingo, 15 de junho de 2014
Está Explicado Porque Sou Tão Vago Que Dou o Dito
por Não Dito
Não é apenas no crime que também
há um sistema de castas, como afirma Vikas Swarup, autor do “Quem quer Ser
Bilionário”, mas também na doença. Uma pessoa de posses morre “como um
passarinho” mas um pé rapado morre “c’um tiro nos cornos”. Uma senhora fina
“teve um menino, a pobre pariu um moço”, como já nos informava o poeta Aleixo,
um ricaço morre duma overdose de
copos por falha da função hepática, um sem abrigo morre “bêbado que nem um
cacho” mesmo que estivesse sóbrio e fosse morto por atropelamento dum menino em
street racing que às 4 da matina
perdera o controlo da direcção e galgara o passeio fazendo uma pega de caras
com o seu bólide à fachada do cinema fechado para demolição. Na mesma linha
filológica, o nosso caro PR teve recentemente uma reacção vagal, versão VIP do
“deu-lhe um treco” que é o que dá ao pessoal da estiva quando está desde a
madrugada a alombar à torreira do sol e, ao contrário do PR, sem direito a chá
ou a bucha mesmo sem conduto. Foi uma reacção com ponderoso significado
político pois veio esclarecer certos pequenos mistérios do corrente mandato da
augusta personagem (sim, augusta porque o senhor tem assomos de rei por direito
divino). Compreendeu-se assim porque o bendito senhor votou contra e favor de
Madiba nas Nações Unidas, votando portanto numa as vezes a tese de que Madiba
era terrorista e quando ele morreu veio a correr dizer que sempre se
solidarizara com a sua luta. Donde, nalguma das 3 vezes o PR teve uma reacção
vagal e não se recordou do que fez. Do mesmo modo, quando no início do ano
defendeu um Programa Cautelar e durante boa parte do ano anterior andara a
falar em espirais recessivas e, como perante a recusa dos países do norte em
contribuírem mais para a fome geral, não houve segundo resgate nem programa
cautelar, apresentou-se sorridente a dizer que sempre tivera razão e que quem
ameaçara com programas cautelares e afins estivera redondamente errado… resultado
de uma reacção vagal, com toda a certeza. Quando por alturas do Natal declarou
que queria um embaixador em cada emigrante de “destaque” esquecendo todos os
outros, foi também uma reacção vagal pois varreu-se-lhe da memória que a vasta
maioria dos emigrantes são humildes assalariados de trabalhos sem pedigree. Ou então o país que representa
é só o dos 1% e aí não precisa dos humildes para nada a não ser para pagar impostos.
Com tantas reacções vagais, a augusta persoangem sofre, é evidente, de vagonite
aguda. E o pior é isto parece que se pega, qual gripe das aves, pois só uma
reacção vagal pode explicar o célebre diagnóstico: “o país está muito melhor
mas as pessoas estão pior”… Provavelmente as pessoas também tiveram uma reacção
vagal, perdão solipanta, por causa da fome. E como são pelintras, ninguém se
terá preocupado a reanimá-las.sábado, 14 de junho de 2014
Legalizada a Prática da Violação no País das Vacas
Sagradas: Taxa de 5% Para Cada Violador, Multa e Prisão Para a Vítima
No País das Vacas Sagradas, um
dos Tijolos (BRICS) do mundo porque as pessoas naquele país morrem que nem
tordos e fartam-se de fazer tijolo, e que é apresentado ao mesmo mundo como um
exemplo de sucesso económico, apesar de mais de metade da população viver
abaixo do limiar da pobreza e a vasta maioria das raparigas nem saiba ler nem
escrever pois têm de ficar em casa a tratar da ranchada de filhos das mães e ir
buscar água de bilha à cabeça a alguns 7 kms de distância (mas isto é que é
progresso!) acaba de se legalizar mais uma actividade económica. Trata-se da
violação de mulheres, crianças e bebés do sexo feminino, actividade de grande
relevância na saúde pública pois na opinião dos praticantes cura-os de toda a
espécie de doenças sexualmente transmissíveis, que assim são descarregadas nas
vítimas, e que muito mantém ocupados o lado masculino da população, incluindo
boa parte dos desempregados profissionais pois nunca na vida conseguiram
encontrar trabalho por mais que tentassem, o que a partir de agora com a
legalização da coisa irá baixar as estatísticas do desemprego. É que apesar do
sucesso económico do País das Vacas Sagradas, não só a miséria abunda a cada
esquina como os cofres do estado estão sempre nas lonas porque para olear as
rodas da corrupção não é possível chegar para outras encomendas. A corrupção é
aliás uma actividade muito importante neste país pois sem ela a economia não
andava. Portanto, dada a generalizada prática da violência sexual (e não só)
sobre o mulherio local, o chefe máximo da Polícia decidiu propor ao Parlamento
uma lei que legalizasse a prática e a equiparasse ao jogo ilegal que em breve
será também alvo de regulamentação. Como o jogo ilegal será em breve monitorado
através dos sistemas informáticos Snowden que permitem vigiar as compras,
emails e toda a actividade online de
todo e qualquer cidadão, seja subversivo, perigoso terrorista ou inocente bebé
de colo, e a directiva normativa deste tipo de jogo pede que seja sobre ele
imposta uma taxa de 5% a cada jogador, pelo pecúlio não que ganhe mas que jogue
(se perde, ninguém tem culpa que seja um tanso), o emérito comandante das
forças policiais advoga para a violação o seguinte regime taxativo e
regulatório: ao violador será cobrada uma taxa de 10% do que ganharia no
intervalo de tempo em que praticou o acto, caso estivesse a trabalhar (se o
violador for desempregado, taxam-se as horas de sorna correspondentes); a
vítima será presa, difamada publicamente, exposta para insulto público,
servindo de tiro ao alvo com pedras e depois sentenciada a seis meses de
cadeia, período durante o qual deverá servir de “conforto sexual” aos guardas
prisionais e quaisquer membros da ordem que passem pela cadeia. Nenhuma mulher
poderá opor resistência à violação, fugir ou teimosamente recusar-se, sob pena
de ser enforcada ou em alternativa (caso a família pague um elevado suborno ao
juiz) expulsa do país e posta na fronteira sem roupa, sapatos ou dinheiro. A
população masculina já saiu à rupa para protestar pelo montante de 10% da taxa,
pois existem mais violadores do que aficionados do jogo ilegal e deste modo
mereciam um desconto mas o Parlamento não se inclina para esta exigência pois
precisa muito do guito (e não tanto do Gita) para os seus grandes carros de
luxo europeus topo de gama. Se isto vos parece uma justiça demasiado estranha,
talvez de pernas para o ar, só fazemos um reparo à vossa distracção: o mundo é
dos criminosos ou ainda não deram por isso, meus tansos!sexta-feira, 13 de junho de 2014
Não Posso Ser Polícia Porque Sou Daltónico
Tó Segurança, candidato a
vice-ministro sem trabalho, regressou hoje muito triste à sua mansão, pois a
sua candidatura a polícia foi rejeitada. Em declarações à nossa repórter confessou
sentir-se muito humilhado, zangado e frustrado pois e citando, neste momento em que a nossa nação atravessa
tão graves dificuldades, desejava dar o meu melhor para a tirar de apertos, por
favor votem em mim nas legislativas, dado que até para polícia-secretário fui
considerado inapto. As razões da inaptidão do Tó Segurança, que viu assim
aniquilado o seu sonho de infância, foram-nos reveladas pelos serviços de
recrutamento: embora o Tó tivesse passado os testes vocacionais, físicos,
psicológicos, psicotécnicos, académicos e de incompetência militar com
distinção e louvor, falhou redondamente na primeira tarefa como
estagiário-aprendiz. Há dois dias todos os polícias, incluindo os que estavam
de férias e de folga, pois na próxima semana terão de controlar excitados
adeptos desportivos, copofónicos e aficionados da traulitada em final de taça,
foram chamados para uma vital operação especial que consistiu em… seleccionar
por cores tampinhas de garrafas, para no Dia da Pátria se fazer uma bandeira
nacional que possa entrar no Guiness. Estamos a falar do livro mas a ideia
ocorreu ao chefe da polícia durante a ressaca de cerveja do mesmo nome, após
uma noite de borga no bar irlandês Guiness, para ficar tudo em família. Como se
vê, uma tarefa de fundamental importância para a segurança e bem-estar do país,
dos cidadão, meios-cidadãos e até os que nem têm direito a serem considerados
pessoas na cabeça de muita gente. Os ladrões, assassinos, traficantes de droga
e de escravos, os contrabandistas de armas e outras matérias explosivas, os
carteiristas, assaltantes de Multibanco à bomba e outros profissionais
especializados e incompreendidos pelas forças policiais ficaram profundamente
sensibilizados com a ideia solidária do “chefe da bófia” (declarações do líder
sindical destes profissionais, sic.) e decidiram colocar os seus estagiários a
recolher tampas de garrafa em caixotes do lixo, depósitos de fábricas e cafés, o
que correspondeu um inusitado aumento de assaltos a estes locais, tendo os
Multibancos temporariamente sido deixados em paz. O Sindicato dos Fora-da-Lei e
Actividades Similares procedeu seguidamente ao envio (em camiões das máfias do
Leste, Oeste e do Sul) das tampas roubadas para o armazém onde os polícias
procediam à sua selecção por cores. Tó Segurança, responsável pela recepção das
tampas, provocou de imediato um incidente ao recusar as que os beneméritos
profissionais do crime tentavam entregar pois segundo ele eram todas cinzentas
e não verdes, amarelas, pretas, azuis e vermelhas como mandava o regulamento. O
chefe da polícia não gostou da desastrada intervenção do Tó e mandou-o ir
escolher tampas com os outros, aceitando, grato, a contribuição solidária com o
esforço seleccionador das forças da ordem por parte do sindicato dos criminosos.
Quando o Tó passou ao trabalho efectivo a coisa deu berro, pois ele juntava
todas as tampas no mesmo monte, dado serem
todas da mesma cor. Foi assim que se descobriu o daltonismo do Tó, ficando
explicado porque não distingue entre o rosa da esquerda e o amarelo e azul da
direita. O pobre Tó Segurança foi de imediato demitido pois quem não distingue cores nã serve p’ró serviço, disse o chefe.
O chefe da polícia disse já que, se a corporação entrar no Guiness, irá mais
longe, pondo todos os operacionais a seleccionar tampinhas para uma bandeira
gigante da União das Hortaliças, rodeada de todas as bandeiras em formato XXL
dos 27 países que a constituem, mais os aspirantes a pertencerem-lhe, tarefa
que exigirá cerca de 1 mês de recolha e selecção dos materiais. O Sindicato dos
Fora-da-Lei e Actividades Similares já se solidarizou com a ideia e, além de
enviar emissários para chantagearem o comité do Guiness, assim garantindo a
inscrição da polícia do Nabal no famoso livro, prometeu aumentar o número de
assaltos, contribuindo com os extras destes, isto é, as tampinhas, para a nova
actividade profissional da polícia: reciclagem para inglês (no caso, americano)
ver.segunda-feira, 9 de junho de 2014
Vou-me Embora, Amor!... Não, Querida, Não Vás!...
Foi concluído hoje o divórcio
entre as casas reinantes da República dos Nabos e da Tripeça, tendo-se
concentrado no cais uma vasta multidão de súbditos nabos para dizer adeus ao
navio que levava a princesa real de volta aos estados ricaços do norte da União
das Hortaliças e ao seu palácio de infância na Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas.
Ao que o nosso jornal apurou, o divórcio deveu-se a intrigas palacianas,
estando entre os intriguistas o Sr. Dr. Paulo Ibn-Portões, que até ensinara os
seus galos a cocoricar a todas as matinas, vésperas e completas, rematado com grande
coro elegíaco final de cacarejos quando a bela princesa nórdica se fosse embora.
O objectivo: ganhar as boas graças dos nabos e vir a ser vizir em lugar do
vizir, como o seu querido e até ao momento falhado primo Iznogood tanto anseia.
O fall out do casório deveu-se a que
a segunda parte do dote da princesa, designado por Segundo Resgate (talvez
porque a princesa seja tão feia que o noivo tem de ser resgatado do susto com
umas boas arrobas de ouro), não foi pago pois os primos da Terra dos Gelos e Fiordes
se recusaram a contribuir para o Resgate, argumentando que “já tinham entrado
com a massa para as pérolas do vestido de noiva, agora outros que se descosam
c’o pilim”. Para tristeza do rei dos nabos, que ama muito a princesa apesar
dela ser feia como uma noite de trovoada, os seus conselheiros e embaixadores
aliaram-se aos somíticos parentes da moça e obrigaram-no ao divórcio, não se
sabendo até ao momento quais terão sido as contrapartidas recebidas por
mandarem a princesa dar uma volta ao bilhar grande e desamparar a loja, mas o
nosso repórter especializado em furos económicos já se deslocou ao offshore do Luxoburgo para fazer umas
averiguações em certos bancos e quando tivermos pormenores, deles daremos
devida publicação (se não nos fecharem a tasca antes). Entretanto, no dia da
partida da princesa, os galos do Sr. Paulo Ibn-Portões desafinaram de tal
maneira que a cidade entrou em pânico, a pensar que vinha aí uma invasão dos
hunos. Mas o Sr. Paulo Ibn-Portões é um homem de acção, que não se perturba por
nada, nem mesmo pelas irrevogabilidades revogáveis e linhas vermelhas que não
se podem passar mas que ele passa pois ainda está para nascer o cavaleiro que
lhe ponha um travão à cavalgada. Arregimentou de imediato vários trovadores
fatelas, numeroso coro de cantores pimba e pô-los a tocar no rossio enquanto
convocava um Conselho de Estado para decidir dos sapatos e vestidos que a
princesa seria autorizada a levar pois “vão-se as princesas mas ficam os
anéis”. Eufórico pela partida da Tripeça, que se negara a oferecer-lhe uns
certos favores privados porque também ela ama o rei nabo, o Sr. Paulo
Ibn-Portões, após a actuação do orfeão pimba, cujo fim era juntar o máximo de
nabos dada a popularidade dos pimbalhões, fez acalorado discurso (talvez fosse
por isso que a tribuna pegou fogo), declarando ser este o dia da restauração da
independência do Nabal, agora que lançara borda fora os sovinas mandões da Tripeça
e já podia ir sozinho ao mercado, esqueçam o 1º de Dezembro, o 18 de Maio será
o novo feriado, Viva a Independência, Viva o Nabal! Houve grande ovação, embora
não se saiba se foi pela independência se pelo incidente de strip-tease de que foi vítima a cantora
pimba Mamalhuda-Fornecida-Afinal-Havia-Outra na saída da esquerda baixa da
tribuna. O barco da princesa partiu e o rei ficou sozinho a chorar no cais enquanto
à sua volta os conselheiros e ministros afiavam os punhais e espadas para o
torneio que se realizará em breve para Manda-Chuva-do-Nabal. Mas queridos
concidadão não chorem pela princesa expulsa. Sabemos de fonte segura que,
quando a euforia do mercado desaparecer, com a chegada das chuvas e do míldio
na vinha, o rei pedirá de novo o regresso da Tripeça e, como ela gostou tanto
de ser rainha neste Nabal à beira mar plantado, voltará e com um fornecido
Segundo, Terceiro e todos os Resgates que o rei desejar. Para o povão não fará
nenhuma diferença estar cá a Tripeça ou não estar, pois terá de continuar a
apertar o cinto, dado que o divórcio exige a restituição de todo o dote, com
juros, custos de mora, taxas de câmbio e despesas de advogado, estas últimas a
pagar por pelo menos durante 100 anos.terça-feira, 3 de junho de 2014
E os Espíritos Vão ao Parlamento…
Em razão da nossa última notícia o Parlamento da
República Democrática dos Nabos decidiu iniciar jornadas de formação
profissional para os seus deputados, de modo a que estes se mantenham na crista
da onda do pensamento e conhecimento político mais recente. Ora como foi noticiado,
a nova trend da praxis política é o uso
do pensamento positivo, a que se podem associar eventos de oração colectiva e
expulsão de demónios do corpo dos adversários políticos, rituais de propiciamento
a entidades superiores como anjos e santos (ou a versão mística do suborno),
sessões de candomblé e umbanda com técnicas especiais para alcançar o transe místico
e a comunicação directa com os deuses afro-caribenhos, jogo de búzios, meditação
transcendental que permitirá o acesso directo em linha telefónica privada com o
Altíssimo como tem sido privilégio de alguns presidentes, como o famoso Ronaldo
Rega-Rega, entre muitas outras técnicas e práticas pois o mundo esotérico é
extremamente criativo, em especial quando toca de ir ao bolso dos incautos
clientes, demonstrando mais outra ponte de contacto com a actual praxis política.
Assim sendo, a presidente do parlamento Estevas-Atenção-Pelintras-os-Carrascos-Somos-Nós,
carinhosamente apelidada pelas bancadas de mirones ruidosos “Passem mas é p’ra
cá o guito da minha reforma precoce”, convidou os mais famosos bruxos,
adivinhos e gurus do país para darem aulas aos deputados nas suas áreas de especialização.
A primeira aula consiste numa palestra, seguida de aula prática de invocação de
espíritos em torno de tábua Oji e mesa de pé de galo, sobre “Vidas Passadas”. O
objectivo é levar os deputados a viajarem no tempo – ajudas de custo a preço
extra por serem usados veículos experimentais – e verem não apenas as suas
vidas passadas, mas para ajustar contas com os eleitores e vizinhos que não os
gramavam nessas vidas anteriores, quando regressarem ao lado de cá, permitindo
deste modo um encaixe extra de receitas no Orçamento de Estado por sobretaxação
e expropriação de bens aos alvos de vingança retroactiva. A formadora, Ana
Sol-a-Nadar, garantiu já a apresentação da palestra, com a inclusão de feitos
especiais tais como arraste de objectos sem aparente intervenção humana, dança aérea
de cadeiras (não confundir com as nomeações na TAP), vozes em off e véus de ectolasma,
com a possibilidade de participação especial de Albus Dumbledore ou Gandalf. Os
nabos eleitores desde já saúdam a ideia pois que, entretidos com as matérias do
além, os deputados talvez façam menos estragos à República do que se estiverem
no hemiciclo a fazerem de conta que fazem aquilo para que foram eleitos.
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