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terça-feira, 29 de abril de 2014

Líder da Toca dos Coelhos Saúda Verbo-de-Encher em Coma
No Califado da Argila (e Areias Para Construção) onde se iniciou a Primavera Que Murchou Antes da Flor, foram recentemente realizadas eleições para a cadeira do califa. Neste califado o cargo mais elevado não é recebido por herança familiar mas por decorativas eleições, para apaziguar observadores internacionais e distraídos locais que ainda julgam viver em democracia. Nestas eleições houve um facto que bem demonstra as maravilhas da medicina moderna. O candidato apoiado pelo principal partido – até os fundamentalistas religiosos locais acabarem de ocupar as cadeiras ainda disponíveis na sala de audiências do califado – e que já é califa vai para 15 anos (o que sugere que o cargo não é de herança familiar mas é vitalício) concorreu às eleições em absoluto estado de coma e internado em estabelecimento hospitalar, o que não é de surpreender dado o califa em causa contar já para cima de 80 primaveras (que não as flores). No entanto, apesar de em estado vegetativo, conseguiu participar em comícios, desfiles, sessões de esclarecimento e debates televisivos (embora os da oposição digam que foram os outros membros do partido e não o comatoso) mas aqui no jornal estamos em crer que isto são más-línguas e este fenómeno resulta das maravilhas médicas que terão permitido a um homem inconsciente dedicar-se de corpo e alma a uma renhida campanha eleitoral. E daí… talvez não seja tão extraordinário dado que muitos candidatos a eleições um pouco por todo o mundo são declaradamente inconscientes e alguns vivem mesmo em estados alterados da realidade senão em mundos bastante diferentes deste, para não lhes chamar outra coisa. Como resultado deste milagre das artes de Hipócrates, o velho califa em estado de coma acabou por, acreditem ou não, vencer as eleições e continuar califa, para desespero do grão-vizir Iznogood, que ainda não foi desta que se tornou califa no lugar do califa. Na Toca dos Coelhos – condomínio fechado e autónomo da República Democrática dos Nabos – o líder local enviou já um telegrama de felicitações ao vegetativo califa pelo reforço da democracia no Califado da Argila o que, nos dizeres deste coelho-líder, é comprovado pelos resultados das eleições no Califado. O que também prova a tese de que o líder da Toca dos Coelhos é mais outro fenómeno político declaradamente inconsciente ou em alternativa, que está a mais das vezes com uma g’anda “pedra”.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pensamento da Semana
A estupidez é a essência da natureza humana... e a cegueira a das sociedades
Da Capital-do-Tacho/Cidade da Couve-de-Bruxelas chega-nos a apaziguadora palavra de ordem para todos os cidadãos da União: não stressem, não entrem em pânico, o navio já afundou. Que é como quem diz, a União das Hortaliças foi ao fundo. Na mais recente reunião do Banco da União das Hortaliças (Fora de Prazo) foi assegurando que os mercados, e os cidadãos não precisam de se preocupar com a deflacção pois o Banco irá tomar todas as medidas para evitar tal desastre. E as medidas que tomaram – quando os preços já estão a descer em vários segmentos da economia e mal se mantém à tona dos 1% de aumento nas restantes – consistiram em… não fazer nada. Pelo menos até o barco estar bem atolado no fundo do mar. Esta actuação está em conformidade com os ditames vindos da Cidade das Bolas de Berlim, que é também a de fazer… por ficar o mais quietinho possível, qual animal pré-histórico a tentar enganar o olho atento dum dinossáurio. Ou, segundo a interpretação de alguns outros, o conhecido Grupo dos Contra, mais como um braquiossáurio de muito pequena cabeça, que só dava por ter ficado sem cauda aí alguns 5 minutos depois do facto e por isso demorava imenso a reagir ao perigo, para suprema felicidade dos carnívoros locais. Na mesma linha de raciocínio, decidiram os iluminados gestores da República Federal das Batatas fechar os cordões à bolsa e não avançar com o 3º resgate à democracia da Moussaka (dado que as anteriores políticas económicas de austeridade tinham corrido tão bem) porque se se fizer o resgate alimenta-se os extremismos mas também se se não der o resgate se alimenta a extrema-direita, donde podemos concluir que a extrema-direita não é extremismo e portanto, senhores de suásticas e botas cardadas podem vir pois serão recebidos de braços abertos. O terceiro exemplo de que não fazer nada é o melhor negócio é de que ainda, e seguindo os ditames do dolce fare niente, não se decidiu se os países da União que estão a deixar os acordos da Tripeça porque estes atingiram o limite do prazo de validade devem ir para a cama limpinhos ou pelo contrário vestir as fraldas da marca “Programa Cautelar”, dado que a decisão será tomada, lá p’ra depois das eleições. O que faz pensar o analista de serviço aqui do jornal (que também está a dormir para obedecer à nova moda) se as eleições para o Parlamento da União são mais importantes do que o futuro dos países afogados e das vidas das pessoas desses países. Também levanta a questão de se estes programas de ajustamento terem corrido tão mal que se tenha de convencer os votantes de que está tudo a correr bem e mais tarde, após as eleições, é que serão elas… porque, pensa o nosso analista, é muito mais importante eleger a raça iluminada que aquecerá os estofos da Cidade do Tacho/Couve-de-Bruxelas do que pensar e agir para bem da vida de todos os filhos da União. Que é aliás uma União com estrita separação de bens, em que o que é teu, teu é, e o que é meu, teu é também. Porque não se podem assustar os excelsos votantes dos países do Norte que, coitadinhos, estão cansados de dar dinheiro para os preguiçosos do sul. O que levanta ainda outra questão ao nosso analista (que por esta altura já está a pensar mudar o estatuto para filósofo): se o não fazer nada quando é necessário agir é a pedra de toque do funcionamento da União, então a preguiça será uma virtude... ou um defeito, consoante a latitude geográfica em que for praticada?
Conclusão científica: A União das Hortaliças tornou-se um, imenso alfobre de zombies.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

don't be fooled by that face
fingerprinting the criminal
No Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, mais conhecido por Paraíso dos Talibãs, o ditado “de pequenino é que se torce o pepino” está a ser ilustrado por um novo marco na jurisprudência internacional (ou na estupidez humana, consoante o prisma pelo qual se vejam as coisas). Pois sucede que na sequência do popular desporto local intifada, em que os alvos das pedradas eram polícias e funcionários de cobranças por causa do aumento dos preços do gás e cortes do mesmo a quem não tem dinheiro para pagar (e sabendo a miséria daquela terra, bem se pode imaginar que a maioria não tem), foi constituído arguido por tentativa de homicídio um bebé de 9 meses. Sim, o pequeno Moussa Khan é um empedernido assassino – ou antes, um assassino falhado dado que a vítima se queixou dele – apesar de nem conseguir pegar em condições no biberão, que é um objecto que lhe dá muito mais interesse do que uma vulgar pedra atirada à cabeça dum passante. Portanto o nosso pequeno Moussa, de 9 criminosos meses de idade, que refilou por lhe tirarem as impressões digitais sem saber porque lho faziam, foi apresentado a tribunal e saiu sob fiança basicamente porque… as prisões não têm creches. Mas a Justiça do Califado corta a eito (com espada e muito literalmente) e o terrível assassino (falhado) terá de se apresentar em tribunal a 12 de Abril. Até ao momento as declarações do réu limitaram-se a uns gugu-dádá seguidos duma choradeira que rebentou os tímpanos do juiz, que por força da lei religiosa local é homem e não está habituado a este tipo de poluição sonora, pelo que apanhou uma enxaqueca e por essa razão deixou o puto ir para casa sob fiança. O empedernido bebé também não está a cooperar com as autoridades na investigação do crime que não chegou a acontecer, pois a todas as perguntas só responde bubu-dádá, nhem-nhem, blu-blu-blut, gadi-gadi, briu-briu-briu e ainda não foi possível arranjar um tradutor de bebéguês, embora as autoridades estejam a envidar todos os esforços para assegurar a cooperação do tradutor de linguagem gestual do funeral do Mandela. Entretanto o juiz que mandou a criança para casa sob caução está já a considerar especializar-se no novo ramo de direito civil – criminologia de bebés de mama – e pediu ao governo estadual que decorasse a sua sala de audiências com bonecos e colagens coloridas, mobiles e outros decors que muito se vêm nas creches e jardins infantis para os filhos dos senhores ricos do país, não vá um dia o neto-bebé do Primeiro-Ministro também aparecer por ali, acusado de tentativa de rapto do avô. De notar que, pela lei religiosa do país, um assassino pode ser condenado à morte a menos que os familiares paguem à família enlutada uma pipa de massa, altura em que o assassino é perdoado e pode sair em liberdade. Deve ainda referir-se que os cidadãos em custódia são quase sempre agraciados com o conhecimento in loco e sobre si mesmos das diversas técnicas optimizadas de interrogatório – também conhecidas por tortura – donde será de prever que em breve neste país, bebés de 6 ou de 9 meses possam vir a ser mortos na praça pública pelo carrasco oficial do governo, para edificação das massas. Para os que, por misericórdia em dia de santo feriado, vejam as suas penas comutadas para perpétua, as prisões estão já a proceder a remodelações nas celas (passando a albergar 10 criminosos minorcas por buraco) e alteraram as suas listas de compras que agora incluem fraldas, biberões, leite em pó, andarilhos, rocas e mordedores Chicco para os que estão com a raivice dos dentes. E se pensam que estas coisas só acontecem no Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, é melhor começarem a olhar à vossa volta com mais atenção.
A life of crime makes you hungry (YOUTUBE)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Democracia É… Entrar Mudo e Sair Calado (ou vamos todos bater palmas ao estilo Kim Jong-Il: a Lei da Rolha – Parte III)
Na República Democrática (cada vez mais às vezes) dos Nabos está-se em grande afobação para as celebrações libertárias do regime. Sendo um ano de austeridade, contenção orçamenta, e aperto do cinto, decidiram as autoridades celebrar a coisa não em conjunto como até aqui mas cada um por seu lado, para pintar um bonito cenário de pluralismo e liberdade inter-confessional. Assim, o presidente celebra num sítio e com o seu grupo de convidados, os parlamentares noutro e com convidados diferentes, o governo noutro e com lista de convidados distinta das duas anteriores e… o povão fica em casa a ruminar frente à TV porque já nem há massa para ir para o café da esquina comer uns tremoços e beber umas b’jecas. As festas vão ser muito animadas pois celebram a liberdade das pessoas poderem dizer e escrever aquilo que pensam sobre tudo e mais alguma coisa. E para celebrar a liberdade de opinião e o fim da censura prévia, a Assembleia dos Nabos Locais convidou os rapazes que há 40 anos mandaram o dono do carimbo vermelho e da mordaça embora, e que deixaram já de ser rapazes e agora são velhotes. Embora não os habituais velhotes resignados e acomodados “é como Deus manda” pois se pudessem ainda partiam uns quantos pratos e atirá-los-iam a certas cabeças que lhes calhassem de aparecer pela frente. Velhotes refilões, estão a ver o estilo. Por essa razão, para comemorar em dignidade o regresso da liberdade de faladura, escritura e pensamento, serão os velhotes convidados para as festividades no Parlamento devendo… não abrir a boca. Nada mais adequado, dizemos nós aqui no jornal, do que uma boca calada (à força e por decreto) para celebrar a liberdade de expressão. Aliás, o Parlamento – lugar onde por norma se devem debater ideias e opiniões – tem sido muito abalado nos últimos tempos porque o povão que vai assistir aos debates também deu de querer participar e se manifesta ora dizendo coisas, ora em silêncio mas desfraldando faixas com frases de protesto, ou também em silêncio – e sem jamais impedir os deputados de falar e agir – deitando papelinhos e outras doces decorações para as bancadas, razão porque são indecentes e bárbaros nazis, do ponto de vista da iluminada Presidente do Parlamento. Que para evitar mais atentados à sua altíssima pessoa já pediu um estudo para limitar o direito do povo a assistir aos trabalhos dos tipos que elegeu para aquele sítio, pois quem elege não tem nada que meter o nariz e vigiar o que os seus eleitos andam a fazer. E apesar de ser um ano de vacas magras, contenção orçamental, austeridade e aperto do cinto, foi o estudo encomendado, embora os nossos infiltrados nos informem que não era necessário pois a preclara Presidente já decidira que a partir de 1 de Maio só terá acesso às galerias da casa quem possuir residência registada na Quinta da Marinha, cartão de membro do Rotary Club, várias contas de 7 dígitos em off-shores, amigos conhecidos dos círculos do poder e se apresente em traje de gala para vernissages reais. Para que as celebrações corram na mais perfeita harmonia e decoro, não só os Rapazes de Abril serão impedidos de discursar ou mesmo de meter apartes e teatrais buchas (falarão só os tipos que na altura andavam de fraldas ou ainda nem eram nascidos) e o povão na galeria será assessorado por um polícia por cabeça, com a missão de dar na referida cabeça se esta decidir botar faladura no meio das celebrações. Para que o espectáculo saia em alta glória, esplendor e alegria, os Rapazes de Abril estão já em intensos ensaios de bater palmas para poderem batê-las em perfeita sincronia e com vigor apaixonado ao estilo “súbdito do reino de Kim Jong-Il” (no qual onde quem bater palmas com menos vigor é levado logo para a frente do pelotão de fuzilamento e despachado para a quinta das tabuletas por “não mostrar o devido entusiasmo pelo querido líder”). Para esse efeito mandaram já vir do Reino da Península da Fome o ensaiador-mor de desfiles e palmas para ensinar à Rapaziada de Abril como é comportar-se com termos. Na sequência deste protocolo de cooperação pensa-se em breve aplicar a lei da corte de Kim Jong-Il à plateia das galerias do Parlamento, estendendo-a mais tarde aos jornalistas e outros coscuvilheiros e que é: quem ousar discordar leva um tiro nos miolos. E Viva a Liberdade!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Na sequência da notícia anterior e do sururú que deu nos órgãos de comunicação social do Nabal o facto de tanta gente, na altura mais difícil da famosa crise, ter ficado sem rendimento de inserção social, nem emprego nem nada de nada, a consciência cívica do super-hiper-ministro Paulo Ibn-Portões foi desperta e este, após madura reflexão sobre o problema, que demorou 30 segundos, veio explicar que essas pessoas ficaram sem subsídio porque são podres de ricas, têm mais de 100 000 brasas nas suas contas no banco, e portanto não precisam de ajudas para nada. Confusos, mas eivados do dever patriótico de informar as massas (quando mais não seja as da caixa de esparguete lá de casa), o nosso jornal despachou para a rua o repórter, Xoninhas Crédulo para ir indagar junto dos sem-abrigo e outros pobre profissionais se é mesmo verdade que têm pipas de massa e estão podres de dinheiro. E como o rapaz é bem mandado, foi… p’rá rua. Após entrevistar vários sem-abrigo, famílias apertadas em barracas de cartão construídas debaixo das pontes, que esperam a todo o momento demolição por buldozers pois não pagaram a licença de edificação de barraca, e uma carga de pulgas e piolhos de todo o tamanho – não pudémos deixá-lo entrar na redacção antes de se fumigar bem fumigado com DDT – o nosso Xoninhas regressou com os frutos do seu labor, que confirmam as duras palavras do grande excelentíssimo Paulo Ibn-Portões. Os pobres são na verdade riquíssimos! As refeições que se “esquecem” de comer são incontáveis, o cotão nos bolsos enche um cofre de um digno banco, os buracos nas solas dos sapatos – os que ainda os têm – e na roupa somam a várias dezenas de milhar. Também têm imensas molhas por mor dos buracos nos cartões dos telhados das barracas ou porque a dormir ao relento apanha-se toda a chuva que o céu descarrega, e essa ainda é grátis. Por enquanto. Muitos, tendo um grande espírito de empreendedorismo, têm também fugas sem conta à frente da polícia quando roubam comida no supermercado, e boa parte deles batem recordes de velocidade todos os dias, pois todos os dias têm de fanar qualquer coisa para meter no bucho. Também têm basta conta de dias em que têm de optar por ou comer ou tomar os medicamentos para se manterem vivos ou tomarem os medicamentos e ficarem sem comer, e são ainda mais numerosos os dias das suas contas em que nem para uma coisa nem para outra. Também já perderam o conto às rendas de casa em atraso e quanto a água, luz e gás, desapareceu das suas vidas há tanto tempo que já nem sabem o que isso é. E de facto têm contas bancárias com mais de 100 000 brasas, mas apenas que essas 100 mil são… saldo negativo. O nosso Xoninhas Crédulo foi aos bancos investigar e com efeito, as referidas contas têm um sinal menos antes do valor do saldo que o inefável e supremo ministro Sr. Paulo Ibn-Portões não viu quando estava a conferir os dados para a conferência de imprensa. Entretanto há grande agitação na rua ao saber-se como o Sr. Paulo Ibn-Portões sofre com as suas contas bancárias de vários milhares, e estes com um sinal + atrás, as comissões que vão passear até aos cofres de refrescantes ilhas tropicais, e com os seus carros, gastando uma fortuna só apra pagar ao motorista e ao mecânico para os manterem no ponto e prontos a transportá-lo para qualquer sítio. Movidos por um desinteressado bem-querer ao seu próximo, está já a circular entre os sem-abrigo e o pessoal das barracas um abaixo-assinado em como estão dispostos a oferecer ao Sr. Paulo Ibn-Portões os seus lugares de pernoita ao relento e embalos das chuvas pelas contas bancárias (sem mexidelas de saldo de última hora) e carros do Sr. Ministro. “É um bom negocio!” garantiu-nos Zé da Esquina “Quando o mercado recuperar, estes nossos bocadinhos onde estendemos os cartões e jornais para dormir vão subir de preço upa, upa! Que quer, é terreno urbano e mal o mercado imobiliário comece a mexer… Nós somos patriotas e queremos ajudar os senhores ministros, oferecendo-lhes as nossas riquezas, nem precisa de vir cá cobrar imposto, nós damos-lhes tudo”.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Notícias que nos chegaram da Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, do gabinete de imprensa do presidente da União, o Sr. Eu Bem Te Avisei, dão-nos conta de que o exilado de Rilhafoles (ou mais exactamente, fugitivo), tendo já cumprido a sua tarefa de dar cabo do mercado de compras e vendas on-line e por cartão de crédito, irá agora assumir novas responsabilidades, como conselheiro-mor no Fundo Mundial da Agiotagem. As suas credenciais para o novo cargo são de peso. Como o Fundo Mundial da Agiotagem se especializou em afundar as economias dos países que vai “socorrer”, ao impor benemeritamente um conjunto de cortes orçamentais e liquidação de planos governamentais que possam tornar as suas economias competitivas nos mercados internacionais, o que é, como se sabe, um péssimo caminho, os seus técnicos têm de possuir vasta experiência em destruir economias e trabalhar com instrumentos financeiros especulativos do grupo “tóxico” para que a morte das economias a intervencionar seja fulminante e garantida. Ora como ainda se lembram os nabos, o Exilado de Rilhafoles afundou a economia do Nabal em três tempos, a uma velocidade estonteante que lhe valeu o registo no Livro de Recordes do Guinness, e sem por uma vez levantar qualquer protesto contra os ultimatos deste Fundo e da União das Hortaliças, sem sequer fazer amuo ou birra, como era de uso dos seus homólogos nos demais países. O seu desejo de cooperar com o Fundo e de fazer tudo o que diziam os ultimatadores, como um aluno bem aplicado, levou agora a que dos numerosos candidatos ao cargo – que tem uma remuneração mensal de 23 mil brasas (isso mesmo 23 mil por mês) – ele tivesse sido o primeiro escolhido e o júri de selecção até lhe haja tecido rasgado louvor e elogio. Até porque, tendo ajudado a complicar as transacções na União das Hortaliças, seria um candidato que poderia abrir ainda mais as portas da União ao Fundo que, quando tiver acabado com a dita, terá levado não apenas a sua economia à morgue mas também toda e qualquer antiga ideia de União. O nosso amado lingrinhas e Exilado de Rilhafoles vai assim exercer um cargo de conselheiro, em que não se faz grande coisa excepto dizer onde se deve cortar nos orçamentos e que medidas de destruição da sociedade se devem exigir aos países sequestrados e em necessidade urgente de resgate, funcionando a coisa tal e qual como no tempo dos piratas. Dado o abnegado esforço do Fundo para resgatar os países não se sabe muito bem de quem, estes têm de pagar ao Fundo pela sua benemérita acção. E para pagar salários destes é claro que os resgatados têm de pagar e com língua de palmo. É por essa razão que no mais recente resgatado, a República Democrática dos Nabos, se tirou agora a mais de 10 000 nabos os subsídios de desemprego ou de inserção social, apesar de mais do que nunca haver desemprego e os salários dos sortudos que trabalham terem deixado de dar para o mês inteiro, o que se reflecte nos cortes de água e electricidade, que atingem já vários milhares de lares por ano. O dinheiro que se tira a esta gente destina-se a pagar o gesto benemérito do Fundo e, como este se chama Fundo Mundial da Agiotagem, os pagamentos têm juros capazes de fazer corar de vergonha o mais empedernido agiota. Assim, enquanto uns vêem desaparecer os seus empregos e os seus salários, por causa da crise, outros têm salários de muitos milhares de brasas para… criarem crises. Como vêem, há crise… e crise.