Da Capital-do-Tacho/Cidade da Couve-de-Bruxelas
chega-nos a apaziguadora palavra de ordem para todos os cidadãos da União: não
stressem, não entrem em pânico, o navio já afundou. Que é como quem diz, a
União das Hortaliças foi ao fundo. Na mais recente reunião do Banco da União
das Hortaliças (Fora de Prazo) foi assegurando que os mercados, e os cidadãos
não precisam de se preocupar com a deflacção pois o Banco irá tomar todas as
medidas para evitar tal desastre. E as medidas que tomaram – quando os preços
já estão a descer em vários segmentos da economia e mal se mantém à tona dos 1%
de aumento nas restantes – consistiram em… não fazer nada. Pelo menos até o
barco estar bem atolado no fundo do mar. Esta actuação está em conformidade com
os ditames vindos da Cidade das Bolas de Berlim, que é também a de fazer… por
ficar o mais quietinho possível, qual animal pré-histórico a tentar enganar o
olho atento dum dinossáurio. Ou, segundo a interpretação de alguns outros, o
conhecido Grupo dos Contra, mais como um braquiossáurio de muito pequena
cabeça, que só dava por ter ficado sem cauda aí alguns 5 minutos depois do
facto e por isso demorava imenso a reagir ao perigo, para suprema felicidade
dos carnívoros locais. Na mesma linha de raciocínio, decidiram os iluminados
gestores da República Federal das Batatas fechar os cordões à bolsa e não
avançar com o 3º resgate à democracia da Moussaka (dado que as anteriores
políticas económicas de austeridade tinham corrido tão bem) porque se se fizer
o resgate alimenta-se os extremismos mas também se se não der o resgate se
alimenta a extrema-direita, donde podemos concluir que a extrema-direita não é
extremismo e portanto, senhores de suásticas e botas cardadas podem vir pois
serão recebidos de braços abertos. O terceiro exemplo de que não fazer nada é o
melhor negócio é de que ainda, e seguindo os ditames do dolce fare niente, não se decidiu se os países da União que estão a
deixar os acordos da Tripeça porque estes atingiram o limite do prazo de
validade devem ir para a cama limpinhos ou pelo contrário vestir as fraldas da
marca “Programa Cautelar”, dado que a decisão será tomada, lá p’ra depois das eleições. O que faz pensar o analista de serviço
aqui do jornal (que também está a dormir para obedecer à nova moda) se as
eleições para o Parlamento da União são mais importantes do que o futuro dos
países afogados e das vidas das pessoas desses países. Também levanta a questão
de se estes programas de ajustamento terem corrido tão mal que se tenha de
convencer os votantes de que está tudo a correr bem e mais tarde, após as
eleições, é que serão elas… porque, pensa o nosso analista, é muito mais
importante eleger a raça iluminada que aquecerá os estofos da Cidade do
Tacho/Couve-de-Bruxelas do que pensar e agir para bem da vida de todos os
filhos da União. Que é aliás uma União com estrita separação de bens, em que o
que é teu, teu é, e o que é meu, teu é também. Porque não se podem assustar os
excelsos votantes dos países do Norte que, coitadinhos, estão cansados de dar
dinheiro para os preguiçosos do sul. O que levanta ainda outra questão ao nosso
analista (que por esta altura já está a pensar mudar o estatuto para filósofo):
se o não fazer nada quando é necessário agir é a pedra de toque do
funcionamento da União, então a preguiça será uma virtude... ou um defeito,
consoante a latitude geográfica em que for praticada?
Conclusão científica: A União das Hortaliças tornou-se um, imenso alfobre de zombies.


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