Notícias que nos chegaram da Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, do
gabinete de imprensa do presidente da União, o Sr. Eu Bem Te Avisei, dão-nos
conta de que o exilado de Rilhafoles (ou mais exactamente, fugitivo), tendo já
cumprido a sua tarefa de dar cabo do mercado de compras e vendas on-line e por
cartão de crédito, irá agora assumir novas responsabilidades, como
conselheiro-mor no Fundo Mundial da Agiotagem. As suas credenciais para o novo
cargo são de peso. Como o Fundo Mundial da Agiotagem se especializou em afundar
as economias dos países que vai “socorrer”, ao impor benemeritamente um
conjunto de cortes orçamentais e liquidação de planos governamentais que possam
tornar as suas economias competitivas nos mercados internacionais, o que é,
como se sabe, um péssimo caminho, os seus técnicos têm de possuir vasta
experiência em destruir economias e trabalhar com instrumentos financeiros
especulativos do grupo “tóxico” para que a morte das economias a intervencionar
seja fulminante e garantida. Ora como ainda se lembram os nabos, o Exilado de
Rilhafoles afundou a economia do Nabal em três tempos, a uma velocidade
estonteante que lhe valeu o registo no Livro de Recordes do Guinness, e sem por
uma vez levantar qualquer protesto contra os ultimatos deste Fundo e da União
das Hortaliças, sem sequer fazer amuo ou birra, como era de uso dos seus
homólogos nos demais países. O seu desejo de cooperar com o Fundo e de fazer
tudo o que diziam os ultimatadores, como um aluno bem aplicado, levou agora a
que dos numerosos candidatos ao cargo – que tem uma remuneração mensal de 23
mil brasas (isso mesmo 23 mil por mês) – ele tivesse sido o primeiro escolhido
e o júri de selecção até lhe haja tecido rasgado louvor e elogio. Até porque,
tendo ajudado a complicar as transacções na União das Hortaliças, seria um
candidato que poderia abrir ainda mais as portas da União ao Fundo que, quando
tiver acabado com a dita, terá levado não apenas a sua economia à morgue mas
também toda e qualquer antiga ideia de União. O nosso amado lingrinhas e
Exilado de Rilhafoles vai assim exercer um cargo de conselheiro, em que não se
faz grande coisa excepto dizer onde se deve cortar nos orçamentos e que medidas
de destruição da sociedade se devem exigir aos países sequestrados e em
necessidade urgente de resgate, funcionando a coisa tal e qual como no tempo
dos piratas. Dado o abnegado esforço do Fundo para resgatar os países não se
sabe muito bem de quem, estes têm de pagar ao Fundo pela sua benemérita acção.
E para pagar salários destes é claro que os resgatados têm de pagar e com língua
de palmo. É por essa razão que no mais recente resgatado, a República
Democrática dos Nabos, se tirou agora a mais de 10 000 nabos os subsídios de
desemprego ou de inserção social, apesar de mais do que nunca haver desemprego
e os salários dos sortudos que trabalham terem deixado de dar para o mês
inteiro, o que se reflecte nos cortes de água e electricidade, que atingem já vários
milhares de lares por ano. O dinheiro que se tira a esta gente destina-se a
pagar o gesto benemérito do Fundo e, como este se chama Fundo Mundial da
Agiotagem, os pagamentos têm juros capazes de fazer corar de vergonha o mais
empedernido agiota. Assim, enquanto uns vêem desaparecer os seus empregos e os
seus salários, por causa da crise, outros têm salários de muitos milhares de
brasas para… criarem crises. Como vêem, há crise… e crise.Número total de visualizações de páginas
terça-feira, 8 de abril de 2014
Notícias que nos chegaram da Capital do Tacho/Couve-de-Bruxelas, do
gabinete de imprensa do presidente da União, o Sr. Eu Bem Te Avisei, dão-nos
conta de que o exilado de Rilhafoles (ou mais exactamente, fugitivo), tendo já
cumprido a sua tarefa de dar cabo do mercado de compras e vendas on-line e por
cartão de crédito, irá agora assumir novas responsabilidades, como
conselheiro-mor no Fundo Mundial da Agiotagem. As suas credenciais para o novo
cargo são de peso. Como o Fundo Mundial da Agiotagem se especializou em afundar
as economias dos países que vai “socorrer”, ao impor benemeritamente um
conjunto de cortes orçamentais e liquidação de planos governamentais que possam
tornar as suas economias competitivas nos mercados internacionais, o que é,
como se sabe, um péssimo caminho, os seus técnicos têm de possuir vasta
experiência em destruir economias e trabalhar com instrumentos financeiros
especulativos do grupo “tóxico” para que a morte das economias a intervencionar
seja fulminante e garantida. Ora como ainda se lembram os nabos, o Exilado de
Rilhafoles afundou a economia do Nabal em três tempos, a uma velocidade
estonteante que lhe valeu o registo no Livro de Recordes do Guinness, e sem por
uma vez levantar qualquer protesto contra os ultimatos deste Fundo e da União
das Hortaliças, sem sequer fazer amuo ou birra, como era de uso dos seus
homólogos nos demais países. O seu desejo de cooperar com o Fundo e de fazer
tudo o que diziam os ultimatadores, como um aluno bem aplicado, levou agora a
que dos numerosos candidatos ao cargo – que tem uma remuneração mensal de 23
mil brasas (isso mesmo 23 mil por mês) – ele tivesse sido o primeiro escolhido
e o júri de selecção até lhe haja tecido rasgado louvor e elogio. Até porque,
tendo ajudado a complicar as transacções na União das Hortaliças, seria um
candidato que poderia abrir ainda mais as portas da União ao Fundo que, quando
tiver acabado com a dita, terá levado não apenas a sua economia à morgue mas
também toda e qualquer antiga ideia de União. O nosso amado lingrinhas e
Exilado de Rilhafoles vai assim exercer um cargo de conselheiro, em que não se
faz grande coisa excepto dizer onde se deve cortar nos orçamentos e que medidas
de destruição da sociedade se devem exigir aos países sequestrados e em
necessidade urgente de resgate, funcionando a coisa tal e qual como no tempo
dos piratas. Dado o abnegado esforço do Fundo para resgatar os países não se
sabe muito bem de quem, estes têm de pagar ao Fundo pela sua benemérita acção.
E para pagar salários destes é claro que os resgatados têm de pagar e com língua
de palmo. É por essa razão que no mais recente resgatado, a República
Democrática dos Nabos, se tirou agora a mais de 10 000 nabos os subsídios de
desemprego ou de inserção social, apesar de mais do que nunca haver desemprego
e os salários dos sortudos que trabalham terem deixado de dar para o mês
inteiro, o que se reflecte nos cortes de água e electricidade, que atingem já vários
milhares de lares por ano. O dinheiro que se tira a esta gente destina-se a
pagar o gesto benemérito do Fundo e, como este se chama Fundo Mundial da
Agiotagem, os pagamentos têm juros capazes de fazer corar de vergonha o mais
empedernido agiota. Assim, enquanto uns vêem desaparecer os seus empregos e os
seus salários, por causa da crise, outros têm salários de muitos milhares de
brasas para… criarem crises. Como vêem, há crise… e crise.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário