Este Tribunal Lava Mais Branco!
Na República Democrática dos Nabos, por causa da crise, os funcionários
públicos têm agora que desempenhar cinco funções diferentes ao mesmo tempo,
raão pela qual os tribunais passaram a acumular as funções de lavandarias. E
têm demonstrado uma grande vocação para este segundo mêtier. Com efeito foram lavadas as eventuais culpas dum
interessante negócio com submarinos duma empresa da República federal das
Batatas. A coisa andava há anos aos tombos pelas diversas varas cívicas
nabenses enquanto na República das Batatas a coisa fora rápida e livre de
dúvidas: os grandes chefes da empresa tinham entrado m negócios pouco
recomendáveis, com cobertura de corrupção no bolo e como tal foram condenados.
Entretanto no pacífico Nabal um dos suspeitos locais no negócio chegou a
ministro e tudo e só depois dele estar quase a ser chefe da banda se fez o
julgado. Concluindo os meretíssimos que não houvera qualquer corrupção, fora
toda a gente muito honesta e sincera, e o facto dos nabos ficarem a arder com
vários milhões de brasas e promessas batatenses nunca cumpridas… tratou-se de
um infeliz acidente de percurso de que o mundo dos negócios não está livre.
Saíram assim limpos e ilibados os nabos locais e mais ministeriáveis do que
nunca. Tendo-se também concluído que se do lado batatense houvera corrupção e
do lado nabense não, então para dançar o tango só é necessário um. Entretanto a
honra e cadastro dum ínclito cidadão e só por acaso dono associado do Banco dos
Ratinhos tinha andado pelas bocas do mundo por causa de complicadas operações
financeiras que tinham feito montes de massa pegar em remos e navegar à bolina
para ilhas offshore, famosas pelas
suas belas praias e mulatas. Com estas fugitivas divisas à deriva o banco faliu
e embora o pobre investidor não haja tido qualquer culpa no caso, a mesquinha e
desinformada opinião pública não se cansava de maldizer o infeliz. Mas agora,
após o fim do período de validade do caso, limparam o pó e as teias de aranha
ao processo, lavaram as folhas e também limparam a folha de serviço do nobre
cidadão, que pôde sair de cena sem pagar culpas ou multas pagas pois “o
processo ultrapassou o prazo de validade, terá de ser devolvido à procedências”
que é como quem diz, ao caixote do lixo. Ficou a honra de tão egrégio cidadão
nabense limpa e os tribunais já avisaram que mais casos de limpeza se vão
seguir. Perante tão eficaz taxa de limpeza de honras, cadastros e acusações,
estão já os restantes países da União das Hortaliças a pensar contratar os
tribunais nabenses para limparem muitas nódoas teimosas e refractárias das suas
Histórias passadas e recentes, para se apresentarem perante a comunidade
internacional em alva candura e inocência comprovada por certificado. Para
obviar à crescente procura externa, o currículo académico de Direito na
República Democrática dos Nabos contempla agora estágios em lavandarias
chinesas e grupos de recolha de fundos da Máfia. Pretende-se com estas mais-valias
curriculares que os futuros advogados nabenses, tendo como única perspectiva
profissional emigrar (a menos que se colem a algum partido grande) exportem as
técnicas de lavagem do Nabal para o resto do globo, inaugurando uma era de
limpeza profunda, a secos e molhados, dos recursos mundiais.

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