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| don't be fooled by that face |
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| fingerprinting the criminal |
No Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, mais
conhecido por Paraíso dos Talibãs, o ditado “de pequenino é que se torce o
pepino” está a ser ilustrado por um novo marco na jurisprudência internacional
(ou na estupidez humana, consoante o prisma pelo qual se vejam as coisas). Pois
sucede que na sequência do popular desporto local
intifada, em que os alvos das pedradas eram polícias e funcionários
de cobranças por causa do aumento dos preços do gás e cortes do mesmo a quem
não tem dinheiro para pagar (e sabendo a miséria daquela terra, bem se pode
imaginar que a maioria não tem), foi constituído arguido por tentativa de homicídio
um bebé de 9 meses. Sim, o pequeno Moussa Khan é um empedernido assassino – ou
antes, um assassino falhado dado que a vítima se queixou dele – apesar de nem
conseguir pegar em condições no biberão, que é um objecto que lhe dá muito mais
interesse do que uma vulgar pedra atirada à cabeça dum passante. Portanto o nosso
pequeno Moussa, de 9 criminosos meses de idade, que refilou por lhe tirarem as
impressões digitais sem saber porque lho faziam, foi apresentado a tribunal e
saiu sob fiança basicamente porque… as prisões não têm creches. Mas a Justiça
do Califado corta a eito (com espada e muito literalmente) e o terrível
assassino (falhado) terá de se apresentar em tribunal a 12 de Abril. Até ao
momento as declarações do réu limitaram-se a uns gugu-dádá seguidos duma
choradeira que rebentou os tímpanos do juiz, que por força da lei religiosa
local é homem e não está habituado a este tipo de poluição sonora, pelo que
apanhou uma enxaqueca e por essa razão deixou o puto ir para casa sob fiança. O
empedernido bebé também não está a cooperar com as autoridades na investigação
do crime que não chegou a acontecer, pois a todas as perguntas só responde
bubu-dádá, nhem-nhem, blu-blu-blut, gadi-gadi, briu-briu-briu e ainda não foi
possível arranjar um tradutor de bebéguês, embora as autoridades estejam a
envidar todos os esforços para assegurar a cooperação do tradutor de linguagem
gestual do funeral do Mandela. Entretanto o juiz que mandou a criança para casa
sob caução está já a considerar especializar-se no novo ramo de direito civil –
criminologia de bebés de mama – e pediu ao governo estadual que decorasse a sua
sala de audiências com bonecos e colagens coloridas, mobiles e outros
decors que muito se vêm nas creches e
jardins infantis para os filhos dos senhores ricos do país, não vá um dia o
neto-bebé do Primeiro-Ministro também aparecer por ali, acusado de tentativa de
rapto do avô. De notar que, pela lei religiosa do país, um assassino pode ser
condenado à morte a menos que os familiares paguem à família enlutada uma pipa
de massa, altura em que o assassino é perdoado e pode sair em liberdade. Deve
ainda referir-se que os cidadãos em custódia são quase sempre agraciados com o
conhecimento
in loco e sobre si
mesmos das diversas técnicas optimizadas de interrogatório – também conhecidas
por tortura – donde será de prever que em breve neste país, bebés de 6 ou de 9 meses
possam vir a ser mortos na praça pública pelo carrasco oficial do governo, para
edificação das massas. Para os que, por misericórdia em dia de santo feriado,
vejam as suas penas comutadas para perpétua, as prisões estão já a proceder a
remodelações nas celas (passando a albergar 10 criminosos minorcas por buraco)
e alteraram as suas listas de compras que agora incluem fraldas, biberões,
leite em pó, andarilhos, rocas e mordedores Chicco para os que estão com a raivice
dos dentes. E se pensam que estas coisas só acontecem no Califado dos Vizinhos
do Califado das Tribos à Pancada, é melhor começarem a olhar à vossa volta com
mais atenção.
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| A life of crime makes you hungry (YOUTUBE) |
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