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sexta-feira, 11 de abril de 2014

don't be fooled by that face
fingerprinting the criminal
No Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, mais conhecido por Paraíso dos Talibãs, o ditado “de pequenino é que se torce o pepino” está a ser ilustrado por um novo marco na jurisprudência internacional (ou na estupidez humana, consoante o prisma pelo qual se vejam as coisas). Pois sucede que na sequência do popular desporto local intifada, em que os alvos das pedradas eram polícias e funcionários de cobranças por causa do aumento dos preços do gás e cortes do mesmo a quem não tem dinheiro para pagar (e sabendo a miséria daquela terra, bem se pode imaginar que a maioria não tem), foi constituído arguido por tentativa de homicídio um bebé de 9 meses. Sim, o pequeno Moussa Khan é um empedernido assassino – ou antes, um assassino falhado dado que a vítima se queixou dele – apesar de nem conseguir pegar em condições no biberão, que é um objecto que lhe dá muito mais interesse do que uma vulgar pedra atirada à cabeça dum passante. Portanto o nosso pequeno Moussa, de 9 criminosos meses de idade, que refilou por lhe tirarem as impressões digitais sem saber porque lho faziam, foi apresentado a tribunal e saiu sob fiança basicamente porque… as prisões não têm creches. Mas a Justiça do Califado corta a eito (com espada e muito literalmente) e o terrível assassino (falhado) terá de se apresentar em tribunal a 12 de Abril. Até ao momento as declarações do réu limitaram-se a uns gugu-dádá seguidos duma choradeira que rebentou os tímpanos do juiz, que por força da lei religiosa local é homem e não está habituado a este tipo de poluição sonora, pelo que apanhou uma enxaqueca e por essa razão deixou o puto ir para casa sob fiança. O empedernido bebé também não está a cooperar com as autoridades na investigação do crime que não chegou a acontecer, pois a todas as perguntas só responde bubu-dádá, nhem-nhem, blu-blu-blut, gadi-gadi, briu-briu-briu e ainda não foi possível arranjar um tradutor de bebéguês, embora as autoridades estejam a envidar todos os esforços para assegurar a cooperação do tradutor de linguagem gestual do funeral do Mandela. Entretanto o juiz que mandou a criança para casa sob caução está já a considerar especializar-se no novo ramo de direito civil – criminologia de bebés de mama – e pediu ao governo estadual que decorasse a sua sala de audiências com bonecos e colagens coloridas, mobiles e outros decors que muito se vêm nas creches e jardins infantis para os filhos dos senhores ricos do país, não vá um dia o neto-bebé do Primeiro-Ministro também aparecer por ali, acusado de tentativa de rapto do avô. De notar que, pela lei religiosa do país, um assassino pode ser condenado à morte a menos que os familiares paguem à família enlutada uma pipa de massa, altura em que o assassino é perdoado e pode sair em liberdade. Deve ainda referir-se que os cidadãos em custódia são quase sempre agraciados com o conhecimento in loco e sobre si mesmos das diversas técnicas optimizadas de interrogatório – também conhecidas por tortura – donde será de prever que em breve neste país, bebés de 6 ou de 9 meses possam vir a ser mortos na praça pública pelo carrasco oficial do governo, para edificação das massas. Para os que, por misericórdia em dia de santo feriado, vejam as suas penas comutadas para perpétua, as prisões estão já a proceder a remodelações nas celas (passando a albergar 10 criminosos minorcas por buraco) e alteraram as suas listas de compras que agora incluem fraldas, biberões, leite em pó, andarilhos, rocas e mordedores Chicco para os que estão com a raivice dos dentes. E se pensam que estas coisas só acontecem no Califado dos Vizinhos do Califado das Tribos à Pancada, é melhor começarem a olhar à vossa volta com mais atenção.
A life of crime makes you hungry (YOUTUBE)

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