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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Não Têm Água? Bebam Champanhe!

Da República dos Hambúrgueres chegaram-nos notícias sobre a possibilidade de Maria Antonieta ter reencarnado como CEO da internacional marca de productos lácteos e franchising no mercado das águas, a Ninhozinho e Natas Piupiu, sedeada no Cantão dos Queijos, que tem embalado meninos e meninas há pelo menos 90 anos. A revelação ocorreu precisamente por causa do negócio da água que esta empresa detem a nível mundial e que consiste em extrair a água de aquíferos no mundo inteiro a preço reduzido ou mesmo nulo, em especial nos países menos desenvolvidos e onde por esse motivo a regulação é menos exigente ou de todo não existe e não é necessário estar-se a preocupar com sustentabilidades de recursos e essas coisas que só danificam os lucros. Às vezes há pequenos problemas colaterais, como os nativos ficarem sem água nos seus poços, quer para beber quer para as suas hortas de subsistência mas podem sempre trabalhar nos furos de captação da Ninhozinho, embora os salários sejam tão diminutos que seria preferível não os ter mas ao menos os poços familiares estarem cheios. Como se vê, um negócio muito carinhoso, em acordo com o emblema e nome do Ninhozinho. É claro, compreenderão os leitores, que água de marca tem de ser como a roupa de marca: só quem tem o bastante para se destacar da multidão a deve poder comprar. E fácil é de ver que só quando a água e os aquíferos tiverem donos específicos, como a Ninhozinho, é que o desenvolvimento alcançará os nativos que, privados da água que sempre haviam tido (se o aquífero é privado, eles não poderão lá fazer poços mas apenas a empresa que é dona da coisa) terão de emigrar para as cidades, onde poderão trabalhar na reciclagem de lixos despejados nas lixeiras e que têm de esgravatar à mão contra a competição de abutres, chacais, macacos, onças e o excitante jogo de fuga ao atropelamento e esmagamento por parte dos camiões despejadores da lixarada. Podem até, maravilha das maravilhas, construir as suas barracas no próprio local de trabalho, com lixos recolhidos no local, podendo usufruir dos aromas da lixeira e da companhia da mosquitada. As crianças, essas, poderão brincar aos carrinhos de choque ou ajudar os pais desde bebés na labuta de procurar lixo vendável algures, até serem distraidamente soterradas pela montanha de lixo despejada pelo camião mais próximo. Como se vê, a Ninhozinho pensa no futuro destas pessoas, como empresa ética e que leva muito a sério as suas responsabilidades sociais. Tanto assim é que quando um destes dias o CEO desta companhia foi abordado por extremistas que o acusavam, e à empresa que dirige, de violar direitos humanos dado que a água, no ver destes desmiolados, é um direito humano, o bom senhor ficou muito chocado. Jamais imaginara que pudesse existir tamanho extremismo no mundo! Onde é que a água era um direito humano? A água era simplesmente uma mercadoria, como outra qualquer, quem tem pastel para a comprar compra, quem não tem… e foi aqui que o caro CEO demonstrou a sua compaixão para com os pobres, dizendo: “oh, mas se não podem comprar água, porque não compram champanhe?” Na sequência deste episódio, as famílias reais da República do Amor e do Queijo Gruyère e do Império das Valsas, contactaram já médiuns e psiquiatras para efectuarem testes ao benemérito gestor, de modo a averiguar se este será de facto a alma reencarnada da infeliz Maria Antonieta. Por seu lado, os mais perigosos revolucionários da República do Amor e do Queijo Gruyère, que se manifestaram no passado sábado pelas ruas da capital, com cavalos e guilhotinas, pretendem ir imediatamente ao Cantão dos Queijos usar uma das guilhotinas para, no entender do seu líder “concluir o trabalho que ficou incompleto durante o período do Grande Terror”. A Ninhozinho, preocupada com a segurança dos seus trabalhadores, providenciou segurança reforçada e imediata aos seus gestores, tendo por isso de poupar na prevenção de acidentes na perfuração de furos de captação de água e fábricas de engarrafamento (houve já 100 acidentes de trabalho, o que permitiu renovar a frota de trabalhadores). Também forneceu amostras de ADN às famílias reais, com o compromisso de que, se se provar a reencarnação, o senhor em causa não poderá usar vestidos mas será livre de envergar ceptro, coroa e anel de brasão nas reuniões de administração da companhia.
  


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