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segunda-feira, 7 de abril de 2014

E Este Tribunal Merece Ir Para o Guiness: Melhores Resultados, Só Numa Guerra
Muito se tem falado nos últimos tempos da ineficácia dos tribunais que tardam em aplicar a justiça, quando de todo esta chega sequer a ser aplicada pois não houve tempo parta prescrever o processo, a validade das multas, os réus ausentes ou os numerosos recursos interpostos até que o dito processo caduque sem ir a julgado. Pois a República Democrática (às vezes) dos Papiros, que nos tem presenteado nos últimos anos, com numerosas revoluções estilísticas e linguísticas, acaba agora de inovar no campo da jurisprudência, fazendo-se de novo grande entre as nações, para suprema alegria dos seus antepassados faraós que a contemplam da estrela Sírius com renovado orgulho, como o nosso enviado do caderno de ciência e parapsicologia bem pode asseverar na sua entrevista com estas reais figuras, a ser publicada quando sair do manicómio. Pois o tribunal supremo da república dos Papiros tornou-se hoje paradigma da eficiência jurídica ao condenar à morte 530 e pessoas num processo que nem chegou a durar 2 horas, dado que o juiz de instrução, desejoso de melhorar o registo de produtividade da sua sala de audiências, decidiu que não valia a pena ler o processo e instrução – uma coisa ciclópica com mais de 3000 páginas – dado que demoraria muito tempo a lê-lo, e ainda mais tempo a argumentar, chamar testemunhas a esclarecer vários dos factos e por aí fora, quando em menos de 5 minutos podia ler o bilhetinho que o chefe da polícia local lhe escrevera e dar a pena em conformidade com esse escrito. Considerando que foram 530 pessoas a praticar um terrível acto que lhes valeu a condenação à morte fica-se com a ideia de que terá sido um atentado terrorista, um golpe de estado falhado, quiçá um pequeno genocídio entre vizinhos. Mas não. Afinal tratou-se de um ataque a uma esquadra da polícia com a consequente morte de… 1 polícia. E aqui começam as dúvidas para o ignorante cidadão comum. Seria o polícia um super-homem que tivesse sido necessária a acção conjunta de mais de 500 tipos para o matar? Seria este um perdido descendente de Sansão? Como terá sido resolvido o problema de geometria que é: como conseguem 530 mecos chegar ao toutiço de um tipo mais ou menos ao mesmo tempo? Ou seria que estas 530 eram o quórum necessário para uma cerimónia vudú com bonecos e alfinetes para causar a morte no infeliz servidor da lei? Todas estas dúvidas podiam surgir nas sociedades decadentes do ocidente mas a República Democrática (às vezes) dos Papiros é um paradigma de moral e bons costumes e para um honesto cidadão local o caso não se pode afigurar mais claro: é que na nova lei por cada polícia morto, cobra-se automaticamente uma taxa de 530 cidadãos passados a fio de bala (ou de espada, se não houver dinheiro para as munições, o que aliás é uma execução mais conforme aos usos da região). É claro que esta lei se aplica apenas a civis. Porque no caso de serem polícias a matar civis seja em manifestações, zaragatas de bairro ou o mulherio lá de casa, não há julgado pois se se aplicasse a proporção de 530 condenados por um morto, o país ficava sem polícias. Já se ficar sem população, isso não será problema. Assim, queridos polícias papirenses, podem continuar a molhar a sopa à vontade e fazerem as mortes que desejarem ou calharem de vir à foice, pois são legalmente inimputáveis.
Notícia de última hora: as polícias da União das Hortaliças, com especial destaque para a República Democrática dos Nabos, o Potentado da Paelha e algumas outras que pretendem manter o anonimato mas sabemos serem dos países mais a Norte, vieram já solicitar à Cidade-do-Tacho/Couve-de-Bruxelas (conforme se leia em flamengo ou valão) um similar tratamento jurídico para os seus quadros de modo a poderem esmagar à vontade “as manifestações terroristas dos cidadãos que marcham nas ruas sem partir nada nem agredir ninguém mas gritando que estão sem salário, sem emprego, sem casa, sem comida”.
Notícia de ultimíssima hora: o nosso enviado especial na República Democrática (às vezes) dos Papiros avisa que… amanhã haverá mais.

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