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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Deus Muda Estatutos do Céu
Para evitar mais sarrafusca e porque de outro modo teria de enviar a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade para o Conselho de Administração do Inferno, coisa que Satã recusou liminarmente sob pena de ocorrer um novo combate entre anjos celestiais e anjos caídos, está agora o Altíssimo a mudar os Estatutos do Céu. De acordo com os novos estatutos passam a existir apenas 9 mandamentos e 5 pecados capitais (os desgraçados que em vez de 10 têm de cumprir 613 mandamentos, podem agora respirar aliviados porque passam a ter só 612). A partir de hoje os pecados capitais da Ganância e da Gula são despromovidos a pequenos, pequenininhos, quase microscópicos pecados veniais, isto é, sem importância que se enxergue, e o mandamento “Não roubarás” ou antes “não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem a sua casa, a sua terra, o seu gado ou os seus escravos” foi riscado da lista dos dez de Moisés e dos sete de Noé (que passam a ser 6, razão porque agora é mais difícil ver as sete cores do arco-íris). Deus está também a meditar se deverá riscar das Tábuas da Lei o mandamento “não matarás” dado que os que fazem a guerra em Seu nome se fartam de matar e de formas muito criativas, numa espécie de concurso de fazer empalidecer os júris dos mais arrepiantes festivais de filmes de terror. Estas alterações aos Estatutos do Céu e aos consequentes mandamentos e regras que os devotos têm de respeitar se desejarem entrar no Paraíso, têm a sua origem no mais recente segredo de alcova da família da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. O segredo prende-se com um negócio que se farta de meter água, pois envolve submarinos comprados pela República dos Nabos a uma potência estrangeira quando o Ex.mo sr. Paulo Ibn-Portões mandava nos dinheiros da Defesa do Nabal. Ao que parece, essa potência estrangeira pagou generosas “luvas” à família da Terceira Pessoa da Santíssima para que os submarinos – que não navegam – fossem comprados. Tipo, alguém comprar um bruto BMW topo de gama e deixá-lo à porta de casa para inveja dos vizinhos, nunca saindo com ele para lado algum pois se não há massas para o pão, ainda menos há p’rá gasolina. Porque razão uma entidade tão celestial como o Espírito Santo se viu envolvida num negócio tão terreno e bélico como Submarinos para o Nabal é algo que escapa até à todo-poderosa omnisciência de Deus… isto é, até à mudança dos celestiais estatutos, pois a partir daí torna-se tudo muito claro. A partir de agora a ganância já não é pecado mas passa a ser uma decente qualidade, mui apreciada pelas hostes celestiais e assim o comportamento do clã da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade nada tem de criticável ou incompreensível. Esta é uma excelente notícia para os muito ricos deste mundo, que já não precisam temer nem os monstros castigadores do Tribunal de Osíris nem o Julgamento Divino ou o “vai bater a outra porta” de São Pedro, dado que já não precisam passar pelo buraco da agulha acompanhados do respectivo camelo mas podem entrar pacatamente no Paraíso acompanhados da sua cáfila de camelos, a frota de Lamgorginis, a meia dúzia de iates a e a mansão nas Bahamas. O que tornará o Céu um lugar muito mais interessante pois dexará de se assistir a entediantes argumentações teológicas baseadas no tópico “no meu tempo era assim” ou a coros de bebés a chorarem porque ainda não sabem fazer outra coisa. A partir de agora haverá corridas de bólides e regatas de iates de luxo, festas glamorosas onde vale tudo, incluindo cobiçar a mulher do próximo, acesos combates financeiros e épicas conquistas das bolsas de valores, entre outras actividades mais tranquilas como noitadas nas praias com beldades e barris de boa bebida e ainda melhor comida ou pacíficas partidas de golfe onde se combinam as próximas OPAs agressivas à multinacional que gere os negócios do Céu. Infelizmente nem todos no Paraíso estão a conseguir acompanhar a mudança. O Filho do Altíssimo, O Messias para os amigos, está a consultar desde há uma semana o best-seller latino “Novo Testamento” para perceber se no seu tempo pela Terra, Ele operou o milagre da multiplicação dos pães ou o da redução dos peixes nas margens do Mar de Tiberíades dado que no negócio do Espírito Santo, de 30 milhões de “luvas” iniciais exportadas da capital das Bolas de Berlim, apenas restavam 20 na Capital dos Nevoeiros e daí para a Olissipo deu-se outro milagre subtractivo, que terminou em apenas 5 milhões. Ora o Messias quer perceber para onde foram esses desaparecidos 25 milhões, e se houve milagre do Espírito Santo irá intentar uma acção em tribunal por apropriação indevida dos seus direitos de autor. É que nos novos estatutos do Céu não há qualquer referência a franchisings do negócio dos milagres, o qual é, ainda, exclusivo do Filho de Deus e de quem Ele calha de nomear para algum milagre muito específico. Quanto ao Diabo, esse já está a fechar a cadeado e sistema de alarme a laser as portas do Inferno, recusando a entrada a todo e qualquer novo hóspede, não vá a família do Espírito Santo ser recambiada mesmo para o Inferno, com documentação certificada pelo punho do Pai de Todos. Satã não quer correr riscos e ver um destes dias desaparecer sem deixar rasto as suas encomendas de brasas, utensílios de culinária e contratos de compra-e-venda de almas, pois nem todos os advogados residentes no Inferno, a trabalharem em consórcio, seriam capazes de defender os pergaminhos dos diabos desse infausto e santo espírito.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Desconcerto no Banco Bom da Santíssima Trindade: Anjos Jogam à Porrada
O Céu está à beira duma carga de nervos! Mais uma vez por causa do banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que em teoria já não é dela e também já não é um banco mas dois meios bancos, tendo uma das metades sido entregue à administração do Inferno dado que esta metade corresponde ao Banco Mau e do qual nunca mais se ouviu falar, calhando porque está a receber as maldades e desvios, perdão, desvarios do Banco Bom, que ficou sob administração de condóminos do Céu e por isso mesmo se chama Banco Bom, Novo para os amigos. E a coisa está tão feia que o patrão dos condóminos angelicais decidiu criar uma excepção e chamou do Inferno um contingente especial de advogados – todos os advogados têm lugar cativo no Inferno – para darem conta do recado, isto é, das inúmeras queixas e acções judiciárias que os anjos e demais habitantes do Paraíso estão a interpor por causa do Banco antigo, do Banco Bom e de todas as fundações, sociedades financeiras e correlativas associadas. E isto se o Senhor quis resolver o assunto com um mínimo de civilidade pois já se andava ao soco em cima das núvens (se tê estranhado o estado do tempo, este está assim explicado) e pelo menos os subordinados do anjo Uriel tinham saído de uma dessas brigas com uns olhos negros, asas torcidas e algo depenadas e as auréolas de formato mais a dar para o quadrado do que para o redondo e como Uriel é um anjo de pêlo na venta, só por milagre não pegara fogo às núvens. Uriel está neste momento a usufruir dumas férias forçadas, mercê dum processo disciplinar por que o Senhor e patrão do condomínio celestial lhe rugiu que “Tu não te armas mais em Faetonte ou queres seguir o destino desse pagão que há muito foi despromovido a mito?”. Uriel não quis pois mais vale ser-se um anjo no desemprego do que um mito mas a razão do arraial mais recente nas núvens – e que se traduziu, cá em baixo na Terra, por um pequeno dilúvio na capital da República dos Nabos – foi o facto de que de repente, sem aviso, o anjo Teoael bateu com a porta do Banco Bom na cara do anjo supervisor declarando que não presidia mais “àquela palhaçada”, o que muito ofendeu o supervisor e pôs todos os anjos a correr para os cofres dos seus novos títulos financeiros e a vendê-los a todo o vapor, causando uma sobrecarga nos computadores negociais do Éden, que já não puderam calcular o número de virgens atribuídas a cada novo mártir que bate agora à porta do Céu, provocando em consequência uma concentração expontânea e não convocada, logo ilegal, no caminho para o Paraíso. Neste momento a Bolsa do Céu está um caos e muitos anjos e habitantes do paraíso começam a pensar se não será melhor apostar no Inferno e trasladar para lá as economias, porque isto do modo como as coisas estão… As coscuvilhices do nosso “penetra” nos domínios celestes informam-nos de que esta abrupta demissão do anjo dos dinheiros e negócios se deveu ao facto de que o anjo supervisor, por mandato do Altíssimo, é claro, se recusou a aceitar os planos para a recuperação do Banco Bom e posterior venda, quando o mercado já pudesse ter ganho alguma confiança naquele poço sem fundo. O que o Eterno quer é despachar o caso, vender ao primeiro parvo que apareça e pôr uma pedra sobre o assunto, tão grande que nunca mais qualquer coca-bichinhos possa vir a descobrir o que raio se passou ao certo com o antigo Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e para onde é que de facto foi a massa que era suposto lá estar. Oficialmente, contudo, e apesar dumas estranhas histórias de acções vendidas que podem ter tido algum inside trading na hora da venda, o Altíssimo não sabe de nada, continua a afirmar que o Banco está sólido e assobia para o lado. Os habitantes menores do Paraíso também começam a ouvir assobios, mas esses vêm dos buracos crescentes nas suas carteiras e investimentos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Em Contrapartida Internet Foi Declarada “Portões do Inferno”, Assim Afirmou Deus
Ou os homens por Ele. Esta é a notícia que nos chega pelo porta-voz dos céus, sedeado no Califado das Enxaquecas, território que tem este lindo nome porque os seus líderes usam sempre grandes ligaduras à volta da cabeça e passam a vida a clamar “Ay-a-tola! Ay-a-tola!”. Pois o Supremo Líder das Enxaquecas declarou que a Internet é o “Veículo do Diabo” e as “Portas do Inferno”, já que expõe os seus utilizadores às mais nefastas de insidiosas tentações, segundo comunicação recebida por linha telefónica directa e exclusiva do Senhor dos Céus. Assim o supomos dado que o Supremo Líder não esclareceu de onde lhe veio a fundamentação pois sendo um homem santo, decerto não usará esse veículo de pecados e poucas-vergonhas, donde não poderá saber de conhecimento próprio quais os pecaminosos desvios que se oferecem ao incauto e pouco temente a Deus que por lá navegue. É interessante esta noção de perigo demoníaco ecolocado pela Internet que todos os Supremos Líderes descobrem, sejam eles Supremos Líderes religiosos ou doutrinariamente ateus. Esta convergência de opiniões entre líderes teologicamente tão opostos faz suspeitar os mais ignaros de que o problema possa não ser o Diabo e suas tentações mas a pouco saudável e ainda menos santa ambição de todos os Supremos Líderes em dominar as almas, mentes, capacidade de escolha e liberdade de pensamento dos seus súbditos. O que, de um outro ponto de vista, poderá sugerir ao ignorante teológico que estes Supremos Líderes estão-se então rigorosamente nas tintas para Deus. seja qual for a verdade estas declarações tiveram profundas repercussões no status quo do Céu e do Inferno. É que enquanto comia os seus deliciosos ovos escalfados flambée, sorvia o seu cacau quentinho e via as notícias da manhã no canal TVIA (TV Inferno a Arder) foi surpreendido pelas declarações do Supremo Líder do Califado das Enxaquecas. Chamando de imediato o seu chanceler-mor e o comité de registo dos livros de deve e haver do Inferno ficou a saber que os negócios do Inferno não abrangiam a Internet no seu todo. A Internet era um mercado livre, onde se contavam diversos franchisings de pequenos diabos empreendedores, que os constituíam nas horas vagas e à revelia do patrão, e que competiam com os sites de anjos igualmente empreendedores, humanos, gatos, pratos de comida, pés, paisagens de praia, cães e bicharada vária, assim como – a avaliar pelas declarações dos humanos que por lá sermoavam – sites do próprio Altíssimo. Após uma análise apurada aos sites da Internet e aos feeds de notícias, tendo verificado que Deus possui actualmente um vasto leque de exércitos que em nome D’Ele cometem atrocidades, se dedicam à pirataria, rapto com exigência de avultados resgates, captura e tráfico de escravos, atentados, guerras, genocídios vários, imposição do medo, ignorância e outros desvarios, e sendo que ele, Satã, o máximo que consegue é a adesão de um ou outro psicopata (já que muitos deles preferem agir por conta própria e sem pactos de sangue a empecilhá-los nas suas actividades), decidiu enviar um email a Deus, propondo-lhe a fusão do negócio do Céu com o do Inferno, ou quiçá, uma OPA, dado que as actividades de ambos os reinos tinham afinal convergido para uma plataforma comum e era melhor agregarem-se em cartel antes que os humanos começassem a ter ideias… A proposta referia ainda que pela recente experiência de Deus no mercado do terrorismo, talvez fosse aconselhado este ir tomar conta do Inferno e ele, Diabo, do Paraíso, para tornar as duas sucursais da futura empresa mais produtivas. Deus leu a proposta, discordou da OPA mas concordou com a fusão e neste momento estão a negociar os detalhes da troca de acções e o pedido de Deus em instalar um adequado sistema de ar condicionado para Ele e os seus anjos não sentirem demasiado calor junto das fornalhas e panelões de pez a ferver.





quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Deus Acrescentou Mais um Negócio à Sua Actividade: Venda de Escravas
 E é, podemos garantir, um negócio com futuro e muitos lucros para dar, ainda mais agora que foi santificado pela intervenção dos que combatem em nome do Senhor do Paraíso e tentam alargar por todos os meios – quanto mais sangrentos, mais santos – o novíssimo Califado das Cabeças Cortadas, em que as execuções são o espectáculo pedonal mais frequente e que por este andar se arriscam a limpar o novo país de cidadãos, pelo que terão de recorrer à mão de obra, ou mais exactamente aos ventres estrangeiros e escrava. E é aí que entra o novo negócio de Deus: a captura e venda de escravas. De preferência en masse, que é para poupar nos transportes e reduzir a contribuição para os gases de efeito de estufa. E embora surpreenda aos devotos mais distraídos este novo franchising dos investimentos comerciais divinos, temos de convir que é muito necessário dada a confusão que vai no Banco da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, pois mesmo o Banco Bom que dele resultou é pior que o Banco Mau que Satã teve de aceitar governar à força. Afinal os anjos ainda não fazem ideia se no fechar das contas não terão de ser eles a entrar com o pilim para os dois bancos, já que os diabos se rebelaram e declararam preto no branco que não entravam nem com uma brasinha para o Banco Mau, ainda menos para o Bom pois o negócio deles é o das patifarias. Com o Califado a perder população aos magotes todos os dias por mor das execuções em massa e Deus a precisar de fundos, santificou-se então a prática da escravatura, que é um a sagrada tarefa de raptar e aprisionar um ser humano e a partir desse instante o despromover à posição de besta de carga e/ou parideira, vendendo-o no mercado como uma junta de bois ou uma galinha para a canja, enquanto o escravo, nesta abençoada reviravolta da sua vida, adquire o único direito que é o de servir todos os desejos e caprichos do dono e esperar que ele lhe dê a morte num dia em que estiver mal disposto. Como se vê, tudo muito santo e bom, tal como Deus manda. E como nesta santa irmandade do exército do califa Iznogood nem todos são ricos como Midas, os preços das escravas são tabelados democraticamente em função do poder de compra de cada um, pelo que uma rapariga jovem, bonita, virgem e com bons atributos de parideira passa a estar à venda no mercado por apenas 10 dólares, para que os guerreiros mais pobres do exército do califa não se revoltem e abatam o chefe mas pelo contrário, se possam manter sempre saciados e livres de todo o pecado, ao mesmo tempo que põem estas escravas parideiras a produzir muitos meninos para repovoar o califado e assegurar os contingentes futuros de abastecimento de combatentes, porque as guerras, se geram mártires que podem ir para o céu desfrutar de todos os prazeres que na Terra são pecado, têm também o desagradável inconveniente de matar muitos guerreiros em vez de destruir apenas civis que não desejam pegar numa arma seja para servir o califa. Por isso, além do mercado externo, o califa Iznogood reserva desde já uma quota de escravas para os seus homens de modo a, além de repovoarem o califado, cozinharem para eles pois que isto de fazer uma guerra e andar a matar indiscriminadamente quem não concorda com a cor da roupa do califa, é tarefa demasiado absorvente em tempo e forças para um homem ainda ter de se preocupar com os tachos e sertãs. Antes de serem vendidas têm as jovens candidatas a bichos de cobrição e bestas de carga e de cozinha direito a um último telefonema para os pais – tipo último desejo do condenado – para dizerem que passarão a partir daquele momento a serem escravas, que nunca mais poderão ver a família e comunicar o preço da sua venda em hasta pública. Neste momento no Califado das Cabeças Cortadas voltaram a estar em actividade animadíssimos mercados de escravas, com a mercadoria disposta à apreciação dos licitadores, tal e qual como nos velhos tempos em que a escravatura era um negócio legal e respeitável. Considerando que milhares de mulheres estão neste momento a serem vendidas, seria interessante saber onde é que elas irão ser entregues, quem as compra, para quê e como. Também é interessante saber que num mundo que se gaba da sua Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em teoria aboliu a escravatura, que é pelo direito internacional um crime, ninguém se preocupe em saber o destino destas escravas, quem as vende e quem as compra e punir pelo menos os compradores. A partir do momento em que são raptadas, estas mulheres desaparecem no buraco negro da condição animal e deixam de existir para o mundo. Há afinal coisas mais importantes do que tentar saber para onde foi levada uma escrava, quem a comprou e o que lhe fez a seguir. Seria interessante conhecer quais os honrados países, países que nada têm a ver com o “Eixo do Mal” que estão a receber este influxo constante de “mercadoria”. Seria interessante conhecer quais os honrados senhores que estão a comprar, com ou sem testas de ferro, estas “mercadorias”. Quanto a Deus… 4 500 milhões de anos depois de ter andado a brincar aos oleiros para fazer Terra, Sol, animais, plantas e gente, e sobretudo depois de nos ter aturado durante os últimos 100 mil anos, não acham natural que possa estar já um bocadinho senil?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Continuam as Interferências de Deus no Mundo da Moda
Assim nos informa o nosso enviado especial no Califado das Cabeças Cortadas. Talvez por os alfaiates do Paraíso estarem a sofrer uma concorrência crescente por parte dos criadores de moda da Terra, cujas produções são muito mais interessantes que os balandraus brancos dos anjos, as tendas portáteis para mulheres, chamadas burkas, os turbantes e túnicas escuras da moda masculina, mesmo que devidamente sancionados pelos éditos divinos. Porque enfim, umas bonitas pernocas ao léu, uns peitos a refulgir ao sol, uns bíceps musculados a exibir o seu bronze, umas barriguinhas bem escorreiras a sorrir por entre os tops e as calças de odalisca em tecidos semi-trasnparentes são muito mais atraentes aos olhares impúdicos… e nós já sabemos do que é a Humanidade feita. Por isso Deus, por intermédio do Seu Exército comandado pelo califa Iznogood, que é califa no lugar do califa, e para acabar com a concorrência, ordenou que a partir de agora não haja mais barbeiros nem cabeleireiros, que se insistirem praticar a profissão mesmo que às escondidas, serão decapitados de imediato e as suas lojas e salões de beleza condenados ao purificador fogo. Deus manda que a partir de agora os homens passem a envergar grandes e encaracoladas cabeleiras e barbaçanas, sem bigode ou buço. As mulheres poderão fazer o que quiserem ao cabelo, desde que o mantenham debaixo duma burka, para não se ver a careca ou a farta cabeleira, a qual é uma tentação pecaminosa para os machos, que terão de estar completamente concentrados nas coisas importantes que é matar e esquartejar todos os que não pensem nem adorem o mesmo deus que o califa que é califa no lugar do califa. Além disso, Deus é defensor dos bichos pequeninos e os piolhos têm de ter algumas farfalhudas barbas e grossas cabeleiras, onde possam fazer casa, pois isto da habitação, quando o pêlo nasce é p’ra todos. Por esta razão o califa, por ordem divina, mandou fechar todos os cabeleireiros e todas as barbearias, e os barbeiros de rua, que montam a sua quitanda, abrindo uma cadeira de piquenique e pendurando um espelho na parede mais próxima, terão agora de ir pregar, isto é, barbear para outra freguesia que o Exército de deus ainda não tenha conquistado. Ao mesmo tempo, e porque as tentações da carne também chegam aos manequins de pau e de gesso, também agora os manequins das montras terão de passar a usar hijab, mantendo a cabeça, braços, pernas e peitos bem tapados. Manequim que seja apanhado com a cabeça descoberta será sujeito a 50 chicotadas por atentado “à moralidade pública” e se porventura o gesso se partir durante a flagelação, o dono da loja terá de encontrar outro, ou remendá-lo pelos seus próprios meios pois o governo do califa que é califa no lugar do califa (o nosso caro Iznogood) não passa recibo nem se responsabiliza pelos danos da mercadoria.

sábado, 20 de setembro de 2014

Deus Também Chegou às Vacas

Bem, não, não estejam a pensar em variantes bacanais dos novos interesses de Deus. Nem sequer se trata de interesses na área da pecuária. Trata-se apenas do intemporal negócio de Deus: a moral. Que como veremos nalguns artigos próximos a serem-nos chegados do califado das Cabeças Cortadas (se não nos decapitarem o nosso enviado especial antes dele mandar o material das reportagens para cá). Talvez desapontado com a crescente confusão dos humanos no que se refere às suas regras, Deus enviou uma circular ao Seu Exército, isto é, o Exército de Deus do califa Iznogood, do CCC (Califado das Cabeças Cortadas) para a partir de agora imporem a burka total ao gado feminino de duas pernas e o véu sagrado às tetas das vacas, ovelhas e cabras dado que a exposição destes órgãos de alimentação são indecentes, eróticos e colocam más ideias nas cabeças dos outros animais e até de humanos que calhem de as contemplar. Isto está a colocar problemas aos cabritos, vitelos e cordeiros, que agora não conseguem mamar com as tetas das mães cobertas por véus mas a questão foi saudada com alegria pelos alfaiates e construtores de estábulos. Os primeiros porque podem exercitar a sua criatividade para além das tendas ambulantes (as burkas), hijab e nikhab, que são sempre do mesmo modelo, o mais que mudam – e não muito – são os tecidos, embora tenham de ser todos obrigatoriamente negros ou quando muito azuis. Agora, além dessas peças de vestuário feminino poddem dedicar-se a obras de haute couture para vacas cabras e ovelhas, e como cada úbere tem formato diferente tnto por espécie como por raça de gado, largo é o pano para tetas… literalmente. Assim, no mercado público de Mossul foi esta semana feita uma passagem de modelos de véus para tetas de vacas, com lindos panos de algodão em tons beje e cor-de-burro-quando-foge, sedas estampadas com versículos do livro sagrado, brocados para vacas premiadas, com originais padrões geométricos pretos em pano preto, e o desafio da moda, véus de tetas em chantung vermelho para gado oriental. Infelizmente alguns bois estavam a assistir e perante o desfilar do vermelho perderam a tramontana e investiram contra as vacas na paserelle, dando cabo da vernissage e fazendo ali em público aquelas coisas pecaminosas que só se podem fazer em privado, às escuras, de olhos fechados e debaixo de 10 cobertores, com a porta do quarto trancada a sete chaves. O pior é que não foi possível comprovar que o boi em causa era o legítimo marido das vacas, pelo que foram todas as vacas condenadas à morte por apedrejamento e capados os bois de cobrição envolvidos no escândalo, o que deu grande prejuízo aos criadores (os da moda e os dos bichos), levando a que todo o pessoal emigrasse de imediato para outras paragens onde o seu negócio (o da moda e pecuária) possa florescer sem tão sangrentas interferências.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Na Ilha do Caruncho Animais e Humanos Têm Finalmente Direitos Iguais 

Da sacrossanta Ilha do Caruncho, que é mesmo um jardim, até porque esse é o nome do seu rei, vem a boa notícia (valha-nos ao menos isso!) de que foi alcançado um novo patamar civilizacional em direcção ao progresso quando foram equiparados os direitos de admissão entre jornalistas, animais e não-membros de partidos políticos. Ou pelo menos do partido político do rei da ilha. Diz o novo regimento que a partir de agora está vedada a entrada nas sedes e delegações do partido a jornalistas, não membros do partido e animais. Está também proibido comer, beber e fumar, portanto, pessoal da lancheira, chegada a hora do almocinho, vá de desbancar todos para o passeio em frente à porta das instalações e se tiverem sede durante o horário de funcionamento, aguentem-na porque se isto o vinho pode ser punido com coima, a água por sua vez é cara e não se pode oferecer de borla aos calões dos trabalhadores. Esta decisão colocou a ilha em polvorosa, o que não é nada bom para o o caruncho, com a manifestação popular de diversas correntes de opinião, o que é de todo inusitado na ilha onde todos pensam da mesma maneira, isto é, tal e qual como o rei, desde que o mundo é mundo… ou desde que pelo menos o rei Jardim subiu ao poder. As vacas, galinhas, cães e cagarras vieram para a rua, expressando por meio de grasnidos, ladradelas, cacarejos, mugidos e bater de cascos a sua extrema alegria por serem finalmente reconhecidas com os mesmos direitos que os humanos, mesmo sendo um reconhecimento pela negativa. Alguns humanos também se manifestaram, expressando a sua ira por jornalistas, e não membros do clube serem igualados aos animais. Mas são ambas atitudes muito extremistas. Com efeito o novo regimento do partido do rei da Ilha do Caruncho pretende apenas recuperar a castiça tradição do “reservado o direito de admissão”, que era um letreiro muito comum à entrada das lojas e restaurantes no tempo da Ditadura e  impedia a entrada a pessoas sem o que hoje se chamaria “perfil adequado”. Ou dito de outro modo, pelintras pobremente vestidos, com buracos nas calças, biqueira ou sola dos sapatos, ou com aspecto de quem tomava banho no balneáreo público, não podiam entrar na loja ou no restaurante que decorasse a porta com tal letreiro. Mas infelizmente, apesar de ser adorável regressar às nossas origens e tradições (porque não, já agora autos-de-fé nos rossios das cidades e aldeias?), o mundo já não é o que era e esta reserva do direito de admissão está a causar inadvertivos problemas ao partido do rei. Basicamente porque está a sentir dificuldades na adesão de novos sócios, porque como os aspirantes a sócios não podem entrar porque ainda não pertencem ao clube, têm de pedir a um amigo que já pertença à excelsa confraria para lhes trazer os papelinhos da inscrição. Ora sabemos como são estas coisas de amigos e claro mas nem todos confiam nestes o bastante para depois lhes pedirem que vão lá entregar a papelada e a "massa" da jóia de inscrição e das quotas de sócio. Além disso nem todos os que desejam fazer parte do clube têm já lá amigos que possam levar e trazer papeladas e "cacau". E há aqueles que até confiam nos amigos para lhes passarem para as mãos o guito necessário embora alguns amigos não estejam para servir de moços de correios entre os candidatos e o partido e o dinheiro... ganhou asas como os pardais. Começamos a pensar que entrar no Reino dos Céus é capaz de ser menos complicado, apesar de ser necessário passar pelo buraco da agulha e seu proverbial camelo. Que, por ser animal, também está proibido de entrar na sede e delegações do partido do rei. No ar fica então a pairar uma dúvida: o que acontecerá às formigas, aranhas e peixinhos-de-prata se forem apanhados nesses interditos locais? Serão multados? Enviadas a tribunal por trespasse de propriedade privada? E se forem condenados a prisão por estes crimes, como impedir que, por exemplo, as formigas se evadam do presídio?