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sábado, 9 de novembro de 2013

Em tese post-doc obtida por créditos concedidos em função da sua vasta experiência profissional e escrita não pelo próprio mas por um seu subalterno que deseja muito ser promovido num futuro próximo, o muito bem sucedido gestor e agora Ministro das Trapalhadas Estrangeiras do principado das Miragens (ou pelo menos, bem sucedido no que se refere às suas contas bancárias pessoais porque dos bancos e fundações que geriu já não se pode dizer o mesmo) foi revelado o segredo dos gestores de sucesso. O post-doc foi integralmente baseado na experiência do candidato e não mais do que essa, abarcando o ambiente profissional muito sui-géneris em que decorreu a sua carreira, aliás analisada em forma laudatória pelo escravo que escreveu a tese. Trata-se assim de uma tese baseada num universo de amostragem constituído por um único indivíduo e em condições laborais que só muito por acaso intersectam a realidade do comum dos mortais. Mas como o tesante é ministro, a tese foi naturalmente classificada como de excepcional relevância e as suas conclusões deverão ser implementadas universalmente. Assim o segredo do gestor de sucesso é… o dom da ubiquidade. Porque o gestor de sucesso tem de fazer tudo para pertencer aos conselhos de administração de 15 bancos, 10 parcerias público-privadas e exercer em 5 escritórios de advocacia concorrentes entre si, que defendam e representam grandes magnatas internacionais, de preferência com altos cargos políticos nos países de origem ou para onde se tenham mudado por incompatibilidades com os sistemas jurídicos da terra natal. Ora como é fisicamente impossível dar conta do recado de tantos cargos, ou sequer comparecer às reuniões a estes associadas, já para não falar do trabalho eventualmente associado, o gestor de sucesso tem de se apoiar em comprovadas estratégias que assentam em três pilares:
1º - Ficar confortavelmente em casa e praticar meditação transcendental até desenvolver plenamente as suas capacidades de projecção astral e dom da ubiquidade. Tal deverá ser realizado durante os anos de curso e antes de se candidatar a qualquer cargo de direcção. O universitário que mergulhe neste tipo de treino deverá somente deixar o aconchego do seu quarto durante a noite, para ir beber uns copos, pois é bem conhecido como as pielas facilitam as projecções astrais (e as outras).
2º - Dominadas estas técnicas e conseguidos os cargos (não é necessário ter concluído o curso universitário, embora dê jeito) deverá o gestor permanecer em casa, ou no bar, nos copos, exercendo as suas capacidades ubíquas e de projecção astral. Se nunca tiver passado do nível um da “ubiquidade para totós” e ser um desastre em projecções, o gestor pode sempre contratar um ou mais sósias, a contrato temporário para não se porem de repente com ideias…
3 – Se por azar alguns dos múltiplos cargos caçados tiverem algum trabalho real associado, o gestor deverá contratar a curto prazo um estagiário sobredotado mas parolo no que respeita a contas, para fazer o trabalho a custo zero. Caso haja sido necessário contratar sósias, deverão estes ser multiusados para fazer o trabalho em questão, sem aumento de salário pois as multitarefas são uma condição sine qua non para qualquer aspirante a um posto de trabalho hoje em dia. Naturalmente, os salários destes cargos serão pagos não ao estagiário nem ao(s) sósia(s) mas ao gestor em questão.
Os gurus da economia do principado pretendem exportar este modelo, com a cobrança dos devidos royalties aos países parolos que queiram ir no bote, assim como, de passagem, a todos os gestores para o resto do mundo (dado o desastre local que têm sido a gerir até mesmo um simples negócio de carrinho de cachorros e salsichas na brasa). A sua eventual incompetência não é óbice ao seu emprego e exportação pois na economia de mercado franca e aberta, os mercados e os seus actores são 100% racionais, logo o mercado auto-regula-se por muito disparatadas que sejam as decisões efectuadas, desde que, é evidente, não se apliquem quaisquer regulações aos mesmos. O facto, de desde que foram desregulados, os mercados terem passado a rebentar a cada 10 anos, é simples coincidência ou, mais inisidiosamente, manobra sabotadora da oposição.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Fundo Mundial da Agiotagem está de novo nas bocas do mundo e nos emails das redacções. Desta feita não por mor de mais empréstimo agiotário que atirou para a morgue com a economia de outro país “em salvação”, visto que tal não poderá ser notícia de um Fundo de Agiotagem, de mais a mais com a experiência confirmada de atirar economias ao fundo mais depressa do que os submarinos num jogo de batalha naval. Desta vez, a notícia resulta de mais um erro nas famosas folhas de cálculo usadas por todo o bicho-careta que quer dar uma de economista, mesmo que seja apenas o economista de trazer-por-casa que soma os deves e haveres do ordenado a cada final de semana, desporto radical responsável pelas subidas dominicais de ataques cardíacos, conforme demonstram as estatísticas dos Serviços Nacionais de Doença de metade dos países do clube da União das Hortaliças. Sucede que se veio a descobrir na informática folha de cálculo que os dados com que o Fundo Mundial da Agiotagem calculava índices e rácios, ou melhor, índices e taxas para saber quanto deveria reduzir os salários da República dos Nabos estavam com dados em falta. Na verdade o governo da República dos Nabos, para honrar a fama de nabice dos seus concidadãos, esquecera-se de rever as contas dos salários que já tinham sido cortados no ano anterior. Compreende-se. Os dignos governantes tinham estado na desbunda da festa do Ti Nabo-Porro, candidato às eleições da mão na mangueira e que seria posto na prisão no dia seguinte por desfalque e desvio de água para o canteiro dos seus nabos favoritos, e a despedida de liberdade – uma recente voga nesta República mas que parece vir a tornar-se tradição – não pudera ser mais regada, cheia de brasas e com comes e trocas de chamadas, fotos e mensagens vídeo nos mais recentes smartphones dos convivas. Donde, tendo a festa acabado às 7:30 da matina e os convidados ido para os escritórios às 11 da manhã, briosos em cumprirem os seus deveres (o cidadão comum tem de estar no trabalho às 9), estavam sem cabeça para reverem contas, e enviaram o que lhes tinham posto em cima da mesa. Resultado: mais de 50% dos cortes de salários do ano anterior não entraram nas folhas de cálculo do Fundo Mundial, pelo que este, confiando nos dados governamentais, concluiu que se teria de cortar os salários a toda a gente em cerca de 95%. O que deu como resultado que pelo menos 2% da população empregada se visse não apenas sem salário mas de facto a ter de pagar aos seus empregadores pois como se sabe, tudo o que se corta para além do zero é negativo, o que em economia quer dizer que nos sai do bolso, nada mais simples. Agora vai uma imensa fúria nos gabinetes do Fundo Mundial de Agiotagem pois culpam o governo dos nabos pela péssima imagem que os nativos têm do Fundo e que expressam em manifestações e apedrejamentos quando os revisores do Fundo vêm ao país ver em que param as modas, provar os últimos sucessos culinários e os bons vinhos da região, conhecer nabiças giras e em pé de página ver como andam a cumprir as suas ordens. O governo dos nabos diz que não senhor, que enviou os dados todos que possuía e se surgiram novos elementos foi por sabotagem de alguns funcionários públicos que foram já despedidos, tiveram todos os bens confiscados e foram para a prisão que, tendo por este motivo ficado sobrelotada, procedeu à amnistia total e integral do senhor Nabo-Porro que pode agora vencer as eleições e ficar mais uns tempos de mão na mangueira a regar os amigos. Porque, afirmação dos Ministro das Barafundas no Estrangeiro, “na República do Nabal não se brinca com a hortaliça!”. Neste momento não se saber se o Fundo irá exigir compensações monetárias pela delapidação da sua imagem junto dos nabos e cidadãos de outros países mas pode-se garantir que não foram minimamente alteradas as metas de reduções de salários exigidas pelo Fundo, e que foram calculadas com os tais dados deficitários. Ou, como nos disse em segredo uma das economistas do Fundo, e responsável pelos cálculos: “não vamos emendar nada, enganámo-nos mas é segredo!” Comparações feitas nesta redacção pela nossa coscuvilheira-mor (e porteira em todos os minutinhos livres para ganhar algum com que pagar os grelos e obter informações fidedignas para os seus artigos de jornalismo de investigação) revelaram que as metas de redução de salários para a República dos Nabos são afinal idênticas às exigidas para a Democracia da Moussaka, o Ilhéu das Cabras, a Grande Ilha dos Gnomos e o Potentado da Paelha, que também estão sob “salvação” do Fundo, apesar destes quatro países terem população, dinâmicas económicas e sociais bastante distintas das da República dos Nabos. Será outro erro que não se deve divulgar?
 

Nota da redacção: Aguardamos ansiosamente as novas contas da nossa coscuvilheira-mor, que está já a fazer previsões com a folha de cálculo do Fundo (fanada por um portal hacker) para a Floresta dos Veados, a Ilha dos Cavaleiros, a Monarquia dos Raviolis, a VII República do Amor e Gruyère e a Confederação dos Moinhos porque de crise em crise, o Fundo há-de chegar a todos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Na República dos Nabos, em plena crise que mais parece espiral de caracol pois quanto mais dura mais aperta, os deputados decidiram dar um exemplo de produtividade aos seus eleitores até porque se aproximam as eleições para os controladores de rega dos canteiros, e todos os votos são poucos quando está em causa quem tem e de que modo direito a beber umas gotinhas. O record está agora em 3 minutos e prevê-se que seja digno de entrar no Cadastro dos Recordes e talvez nas Olimpíadas. Foi este brilhante resultado alcançado na aprovação do Tempo Limite para Manter a Mão na Mangueira, e que deixa apenas 3 dias para cada controlador de regas poder regar à sua vontade, porque isto havia cá nabos que andavam com a mão na mangueira há mais anos do que os que conta o Matusalém, para azar dos nabos menos seus amigos que ficavam à míngua e morriam c’o grelo seco ou tinham de pegar na rama e emigrar para o canteiro vizinho, que é o das traiçoeiras beterrabas. Os nabos sem mão na mangueira andavam todos marefados porque nunca conseguiam enfiar a dita na dita, já havia indícios de revoltas populares com cânticos de “vai-te embora, oh toiro liiindo!” cada vez que um mangueirador vinha mostrar a rama. Como o despovoamento vai a bom ir, contando-se já um milhão de ausentes nos cadernos eleitorais, os deputados decidiram que oh, ‘tá bem, vamos lá fazer a vontade aos nabos. A lei foi escrita a uma mesa do café gourmet do hemiciclo entre um brioche, dois pastéis de nata com canela e 3 cafés vienenses bem recheados de chocolate. Mas como alguns dos proponentes não concordavam com as vírgulas, fizeram uma segunda versão, tendo o cuidado de anunciar a primeira aos colegas deputados, mas sem deixar que eles a vissem. É claro que eles viram, porque os redactores se esqueceram dela em cima da mesa quando fugiram discretamente para não pagarem os bolos nem a bica, embora tivessem o azar de serem apanhados ao fundo da rua por um polícia de giro que no entanto os deixou ir quando eles apresentaram as identificações. O polícia justificou-se ao furioso dono do estabelecimento, que gritava e esbracejava à porta “agarra que é ladrão”, que “não os posso prender, eles são deputados, estão acima da lei pois fazem-na”. Tais declarações causaram uma confusão de todo o tamanho, porque os mirones na rua juraram todos a pés juntos serem os deputados em causa uns valentes ladrões, embora não se referissem ao calote no café mas a outras e pouco populares diatribes legislativas. Enquanto a balbúrdia ia no adro, o empregado de mesa pegou na lei, corrigiu-lhe os erros ortográficos e enviou-a pelo marçano para seus os autores. Esta versão sem erros e posterior à mirada dos demais deputados, foi ainda corrigida em reunião à porta fechada, até que com mais vinte rondas de correcções, acrescidas de novos erros gramaticais e ortográficos, que o ensino entre os nabos anda pelos ratings mais baixos (segundo as empresas dos ditos), entrou no parlamento por mão dum estafeta que caiu por cima do secretário ocupado a redigir os autos, o qual rabiscou o assinador electrónico que emitiu nesse mesmo instante a confirmação da entrega para a central, sita no andar de cima. Foi isto em dia de grande azáfama pois os deputados estavam unanimemente aflitos para levar as ramas a corar nas praias do Potentado da Paelha e ainda precisavam pôr a papelada em ordem. Como o estafeta chegasse atrasado, só restavam 3 minutos antes que o segurança fechasse as portas, deixando-os a ver o sol aos quadradinhos.
Enquanto uma deputada tentava explicar que graças ao curso de leitura relâmpago frequentado entre dois bagaços na Rede-de-Pesca e uma bela tarde no Second Life, concluíra que a lei era diferente da que vira de esguelha no café, a qual era a suposta candidata a votos, todos os colegas gastaram os 3 minutos no debate do importantíssimo tema “mas só temos 3 minutos para votar”. Sendo a opção ficarem fechados à sombra até ao Inverno, votaram. A consternação veio 3 horas depois, quando se iniciaram as eleições para o controle das mangueiras. É que afinal a versão da lei que foi votada não era a que no fim foi publicada, que aliás nem era a que teria sido para ser publicada, mas a naba da limpeza, com a mania das arrumações e de pôr tudo ao seu jeito, deitou a lei original no caixote do lixo e pôs dentro do envelope para as gráficas a versão número 23, de difícil leitura pelos compositores de texto pois estava cheia de manchas de maionaise e molho tártaro. Regressados de férias e cheios de energia, os deputados estão já a dar o seu melhor para reduzirem este record na aprovação da lei que ditará os seus salários, prevendo gastar apenas uns estonteantes 1,5 minutos, até porque esta é das tais em que todos estão de acordo, quem de seu juízo vota contra algo que lhe dê mais conquilhas por mês? Lá o facto do resto dos nabos terem de trabalhar de graça e a seco e ainda pagarem pelo privilégio de suar as estopinhas 16 horas por dia… ora, não sejam nabos e vão para a política, quem os manda ser trabalhadores?!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Banco dos Ratinhos, sólida e respeitável instituição que pela sua importância é uma das cabeças-de-cartaz das empresas de rating que actualmente dominam e desorientam a economia internacional, dando notas más por razões que por vezes até os próprios classificadores não percebem, enquanto boas notas são atribuídas a outros pagantes por ainda mais incompreensíveis razões, foi ontem abalado por dois violentos escândalos. Também por acaso o foi por duas valentes explosões e os habituais grémios dedicados a explosões e outros atentados já vieram afirmar e jurar e mostrar em certidão que não foram os responsáveis, pois não lhes foi encomendado qualquer estrago por parte de empresas de urbanismo, construção e reparação de edifícios, estradas e viadutos, nem pelas fábricas de construção de aviões, comboios e automóveis, que são os seus usuais clientes. Tudo começou com uma empregada da limpeza que anda a tirar um curso de electrónica e espionagem industrial por correspondência, e que descobrindo no seu turno de limpezas uma fotocopiadora encravada, decidiu testar os seus conhecimentos, até porque tinha um teste de avaliação nessa mesma noite. E recuperou-a tão bem que esta começou a imprimir todos os documentos que lhe haviam passado pelas rotativas nas últimas 60 horas. Aflita pois não sabia onde pôr tanta papelada – por causa da crise a empresa de limpezas só lhes dá um saco por dia, elas têm de saltar para dentro dos sacos para calcar a lixarada toda pois senão “não dão para as encomendas” – decidiu fazer de conta que os papéis eram um romance que andava a escrever e levou-os para casa. Assim, não ultrapassou a quota diária de sacos escuros de 50 quilos embora quase ultrapassasse um sinal vermelho com a carrinha da empresa e por mais um bocadinho também um polícia de giro (foi uma pena não o ter passado a ferro, comentou a colega que ia ao seu lado, pois é um malandro que anda sempre a ver se nos ferra uma multa). É que ao ler os primeiros parágrafos, entre atender o telefone, fazer uma ultrapassagem e virar à esquerda, tudo ao mesmo tempo, descobriu que o gestor-mor do Banco dos Ratinhos e um dos seus assessores tinham andado nos últimos anos muito ocupados em actividades freelancer de renovação criativa de assinaturas, requintado conto do vigário a clientes com muita massa e ansiosos por terem mais e muito depressa, elaboração sofisticada de produtos financeiros que ninguém entende como funcionam mas dão chorudas comissões a quem os vende, acerto sempre positivo de balanços de saldos bancários (desde que o dono interessado ofereça umas luvas de camurça recheadas com muitas conquilhas), aldrabanço e manipulação dos preços de acções cotadas em bolsa e criação não pedida e muito imaginativa de documentos que só na aparência são verdadeiros. Se a pobre empregada da limpeza ficara sem ar ao ler estes relatos, teria um ataque cardíaco logo a seguir, razão pela qual se espetou com o carro do patrão contra um muro forrado de barracas, as quais são dos trabalhadores do condomínio que o dito muro encerra. É que na segunda leva, ou novela como a colega esclareceu ao polícia dos autos que ficou muito interessado na “literatura”, se contava com inspirado pormenor como o Banco dos Ratinhos andava a contratar filhos de dirigentes de topo do Império do Arroz. Como o Banco dos Ratinhos tem numerosos investimentos neste Império, em indústrias estratégicas e outras (secretas), quer estar de bem com os líderes e ter informação privilegiada para entrar em novas parcerias. Portanto, um dos melhores investimentos é contratar-lhes os filhos, que no futuro sucederão aos pais pois neste Império vigora uma monarquia não oficial mas efectiva; no entanto a estratégia tem os seus problemas, como o caso duma das contratadas que nunca estudara economia nem fazia ideia do que era uma balança de pagamentos pois especializou-se em culinária. Porém a sua entrada no Banco promoveu um activo movimento de capitais no mercado da restauração do Império, que vai desde os restaurantes de luxo onde se comem patas de tigre flambés aos proletários carrinhos de frituras onde se morfam rolos de vegetais tostados na hora e sem arrebiques duma qualquer agência de verificação sanitária que, preocupada com normas de higiene da asséptica União das Hortaliças, mataria em duas penadas o mais antigo comércio de paparoca do mundo. Também ocorreu o caso do filho do senhor dos caminhos-de-ferro que estudou teatro mas foi contratado como assessor financeiro para a área das ferrovias. A sua entrada promoveu um incremento nas indústrias do aço, da metalomecânica e construção de maquinaria pesada, pois a partir dessa altura ocorrem descarrilamentos em todas as linhas de caminho-de-ferro do país (um dos maiores do mundo) a todas as quartas-feiras, dia de transmissão da ópera tradicional e que agora os maquinistas são obrigados a ouvir, por resolução deste jovem artista. Também foi artista a arranjar um cofre secreto no Cantão dos Queijos e a recheá-lo muito bem, tanto mais que já está em negociações para comprar um segundo. O filho dum dirigente da marinha mercante, e que se especializou em oceanografia, também foi contratado, momento a partir do qual o Banco dos Ratinhos se dedicou à pesca e se pôs a meter água, recenado-se agora que possa em breve ir ao fundo. Mas podemos ficar descansados que antes disso o Banco dos Ratinhos irá passar os países todos a rating -20, com excepção do Império do Arroz e do próprio Banco, que terão notação 21… pois é preciso é enganar os trouxas na Bolsa, a burrice de uns é a salvação das conquilhas de outros.

domingo, 3 de novembro de 2013

fonte: giornalletismo.it
Na Ilha dos Náufragos vai hoje grande indignação por mor da visita do chefe da banda da União das Hortaliças. Não é que os naufragados odeiem música, muito pelo contrário, são na verdade um povo muito musical, muito expansivo, muito gesticulador e cativante, com uma riquíssima tradição cultural que vai dos mecenas da arte à tradição operática, engenheiros, soldados, envenenadores e arquitectos, já para não falar da arte de comerciar e fazer roupa de estilo. Não, os náufragos estão danados porque os têm deixado para ali a braços com graves problemas de poluição costeira e ninguém se preocupou, apesar de também os náufragos serem, ou quererem ser, da União (é sempre um pouco difícil definir o estatuto destes povos do sul no seio da dita cuja). Estes problemas surgiram quando mais uma vez pelas tradicionais vagas de navegadores à aventura, que atravessam o mar desde o Continente Apagado, num timing perfeito que antecede a inauguração da temporada das borrascas de Inverno e também da ópera nos teatros locais. Na verdade os náufragos já passaram a adivinhar a mudança das estações com base nesta migração de jangadas, tal como os seus antepassados previam se estava na altura de colher a uva ou mondar a seara pelas migrações de cegonhas e andorinhas. Estes navegadores são muito coloridos e de várias confissões religiosas mas todos eles são iguais porque querem a todo o custo chegar à Ilha dos Náufragos e nenhum sabe nadar. Além disso, porque os materiais são caros e o dinheiro ainda o é mais, empilham-se aos magotes em chalupas mal-amanhadas, ansiosos por quebrarem o novo redor ou de embarcações sobrelotadas ou de mortos por naufrágio. Porque é que eles fogem do Continente Apagado ninguém quer saber nem é importante pois os nativos dessa terra valem nos mercados menos que a bolota, em especial se trajarem com véus ou turbantes pela cabeça. Como valem menos do que a bolota e mesmo assim insistem em inundar a União com as suas indesejáveis pessoas, foi criada uma sábia lei que proíbe a ajuda a estes navegantes, mesmo se caídos ao mar e a meio segundo de se afogarem, chamada Lei do Afoganço. Era para se chamar Lei de Tiro ao Afogado pois o legislador até pensou numa cláusula ordenando o tiro aos caídos ao mar, com prémios pecuniários de montante igual ao número de mortos produzidos, mais extras para as embarcações que abalroassem e afundassem as chalupas; mas os perigosos subversivos com a mania dos direitos humanos iriam fazer ondas e ficou a marinar para a próxima. Enviou-se a nova lei para o Continente Apagado, para levar os nativos a abandonar o desejo de viajar mas, como a generalidade dos candidatos a navegantes não sabe ler porque ou a guerra deu cabo das escola ou do sustento das famílias ou a religião proibiu os estudos, o resultado foi nulo. E assim, as praias da Ilha dos Náufragos continuam a ser poluídas pelos navegantes que não sabem nadar e se afogam. Os náufragos estão cansados de limpar as praias e revoltaram-se quando o chefe da banda da União das Hortaliças por lá apareceu de lágrima ao canto do olho para consolar os residentes, pois estes queriam era ajuda para a limpeza do último naufrágio, que terá direito a record de passageiro que menos tempo viveu pois a mãe deu à luz pouco antes de se afogar. Também estavam zangados porque alguns vizinhos, cansados de fazer de cangalheiros, tinham usado as suas embarcações não para afogar mas para salvar os ainda vivos e estão agora presos pois desobedeceram à Lei do Afoganço. O chefe da Banda da União das Hortaliças ficou muito perturbado – as nossas escutas telefónicas comprovaram que não foi pela exposição de caixões mas pelos apupos dos ilhéus e pelas perdas que se estão a dar nas receitas do turismo – e mandou logo que se atacasse a sério o problema dado que tão grande número de mortos desfigura as praias e enfurece os empreendedores turísticos que perderam já 10% das receitas e ameaçaram que se perdessem mais 1% se mudavam de armas, bagagens, hotéis, golfes e piscinas para sítios menos concorridos Para já serão postos no mar muitos navios de guerra, para torpedearem as chalupas e impedirem os subversivos de irem salvar estrangeiros. A Lei do Afoganço, melhorada com a cláusula do abalroamento das chalupas e tiro aos sobreviventes com prémio para quem matar mais, será estritamente cumprida, com a ajuda vigilante desta nova frota, que também afundará qualquer embarcação da União que tente ajudar os chalupas caídos ao mar. Se mesmo depois do afundamento e do tiroteio cerrado – estão a organizar-se campeonatos de tiro ao moribundo – houver alguns teimosos que insistam em aprender a nadar, serão pescados com redes de faina do atum de medidas proibidas por todos os convénios ecológicos, e pendurados nos mastros a secar até devolução à procedência em caixas de cartão devidamente etiquetadas com a seta Frágil e metidas nos contentores selados do cargueiro que fizer a tarifa mais barata. Por estas meritórias razões, a União das Hortaliças acaba de receber o Nobel dos Bonzinhos. É ou não é merecido?
 
Notícia de última hora: os pescadores que tentaram ajudar os moribundos da última chalupa naufragada acabam de ser condenados a trabalhos forçados por 50 anos. Espera-se que morram todos muito antes disso, para exemplo moralizante da sociedade
 
fonte: naval.com.br
 
 
 
 
                                                        fonte: wikipedia.pt

sábado, 2 de novembro de 2013

Este é um ano agitado na Península das Areias, o que tem causado grande transtorno no comércio com o Oriente, porque nunca se sabe quando as caravanas têm de ser desviadas, para fugir à turbulência, ou então são desviadas à força por guerreiros sagrados locais que precisam do bem terreno e pecaminoso carcanhol e nada como uns reféns para meter a mão no guito sem demasiadas chatices. Porque chatices já as têm que chegue com os outros guerreiros sagrados seus adversários, os vendedores de armas e o mulherio, que teima em também direitos porque são pessoas. E se ao mulherio se lhes corta a cabeça ou pega o fogo para alumiarem a família, com os adversários e os vendedores de armas a coisa pia mais fino, os vendedores, por exemplo, só entregam o material depois dos pagamentos feitos e depositados em contas silenciosas no Cantão dos Queijos. Daí que os orientais, a começar no exuberante Império do Arroz, estejam a deslocalizar muitos dos seus negócios, investindo forte e feio no ocidente, sedeando-se por cá, para não sofrerem os prejuízos de caravanas apresadas. No entanto ontem as coisas tomaram um rumo mais preocupante, quando uma remessa de bombas de mau cheiro rebentou na capital Alperces da República dos Turbantes. De acordo com todas as normas de guerra é proibido usar bombas de mau cheiro para neutralizar o adversário mas como os combatentes turbantinos vos muito bem dirão, no meio duma troca de tiros não há tempo para consultar livros de direito internacional nem dossiers das convenções militares, uma pessoa desenrrasca-se conforme pode. Pois num desses desenrrascanços, ninguém sabe muito bem de quem, um carregamento de bombas de mau cheiro de contrabando foi desembrulhado à pressa e o fedor libertado foi tanto que matou o bairro todo em redor. Claro que o incidente foi muito mau porque a República dos Hambúrgueres foi logo dizer que a culpa era do Turbante Teimoso, o que foi imediatamente desmentido pelo Pupu do Império dos Ursos, que é o principal fornecedor de armas de contrabando para o teimoso, o que muito irrita os hambúrgueres pois queriam ser eles a ficar com essa faixa de mercado. A VII República do Amor e Gruyère e a Monarquia do Chá disseram logo que o Pupu mentia, os desalmados!, enquanto no fundo da Península das Areias o Califado dos Ai-a-Tola!, se ria de todos, apesar da enxaqueca crónica que vitima os seus dirigentes e dirigidos. O Pupu e os acusadores do Teimoso começaram a arregaçar as mangas, prontinhos para entrarem na sarrafusca, todos com o mui nobre objectivo de acabar com a guerra. O que seria grande dano para os beneméritos mercadores de armamento. Infelizmente, tão nobre propósito de acabar com uma guerra fazendo outra não pôde ser alcançado porque os fusos horários dos beligerantes não coincidem. Assim, quando depois do chá os hambúrgueres se dispunham a entrar em acção, era o Pupu que não entrava porque na casa dele estava-se já a dormir. Quando o Pupu mobilizava os seus homens, no Reino do Chá estava-se ainda a tostar as torradas e sem pequeno-almoço nada feito, os rapazes não marchavam para a Frente. Entretanto a guerra continuava alegremente entre os vários grupos de combatentes sagrados dos turbantes inscrevendo-se todos os dias nos cadernos de ponto guerra cinco novos grupos, o que demonstra o sucesso desta. Por fim o Papu, chateado, perguntou aos hambúrgueres se queriam ou não levar nas trombas, estava farto de avisar o Turbante teimoso que era desta que iam para a festa e nada, os hambúrgueres eram uns cortes de todo o tamanho! Os hambúrgueres amuaram, pois eles não são nenhuns cortes, ora essa! Por seu lado o pessoa do Califado Ai–a-Tola, emborcava comprimidos para as enxaquecas e ria a bandeiras despregadas, prontinho a entrar à cabeçada se os hambúrgueres metessem o bedelho nos turbantes. Por fim o Pupú disse: “tá bem, prontos, a gente não vai lá acabar com a guerra mas podemos pedir a devolução das bombas de mau cheiros”, até porque o perfume começava a chegar às províncias do sul do Império dos Ursos. Assim podemos noticiar em primeira mão que as últimas encomendas de bombas estão a ser reenviadas à procedência, para hilariedade geral dos Ai-a-Tola, que mesmo de cabeças apertadas com panos e a gastarem uma conta bruta nas farmácias, ainda não pararam de rir. Enquanto isto, os súbditos turbantes fogem do país o mais depressa que podem, tendo prometido aos beligerantes que o último que sair fará o favor de fechar a porta.
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O motor de busca Gugu da Rede-de-Pesca acaba de inaugurar mais um serviço gratuito que muito contribuirá para o avanço civilizacional do mundo. Trata-se este dum canal de vídeos para torturadores, onde além de várias curtíssimas metragens gore filmadas em salas de tortura de todo o mundo, terá como estrela da programação as execuções de penas capitais, com especial destaque para decapitações e lapidações, com som estéreo e em alto volume para se aproveitar bem os gritos das vítimas. Este tipo de vídeos tinha sido proibido mas, reivindicando o direito à liberdade de expressão e de visionamento de conteúdos agressivos, foram novamente autorizados a circular livremente na Rede-de-Pesca. Este serviço permitirá aos torturadores do mundo inteiro – para a tortura não é necessário saber línguas, basta apenas ser-se descompensado o bastante para desejar infligir mal aos outros – estarem permanentemente actualizados quanto às novidades da profissão, e poderem realizar formação contínua. Quem quiser, além desta formação, ter aulas práticas, deverá enviar currículo, interesses específicos de especialização e foto para o email do site. Os gestores de conta avaliarão posteriormente as competências do candidato e se este for suficientemente psicopata, será contactado para escolher das várias prisões espalhadas pelo mundo quais as mais adequadas ao seu treino, sendo-lhe garantidas refeições e alojamento gratuito, viagens pagas, férias para visitar os pontos turísticos do país de acolhimento e diploma autenticado pelos serviços oficiais, com classificação alcançada no final do período de treino. Assim, o grémio dos torturadores poderá oferecer um serviço de qualidade sempre modernizado a governos, senhores da guerra, donos de multinacionais de import/export de drogas, prostituição e tráfico infantil que sejam seus actuais ou futuros patrões. Refira-se mais uma vez mais se trata dum serviço gratuito, subsidiado pelas compras on-line de alimentação, livros, música e artigos científicos de que os tansos dos cientistas e estudantes universitários precisam para avançar nas suas pesquisas, concluir os estudos, ou que os insignificantes cidadãos desejem para alimentar o espírito e os estômagos. Tal novidade contribuirá seguramente para o avanço da civilização mundial, podendo ser aplicado a muito breve trecho aos piratas que tentaram impedir as acções poluentes de plataformas petrolíferas no mar do Império dos Ursos, aos subversivos que berram nas ruas pelos direitos humanos e aos perigosos terroristas que se metem à frente dos navios baleeiros para salvar da extinção as inúteis baleias. Com estas prioridades bem estabelecidas poderemos rumar segura e confiantemente até ao pináculo civilizacional que foi a Idade das Trevas.