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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Fundo Mundial da Agiotagem está de novo nas bocas do mundo e nos emails das redacções. Desta feita não por mor de mais empréstimo agiotário que atirou para a morgue com a economia de outro país “em salvação”, visto que tal não poderá ser notícia de um Fundo de Agiotagem, de mais a mais com a experiência confirmada de atirar economias ao fundo mais depressa do que os submarinos num jogo de batalha naval. Desta vez, a notícia resulta de mais um erro nas famosas folhas de cálculo usadas por todo o bicho-careta que quer dar uma de economista, mesmo que seja apenas o economista de trazer-por-casa que soma os deves e haveres do ordenado a cada final de semana, desporto radical responsável pelas subidas dominicais de ataques cardíacos, conforme demonstram as estatísticas dos Serviços Nacionais de Doença de metade dos países do clube da União das Hortaliças. Sucede que se veio a descobrir na informática folha de cálculo que os dados com que o Fundo Mundial da Agiotagem calculava índices e rácios, ou melhor, índices e taxas para saber quanto deveria reduzir os salários da República dos Nabos estavam com dados em falta. Na verdade o governo da República dos Nabos, para honrar a fama de nabice dos seus concidadãos, esquecera-se de rever as contas dos salários que já tinham sido cortados no ano anterior. Compreende-se. Os dignos governantes tinham estado na desbunda da festa do Ti Nabo-Porro, candidato às eleições da mão na mangueira e que seria posto na prisão no dia seguinte por desfalque e desvio de água para o canteiro dos seus nabos favoritos, e a despedida de liberdade – uma recente voga nesta República mas que parece vir a tornar-se tradição – não pudera ser mais regada, cheia de brasas e com comes e trocas de chamadas, fotos e mensagens vídeo nos mais recentes smartphones dos convivas. Donde, tendo a festa acabado às 7:30 da matina e os convidados ido para os escritórios às 11 da manhã, briosos em cumprirem os seus deveres (o cidadão comum tem de estar no trabalho às 9), estavam sem cabeça para reverem contas, e enviaram o que lhes tinham posto em cima da mesa. Resultado: mais de 50% dos cortes de salários do ano anterior não entraram nas folhas de cálculo do Fundo Mundial, pelo que este, confiando nos dados governamentais, concluiu que se teria de cortar os salários a toda a gente em cerca de 95%. O que deu como resultado que pelo menos 2% da população empregada se visse não apenas sem salário mas de facto a ter de pagar aos seus empregadores pois como se sabe, tudo o que se corta para além do zero é negativo, o que em economia quer dizer que nos sai do bolso, nada mais simples. Agora vai uma imensa fúria nos gabinetes do Fundo Mundial de Agiotagem pois culpam o governo dos nabos pela péssima imagem que os nativos têm do Fundo e que expressam em manifestações e apedrejamentos quando os revisores do Fundo vêm ao país ver em que param as modas, provar os últimos sucessos culinários e os bons vinhos da região, conhecer nabiças giras e em pé de página ver como andam a cumprir as suas ordens. O governo dos nabos diz que não senhor, que enviou os dados todos que possuía e se surgiram novos elementos foi por sabotagem de alguns funcionários públicos que foram já despedidos, tiveram todos os bens confiscados e foram para a prisão que, tendo por este motivo ficado sobrelotada, procedeu à amnistia total e integral do senhor Nabo-Porro que pode agora vencer as eleições e ficar mais uns tempos de mão na mangueira a regar os amigos. Porque, afirmação dos Ministro das Barafundas no Estrangeiro, “na República do Nabal não se brinca com a hortaliça!”. Neste momento não se saber se o Fundo irá exigir compensações monetárias pela delapidação da sua imagem junto dos nabos e cidadãos de outros países mas pode-se garantir que não foram minimamente alteradas as metas de reduções de salários exigidas pelo Fundo, e que foram calculadas com os tais dados deficitários. Ou, como nos disse em segredo uma das economistas do Fundo, e responsável pelos cálculos: “não vamos emendar nada, enganámo-nos mas é segredo!” Comparações feitas nesta redacção pela nossa coscuvilheira-mor (e porteira em todos os minutinhos livres para ganhar algum com que pagar os grelos e obter informações fidedignas para os seus artigos de jornalismo de investigação) revelaram que as metas de redução de salários para a República dos Nabos são afinal idênticas às exigidas para a Democracia da Moussaka, o Ilhéu das Cabras, a Grande Ilha dos Gnomos e o Potentado da Paelha, que também estão sob “salvação” do Fundo, apesar destes quatro países terem população, dinâmicas económicas e sociais bastante distintas das da República dos Nabos. Será outro erro que não se deve divulgar?
 

Nota da redacção: Aguardamos ansiosamente as novas contas da nossa coscuvilheira-mor, que está já a fazer previsões com a folha de cálculo do Fundo (fanada por um portal hacker) para a Floresta dos Veados, a Ilha dos Cavaleiros, a Monarquia dos Raviolis, a VII República do Amor e Gruyère e a Confederação dos Moinhos porque de crise em crise, o Fundo há-de chegar a todos.

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