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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Vote em Nós para o Guinness (não é a cerveja) da Grande Lata. Oferecemos um Ano de Petromaxes a Preços de Mercado
Dada a importância cada vez maior da responsabilidade ecológica e também social das empresas, foi criado um prémio internacional, uma espécie de Nobel desportivo, chamado Guiness das Empresas Socialmente e Ecologicamente Preocupadas, vulgo Guiness da Grande Lata, mas por favor, assim nos escrevem da Ilha dos Trevos também à brocha com a crise, não confundam esta Guiness com a famosa cerveja celta que já dava que falar no tempo do Asterix. Ao invés dos Nobel, que têm um secreto conclave de decisores para atribuírem anualmente o prémio, neste Guiness a votação está aberta a toda a gente – incluindo os aficionados da bebedeira em caneca – por votação on-line na Rede-de-Pesca. São vários os concorrentes de peso desde a Hambúrgueres R’ Us, que concorre com medidas de apoio às florestas tropicais e campanhas contra a obesidade infantil, ao mesmo tempo que carrega no sal, nos molhos e nos óleos da cozinha, à Bonnet-Todas-As-Cores, que promove campanhas de publicidade contra as condições de insalubridade laboral, tendo fábricas no País dos Alagados sem saídas de emergência em caso de terramoto ou incêndio e os operários são trancados nas salas de confecção para não fugirem sempre que lhes dá na bolha, de cada vez que há um fogo na fábrica ou uma derrocada das instalações e também promete mas nunca dá compensações às famílias das vítimas. A mais recente candidata ao prémio é a ED-Pisca-Pisca, o que muito honra a República dos Nabos e ainda mais o investidor do Império do Arroz, que aliás tem arroz suficiente para subornar os gestores do concurso e colocar esta empresa na lista dos finalistas. Concorre a ED-Pisca-Pisca na modalidade “Oh p’ra Mim, Salvei uma Vida!”, resultado da sua campanha “Quem Não Paga Vive Apagado”. A campanha decorreu na passada semana tendo todo o nabal sido percorrido por técnicos da empresa, apetrechados com alicates e lacres e acompanhados por uma simpática assistente que ia lendo as moradas dos clientes que por óbvia falta de dinheiro (incluindo o necessário para provarem que são indigentes) não conseguem pagar as normalmente astronómicas contas da luz mesmo que já façam quase toda a sua vida à luz de candeia de óleo Fula, que nem p’ró azeite têm pilim. O acto benemérito da ED-Pisca-Pisca ocorreu quando os técnicos do apagão chegaram a uma casa que já conhecera melhores dias mas agora está inteiramente despida de todo o recheio, pois os donos tiveram de o ir vendendo para pagar as contas, dado que estão os 6 há 1 ano e meio a bater a todas as portas para lhes darem um emprego e só recebem negas e também já esqueceram o que é um subsídio de desemprego, porque madraços que não achem trabalho no vasto período de seis meses, deixam de ter direito seja ao que for, para não alimentar vícios. Os únicos móveis eram uns cartões no chão onde se esticava um dos residentes, ligado a um ventilador, com toda a certeza dos de fingir pois os indigentes são craques neste tipo de trapaças. Ora enquanto a boa assistente, mestre em 5 artes marciais, despachava à trancada os outros que suplicavam pela vida do falso doente, o colega foi ao quadro e zás, luz desligada e ventilador também. Foi aí que as coisas se precipitaram: o doente pôs-se a arfar sem aviso e com grande ruído, fez-se roxo e esticou a perna. A família desatou aos uivos, aquilo era assassínio. O homem dos alicates só queria saber onde ficava o freguês que se seguia mas não soube porque a assistente estava muito ocupada a malhar nos uivadores e foi ele quem teve de telefonar para a central, onde o mandaram ir mas era trabalhar ou ainda lhe cortavam o ordenado, a luz e o pio. só que não foi porque os vizinhos lhe deitaram a unha. A assistente, essa continuava a distribuir pantufadas até uma lata de tinta de 30 kg lhe acertar involuntariamente nos queixos. Veio a brigada da polícia e a seguir foi um vai-e-vem de telefonemas entre a esquadra e o chefe de piquete e deste pela hierarquia de chefes acima até aos manda-chuvas do marketing e director geral. Uma hora de brandys mais tarde chegou a ordem para ligarem o ventilado à tomada de emergência pois se esse idiota morrer fará muito estrago à nossa imagem. É claro que o idiota já estava morto e ligá-lo à máquina não lhe mudou o estado civil mas deu para umas lindas fotografias, devidamente editadas no Photoshop para lhe tirar o verdete. De seguida, como o morto já estava morto, desligaram de vez a electricidade pois já não fazia falta. As fotos foram por sua vez publicadas nos jornais online da Rede-de-Pesca, tendo sido ampliadas e melhoradas para serem a abertura dos telejornais, com o grande chefe da ED-Pisca-Pisca em grande plano à sua frente, oferecendo o seu treinado sorriso feliz de pessoa benenmérita iluminado por aura de santidade (embora as más línguas dissessem ser luzes de palco) explicando para sossego dos próximos desligados que: “Somos uma empresa com sensibilidade social. Quando ao desligar o contador numa casa em que não pagavam a luz, sem haver justificação para o facto, pois o certificado de indigência é inválido por ter o carimbo 3 milímetros abaixo do prescrito, e vimos este pobre ligado ao ventilador, não o tirámos da corrente, apenas o direccionámos para uma tomada sem ligação de terra, esperando que a Divina Providência, na próxima trovoada, resolva o assunto”. Daqui saudamos a ED-Pisca-Pisca pela sua benevolente consciência social e invectivamos todos os nossos leitores a serem patriotas e a votarem nela para os Guiness da Grande Lata. A cada votante a ED-Pisca-Pisca oferece um petromax de borla durante um ano (sem petróleo).

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