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sábado, 2 de novembro de 2013

Este é um ano agitado na Península das Areias, o que tem causado grande transtorno no comércio com o Oriente, porque nunca se sabe quando as caravanas têm de ser desviadas, para fugir à turbulência, ou então são desviadas à força por guerreiros sagrados locais que precisam do bem terreno e pecaminoso carcanhol e nada como uns reféns para meter a mão no guito sem demasiadas chatices. Porque chatices já as têm que chegue com os outros guerreiros sagrados seus adversários, os vendedores de armas e o mulherio, que teima em também direitos porque são pessoas. E se ao mulherio se lhes corta a cabeça ou pega o fogo para alumiarem a família, com os adversários e os vendedores de armas a coisa pia mais fino, os vendedores, por exemplo, só entregam o material depois dos pagamentos feitos e depositados em contas silenciosas no Cantão dos Queijos. Daí que os orientais, a começar no exuberante Império do Arroz, estejam a deslocalizar muitos dos seus negócios, investindo forte e feio no ocidente, sedeando-se por cá, para não sofrerem os prejuízos de caravanas apresadas. No entanto ontem as coisas tomaram um rumo mais preocupante, quando uma remessa de bombas de mau cheiro rebentou na capital Alperces da República dos Turbantes. De acordo com todas as normas de guerra é proibido usar bombas de mau cheiro para neutralizar o adversário mas como os combatentes turbantinos vos muito bem dirão, no meio duma troca de tiros não há tempo para consultar livros de direito internacional nem dossiers das convenções militares, uma pessoa desenrrasca-se conforme pode. Pois num desses desenrrascanços, ninguém sabe muito bem de quem, um carregamento de bombas de mau cheiro de contrabando foi desembrulhado à pressa e o fedor libertado foi tanto que matou o bairro todo em redor. Claro que o incidente foi muito mau porque a República dos Hambúrgueres foi logo dizer que a culpa era do Turbante Teimoso, o que foi imediatamente desmentido pelo Pupu do Império dos Ursos, que é o principal fornecedor de armas de contrabando para o teimoso, o que muito irrita os hambúrgueres pois queriam ser eles a ficar com essa faixa de mercado. A VII República do Amor e Gruyère e a Monarquia do Chá disseram logo que o Pupu mentia, os desalmados!, enquanto no fundo da Península das Areias o Califado dos Ai-a-Tola!, se ria de todos, apesar da enxaqueca crónica que vitima os seus dirigentes e dirigidos. O Pupu e os acusadores do Teimoso começaram a arregaçar as mangas, prontinhos para entrarem na sarrafusca, todos com o mui nobre objectivo de acabar com a guerra. O que seria grande dano para os beneméritos mercadores de armamento. Infelizmente, tão nobre propósito de acabar com uma guerra fazendo outra não pôde ser alcançado porque os fusos horários dos beligerantes não coincidem. Assim, quando depois do chá os hambúrgueres se dispunham a entrar em acção, era o Pupu que não entrava porque na casa dele estava-se já a dormir. Quando o Pupu mobilizava os seus homens, no Reino do Chá estava-se ainda a tostar as torradas e sem pequeno-almoço nada feito, os rapazes não marchavam para a Frente. Entretanto a guerra continuava alegremente entre os vários grupos de combatentes sagrados dos turbantes inscrevendo-se todos os dias nos cadernos de ponto guerra cinco novos grupos, o que demonstra o sucesso desta. Por fim o Papu, chateado, perguntou aos hambúrgueres se queriam ou não levar nas trombas, estava farto de avisar o Turbante teimoso que era desta que iam para a festa e nada, os hambúrgueres eram uns cortes de todo o tamanho! Os hambúrgueres amuaram, pois eles não são nenhuns cortes, ora essa! Por seu lado o pessoa do Califado Ai–a-Tola, emborcava comprimidos para as enxaquecas e ria a bandeiras despregadas, prontinho a entrar à cabeçada se os hambúrgueres metessem o bedelho nos turbantes. Por fim o Pupú disse: “tá bem, prontos, a gente não vai lá acabar com a guerra mas podemos pedir a devolução das bombas de mau cheiros”, até porque o perfume começava a chegar às províncias do sul do Império dos Ursos. Assim podemos noticiar em primeira mão que as últimas encomendas de bombas estão a ser reenviadas à procedência, para hilariedade geral dos Ai-a-Tola, que mesmo de cabeças apertadas com panos e a gastarem uma conta bruta nas farmácias, ainda não pararam de rir. Enquanto isto, os súbditos turbantes fogem do país o mais depressa que podem, tendo prometido aos beligerantes que o último que sair fará o favor de fechar a porta.
 

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