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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Com vista a não ficar mal nas estatísticas e para baixar a taxa de desemprego, a Aldeia dos Burros acaba de criar um novo curso universitário – tendo entretanto extinguido diversos outros – dedicado a uma ciência de grande interesse para o desenvolvimento da Aldeia: o Analfabetismo. Tradicionalmente a Aldeia dos Burros, de seu exacto nome República Democrática das Couves (Burros é só alcunha), está sempre lá para a metade inferior das estatísticas internacionais no que se refere a tudo quanto é indicador sobre educação. E desde que está sob protectorado da Tripeça (sim, este é mais um dos países de corda na garganta) os Burros, isto é os couvenses com estudos, têm abandonado em massa o país pois esses são espertos o bastante para perceber que a Aldeia das Couves nunca mais irá ter sequer talo para roer, fará agora hortaliças. Ora esta debandada dos burros, isto é, couvenses, atirará a Aldeia ainda mais para o fundo da tabela do eduquês, o que coloca sérios problemas à Tripeça. É que após todos os seus falhanços conhecidos – e alguns que nunca se chegarão a conhecer – nos vários países enforcados (perdoem este processador de texto, era suposto ter escrito resgatados) será muito mau para o negócio que até o bom aluno some outro falhanço à vasta lista do benemérito triunvirato internacional. Vai daí, sob pressão da Tripeça e porque alguns dos países credores muito desejam os burros-couvenses como mão-de-obra, mas não melhor qualificados que os seus próprios nativos, a Aldeia dos jericos decidiu criar o novo curso de Ciência do Analfabetismo, o qual integra o espírito das promoções que se enraizou no mercado. De facto, em vez dos habituais 4 anos, o curso passará a ter apenas 2 em conformidade com a tendência para a maior velocidade automóvel e das ligações à Rede-de-Pesca. Além disso, durando apenas 2 anos, gasta-se muito menos em sapatos, roupa, copos, livros, computadores e ebooks, embora talvez não na Queima das Fitas pois as associações de estudantes, tendo tão pouco tempo para festejar, já decidiram estender a Queima por todo o ano lectivo. É também promocional porque quanto mais interessados trouxer o candidato a burro… Cientista Analfabeto (Castanha, ou mudas o raio deste processador ou ficas sem palha na manjedoura!), maiores serão os descontos nas propinas, cujo valor consegue arrancar a pele até a um burro velho. Haverá descontos especiais para aqueles que trouxerem excursões de clubes desportivos de bairro, associações de amigos dos copos e febras na brasa, grupos de bisca e sueca, etc. Dado que não é necessário possuir quaisquer estudos ou qualificações especiais (fazem-se todas as equivalências no acto da inscrição) espera-se que o curso tenha larga aderência, para gáudio de Universidades e Institutos que têm estado às moscas e não só porque os couvenses detestam os estudos e mesmo os anormais que gostam de estudar não têm carcanhóis para pagar as propinas, mas porque não vendo nestas instituições qualquer utilidade, os burros confundem as suas salas e átrios com casas de banho. Estas Universidades e Institutos já desistiram há muito de formar técnicos e investigadores pois os que começa a formar pisgam-se logo ao fim do 1º ano, rumo a pastagens mais propícias, pelo que não constituirá problema leccionarem um curso onde não se espera que os formandos venham a aprender alguma coisa de jeito em tão pouco tempo. Também no espírito promocional da Aldeia os novos cursos agradam a todos: ao governo local pois assim pode mostrar que fez aumentar o número de licenciados pelo menos para o mínimo que lhe permita entrar no clube dos alfabetizados, às Universidades e Institutos pois poderão finalmente ver um aumento das receitas – podendo assim pagar a limpeza das salas e átrios bostados e remendar os buracos nas paredes – dado que nos últimos anos só têm recebido cortes orçamentais a torto e a direito, aos países credores pois poderão obter mão-de-obra ao preço da chuva e suficientemente estúpida para não ver que está a ser esfolada nem ir competir com os cidadãos locais por estar tão ou melhor formada do que estes, e aos alunos, que não precisarão de perder tanto tempo com os livros e poderão cavar mais cedo para fora da Aldeia. Também a maioria dos encarregados de educação está contente com a medida, devido à significativa poupança com os inúteis gastos escolares, embora alguns eternos descontentes estejam já a protestar que dois anos de estudos nem dão para ensinar o bê-a-bá das coisas, são desperdício de tempo e dinheiro, empurrando os seus jericos para a estiva e para a emigração a salto, que é só o que o futuro nos reserva.

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