Com vista a não ficar mal nas
estatísticas e para baixar a taxa de desemprego, a Aldeia dos Burros acaba de
criar um novo curso universitário – tendo entretanto extinguido diversos outros
– dedicado a uma ciência de grande interesse para o desenvolvimento da Aldeia:
o Analfabetismo. Tradicionalmente a Aldeia dos Burros, de seu exacto nome
República Democrática das Couves (Burros é só alcunha), está sempre lá para a
metade inferior das estatísticas internacionais no que se refere a tudo quanto
é indicador sobre educação. E desde que está sob protectorado da Tripeça (sim,
este é mais um dos países de corda na garganta) os Burros, isto é os couvenses
com estudos, têm abandonado em massa o país pois esses são espertos o bastante
para perceber que a Aldeia das Couves nunca mais irá ter sequer talo para roer,
fará agora hortaliças. Ora esta debandada dos burros, isto é, couvenses, atirará
a Aldeia ainda mais para o fundo da tabela do eduquês, o que coloca sérios
problemas à Tripeça. É que após todos os seus falhanços conhecidos – e alguns
que nunca se chegarão a conhecer – nos vários países enforcados (perdoem este
processador de texto, era suposto ter escrito resgatados) será muito mau para o
negócio que até o bom aluno some outro falhanço à vasta lista do benemérito
triunvirato internacional. Vai daí, sob pressão da Tripeça e porque alguns dos países
credores muito desejam os burros-couvenses como mão-de-obra, mas não melhor
qualificados que os seus próprios nativos, a Aldeia dos jericos decidiu criar o
novo curso de Ciência do Analfabetismo, o qual integra o espírito das promoções
que se enraizou no mercado. De facto, em vez dos habituais 4 anos, o curso
passará a ter apenas 2 em conformidade com a tendência para a maior velocidade automóvel
e das ligações à Rede-de-Pesca. Além disso, durando apenas 2 anos, gasta-se
muito menos em sapatos, roupa, copos, livros, computadores e ebooks, embora
talvez não na Queima das Fitas pois as associações de estudantes, tendo tão
pouco tempo para festejar, já decidiram estender a Queima por todo o ano
lectivo. É também promocional porque quanto mais interessados trouxer o
candidato a burro… Cientista Analfabeto (Castanha, ou mudas o raio deste
processador ou ficas sem palha na manjedoura!), maiores serão os descontos nas
propinas, cujo valor consegue arrancar a pele até a um burro velho. Haverá
descontos especiais para aqueles que trouxerem excursões de clubes desportivos
de bairro, associações de amigos dos copos e febras na brasa, grupos de bisca e
sueca, etc. Dado que não é necessário possuir quaisquer estudos ou
qualificações especiais (fazem-se todas as equivalências no acto da inscrição)
espera-se que o curso tenha larga aderência, para gáudio de Universidades e
Institutos que têm estado às moscas e não só porque os couvenses detestam os
estudos e mesmo os anormais que gostam de estudar não têm carcanhóis para pagar
as propinas, mas porque não vendo nestas instituições qualquer utilidade, os
burros confundem as suas salas e átrios com casas de banho. Estas Universidades
e Institutos já desistiram há muito de formar técnicos e investigadores pois os
que começa a formar pisgam-se logo ao fim do 1º ano, rumo a pastagens mais
propícias, pelo que não constituirá problema leccionarem um curso onde não se
espera que os formandos venham a aprender alguma coisa de jeito em tão pouco
tempo. Também no espírito promocional da Aldeia os novos cursos agradam a
todos: ao governo local pois assim pode mostrar que fez aumentar o número de
licenciados pelo menos para o mínimo que lhe permita entrar no clube dos
alfabetizados, às Universidades e Institutos pois poderão finalmente ver um
aumento das receitas – podendo assim pagar a limpeza das salas e átrios
bostados e remendar os buracos nas paredes – dado que nos últimos anos só têm
recebido cortes orçamentais a torto e a direito, aos países credores pois
poderão obter mão-de-obra ao preço da chuva e suficientemente estúpida para não
ver que está a ser esfolada nem ir competir com os cidadãos locais por estar
tão ou melhor formada do que estes, e aos alunos, que não precisarão de perder
tanto tempo com os livros e poderão cavar mais cedo para fora da Aldeia. Também
a maioria dos encarregados de educação está contente com a medida, devido à
significativa poupança com os inúteis gastos escolares, embora alguns eternos
descontentes estejam já a protestar que dois anos de estudos nem dão para
ensinar o bê-a-bá das coisas, são desperdício de tempo e dinheiro, empurrando os
seus jericos para a estiva e para a emigração a salto, que é só o que o futuro
nos reserva.Número total de visualizações de páginas
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Com vista a não ficar mal nas
estatísticas e para baixar a taxa de desemprego, a Aldeia dos Burros acaba de
criar um novo curso universitário – tendo entretanto extinguido diversos outros
– dedicado a uma ciência de grande interesse para o desenvolvimento da Aldeia:
o Analfabetismo. Tradicionalmente a Aldeia dos Burros, de seu exacto nome
República Democrática das Couves (Burros é só alcunha), está sempre lá para a
metade inferior das estatísticas internacionais no que se refere a tudo quanto
é indicador sobre educação. E desde que está sob protectorado da Tripeça (sim,
este é mais um dos países de corda na garganta) os Burros, isto é os couvenses
com estudos, têm abandonado em massa o país pois esses são espertos o bastante
para perceber que a Aldeia das Couves nunca mais irá ter sequer talo para roer,
fará agora hortaliças. Ora esta debandada dos burros, isto é, couvenses, atirará
a Aldeia ainda mais para o fundo da tabela do eduquês, o que coloca sérios
problemas à Tripeça. É que após todos os seus falhanços conhecidos – e alguns
que nunca se chegarão a conhecer – nos vários países enforcados (perdoem este
processador de texto, era suposto ter escrito resgatados) será muito mau para o
negócio que até o bom aluno some outro falhanço à vasta lista do benemérito
triunvirato internacional. Vai daí, sob pressão da Tripeça e porque alguns dos países
credores muito desejam os burros-couvenses como mão-de-obra, mas não melhor
qualificados que os seus próprios nativos, a Aldeia dos jericos decidiu criar o
novo curso de Ciência do Analfabetismo, o qual integra o espírito das promoções
que se enraizou no mercado. De facto, em vez dos habituais 4 anos, o curso
passará a ter apenas 2 em conformidade com a tendência para a maior velocidade automóvel
e das ligações à Rede-de-Pesca. Além disso, durando apenas 2 anos, gasta-se
muito menos em sapatos, roupa, copos, livros, computadores e ebooks, embora
talvez não na Queima das Fitas pois as associações de estudantes, tendo tão
pouco tempo para festejar, já decidiram estender a Queima por todo o ano
lectivo. É também promocional porque quanto mais interessados trouxer o
candidato a burro… Cientista Analfabeto (Castanha, ou mudas o raio deste
processador ou ficas sem palha na manjedoura!), maiores serão os descontos nas
propinas, cujo valor consegue arrancar a pele até a um burro velho. Haverá
descontos especiais para aqueles que trouxerem excursões de clubes desportivos
de bairro, associações de amigos dos copos e febras na brasa, grupos de bisca e
sueca, etc. Dado que não é necessário possuir quaisquer estudos ou
qualificações especiais (fazem-se todas as equivalências no acto da inscrição)
espera-se que o curso tenha larga aderência, para gáudio de Universidades e
Institutos que têm estado às moscas e não só porque os couvenses detestam os
estudos e mesmo os anormais que gostam de estudar não têm carcanhóis para pagar
as propinas, mas porque não vendo nestas instituições qualquer utilidade, os
burros confundem as suas salas e átrios com casas de banho. Estas Universidades
e Institutos já desistiram há muito de formar técnicos e investigadores pois os
que começa a formar pisgam-se logo ao fim do 1º ano, rumo a pastagens mais
propícias, pelo que não constituirá problema leccionarem um curso onde não se
espera que os formandos venham a aprender alguma coisa de jeito em tão pouco
tempo. Também no espírito promocional da Aldeia os novos cursos agradam a
todos: ao governo local pois assim pode mostrar que fez aumentar o número de
licenciados pelo menos para o mínimo que lhe permita entrar no clube dos
alfabetizados, às Universidades e Institutos pois poderão finalmente ver um
aumento das receitas – podendo assim pagar a limpeza das salas e átrios
bostados e remendar os buracos nas paredes – dado que nos últimos anos só têm
recebido cortes orçamentais a torto e a direito, aos países credores pois
poderão obter mão-de-obra ao preço da chuva e suficientemente estúpida para não
ver que está a ser esfolada nem ir competir com os cidadãos locais por estar
tão ou melhor formada do que estes, e aos alunos, que não precisarão de perder
tanto tempo com os livros e poderão cavar mais cedo para fora da Aldeia. Também
a maioria dos encarregados de educação está contente com a medida, devido à
significativa poupança com os inúteis gastos escolares, embora alguns eternos
descontentes estejam já a protestar que dois anos de estudos nem dão para
ensinar o bê-a-bá das coisas, são desperdício de tempo e dinheiro, empurrando os
seus jericos para a estiva e para a emigração a salto, que é só o que o futuro
nos reserva.
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